BLOCO CIDADANIA

RESISTÊNCIA

Março 2011               Índice Geral do BLOCO CIDADANIA


22/03/11

• A Comichão da Meia-Verdade (17) - Governo salva Banco Panamericano e Silvio Santos retribui com novela que exalta guerrilheiros da luta armada

Fonte: Tribuna da Imprensa
]22/03/11]   Por coincidência, apenas mera coincidência, Silvio Santos paga a conta da ajuda ao Banco PanAmericano exibindo uma novela que exalta os feitos dos guerrilheiros da luta armada contra o regime militar - Por Carlos Newton

Dizem que, depois dos 40 anos, ninguém mais pode acreditar em coincidências. Por isso, é bom refletir sobre a oportunidade do lançamento da próxima atração do SBT, a novela “Amor e Revolução”. Vai estrear no dia 5 de abril, às 10h 30min, e a ação transcorre entre 1964 e 1972, ou seja, nos anos de chumbo da ditadura militar.

A novela deverá ficar centralizada em São Paulo e no Rio de Janeiro, mas terá gravações em Cuba, no Congo e na Bolívia para algumas cenas especiais, o que indica que um dos personagens será o próprio Che Guevara, que lutou nesses três países. As imagens que já vazaram para o YouTube mostram pesadas cenas de torturas cometidas pelos militares brasileiros que vão emocionar os telespectadores, especialmente no Planalto Central.

Como todos sabem, o SBT pertence a Silvio Santos, que sempre teve pavor de tocar em assuntos políticos na sua programação. Mas como dizia Vinicius de Moraes, “de repente, não mais que de repente”, eis que o simpático empresário-apresentador muda de comportamento e promove a produção de uma novela tipo cinema-verdade, em que os protagonistas-heróis são justamente os guerrilheiros que pegaram em armas contra o regime militar.

Realmente, Silvio Santos mudou muito desde que esteve com Lula no Palácio do Planalto, em setembro de 2009, pedindo ajuda para tirar da falência o Banco PanAmericano e seu grupo, o que incluía o SBT. É surpreendente como ele deu uma guinada de 180 graus para aceitar exibir no horário nobre as abomináveis torturas cometidas por militares naquele período negro de nossa História.

Por coincidência, mera coincidência, é claro, apenas dois meses depois da visita de Silvio a Lula no Planalto, a Caixa Econômica Federal anunciou a compra de 35,54% do capital social do banco PanAmericano. O valor da operação foi de R$ 739,2 milhões e envolveu a aquisição da participação acionária representativa de 49% do capital social votante e de 20,69% das ações preferenciais do PanAmericano.

Recapitulando: os R$ 739,2 milhões da Caixa foram a primeira ajuda. Não adiantou nada. Depois, em 2010, o Fundo Garantidor de Crédito (órgão criado por bancos privados e estatais, incluindo a própria Caixa)entrou com mais R$ 2,5 bilhões. Também não adiantou. O Fundo então aumentou sua operação de socorro para cerca de R$ 4 bilhões. E não adiantou nada, mais uma vez. Até que, no 11 de fevereiro deste ano, vem a prestimosa presidente da Caixa, Maria Fernanda Gomes Coelho e anuncia que o banco estatal vai injetar mais R$ 10 bilhões no PanAmericano, que tem como controlador o BTG Pactual. Portanto, ao lembrar outro famoso apresentador de TV, Jota Silvestre, poderemos dizer que, no buraco negro do PanAmericano, só o céu é o limite.

É claro que também foi por coincidência, exclusivamente coincidência, que Silvio Santos agora teve a idéia de fazer uma novela exaltando a luta armada dos guerrilheiros contra o regime militar, embora até o presente momento o simpático apresentador jamais tivesse mostrado nenhuma simpatia, compatibilidade ou aproximação com a luta armada.

Muito pelo contrário. Silvio Santos sempre foi um capacho do regime militar. Conseguiu sua primeira TV, o canal 11 do Rio de Janeiro, durante o governo do general Geisel, usando tráfico de influência familiar. Na época, contratou para assessorá-lo na concorrência o jornalista Carlos Renato, que era primo-irmão de Dulce Figueiredo, mulher do então poderoso chefe do SNI, general João Batista Figueiredo, que era tão íntimo de Carlos Renato que o chamava de “Nanato”.

Simpaticíssimo, Carlos Renato passou a ficar de segunda a sexta-feira em Brasília, conhecia todas as autoridades, especialmente no Ministério das Comunicações, onde transcorreria a concorrência. A costura feita por Renato acabou dando certo, porque Roberto Marinho também preferia que Silvio Santos vencesse a concorrência, em vez dos outros dois concorrentes, muito mais fortes, a Editora Abril e o Jornal do Brasil. E assim se fez, o canal 11 caiu no colo de Silvio Santos.

Em 1979, Figueiredo assumiu o poder e Silvio Santos soube retribuir o favorecimento, criando em seu programa o quadro chapa-branca “A Semana do Presidente”. A bajulação deu certo. Sempre assessorado por Carlos Renato, em 1981 Silvio Santos obteve a concessão para operar o canal 4 de São Paulo, que se tornou a TVS da capital paulista. A partir das emissoras do Rio e de São Paulo, surgiu o embrião do SBT, que se expandiu rapidamente através de afiliações em todos os Estados.

Tudo coincidência, é claro, apenas coincidência. E agora esse capacho do regime militar, depois de se livrar da falência com auxílio do então presidente Lula, resolve montar um a novela de época, em que os heróis são justamente os membros da luta armada. E isso ocorre exatamente quando o Congresso Nacional vai discutir o projeto que cria a Comissão da Verdade, destinada a investigar exclusivamente os crimes cometidos pelos militares na ditadura, deixando de fora os crimes cometidos pelos guerrilheiros da luta armada, que mutilaram e mataram muitas pessoas que nada tinham a ver com o regime militar. E isso é mais do que sabido.

É claro que se trata apenas de coincidência, não há dúvida. Inclusive porque, ao final de cada capítulo da novela eletrizante (haverá cenas de tortura com choque elétrico) a ser exibida pelo SBT, aparecerá escrito na tela que “qualquer semelhança com fatos ocorridos na vida real é mera coincidência”. E todos nós vamos acreditar, não é mesmo?

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"Posts" anteriores relacionados na página A Comichão da Meia-Verdade:

21/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (16) - Artigo de Roberto Campos, sempre atual: "A nostalgia das ossadas"
(...) Durante nossos "anos de chumbo", não só os guerrilheiros sofreram; 104 militares, policiais e civis, obedecendo a ordens de combate ou executados por terroristas, perderam a vida. Sobre esses, há uma conspiração de silêncio e, obviamente, nenhuma proposta de indenização. Qualquer balanço objetivo do decênio 1965-75 revelará que no Brasil houve repressão e desenvolvimento econômico (foi a era do "milagre brasileiro"), enquanto nos socialismos terceiromundistas e no leste europeu houve repressão e estagnação.(...)
(...) As décadas de 60 e 70, no auge da Guerra Fria, foram épocas de imensa brutalidade. Merecem ser esquecidas, e esse foi o objeto da Lei de Anistia, que permitiu nossa transição civilizada do autoritarismo para a democracia. Deixemos em paz as ossadas. Nada tenho contra a monetização da saudade, representada pela indenização às famílias das vítimas. Essa indenização é economicamente factível no nosso caso. Os democratas cubanos, quando cair a ditadura de Fidel Castro, é que enfrentariam um problema insolúvel se quisessem criar uma "comissão especial" para arbitrar indenizações aos desaparecidos. Isso consumiria uma boa parte do minguado PIB cubano!
Nosso problema é saber se a monetização da saudade deve ser unilateral, beneficiando apenas as famílias dos que se opunham à revolução de 1964. Há saudades, famílias e ossadas de ambos os lados.(...) Ler mais

A Comichão da Meia-Verdade (15) - O jornalista Jorge Serrão comenta a nova novela do SBT que considera "eficiente peça de propaganda ideológica na crescente campanha de desmoralização das Forças Armadas"
(...) A ficção nem sempre imita bem a realidade. E quando a distorce, ainda ajuda a perpetuar inverdades sobre a História. O SBT vai estrear no dia 5 de abril, às 10h 30min, a novela “Amor e Revolução”. Pelo trailer divulgado até agora, tudo indica que a obra será mais uma eficiente peça de propaganda ideológica na crescente campanha de desmoralização das Forças Armadas no Brasil pós-1964.
O Alto Comando do Exército já está muito preocupado com os efeitos deste verdadeiro “golpe” psicossocial. Produto de consumo popular, a novela coincide com a intenção do governo de instituir a tal Comissão da Verdade - que visa a investigar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições) atribuídos aos militares na repressão à luta armada que sonhava implantar o comunismo no Brasil, nas décadas de 60-70.
O Alerta Total já cansou de alertar aos membros do Exército, Marinha e Aeronáutica. Desde a década de 70, existe uma evidente intenção de desmoralizar as Forças Armadas no Brasil. O objetivo psicossocial é criar uma antipatia tão grande com as Legiões. Para que se chegue à “natural conclusão” de que o Brasil não precisa tanto de Forças Armadas.(...) Ler mais

A Comichão da Meia-Verdade (14) - Uma comissão "chapa branca" - por Luiz Eduardo Rocha Paiva
(...) Os discursos sinalizam a parcialidade do Executivo onde a expressiva influência e presença de ex-guerrilheiros comprometem o processo de criação e a condução da CV. Cabe ao Legislativo corrigir as distorções do Projeto de Lei, a fim de assegurar autonomia e equilíbrio na Comissão, compondo-a com pessoas de pensamento distinto em relação aos setores por ela afetados, de preferência por historiadores. Uma Comissão facciosa alçará ex-guerrilheiros e ex-terroristas a heróis e vítimas inocentes, justificando, omitindo ou pintando seus crimes como ações de admirável idealismo democrático. Isso, por si só, levará à satanização de ex-agentes da lei, não importando, aos propósitos revanchistas, quem tenha violado direitos humanos. Muitos cidadãos defenderam o Estado por missão e idealismo, atributo não exclusivo da esquerda como alguns hipócritas propagam. Com base num quadro maniqueísta haverá intensa campanha para rever a Lei de Anistia, prevalecendo a corrente de maior poder político, pois o direito é filho do poder.(...)  Ler mais

17/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (13) - "Ministro da Justiça confirma que somente serão investigados os crimes dos militares. Para o governo, a luta armada não cometeu crime algum, não matou nem mutilou nenhum inocente" - por Carlos Newton

(...) Nenhuma palavra do ministro sobre os efeitos negativos da luta armada. Isso significa que o governo está realmente fechado em torno da blindagem dos crimes cometidos pelos guerrilheiros e terroristas que lutaram contra a ditadura, inclusive matando e mutilando pessoas inocentes, que nada tinham a ver com o regime militar.
É público e notório que houve excessos dos dois lados, mas o governo Dilma Rousseff quer buscar a verdade exclusivamente no tocante aos crimes cometidos em nome do Estado. É uma decisão injusta e antidemocrática.
Todos os crimes devem ser investigados, independentemente de quem os tenha cometido. Criminosos não têm coloração política. Podem ser verde oliva, vermelhos, verdes ou amarelos. No fundo, são apenas criminosos.
Se não investigar todos os crimes, este país estará buscando apenas a meia verdade, ou a “menas verdade”, como gostava de dizer Lula, nos velhos tempos de liderança sindical, quando nem sonhava com a Presidência da República.(...) Ler mais

15/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (12) - "Dirceu quer apurar os crimes dos militares na ditadura e deixar de fora os crimes da luta armada. Assim, é melhor trocar o nome e instituir a Comissão da Meia Verdade" - por Carlos Newton

(...) Agora, vêm José Dirceu e seus áulicos do PT, que o seguem cegamente, a empurrar o governo de Dilma Rousseff para um despenhadeiro político. Mas por quê? Só Freud explica, e o faz facilmente. Qualquer um pode imaginar o inveja e o ódio que Dirceu devota a Dilma Rousseff. Em seu inflado ego, quem devia estar agora no Planalto era ele, o verdadeiro mentor do governo Lula, e não ela, uma simples substituta. Entao, se a presidente entrar em fria, o problema é dela.(...)
(...) A atual ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que apoia Dirceu e defende ardentemente a Comissão da Verdade, naquela época nem tinha nascido, não sabe nada por vivência. Entrou facilmente no canto do cisne entoado por Dirceu, que se comporta como se a reação à ditadura tivesse sido empreendida por grandes defensores da democracia, e todo o pessoal da luta armada sonhava em convocar eleições livres e diretas. Negativo. Isso não existiu. Éramos todos marxistas, fidelistas e guevaristas, estávamos obcecados pela charmosa revolução cubana. Queríamos pegar em armas, como eles fizeram, e descer vitoriosos a Sierra Maestra, digo, a Serra do Mar. Esta era a realidade, não se pode mudar a História, mas Dirceu insiste.(...)
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15/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (11) - "Por que o governo do PT insiste em provocar as Forças Armadas e prestigiar os réus do mensalão? O que está ganhando com isso? Nada vezes nada" - por Carlos Newton
(...) Por que mexer com as Forças Armadas, a essa altura do campeonato, quando o país é governado por uma ex-guerrilheira e está tudo bem, em condições ideais de temperatura e pressão? Por que essa ânsia de demonstrar que no Brasil de hoje quem manda é o governo do PT, e os outros poderes são meros coadjuvantes, embora independentes entre si?
Na verdade, os poderes (o que inclui também o poder militar, que jamais deve ser menosprezado) precisam ser harmônicos e se respeitar. Não pode haver confrontos entre eles. Isso é tão óbvio que nem precisaria estar sendo escrito ou lembrado. Mas é que os ânimos estão esquentando, desnecessariamente, em função da falta de habilidade e da prepotência de determinados atores da cena política, que se sentem na condição de protagonistas.(...)

(...) Imaginem, por exemplo, se as Forças Armadas vão permitir uma Comissão da Verdade que investigue as torturas e atrocidades cometidas pelos militares, mas jogue no buraco negro do esquecimento os crimes cometidos pelos guerrilheiros que enfrentavam a ditadura, como o caso do atentado a bomba em São Paulo, ocorrido em 1968 e que feriu gravemente um morador das proximidades, que teve uma perna amputada.
Segundo o jornalista Elio Gaspari, participou dessa ação terrorista a então jovem Dilma Rousseff. E o pior, o líder do atentado recebe hoje uma Bolsa-ditadura muito mais elevada do que a pensão paga ao inocente morador que foi mutilado. Além disso, a gravidade dessa ação terrorista foi um dos motivos alegados pelo regime militar para o retrocesso do Ato Institucional nº 5, no final de 1968.
E dá para entender a situação atual? Ah, Francelino Pereira, que país é esse? Quando você perguntou isso, na época em que era um dos parlamentares que serviam à ditadura, todo mundo levou na brincadeira. Mas na verdade é preciso perguntar sempre: Que país é esse? (...) Ler mais

14/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (10) - O que quer o governo, a Verdade ou a "comissão da verdade"? Mortos no Araguaia: de quem é a culpa?

Nota de Helio Rosa:
Tudo  o que a presidente Dilma não precisa - e nem quer - é uma crise militar no início do seu governo.
As Forças Armadas, por força de continuada propaganda negativa, levaram e levam a fama de não querer abrir os arquivos "da luta armada".  Balela. A cúpula da esquerda, nos 16 anos dos governos FHC e Lula, passou ao largo de providências objetivas nesse sentido. Não há o menor interesse em dar a conhecer às novas gerações que integrantes desses governos fizeram a "luta armada" para instalar uma ditadura comunista radical no país, de inspiração e financiamento chinês, soviético e cubano. Eram traidores da Pátria: simples assim.  E que democracia não estava em seus planos. Esta é a história que já está escrita e registrada. E a "Anistia", ampla, geral e irrestrita, anistiou a todos. Agora é com os historiadores...
Dilma começa seu governo sem a oposição formal dos partidos que deveriam fazê-la. Como inicia com aparente seriedade e elogiada pela mídia, certos integrantes da cúpula do PT sentem que perdem força e que seu propalado "projeto Dilma" não é bem aquele que esperavam. Certos elementos, entre eles José Dirceu, desafeto do "primeiro ministro" Palocci, começam a defender a "Comissão da Verdade" pois, aparentemente,  tudo que precisam - e querem - é uma bela crise militar para enfraquecer o governo Dilma. De qualquer modo, esta é mais uma herança maldita, concebida, gestada e criada pelo governo Lula. Dilma não tem o que temer das Forças Armadas, recolhidas às suas atividades rotineiras; mas não se pode dizer o mesmo em relação ao PT... A conferir. HR    Ler mais

13/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (9) - Carlos Chagas: "A verdade tem duas faces" + Revista Época: Artigo sobre o ministro Fernando Pimentel ("Desenvolvimento") e sua participação na luta armada
(...) O problema é que essa Comissão da Verdade se constituirá para revelar e denunciar crimes de tortura e de assassinato cometidos ao tempo e à sombra da ditadura, uns por militares, outros por civis. Atos execráveis, daqueles que não se esquece nem se perdoa, mas hoje insuscetíveis de punição por força da Lei de Anistia. Era o Estado extrapolado pelos então detentores do poder, desinteressados em punir agentes e mandantes responsáveis pelo horror.
O diabo está em que, do lado dos que pretendiam derrubar o regime pelas armas, substituindo uma ditadura por outra, excessos também foram cometidos. Militares, delegados de polícia e empresários viram-se assassinados pelos terroristas, ditos revolucionários. Diplomatas foram seqüestrados. Bombas ceifaram vidas de inocentes. A Lei da Anistia também beneficiou esse monte de trogloditas.(...)
(...)Enquanto a presidente fez treinamento militar, mas não praticou ações armadas, Pimentel participou de duas, arrojadas, na linha de frente e com revólver e pistola na mão: o assalto bem-sucedido a um carro pagador, em Canoas, Rio Grande do Sul, no qual usou um revólver calibre 38, e a azarada tentativa de sequestro do cônsul americano Curtis Carly Cutter, em Porto Alegre, em que empunhou uma 45, respectivamente em março e abril de 1970. (...) Ler mais

11/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (8) - Os militares e as vítimas da ditadura - Editorial O Globo
(...) A forma, porém, como a questão começou a ser encaminhada, na fase final da Era Lula, semeou discórdias. Numa demonstração de, no mínimo, desastrada insensibilidade política, o governo passado permitiu que grupos da esquerda autoritária, incrustados no poder, utilizassem a terceira versão do Programa Nacional de Direitos Humanos para propor, na prática, a revisão da Lei de Anistia, a fim de permitir a condenação na Justiça de agentes públicos autores de sequestros, tortura, assassinatos etc.(...)
(...) A divulgação do documento [do Ministério da Defesa] serve, ao menos, para a reafirmação de alguns pontos. Como o de que os familiares têm direito de saber o destino de parentes sob custódia do Estado — mesmo que fosse de um braço semiclandestino dele. Os militares, por sua vez, não precisam se preocupar com o revanchismo, já descartado pela Justiça, mas têm razão ao reivindicar a apuração de crimes cometidos pela esquerda armada.
A história precisa ser contada por inteiro."  Ler mais

10/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (7) - Comissão da Verdade vira jogo de empurra-empurra entre poderes - por Camila Campanerut
(...) Líderes da Câmara e representantes do Planalto vêm promovendo um jogo de empurra-empurra para atrasar a instalação da Comissão Nacional da Verdade –cuja proposta é “promover o esclarecimento dos casos de torturas, mortes, desaparecimentos forçados, ocultação de cadáveres e sua autoria” durante a ditadura militar (1964-1985).
Enquanto o governo continua anunciando que o tema é prioritário e tenta evitar atrito entre os ministérios da Defesa e Direitos Humanos, parlamentares não querem assumir o ônus de dar início ao debate.
Depois de um pouco mais de dois meses de trabalho do Executivo e um do Legislativo, a meta de priorizar a implantação da comissão ainda é apenas uma promessa.(...) Ler mais

 

09/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (6) - "Em documento enviado a Jobim, Exército diz que projeto reabre feridas"

Extrato de uma nota recente de Helio Rosa (íntegra no final deste "post"):
(...)
As Forças Armadas há muito "voltaram para os quartéis" e hoje subordinam-se totalmente ao Poder Civil. A continuidade de um "estado de vingança e de retaliação" contra os militares só enfraquece a Nação, literalmente, no sentido em que essas Forças estão desaparelhadas e com os salários baixíssimos. Se um governo democrático teme suas próprias Forças Armadas, com certeza não está bem intencionado. É tempo dos "egressos da luta armada" também voltarem para seus "quartéis". A "verdade verdadeira" é um assunto para historiadores que, no devido tempo, farão o seu trabalho profissional e isento. HR  Ler mais


05/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (5) - Programa "Espaço Aberto" de Alexandre Garcia: Vídeo do debate entre Wadih Damous, Mamede Said e Jair Bolsonaro + Artigos dos participantes, sobre o tema
(...) Ao assumir, a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, falou da necessidade de uma “Comissão da Verdade” para pôs luz no período do governo militar. O novo ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general José Elito Carvalho Siqueira, disse que o Brasil não tem que se envergonhar de seu passado e teria recebido uma repreensão da presidente.
O “Espaço Aberto” discute esse assunto com o jurista Wadih Damous, presidente da OAB-RJ, o advogado e professor da UnB Mamede Said, que faz um doutorado sobre a “Comissão da Verdade”, e o deputado Jair Bolsonaro, do PP-RJ, ex-oficial do Exército.  Veja vídeo aqui(...) Ler mais

 

03/03/11
A Comichão da Meia-Verdade (4) - Artigo de Leandro Fortes: "Ministério da Justiça traz consultoria internacional para estimular Comissão da Verdade"
Nota de Helio Rosa:
Recorto o trecho final do artigo de Leandro Fortes e comento:
(...) Para uma das principais estudiosas do conceito de Justiça de Transição no Brasil, a professora Deisy Ventura, do Instituto de Relações Internacionais da USP, o principal impeditivo para se punir os criminosos da ditadura é a presença, ainda, de figuras importantes do regime militar na vida política brasileira, como o senador José Sarney (PMDB-AP), aliado de primeira hora dos golpistas de 1964. “Coisas assim dão a impressão de ter sido muito natural o Brasil ter vivido sob uma ditadura”, explica a professora. (...)

A professora. Deisy e o jornalista Leandro não citam ou comentam, talvez por ser muito natural, isto que outro jornalista, Lucas Figueiredo, declara em uma entrevista referindo-se ao livro "Orvil" motivo de uma série de "posts neste Blog:
"O Exército põe o dedo numa ferida que boa parte da esquerda sempre jogou debaixo do tapete: todos os grupos que participaram da luta armada queriam derrubar a ditadura militar para instalar uma ditadura de viés comunista ou socialista. Ninguém pensava em reconduzir ao poder o presidente deposto, João Goulart. Mas a esquerda acabou criando a lenda de que todos os grupos buscavam a democracia. Outra questão é o envolvimento – pequeno, mas verdadeiro – de guerrilheiros de esquerda com o terrorismo, ou seja, com ações contra a população, e não apenas o inimigo militar. Por fim, estão relatados casos em que militantes de esquerda foram assassinados por seus próprios companheiros, como Márcio Leite de Toledo e Carlos Alberto Maciel Cardoso, ambos da ALN (Aliança Libertadora Nacional), e Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da RAN (Resistência Armada Nacional). O justiçamento de companheiros de luta, praticado por alguns grupos, ainda hoje é um tabu para a esquerda."

É muito natural a "Comissão da Verdade" não se interessar pelos crimes cometidos pelos guerrilheiros da luta armada... HR

27/02/11
A Comichão da Meia-Verdade (3) - Artigo de Pedro Venceslau: "Nada mais que a verdade?" [Entidades pressionam governo e Congresso para a criação da Comissão da Verdade]

Nota de Helio Rosa
"Orvil" (palavra "livro" escrita ao contrário) é o livro escrito pelo Exército sobre a "luta armada". É um verdadeiro fantasma que aterroriza a esquerda brasileira e os egressos da luta armada.  O "Orvil" será transcrito, na íntegra, neste blog, a partir de março.

O insuspeito jornalista Lucas Figueiredo comentou o "Orvil" numa
entrevista:
(...) A mando do general Leônidas Pires Gonçalves, o projeto foi desenvolvido pelo Centro de Informações do Exército (CIE). Cerca de uma dúzia de oficiais trabalhou em segredo no Orvil durante três anos. Como o livro não foi publicado, entrou na lista dos documentos sigilosos das Forças Armadas. Mas algum militar acabou contrabandeando uma cópia para fora do QG do Exército. Nos 19 anos seguintes, apenas 15 cópias artesanais do Orvil foram feitas e passaram a circular em um grupo fechado de militares e civis de extrema direita.(...)

(...) O Exército põe o dedo numa ferida que boa parte da esquerda sempre jogou debaixo do tapete: todos os grupos que participaram da luta armada queriam derrubar a ditadura militar para instalar uma ditadura de viés comunista ou socialista. Ninguém pensava em reconduzir ao poder o presidente deposto, João Goulart. Mas a esquerda acabou criando a lenda de que todos os grupos buscavam a democracia. Outra questão é o envolvimento – pequeno, mas verdadeiro – de guerrilheiros de esquerda com o terrorismo, ou seja, com ações contra a população, e não apenas o inimigo militar. Por fim, estão relatados casos em que militantes de esquerda foram assassinados por seus próprios companheiros, como Márcio Leite de Toledo e Carlos Alberto Maciel Cardoso, ambos da ALN (Aliança Libertadora Nacional), e Francisco Jacques Moreira de Alvarenga, da RAN (Resistência Armada Nacional). O justiçamento de companheiros de luta, praticado por alguns grupos, ainda hoje é um tabu para a esquerda.(...)

(...) Ambos são documentos valiosíssimos ["Orvil" e "Brasil: Nunca mais"]. Todas as versões do regime militar são bem-vindas para os estudiosos, e cabe a eles dissecá-las.(...)

Transcrição neste "post": Artigo de Pedro Venceslau: "Nada mais que a verdade? Ler mais

22/02/11
A Comichão da Meia-Verdade (2) - Ives Gandra: "Os Borgs e a Comissão da Verdade" + Marcio Sotelo Felippe: "John Rawls e a Comissão da Verdade"
Gandra: (...) Pessoalmente, como combati o regime de então - sofri em 1969, inclusive, pedido de confisco de meus bens e abertura de um IPM (Inquérito Policial Militar), processos felizmente arquivados - e participei da Anistia Internacional, enquanto tinha um ramo no Brasil, por ser visceralmente contra a tortura, sinto-me à vontade para criticar a “ideologização” dos fatos passados, a meu ver enterrados com a Lei da Anistia, de 1979.
Que os historiadores imparciais -e não os ideólogos- contem a verdadeira história da época, pois são para isso os mais habilitados. (...)
Sotelo: (...) O jurista Ives Gandra, contumaz defensor de posições de extrema direita, publicou há alguns dias na Folha de São Paulo artigo critico sobre a Comissão da Verdade. As opiniões do articulista devem ser respeitadas como exercício soberano e sagrado da liberdade de expressão, mas ao expor sua tese o articulista cometeu impropriedades factuais e conceituais.(...) Ler mais

20/02/11
A Comichão da Meia-Verdade (1) - Artigo de Alexandre Garcia: "As duas verdades" + Íntegra do Projeto de Lei que Cria a "Comissão Nacional da Verdade"

Sumário das transcrições:
Fonte: Blog do Planalto
[13/05/10]   Comissão da Verdade para investigar violação aos direitos humanos‎
Fonte: Só Notícias
[11/01/11]   As duas verdades - por Alexandre Garcia
Fonte: Veja - Blog de Ricardo Setti
[21/01/11]   A Comissão da Verdade não é revanchista nem vai perseguir ninguém, diz ex-ministro de Direitos Humanos de FHC. Conheça o projeto de lei inteiro e julgue você mesmo
Fonte: Blog do Planalto
[13/05/10]   Integra do Projeto de de Lei que cria a Comissão Nacional da Verdade, no âmbito da Casa Civil da Presidência da República   Ler mais


Comentários com nome completo do remetente devem ser enviados para Helio Rosa, coordenador deste BLOCO. Não há compromisso de publicação.


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