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Dezembro 2010               Índice Geral do BLOCO CIDADANIA


21/12/10

• O papel das oposições (10): Blog do Alon : "Não pergunte, não diga" + Quem é Alon Feuerwerker

Os "posts" anteriroes desta "série" estão registrados aqui: O papel das oposições

Fonte: Noblat / O Globo
[21/12/10]    Não pergunte, não diga - por Alon Feuerwerker (*)

Uma regra útil na política é a que foi agora revogada pelos Estados Unidos no tema do alistamento gay. "Don't ask, don't tell." Por que os governadores do PSDB não praticam o teatro habitual da política?

Blog do Alon

Os governadores do PSDB receberam críticas por reafirmarem o óbvio na reunião de Maceió, semana passada: não vão fazer oposição ao governo federal. Na pseudofederação brasileira faltam aos estados condições mínimas para bater de frente com a União.

Nem São Paulo, Minas Gerais ou Paraná podem. Quanto mais, por exemplo, Alagoas, Roraima ou Tocantins.

Se os governadores petistas não fizeram oposição ao então presidente Fernando Henrique Cardoso, por que deveriam agora os tucanos estaduais agir diferente?

Basta a administração federal desejar e transformará a vida do governador num inferno. Brasília libera as verbas e também dá aval ao endividamento. Para começar.

O sonho descentralizador da Constituinte de 1988 vem desde então sendo desmontado com método. Aliás, FHC carrega o mérito (ou a culpa) de boa parte do processo recentralizador.

Sem o fim dos bancos estaduais e sem a Lei de Responsabilidade Fiscal ficaria difícil imaginar um país equilibrado e estável. Querem saber aonde leva o federalismo exacerbado? Perguntem aos argentinos.

Bem, dito isso, resta uma dúvida. Por que os governadores do PSDB se deslocaram a Maceió e convocaram uma entrevista coletiva para reafirmar o óbvio?

Foi como se, por exemplo, os líderes da base do governo no Congresso Nacional chamassem toda a imprensa, antes mesmo de iniciado o mandato de Dilma Rousseff, e distribuíssem um documento lembrando que ou o novo governo toma os devidos cuidados na liberação das emendas parlamentares ou então nada feito nas votações.

Uma regra útil na política é a que foi agora revogada pelos Estados Unidos no tema do alistamento gay. "Don't ask, don't tell." Não pergunte, não diga. Por que os governadores do PSDB não praticam o teatro habitual?

O clima de campanha esteve acirrado demais e os tucanos imaginaram passar um recado conciliatório à nova ocupante do Palácio do Planalto? Governos ligam pouco para o blá-blá-blá dos adversários, inclusive no Congresso. Estão mais interessados nas ações. A regra não escrita é o governo deixar a oposição falar e esta deixar o governo votar e agir.

Será a luta interna no PSDB? Se for, terá sido pouco inteligente. A vantagem na disputa interna tucana não estará com quem propuser a colaboração com o PT. O desejo profundo da opinião pública de oposição é fazer oposição. E é natural.

Além do mais, é o que vai acontecer no Congresso. Em dois momentos o presidente que sai foi embalado pelo sonho da colaboração dos governadores na tarefa de dobrar deputados e senadores em temas impopulares: quando apresentou as reformas tributária e da previdência e quando tentou prorrogar a CPMF.

Em nenhum deles os governadores entregaram a mercadoria. Falaram para um lado e os parlamentares votaram para outro.

E agora? Irá o PSDB dividir com o governo petista o ônus de aumentar impostos, para supostamente melhorar a Saúde? Os governadores terão poder para tanger deputados e senadores como gado?

Todo começo de governo é um passeio pelos Campos Elíseos, os de Paris. O noticiário está lotado de burburinhos sobre o adjetivo que se deva pespegar na palavra "oposição". O redobrado interesse recente no assunto decorre de um mito. De que o PT teria prejudicado irremediavelmente o governo FHC, assim como o PSDB criou imensos obstáculos ao governo do PT.

Onde? Quando? Nestes oito anos o PT só perdeu votações congressuais quando foi derrotado pela própria base. Inclusive na CPMF. E nos anos FHC o PT não tinha nem tamanho para ser culpado de nada de ruim que acontecesse ao governo.

Um sonho dourado dos bem-pensantes das "manhattans" brasileiras é o tal acordo PSDB-PT para reduzir o fisiologismo.

Tucanos e petistas são dois partidos geniais. Observe-se a formação dos governos, em Brasília e nos estados, e se verá a ocupação maciça de cargos pela turma da casa, que entretanto consegue emplacar o rótulo de "fisiológicos" nos coitados dos aliados que tentam arrancar uma coisinha aqui e outra ali.

Para concluir, uma constatação. O tradicional lero-lero de fim de mandato é agravado desta vez por certo detalhe. Quem teria o que dizer, Dilma, está calada. E o noticiário vai sendo preenchido pelo lame duck e por quem perdeu a eleição. Com as naturais consequências.

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(*)
Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
[27/07/10]   Alon Feuerwerker

Alon Feuerwerker (Arad, Romênia, 14 de setembro de 1955) é um jornalista brasileiro. Edita o Blog do Alon,[1] um dos principais blogs de informações e análises políticas do Brasil.[2] É também colunista do jornal Correio Braziliense e apresentador do programa de entrevistas Jogo do Poder, na rede de TV CNT.[3]

De 1958 a 1960 morou em Israel. Está no Brasil desde 1960.

Nos anos 1970 foi um dos líderes do movimento estudantil contra a ditadura.[4] Entre 1978 e 79 foi presidente do Centro Acadêmico “Oswaldo Cruz” [5] da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Entre 1979 e 80 foi vice-presidente da União Nacional dos Estudantes, na primeira diretoria [6] após a reconstrução da entidade estudantil, colocada na ilegalidade pelo regime militar dos anos 60.

De 1977 a 1981 foi militante e dirigente estadual em São Paulo do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), então clandestino.

Começou no jornalismo profissional em 1980, como free-lancer do semanário de esquerda independente Movimento, comandado pelo jornalista Raimundo Rodrigues Pereira. De 1982 a 86 trabalhou no semanário Voz da Unidade, do Partido Comunista Brasileiro, onde foi editor de Política e editorialista. Militou no PCB de 1981 até o início dos anos 90, quando o partido se transformou no PPS (Partido Popular Socialista).

De 1986 a 93 trabalhou na Folha de S.Paulo, onde foi editor de Economia, de Opinião e de Esportes, repórter especial e secretário de Redação. Em 1992 comandou interinamente a Sucursal de Brasília. Foi também diretor da Agência Folha e da Folha da Tarde. Em 1991 uma entrevista sua com o então presidente Fernando Collor, que processava a Folha de S.Paulo na ocasião, foi incluída no livro "20 textos que fizeram história",[7] publicado pelo jornal.

Em 1994 foi assessor do candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) ao governo de São Paulo, José Dirceu.

Entre 1994 e 95 foi chefe do Departamento de Comunicação da Prefeitura de Santos (SP), na gestão do prefeito David Capistrano (PT).

Entre 1996 e 97 foi editor-executivo do Brasil OnLine[8] (BOL, do Grupo Abril). De 1997 a 2002 foi Diretor de Desenvolvimento e Atendimento,[9] Diretor e Vice-Presidente Comercial do Universo Online (UOL).[10] Em 2001 venceu o IBest de Comércio Eletrônico com o Shopping UOL (Júri Popular).

Entre 2000 e 2001 foi professor de Jornalismo Online da Escola de Comunicação Social Cásper Líbero,[11] que lhe deu o Título de Notório Saber em Jornalismo. Em 2000 recebeu da revista Exame a menção como um dos "100 mais da Indústria de Alta Tecnologia no Brasil".

No início de 2002 foi assessor de imprensa da prefeita Marta Suplicy (PT), de São Paulo. Em meados daquele ano foi contratado como coordenador de imprensa[12] da campanha de José Serra (PSDB) à Presidência da República.

Entre 2003 e 2004 foi chefe de Comunicação na liderança do governo de Luiz Inácio Lula da Silva na Câmara dos Deputados, com o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). Entre 2004 e 2005 foi subchefe de Assuntos Parlamentares[13] na Secretaria de Coordenação Política e Assuntos Institucionais da Presidência da República, com o ministro Aldo Rebelo. No cargo, recebeu em 2004 a Medalha da Ordem do Mérito Aeronáutico da Força Aérea Brasileira.

Entre 2005 e 2006 foi repórter especial de Política do jornal Correio Braziliense, período em que lançou o Blog do Alon.

Entre 2006 e 2007 foi consultor de empresas para análise de conjuntura e estratégias de comunicação. Desde 2007 é colunista do Correio Braziliense, no qual comandou a editoria de Política até abril de 2009. Em outubro de 2008 começou a apresentar o Jogo do Poder, programa de entrevistas na rede de TV CNT.

Em março de 2009 ingressou com petição junto ao Supremo Tribunal Federal para ser admitido como amicus curiae[14] no julgamento do Recurso Extraordinário 511961,[15] sobre a necessidade de diploma de jornalismo para o exercício da profissão de jornalista. A petição foi indeferida, mas no julgamento do caso, em 17 de junho de 2009, o Supremo decidiu que não é necessário diploma universitário de jornalismo para se exercer a profissão de jornalista.[16] O caso de Alon Feuerwerker foi citado pelo ministro Gilmar Mendes, relator, no voto vencedor.[17]

Desde janeiro de 2010 é diretor da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji).


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