BLOCO CIDADANIA

RESISTÊNCIA

Abril 2011               Índice Geral do BLOCO CIDADANIA


03/04/11

• Revolução de 1964 - Os primeiros dias de Abril (3) - Seleção de notícias do dia 03 Abr 1964 + Leituras complementares

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo
[03/04/64]  Manchetes
Jornal do Brasil
- Goulart toma rumo desconhecido e o Brasil volta à normalidade
- Festa da vitória leva às ruas 1 milhão de pessoas
- Magalhães Pinto convida á união para recuperar o País (pág. 2)
- Mazzilli toma posse com anúncio de "absoluta ordem em todo o País" (pág. 3)
- Lacerda pede ao Ministro da Guerra afastamento de elementos comunistas (pág. 4)
- Editoriais: Imagem interna - Imagem externa
Folha de São Paulo
- Lacerda propõe: eleição já do novo Presidente
- Ignora-se o paradeiro de Goulart
- Afirma-se que JG saiu do país: destino ignorado (pág. 2)
- Kruel concita os gaúchos a restabelecer a ordem (pág. 3)
- Editorial: O Brasil continua

Matérias transcritas nesta página:
Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[03/04/64]  Um milhão de pessoas na rua festeja vitória democrática

Leituras complementares:
Nota de Helio Rosa:
Estou formatando o "ORVIL" para transcrição seriada neste BLOCO Cidadania. Parte do trabalho pode ser vista aqui:

"Orvil": A "Comissão da Verdade" do Exército que assombra a esquerda brasileira
Nesta página estão transcritos os tópicos relativos à Revolução de 1964, uma espécie de resumo, com movimentos de bastidores não explicitados pela mídia.

Fonte: ORVIL - 2ª PARTE - A SEGUNDA TENTATIVA DE TOMADA DO DO PODER - CAPÍTULO IV -A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 1964
Tópicos transcritos nesta página:
1. Ascensão e queda de Goulart
2. A iniciativa da reação
3. A reação no Campo Político
4. O apoio da imprensa
5. Amplia-se a reação
6. As mulheres envolvem-se decididamente
7. A evolução da posição dos militares
8. A vitória da democracia
9. O pronunciamento dos políticos

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[03/04/64]  Um milhão de pessoas na rua festeja vitória democrática

Uma multidão calculada em um milhão de pessoas participou. ontem à tarde, da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, organizada pela Campanha da Mulher pela Democracia, e que se concentrou na Praça Rio Branco, em frente ao Ministério da Fazenda, na Esplanada do Castelo. A marcha começou na Candelária, seguindo pela Avenida Rio Branco, alcançando a Esplanada pela Avenida Almirante Barroso. A compacta massa humana saudava com vivas o JORNAL DO BRASIL quando passava diante do seu edifício, referindo-se à campanha feita por este órgão pela restauração da democracia no Brasil.

O COMEÇO
A partir das 13h 30m ônibus de todos os bairros cariocas, assim como autolotações e automóveis de São Paulo, Minas Gerais, Bahia e do Estado do Rio começaram a deixar homens, mulheres, crianças e velhos na Praça Pio X, no centro da qual está a Igreja da Candelária. O desembarcar ininterrupto cedo lotou toda a praça.

O deslocamento da multidão, estabelecido para as 16 horas, teve de ser antecipado, começando então o trafego a ser desviado com a colaboração de voluntários, à falta de guardas suficientes para realizar a tarefa. O Marechal Eurico Dutra estava à frente do desfilo. Cartazes de repúdio ao comunismo, de mistura com fitas verde-amarelo, rosários e lenços brancos deram colorido à massa que se deslocava em passo de procissão e que tomava. literalmente, toda a largura da Avenida. Todos cantavam hinos à liberdade que, terminados, recomeçavam com a marcha Cidade Maravilhosa. De permeio, o estribilho que dizia: "Um, dois, três, Brizola no xadrez".  Aqui e além vivas ao Brasil, ao Governador Carlos Lacerda e às Forças Armadas. O palanque oficial, armado diante da estátua do Rio Branco, já estava ocupado por personalidades políticas, representantes do clero e das Forças Armadas quando os primeiros grupamentos se foram dispersando pela larga praça, pouco antes das 17 horas. Menos de meia hora depois a imensa onda humana comprimia-se no grande largo, espalhava-se pela escadaria do Palácio da Fazenda, subia pelo edifício em construção ao lado do Ministério e, como já não havia espaço para ninguém, o restante da multidão ficou mesmo na Almirante Barroso. Papel picado e volantes com dizeres cívico-religiosos caiam ininterruptamente por sabre os integrantes da marcha. O desfile transcorreu na mais perfeita ordem, não se registrando nenhum incidente.

A concentração terminou às 18h 20m, sob a chuva, com vivas à Cristandade, à Liberdade e ao Brasil Democrático, Cristão e Independente, após a execução do Hino Nacional e da marcha Cidade Maravilhosa. À manifestação atingiu seu clímax quando um helicóptero conduzindo o Governador Carlos Lacerda sobrevoou a praça, lentamente. Acenos delirantes e vivas repetidos saudaram o Governador.

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ORVIL
CAPÍTULO IV
A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 1964

1. Ascensão e queda de Goulart
2. A iniciativa da reação
3. A reação no Campo Político
4. O apoio da imprensa
5. Amplia-se a reação
6. As mulheres envolvem-se decididamente
7. A evolução da posição dos militares
8. A vitória da democracia
9. O pronunciamento dos políticos

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CAPÍTULO IV
A REVOLUÇÃO DEMOCRÁTICA DE 1964

1. Ascensão e queda de Goulart

A reação a João Goulart teve inicio antes mesmo de sua posse. Com a renúncia de Janio Quadros, apresentou-se um impasse entre as forças que consideravam sua ascensão a Presidência da República uma temeridade para as instituições e as que, por razoes diversas, desejavam ver cumprida a Constituição (1).
Em face desse dilema, que poderia conduzir o País a uma guerra civil, o parlamentarismo apresentou-se como a forma política capaz de suplantar democraticamente a crise.

Apesar da desconfiança com que Goulart era encarado por muitos, uma vez empossado, poderia ter chegado ao final de seu mandato - pelo simples fato de que era o sucessor constitucionalmente eleito -, se não adotasse medidas que ferissem a Constituição. Vários fatores concorriam para essa assertiva. Os governadores dos principais estados eram pretensos candidatos às eleições presidenciais previstas para 1965 e tinham interesse que o sistema político continuasse a funcionar normalmente. Nas Forças Armadas, embora houvesse um pequeno grupo que iria, desde logo, conspirar contra Goulart, a imensa maioria de seus quadros era legalista , respeitando incondicionalmente a Constituição. Ademais, a divisão que ocorrera nas Forças Armadas, mais particularmente no Exército, por ocasião da posse de Goulart, fora marcante e funcionava como um freio muito forte a qualquer veleidade de destituir o Presidente.

Goulart, no entanto, acabou caindo. Sua queda, não se deveu às reformas de base que desejou implantar. Elas eram necessárias e a maioria justa, tanto e que a Revolução vitoriosa, a seu modo, acolheu várias delas.
Goulart caiu por causa da estratégia e das táticas que adotou.  Pretendeu implantar as reformas com ou sem apoio do Congresso, "na lei ou na marra" como diziam seus seguidores, através da mobilização das massas com o apoio passivo das Forças Armadas e o apoio ativo do dispositivo militar que pensava haver implantado.
Buscou mobilizar as massas com ativistas de esquerda, ligando constitucionalmente seu governo ao PCB, mas foi incapaz de conter o radicalismo que até os comunistas mais experientes condenavam, permitindo que a desordem interna ultrapassasse os limites do tolerável. Desordem que, adicionada ao abandono do plano economico do Governo, conduziu uma economia já desorganizada para o caos. Desordem que, através da infiltração do proselitismo e da agitação esquerdista, se instalou na máquina administrativa, no campo, na área educacional e na área trabalhista. Desordem que alcançava as Forças Armadas, com o risco de sua desagregação pela quebra da disciplina e da hierarquia.

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(1) Em 1953, Goulart havia sido afastado, sob pressão, do Ministério do Trabalho, por graves irregularidades e pela orientação justicialista que ali imprimia.
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2. A iniciativa da reação

A posse pacifica de João Goulart não trouxe tranquilidade à Nação. O Governador de Minas Gerais, que fora favorável à ascensão de Goulart à Presidência da República deixava transpirar que "já a partir dos primeiros dias, os propósitos do Presidente indicavam rumos perigosos". Dando curso a essa preocupação, em 26 de novembro de 1961, ou seja, poucas semanas após a posse de Goulart, Magalhães Pinto em entrevista á imprensa declarava: "A Nação continua traumatizada. Pairam no ar indagações inquietantes".

Esse clima de insegurança que a Nação respirava, aliado às dificuldades econômicas era sentido de forma mais acentuada pelos empresários. Não era, pois, de estranhar que partissem deles as primeiras iniciativas no sentido de reverter essa situação.

A preocupação dos empresários com a infiltração comunista, com a propaganda esquerdista e a estatização vinha de algum tempo. Pelo menos, desde os últimos estágios do governo populista de Juscelino Kubitschek.
Dessa preocupação resultou uma série de encontros de empresários do Rio de Janeiro e de são Paulo, os quais, com a posse de Goulart, se amiudaram. Da troca de idéias sobre suas responsabilidades na manutenção da liberdade e da democracia, surgiu no final de novembro de 1961, o Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).

O documento básico do Instituto, de autoria de Garrido Torres, intitulado "A responsabilidade democrática do empresariado", utilizado para o recrutamento de'" novos adeptos, apresentava o IPES como uma "organização apartidária com objetivos essencialmente educacionais e cívicos. Seu lançamento foi recebido favoravelmente pelos principais jornais do Pais e saudado com entusiasmo por lideres políticos, personalidades eclesiásticas e intelectuais.

A preocupação primeira do IPES era defender a frágil democracia nacional. Como declarava um dos seus fundadores, Paulo Ayres Filho: "A princípio a ideia era resistir, não atacar. Todos queríamos que Jango terminasse o seu mandato".
Suas atividades iniciais concentraram-se na distribuição de folhetos e livros e na realização de palestras versando sobre a liberdade e a democracia.

O IPES, porém, não se restringiu ao empresariado. Passaram a integrar seus quadros profissionais liberais, militares da reserva, clérigos, funcionários públicos, etc. Com isso, o Instituto não só se expandiu rapidamente para os maiores centros do País como pôde aperfeiçoar sua estrutura para estender sua ação aos vários segmentos sociais. Passou a encorajar associações femininas e organizações estudantis apoiando-as materialmente.
Criou um programa de treinamento de lideranças democráticas para homens de negócios, estudantes e operários. Publicava e promovia livros, bem como estimulava a realização de peças teatrais e filmes e disseminava, através da mídia, discursos e entrevistas defendendo a livre 'iniciativa e a democracia.

Mas a situação do Pais evoluía rapidamente e, no final de 1962, houve uma mudança de atitude de alguns membros do IPES.  As ações do Governo fizeram com que uma ala do IPES começasse a achar que a resistência intelectual a que se propunha o Instituto, isto é, a realização de estudos doutrinários para disseminar idéias e esclarecer os cidadãos, não operava os resultados desejados com a necessária rapidez.

Enquanto o IPES continuou com seu trabalho e apoio as atividades de conscientização e esclarecimento da opinião pública, membros da entidade começaram, individualmente ou em grupos, a procurar novas ligações e maneiras mais diretas de manifestar sua sua oposição ao estado de coisas que se verificava no País. Dessa atitude decorreu boa parte das inúmeras organizações que surgiram no ano de 1963, com objetivos semelhantes aos do IPES, mas a maioria delas voltada diretamente para a ação política e algumas delas dispostas mesmo à ação revolucionária, se necessário. Um desses grupos, por exemplo, contatou com Júlio de Mesquita Filho, dono do jornal "O Estado de S. Paulo", que se tornou o seu chefe nacional e que em 1964 chegou a armar-se para participar diretamente da revolução.

Outras organizações e associações de classe teriam importante papel no esclarecimento e mobilização da opinião pública. Na década de cinqüenta, as condições de desenvolvimento haviam estimulado a expansão da estrutura associativa das classes produtoras e fizeram surgir uma geração de empresários jovens e dinâmicos.
Esses novos empresários assumiram a direção de boa parte das associações de classe já existentes como a Confederação e as Federações da Indústria, as Associaçoes Comerciais, etc.
Nessa época, duas novas entidades surgiram: o Conselho Superior das Classes Produtoras - CONCLAP e o Instituto Brasileiro de Ação Democrática - IBAD.
Destas, o IBAD foi constituído especificamente com o propósito de "defender a democracia, as instituiçoes e o regime".
O IBAD iria, principalmente após a posse de Goulart, atuar particularmente na conscientização ideológica dos sindicatos e movimentos estudantis. Seu veiculo de difusão mensal "Ação Democratica", chegaria a ter uma tiragem de 250.000 exemplares.

Embora essas organizações não se tivessem constituído em um bloco ideológico e político monolítico, elas se reuniriam e encontrariam sua unidade na situação por que passava o País e iriam influir decisivamente no movimento revolucionário.

3. A reação no Campo Político

Nos meios políticos, a oposição mais objetiva às esquerdas e ao Governo, decisiva mesmo para o êxito da Revolução, seria desempenhada pelos Governadores, principalmente os de Minas Gerais, São Paulo e Guanabara.
A efetiva ação desses governadores, porém, só se fez sentir quando se esgotaram as possibilidades de ser mantida a normalidade constitucional.
O Senhor Magalhães Pinto, inclusive, quando a conspiraçao já se realizava com certa desenvoltura, "abriria sua política para um diálogo com as esquerdas e com o Senhor João Goulart, na expectativa de constituir-se num núcleo de transigência e de composição ante a crescente radicalização de posições dentro do pais" (2).

No entanto, desde 1962, organizara-se no Congresso um bloco interpartidário denominado Ação Democrática. Parlamentar (ADP), que se constituiu numa oposição atuante até a Revolução.
Contando com cerca de 200 parlamentares, a ADP, permanentemente, travou batalhas verbais com os representantes das esquerdas, onde, muitas vezes, mais do que o mérito das questões, valiam pelas repercussões alcançadas na opinião pública.

A ADP rebateu as propostas esquerdizantes e apresentou dezenas de projetos técnicos de reformas, com o espírito democrático, contrapondo-se ao sentido socializante, às vezes demagogico, das reformas de base, defendidas pela Frente Parlamentar Nacionalista.

Foi no Congresso, pela palavra do 'Deputado Bilac Pinto, que se fez a mais veemente e correta denúncia da guerra revolucionária que se desenvolvia no paés, com larga repercussão, particularmente na área militar mais jovem, que desconhecia a magnitude das ações subversivas em curso.

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( 2) Castello Branco, C.: "Da conspiração à Revolução", em "Os idos de Março e a queda de abril". José Alvaro, Editora, RJ, 1964, pág. 292
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4. O apoio da imprensa

Os mais influentes jornais e emissoras de rádio e televisão deram, desde o inicio, seu apoio às campanhas em defesa da democracia. Essas empresas, além de acolher o material preparado pelas organizações empenhadas na defesa do regime, tinham suas próprias campanhas editoriais. " Destacaram-se nesse mister a então poderosa rede de jornais, revistas, rádio e televisão dos "Diários Associados", o "O Estado de S. Paulo", "Jornal da Tarde" e Rádio Eldorado, do Grupo Mesquita. Ainda em São Paulo, participavam normalmente das campanhas as TV Record e Paulista e o "Correio Paulistano".
De grande importância era a participação do jornal "Noticias Populares", de propriedade do Deputado Herbert Levy, diário militante com grande penetração nas classes trabalhadoras. No Rio de Janeiro, exercia influencia semelhante "A Tribuna da Imprensa", então um jornal antipopulista e "A Noite". Também ali participavam os grandes jornais, como "0 Globo" e o "Jornal do Brasil". No Rio Grande do Sul, estavam integrados nesse mesmo objetivo os jornais e emissoras da empresa Caldas; Júnior, o mais importante complexo do setor de mídia do sul do País.

Além das empresas, muitos jornalistas influentes envolveram-se diretamente nas campanhas. Desses, destacavam-se Paulo Malta, que escrevia no influente "Diário de Pernambuco", e Pedro Dantas, pseudônimo de Prudente de Morais Neto, em sua respeitada coluna política. Além dos jornalistas, pode-se citar o trabalho desenvolvido na imprensa pelo embaixador José Sette Câmara, pelo também embaixador e poeta Augusto Frederico Schmidt, pela romancista e cronista Rachel de Queirós e pela escritora Nélida Pinon.

Seria exaustiva a citação de todos os escritores, jornalistas, artistas e especialistas em comunicação social participaram dessa empreitada, no entanto é fácil deduzir quão importante foi essa atuação no preparo da opinião pública. Não se pode deixar de salientar a constituição da denominada Rede da Democracia. Essa rede reunia mais de 700 estações de rádio, cujas transmissões iam para o ar na mesma hora em que Brizola transmitia sua arenga revolucionária por uma cadeia de emissoras liderada pela Rádio Mayrink Veiga, quando a luta ideológica se apresentava mais acirrada.

5. Amplia-se a reação

Em todos os segmentos onde o proselitismo esquerdista atuava houve reação. No meio sindical, eram realizados cursos para trabalhadores, dirigidos pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), organismo patrocinado por empresas privadas de São Paulo.
O IBAD era outra entidade que atuava nesse meio, promovendo os denominados Eventos Interestaduais de Sindicalismo Democrático, e editando a revista "Repórter Sindical", com a finalidade de unificar a ação organizada dos democratas em antecipação à atuação do infiltrado CGT.

O Movimento Sindical Democratico (HSD) era outra entidade que buscava defender os princípios democráticos na área sindical.  Antepondo-se aos organismos sindicais controlados pelos comunistas, chegou a ter influência na Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio (CNTC).

Foram inúmeras a as entidades que surgiram para antepor-se a ação comunista nos sindicatos e entre os operários. A Federação de Círculos Trabalhadores Cristãos, de grande influencia chegou a estabelecer-se em 17 Estados e a criar uma Confederação o Nacional. Igual significado tinha o trabalho desenvolvido

pelas Federaç6cs de Círculos Operários, que ofereciam assistência jurídica, médica, dentária e hospitalar, bem como cooperativas de concessão de crédito e habitacionais. Ministravam cursos variados, através das Escolas de Lderes Operários, que funcionavam em mais de uma dezena de capitais.

Essas atividades também se estenderam ao campo. No Nordeste, em especial, o Serviço de Orientaçao Rural de Pernambuco (SORPE), criado por padres, treinava lideres camponeses, incentivava a formação de cooperativas, oferecia cursos de alfabetização e auxiliava na criação de sindicatos de trabalhadores rurais com orientaçãp cristã. Também o IBAD ai procurava contrapor-se ao método de alfabetização de Paulo Freire e ao Movimento de Educação de Base, oferecendo cursos de alfabetização. Atuava ainda nessa área a Fraterna Amizade Urbana e Rural (FACUR) e e muitas outras entidades que buscavam orientar e esclarecer o trabalhador rural, alvo de violenta e maciça doutrinação esquerdista.

Na área educacional era onde as esquerdas haviam obtido seu maior êxito e, valendo-se de estudantes e clérigos progressistas procuravam levar sua doutrinação às massas populares.
Várias orqanizações estavam envolvidas nesse processo: A Ação Popular (AP), que era uma ramificação da JUC, setores radicais Igreja, através do Movimento de Educação de Base (MEB), a União Nacional dos Estudantes (UNE),· por meio de seu Centro Popular de Cultura, bem como o próprio MEC e as Secretarias de Educação dos Estados, por intermédio da Comissão de Cultura Popular. Essas entidades, além de empenharem em programas de alfabetização,
trabalhavam no sentido de concretizar uma das metas da UNE, que,. dominada pela AP, se empenhara em realizar a aliança política de trabalhadores, estudantes e camponeses, como pressuposto da revolução. O elo de ligação dessa intensa massa revolucionária eram as reformas de base, tendo como bandeira a reforma agrária.

Surgiram, então, entidades democráticas para atuar em oposição à UNE no movimento estudantil. Uma das mais importntes dessas entidades foi o Grupo' de Atuação Política (GAP), que atauva no Rio de Janeiro, Minas Gerais e são Paulo. O objetivo do GAP era levar a palavra ao movimento estudantil, com os argumentos da juventude não comprometidos com a UNE, buscando formar uma corrente de oposição consciente dos rumos comunizantes a que o País estaria sendo conduzido. Seu presidente, em depoimento ao historiador Hélio Silva, declarou que  "o movimento não tinha nenhum vínculo com políticos. A tese, desde praticamente o início, era a da solução de um movimento que antecedesse o preparado pelas e esquerdas (...)"
Vários outros grupos atuavam nessa área, com objetivos semelhantes, editando jornais, onde defendiam suas teses, e buscando empolgar a direção das entidades estudantis. Tiveram o apoio material de diversas organizações que à época defendiam as instituições e o regime. Uma das mais importantes contribuições que essas entidades tiveram foi a publicação, com o apoio do IPES, do livro "UNE - instrumento de subversão", no qual sua autora, a estudante Sônia Seganfredo, expunha a infiltração comunista no meio universitário.

Apesar dos esforços feitos, essa foi uma das áreas onde a reação mais se radicalizou, mas onde os êxitos foram atenuados pelo elevado grau de doutrinação que dominava o meio. Essas inúmeras entidades atestaram, porém, que a juventude não esteve omissa nos anos agitados que precederam o 31 de março de 1964.

6. As mulheres envolvem-se decididamente

Desde 1954, existia, em são Paulo, o Movimento de Arregimentação Feminina (MAF). Inicialmente criado a fim de protestar contra o alto custo de vida e a falta de intruç5o cívica nas escolas públicas, o MAF, com o perigo da comunização do País lançou-se a um trabalho de mobilização e conscientização em favor dos ideais democráticos.

Em 1962, começaram a surgir entidades semelhantes em diversos Estados. Algumas delas iriam ter uma participação muito importante na mobilização da consciência democrática nacional.
O Marechal Cordeiro de Farias, em entrevista a Lourenço Dantas Mota, diria: "sou dos que defendem a tese de que a Revolução foi fora pelas mulheres brasileiras, principalmente as de Minas e São Paulo. Todas as pessoas que não estiveram , como eu estive, nesse setor, poderão achar minha afirmação fora de propósito (...) Acho que nunca ouvi tantos desaforos na minha vida como os que me foram ditos pelas mulheres de São Paulo na antevéspera da Revolução. Elas me diziam então o seguinte: Mas o que os Senhores querem mais que façamos para que tenham a coragem de ir para as ruas? (...)" (3)

Nesse ano foi inaugurado em São Paulo a União Cívica Feminina (UCF), na (UCF), que visava à "defesa do regime democrático e a despertar a consciência cívica das mulheres". Apesar de possuir um número de membros menor do que o MAF, a UCF contava com uma rede de núcleos em diversas cidades e  atuava basicamente, através
de palestras, conferências e cursos. Ainda em 1962" surgiu no Rio de Janeiro a Campanha da Mulher pela Democracia (CAMDE).

A CAMDE concentrava seus esforços sobre as donas-de-casa e esposas de líderes sindicais, de funcionário públicos e de militares. Produzia literatura própria, especialmente orientada no sentido da5 preocupações femininas. Mais de 200.000 exemplares só de um trabalho, descrevendo o que as mulheres podiam fazer, foram distribuídos pela CAMDE às suas associadas, incumbindo a cada uma de tirar cinço cópias e mandá-las a possíveis candidatas a sócias.

As mulheres insistiam em ação. Faziam comícios de protesto público; passavam horas ao telefone fazendo suas pregações; enviavam cartas a congressistas e a militares desafiando-os a assumirem posição determinada em defesa da democracia; pressionavam empresas comerciais que faziam propaganda veículos comunistas; apareciam em comícios para discutir com esquerdistas; e distribuíam milhões de circulares e livretos preparados pelas organizações democráticas.

Realmente, trabalhando às claras e sem medo as mulheres foram as principais responsáveis pela mobilização popular, devendo a elas ser atribuído o mérito maior do País ter sustado, sem sangue, sem sangue, essa tentativa de tomada do poder.

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(3) Entrevista publicada em "História Vivida", vol. I, da coletânea Documentos Abertos, coordenado por Lourenço Dantas Mota e editado pelo "O Estado de S. Paulo", 1981
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7. A evolução da posição dos militares

Apesar da conjuntura interna, em 1963, mais de oitenta por cento dos militares continuavam com sua postura legalista. Dos restantes, aproximadamente a metade fazia parte do dispositivo janguista ou concordava com suas posições e os demais eram ativistas da Revolução. Destes últimos, alguns, em especial os da reserva, haviam começado a atuar desde a posse de Jango, ligando-se, orientando e participando das organizações civis mencionadas neste capitulo. Outros, deixados sem função, começaram a conspirar nesse ano, como era o caso do então General-de-Exército Cordeiro de Faria. Como o movimento não engrenava no setor militar, onde o o episódio da posse em 1961  ainda era um obstáculo decisivo, passaram, passaram a trabalhar suas idéias entre os civis. Seus contatos mais importantes seriam os governadores.

Em setembro, com o levante dos sargentos em Brasília, começou a haver uma mudança de posicionamento nas Forças Armadas. Pelo menos parte dos quadros começou a questionar-se sobre os acontecimentos.

No dia 4 de outubro, houve a tentativa frustrada da prisão do Governador da Guanabara e da decretação do estado de sítio. Os oficiais que se negaram a cumprir a ordem de prisão do Governador foram punidos. Sob o estímulo emocional dessas prisões, criou-se um grupo conspiratório. Liderado pelo então Coronel João Baptista de Figueiredo, esse grupo congregava a maioria dos oficiais da Escola de Comando e Estado-Maior do Exército e recebera a adesão dos Oficiais da Escola Superior de Guerra. Graças à confiança que esse grupo depositava no General Castela Branco, decidiram seus membros confiar suas apreensões ao Chefe do Estado-Maior do Exército. Aceito o contato reservado, o General Castelo Branco integrou-se de forma efetiva ao esquema revolucionário. Com ele viriam os oficiais generais a ele ligados, como Mamede, Mala, Ernesto Geisel e Golbery. Este último, havia algum tempo, era ligado ao IPES.

Esse grupo, que passaria a ter um importante papel no movimento revolucionário, elaborou um plano defensivo que visava a proteger as instituições e as próprias Forças Armadas contra a tentativa de tomada do poder pelas esquerdas. O plano baseava se nas seguintes premissas: resistir e estimular a resistencia civil; dar ânimo aos políticos a se oporem às proposições esquerdizantes; e preparar a própria resistencia militar. Essa conspiração de cúpula não afetaria, ainda, a disposição da grande maioria dos militares, que se mantinha fiel à Constituição.

Quando se tomou conhecimento da estrutura e da dinâmica do comício programado para o dia 13 de março, no Rio de Janeiro, que segundo o plano conhecido desencadearia o processo de tomada do poder, a conspiração tomou caráter ofensivo. Os contatos com os Grandes Comandos foram retomados com vistas a essa nova postura.

O Chefe do Estado-Maior do Exército e o comandante do II Exército já haviam apelado várias vezes ao Ministro para que não empenhasse o prestigio da Força no esquema janguista. No dia 13, porém, protegidos por tropas do Exército, estavam no palanque todas as facções do movimento revolucionário esquerdista. Do Sr. Leonel Brizola ao representante do CGT, do Governador Arraes ao presidente da UNE, prestigiados pela presença dos Ministros Militares. A partir desse momento, os conspiradores sabiam que o desfecho estava próximo.

Nesse comício, o Presidente atacou a Constituição, tachando-a de arcaica e obsoleta, enfraquecendo a posição daqueles que a defendiam como intocável. Enquanto o Presidente anunciava ter reduzido a termos a solicitação das reformas, o Sr. Leonel Brizola preconizava o fechamento do Congresso.

O comício do dia 13 resultou numa mudança no posicionamento da imprensa. Os editoriais passaram a exigir diretamente que os militares assumissem a responsabilidade de resolver a crise.
Começaram a surgir apelos ao papel constitucional dos militares para garantir os três poderes e não apenas o Executivo. Os editoriais pediam que os militares não apoiassem as ameaças às ordens partidas do Governo. O "Diário de Notícias", por exemplo, publicou em editorial: "É inegável que existem forças subversivas visando claramente uma tentativa de derrubar o regime e as instituições vigentes (...) Estas forças parecem ter cooptado o próprio Presidente e colocaram-se pela primeira vez à frente do processo subversivo de oposição À lei, ao regime e À Constituição. Se a autoridade suprema do Executivo se opões à Constituição, condena o regime e se recusa a obedecer às leis, ele automaticamente perde o direito de ser obedecido (...)".

O Ministro da Justiça de Jango escreveria mais tarde, referindo-se ao episódio: "O comício criou a expectativa de uma crise, de um golpe, rebeliões, tumultos, motins, ou subversão da ordem geral no País..." (4).

Apesar dessa situação, apesar dos insistentes apelos de Brizola para o aprestamento dos grupos dos onze, apesar das facções contrárias a Goulart dentro das Forças Armadas começarem a ser ouvidas, quando expressavam a necessidade de preparar-se para um contra-golpe, a maioria militar não estava ainda convencida da necessidade dela mesma participar da revolução.

No dia 19 de março, dia de São José, Padroeiro da Família, as mulheres de São Paulo realizaram um protesto contra o comício da Central do Brasil. Realizaram-se três reuniões preparatórias, à quais aderiram muitas entidades femininas e civis. Os cálculos mais otimistas previam o comparecimento de 130 mil pessoas, para suplantar, uma semana depois, a mobilização esquerdista da sexta-feira, 13.

No dia 19, atendendo a um apelo dos promotores desse evento, os cinemas não funcionaram e o comércio e a indústria suspenderam suas atividades às 15 horas. Às 16 horas começava a primeira "Marcha da Família com Deus pela Liberdade. Bandeiras brasileiras e paulistas apareceram em profusão. Papéis picados eram atirados dos edifícios. Gente, muita gente. Durante (ilegível) os manifestantes passaram marchando ombro a ombro, numa massa compacta que tomava toda a rua.


Veteranos jornalistas informam que nunca viram tão formidável concentração humana. Com certa timidez, a massa e estimada em 500 mil pessoas, outros estimam em 600 mil, mas, incluindo as ruas de acesso, é legitimo estimar-se em 800 mil (5).

O desenvolvimento da crise atingia tal amplitude e era tanta a inquietação nas Forças Armadas que o General Castello Branco decidiu orientar os quadros, em instrução reservada de 20 de março, que se constituiu numa resposta ao comício do dia 13 e viria exercer forte impacto sobre os militares legalistas.
Mas a ameaça do uso da força, implícita no apelo de Goulart, para instaurar a crise fora do sistema político, geraria outras reações. Muitos grupos civis começaram a armar-se. A arena passara da área política para a da violência.

A "Marcha da Família com Deus pela Liberdade" foi outro impacto para os militares legalistas, e outras marchas começaram a ser realizadas com igual êxito em diversas capitais brasileiras. 
A etapa decisiva para esses militares, tão importante ou mais que os fatos citados, seria o motim dos marinheiros e desfecho. Suas repercussões foram profundas, a tal ponto que abalaram as convicções não apenas dos militares legalistas mas até mesmo daqueles que até a véspera lutariam ao lado do Presidente e suas reformas.
A autopreservação  institucional, por meio do controle da disciplina era uma questão que estava acima dos (ilegível).

A sanção por Goulart, da indisciplina. e da desordem, reverteu as posições. A revolução já poderia ser desencadeada sem que houvesse o risco da divisão interna nas Forças Armadas.

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(4) Jurema, A: "sexta-feira 13", pag. 144 e 145
(5) Duarte, E.: "32 mais 32 igual a 64" - "Os idos de março e a queda de abril", José Álvaro, Editor, RJ, 1964, pág. 132 e 133.
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8. A vitória da democracia

Quando, no dia 30 de março, uma segunda-feira, o Sr. João Goulart se dirigiu ao Automóvel Clube do Rio de Janeiro para falar a uma assembleia de sargentos, o desencadeamento da .Revolução  já estava decidido. Recebida no domingo a decisão do Comandante do II Exército, que até a última hora insistira com o Presidente para que depurasse seu governo dos comunistas, o dispositivo revolucionário estava pronto. O inicio do movimento foi marcado para a noite de 2 para 3 de abril, após a realização de uma concentração popular prevista para o Rio de Janeiro naquela  quinta-feira.

Por razões diversas, porém, o movimento revolucionário foi antecipado em Minas Gerais e, na madrugada do dia 31 de março, as tropas ali sediadas começaram a marchar em direção ao Rio de Janeiro. No encontro dessas forças com as tropas do I Exército,  que se deslocaram para barrá-las, não houve o primeiro tiro. Depois dos instantes dramáticos iniciais, o confronto esgotou-se em diálogos de persuasão e em gestos do confraternização. Episódio semelhante ocorreria no ponto de encontro das tropas I e II Exército , no eixo Rio - São Paulo.

Pelo meio da tarde de quarta-feira, tudo estava terminado. Ruíra o dispositivo militar do Presidente. Ninguém moveu ou esboçou resistência em defesa de Goulart, ou de suas reformas.

Na tarde do dia 2 de abril de 1964, mais de um milhão de pessoas lotavam as ruas e praças centrais do Rio de Janeiro. A população irmanada - operários, estudantes, senhores idosos e crianças, todas as profissões, todas as categorias sociais e todos os credos- reunia-se na maior manifestação que o Brasil jamais vira. Chuvas de papéis picados, jogados dos edifícios, atapetavam de branco as ruas e calçadas. Bandeiras brasileiras coloriam o espetáculo. Faixas repudiavam o comunismo. Em cima dos carros, pessoas carregavam flores, rejubilando-se pela vitória da democracia. Os jornais do dia saudaram a retomada da democracia. As rádios e canais de televisão cobriam a manifestação, transmitindo para todo o país os discursos inflamados.

Era a "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", um movimento de cunho nacional em defesa do regime e da Constituição e que já se realizara, com êxito, em São Paulo, Belo Horizonte, Santos e Porto Alegre. Programada com antecedência, no Rio de Janeiro, transformara-se, de protesto contra o caos do governo anterior, em júbilo pela vitória da democracia.

9. O pronunciamento dos políticos

Depois de meses de tensão e luta, os políticos brasi1eiros, particularmente aqueles que se haviam empenhado na defesa da democracia, liderados pela maioria dos governadores, entre
os quais se destacavam os da Guanabara, Minas Gerais e são Paulo, podiam respirar aliviados, convictos do acerto das decisões tornadas,
Carlos Lacerda, com a veemência que lhe era peculiar, falava aos cariocas: "O Sr. João Goulart acobertou, patrocinou, estimulou todas essa gente, jogando marinheiros contra soldados, farda contra farda, classe contra classe, brasileiros contra brasileiros. Assim, não era possível que Marinha, Aeronáutica e Exército suportassem mais tamanha impostura e tamanha carga de traição. Deus é bom. Deus teve pena do povo".

o Governador de Minas Gerais, Magalhães Pinto, afirmava: "O movimento restaurador legalidade, que Minas tomou a iniciativa e e responsabilidade de desencadear, com o apoio de todos os brasileiros, em breve estará concluído com a formação de um governo em condições de promover a paz, o desenvolvimento nacional e a justiça social".

Em são Paulo, o Governador Adhemar de Barros era mais contundente: "Votamos ao poder para pacificar. Não quero nada. Apenas a democracia autêntica, sem receber ordens de Moscou. Goulart bolchevizou a família brasileira. Mandou mais de 11 mil estudantes paulistas fazerem cursos comunistas na Rússia. Agora, vou mandar os comunistas falarem em liberdade em Moscou".

o Senador e ex-Presidente Juscelino Kubitschek, que compunha com os políticos antes citados o quadro dos pretensos candidatos à presidência da República, assim se expressou: "É com o pensamento voltado em Deus, grato à sua proteção ao Brasil e ao povo, que saúdo a nossa gente pela restauração da paz, com legalidade, com disciplina e com a hierarquia restaurada nas Forças Armadas. A paz não exclui, todavia, a vigilância democrática. O perigo comunista não estava, como se viu, no comportamento do povo e dos trabalhadores, ordeiros e democratas. O perigo comunista estava na infiltração em comandos administrativos".


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