BLOCO CIDADANIA

RESISTÊNCIA

Dezembro 2010               Índice Geral do BLOCO CIDADANIA


19/12/10

• O papel das oposições (9): Augusto Nunes: "Quem se elege pela oposição e se rende ao Planalto é só mais um colaboracionista" + Íntegra da "Carta de Maceió"

Nota de Helio Rosa:
Augusto Nunes é um jornalista brasileiro e colunista da revista Veja.
Ao longo da carreira, Nunes dirigiu as revistas Veja, Época e Forbes (edição brasileira) e os jornais O Estado de São Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora; apresentou o programa Roda Viva.
Nunes venceu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e foi incluído numa seleção dos seis mais importantes jornalistas do Brasil, feita pela Fundação Getúlio Vargas. É assíduo crítico do governo Lula, acusando-o de prática de corrupção, tentativa de controle da imprensa e de cerceamento da democracia. [
Fonte: Wikipedia]

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Os "posts" desta série  estão colecionados aqui: O papel das oposições

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Matérias transcritas mais abaixo:

Fonte: O Globo
[15/12/10]   Governadores tucanos fora da oposição - por Odilon Rios
Fonte: Blog de Augusto Nunes
[18/12/10]   Quem se elege pela oposição e se rende ao Planalto é só mais um colaboracionista

Fonte: Blog Reinaldo Azevedo
[16/12/10]   Para que serve a oposição? Ou: “Então tá combinado, é tudo somente sexo e amizade” - por Reinaldo Azevedo
Fonte: O Globo
[16/12/10]   Governadores do PSDB divulgam Carta de Maceió

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Fonte: O Globo
[15/12/10]  Governadores tucanos fora da oposição - por Odilon Rios

MACEIÓ - O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), e oito governadores tucanos, reunidos nesta quarta-feira em Maceió, decidiram fazer uma "cooperação republicana" com a presidente eleita, Dilma Rousseff. Segundo eles, o papel de oposição será assumido pelos líderes tucanos no Congresso. Temas como a recriação da CPMF não entraram na pauta.

- Não tem aliança branca. O PSDB é diferente. Diminuiu na Câmara, manteve-se estável no Senado e toma uma posição estratégica. Governador tem pauta de governo. Quem lidera a oposição são as lideranças e o Congresso - disse Guerra.

Os governadores evitaram falar em oposição:

- Oposição? Afasta de mim esse cálice. É uma relação harmoniosa com o governo federal, como tenho com os municípios do meu estado. Prefeito que não votou em mim não é meu inimigo - disse o governador Teotonio Vilela Filho (AL).

Vilela e os colegas Geraldo Alckmin (SP), Antonio Anastasia (MG), Marconi Perillo (GO), Simão Jatene (PA), Beto Richa (PR), Siqueira Campos (TO) e Anchieta Júnior (RR) assinaram a "Carta de Maceió", pregando uma "relação altiva e de respeito mútuo" com o governo federal.

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Fonte: Blog de Augusto Nunes
[18/12/10]   Quem se elege pela oposição e se rende ao Planalto é só mais um colaboracionista

A falta que faz um Mário Covas, lamenta a oposição real sempre que a oposição oficial tira o governo para dançar. Nesse minueto à brasileira, repetido há oito anos, apenas um dos parceiros se curva diante do outro, que retribui as reverências com manifestações de arrogância e para a música para berrar insultos quando lhe dá na telha. Desde a ascensão de Lula ao poder, cabe ao PSDB o papel subalterno e ao PT o comando dos movimentos na pista. Assim será pelos próximos anos, avisou nesta semana a Carta de Maceió, redigida pelos oito governadores tucanos eleitos ou reeleitos em outubro.

Nessa versão 2010 do espetáculo da covardia, como observou Reinaldo Azevedo, não há um único parágrafo, uma só sílaba, sequer uma vírgula que impeça um Tarso Genro de subscrevê-lo. O palavrório nem procura camuflar a rendição sem luta, a traição aos eleitores que souberam só agora que a relação com o governo de Dilma Rousseff, se depender dos tucanos, será regida pelo signo do servilismo. “Um Estado como Alagoas, que concentra os piores indicadores sociais do país, não pode se dar ao luxo de brigar com o governo federal”, subordinou-se o anfitrião Teotônio Vilela Filho. “Nós dependemos, e muito, dos repasses de verbas e programas federais”.

Os convivas do sarau em Alagoas ainda não aprenderam que, segundo a Constituição, o Brasil é uma república federativa. Um governador não precisa prestar vassalagem ao poder central para receber o que lhe é devido, nem pode ser discriminado por critérios partidários. Um presidente da República que trata igualmente aliados e adversários não faz mais que a obrigação.

“Devemos buscar sempre o entendimento e a cooperação, na relação tanto com o governo federal como com os governos municipais”, recitaram em coro ─ e em nome de todos ─ o paulista Geraldo Alckmin e o paranaense Beto Richa. Previsivelmente, foram abençoados por outra frase equivocada do presidente do PSDB, Sérgio Guerra: “Fazer oposição não é papel dos governadores”.

Claro que é. Mais que isso: é um dever. Os eleitores que garantiram a vitória de cada um dos oito signatários da Carta de Maceió não escolheram um gerente regional, mas políticos incumbidos de administrar com altivez Estados cuja população é majoritariamente oposicionista. Se dessem maior importância à afinação com o Planalto, teriam optado por candidatos do PT. O convívio entre governantes filiados a partidos diferentes é regulamentado por normas constitucionais, regras protocolares e manuais de boas maneiras. Isso basta.

É natural que governantes de distintos partidos colaborem na lida com problemas comuns. Outra coisa é a capitulação antecipada e desonrosa. Quem se elege pela oposição e se oferece ao inimigo como colaborador voluntário é apenas colaboracionista. Os franceses sabem o que é isso desde a Segunda Guerra Mundial. Os governadores tucanos que já se ajoelham diante de Dilma Rousseff logo saberão.

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo
[16/12/10]  Para que serve a oposição? Ou: “Então tá combinado, é tudo somente sexo e amizade” - por Reinaldo Azevedo

Os governadores eleitos do PSDB se encontraram ontem em Alagoas. Ao fim do encontro, divulgaram a chamada “Carta de Maceió”, cuja íntegra segue no post abaixo. Como diria Caetano Veloso, “então tá combinado, é quase nada, é tudo somente sexo e amizade”. Também na política, “sexo” é entendimento entre os contrários — não necessariamente, claro! Amizade é amizade… A música de Caetano — e ele é bem melhor nisso do que falando sobre Mangabeira Unger… — abre a possibilidade para o “amor” tomar o lugar da amizade, com “todo o seu tenebroso esplendor”; mais: pode até ser que, insidioso, há muito já se tenha instalado… Não se descarte, pois, nessa minha cascata alegórica, que oposição e situação já tenham se “estreitado num abraço insano”, para citar outro baiano, Castro Alves. Havia Bahia antes de Jaques Wagner, eu juro! De volta ao tema.

A carta, vocês lerão, poderia ser assinada pelo petista Tarso Genro (PT), governador eleito do Rio Grande do Sul, ou por qualquer outro petista. Talvez os pessebistas ou peemedebistas da mesma safra negaceassem (do vergo “negacear”, fazer “negaça”): “Pô, pessoal, é bom a gente, como aliado de Dilma, ser mais altivo; essa promessa de bom comportamento é coisa para a oposição”.

Tsc, tsc, tsc… É evidente que eu não estou aqui a defender que os governadores deveriam sair chutando a canela do governo federal; é evidente que eu compreendo que existe uma dimensão propriamente administrativa, de gestão, do poder estadual que não pode ser pautada por dissensões e eventuais divergências ideológicas; é evidente que cabe à base parlamentar fazer o embate mais duro. MAS DAÍ A REDIGIR UMA CARTA QUE, EM NENHUM MOMENTO, LEMBRA A RAZÃO QUE OS UNE, VAI UMA GRANDE DIFERENÇA. E a razão que os une é o PSDB, um partido de oposição, que acaba de sair das urnas com oito governos de estado — e isso foi lembrado lá — e 43 milhões de votos na eleição presidencial, o que foi esquecido.

Não fosse a anemia da carta, houve também o climão, assim sintetizado, com precisão, pelo jornalismo: governadores do PSDB não farão oposição ao governo federal. Ora, esse é o tipo de coisa que não se anuncia, até porque ninguém sabe o que virá. Querem um exemplo? Se o governo federal, com a sua esmagadora maioria no Congresso, resolver quebrar as pernas de São Paulo ou de Minas numa reforma tributária, os governadores vão se calar? A minha pergunta é retórica. Acho que não se calarão. Mas uma coisa é certa: não cumpre anunciar a não-oposição. Nunca vi isso. Aliás, nunca ninguém viu na história destepaiz…

O texto também deixa claro que os governadores pretendem ser propositivos e maiúsculos na relação com o governo federal. Perfeito! É bom que sejam! Mas cabe uma pergunta: se decidissem o contrário, isso iria parar numa carta? Imaginem: “Pretendemos ser mesquinhos; diremos ‘não’ a todas as idéias sensatas do governo, como sempre fizeram os petistas quando na oposição porque acreditamos que o melhor caminho para voltar ao governo federal é sabotar o adversário…” Ora…

Essa carta que Tarso Genro assinaria está sendo lida como as primeiras linhas do primeiro capítulo do que seria a “refundação” do partido, que o senador eleito Aécio Neves (MG) pretende liderar. Aí alguém diz: “Ihhh, claro!, o Reinaldo é serrista e está contra a proposta…” Cada um diga o que quiser. Em breve, exponho num longo artigo, quatro páginas de papel mesmo, o que penso a respeito das oposições. Digamos que eu seja um tantinho (e estou sendo irônico) mais conservador do que o ex-governador de São Paulo, que, sejamos precisos, é menos conservador do que qualquer um dos oito que se reuniram. Ideologicamente, estou mais distante de Serra do que de alguns dos convivas da reunião de ontem. Para dizer o que penso, não me preocupo em saber quem quer o quê.

O que sei é que a declaração de “não-oposição” dos governadores eleitos do PSDB saiu no mesmo dia em que os parlamentares deram um golpezinho vigarista, aumentando escandalosamente os próprios salários e os do Executivo, e em que Lula reuniu “800 autoridades” para cantar as próprias glórias, registrando em cartório obras que não estão ainda nem no papel, a exemplo do trem-bala, esse elefante branco de alta velocidade que pode atropelar o bom senso, as finanças públicas e a moralidade. O Apedeuta foi tratado como um Deus, o marco inicial da civilização. Enquanto isso, os futuros governadores juravam não sujar o shortinho com molecagens… Ora, por que tal suspeita recairia sobre eles? Só por serem de oposição? Vamos chamar Caetano de novo, agora com Jorge Mautner: “Eu não peço desculpas/ eu não peço perdão…” Não dá! Se isso é parte da refundação, deu-se a primeira remada para o naufrágio, para a “reafundação”.

Reitero — porque, evidentemente, vão me atribuir o que eu não escrevi: não estou aqui a dizer que os governadores deveriam apresentar uma pauta alternativa à do governo federal, estabelecendo litígios desde já. Mas a linguagem em que se entrevê a suspeita de culpa, o que os leva a garantir que serão bem-comportados, é descabida.

Por que escrevo isso? Porque acho bom para a democracia que o PT perca as eleições de 2014, de 2018, de 2022, sei lá eu. Isso é segredo para alguém? E estou convencido de que não será nessa toada. Lemos a carta (post abaixo) e as declarações que se seguiram ao encontro e ficamos com a firme impressão de que o PSDB pecou ao longo de oito anos por excesso de oposição, não por falta. E isso é falso. Não é falso porque eu acho isso. É falso porque é fato.

A carta virou um papo pra lá de Teerã — onde, diga-se, quase não se faz oposição. Mas é porque não pode, não porque não queiram.

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Fonte: O Globo
[16/12/10]   Governadores do PSDB divulgam Carta de Maceió

RIO - Ao fim do primeiro encontro realizado após eleitos, os oito governadores do PSDB divulgaram a Carta de Maceió, onde reforçam o compromisso de construir uma ampla agenda nacional de trabalho e discussões.

A Carta de Maceió terá como objetivo o desenvolvimento econômico e social, além do fortalecimento das relações do partido com a sociedade, com sua base política e partidária, com o Governo federal e com os municípios.

Leia a íntegra do documento:

CARTA DE MACEIÓ

Os governadores eleitos pelo Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), reunidos em Maceió, capital do Estado de Alagoas, em 15 de dezembro de 2010, reafirmam seu compromisso de construir uma ampla agenda nacional de trabalho e discussões.

Um compromisso focado no desenvolvimento econômico e social e no fortalecimento das relações do partido com a sociedade, com sua base política e partidária, com o Governo federal e com os municípios.

Afinal, o PSDB saiu das últimas eleições como uma força política transformadora, com o apoio de mais da metade da população e do PIB brasileiros.

Além do desafio de governar bem oito unidades da federação, é necessário manter a coerência e a qualidade de seu discurso político.

Nesta Carta de Maceió, os governadores eleitos ratificam sua identidade com os valores e princípios fundamentais do PSDB: a consolidação da democracia, a estabilidade econômica, o bem-estar de todos os brasileiros, a ética na política e a liberdade de expressão.

Inspirados por esses objetivos, os governadores do PSDB vão trabalhar juntos para:

1. Cooperação entre Governos: promover, de forma constante e crescente, a cooperação entre os respectivos governos, aproveitando as experiências de sucesso de cada estado, principalmente, na competente e vitoriosa política de profissionalização da gestão pública;

2. Relação com o Governo Federal: estabelecer com o Governo federal uma relação altiva de respeito mútuo, com responsabilidade e independência, na busca do entendimento para enfrentar os graves desequilíbrios regionais e sociais;

3. Pacto Federativo: colaborar de forma crítica e democrática para restabelecer o equilíbrio do pacto federativo, promovendo: i) a revisão dos mecanismos de transferências voluntárias; ii) o estabelecimento da responsabilidade compartilhada entre União-Estados-Municípios; iii) uma agenda robusta de investimentos necessários ao desenvolvimento;

4. Segurança Pública: cobrar a participação adequada do Governo federal no financiamento da segurança pública, mediante a transferência de recursos de forma regular e automática;

5. Fórum dos Governadores: tornar permanente este fórum de governadores do PSDB, para estabelecer um processo dinâmico e duradouro de interação e coordenação das ações, propostas, posicionamento político;

6. Apoio a Alagoas: por fim, os governadores do PSDB declaram seu irrestrito apoio à implantação do Estaleiro Eisa em Alagoas, empreendimento fundamental para o combate à pobreza e a redução da desigualdade regional;

Antônio Anastasia - Governador de Minas Gerais
Anchieta Júnior - Governador de Roraima
Beto Richa - Governador do Paraná
Geraldo Alckmin - Governador de São Paulo
Marconi Perillo - Governador de Goiás
Simão Jatene - Governador do Pará
Siqueira Campos - Governador de Tocantins
Teotonio Vilela Filho - Governador de Alagoas

Maceió, 15 de dezembro de 2010


Comentários com nome completo do remetente devem ser enviados para Helio Rosa, coordenador deste BLOCO. Não há compromisso de publicação.


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