WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Abril 2012             


02/03/12

• Márcia de Almeida, uma jornalista "fora de controle": "Foi a maior alma lavada ver os torturadores e assassinos acuados..."

Nota de Helio Rosa:

01.
Quando comecei a publicar o "Bloco Resistência" no WirelessBRASIL, seu nome inicial era "Cidadania/Resistência".

Passei a assinar uma boa quantidade de Boletins ("newsletters") de vários sites e blogs dentro da nova faixa de interesse (o WirelessBRASIL tratava apenas de telecom).
Claro que não consigo ler tudo mas pelo menos dou uma olhada nos títulos das matérias.
Uma das newsletters que recebo é da jornalista Márcia de Almeida.

Márcia de Almeida possui um blog chamado "Em dia com a cidadania". Anotei seu "resumo biográfico", que está transcrito no final deste "post". Inseri sua foto, copiada do Blog.

Márcia de Almeida publica mensalmente, desde o dia 5 de abril de 2011, no Caderno Razão Social d’O Globo, a coluna "Razão & Cidadania".
A sua última coluna, de 13 de março, está neste endereço.

02.
Concedidos os devidos créditos, vamos aos "débitos"...

D. Márcia é critica ferrenha do regime militar e desconheço suas "vicissitudes" (termo usado por Alberto Dines na entrevista com Miriam Leitão) e/ou sua atuação como simpatizante, militante ou guerrilheira naquele período.

D. Márcia, como todos os brasileiros, inclusive os militares inativos, tem o direito de opinar livremente sobre qualquer tema, e o faz, com coragem e independência, se não em seu Blog e Coluna, mas nas suas "newsletters".

Mas opinar é uma coisa e "agir", desrespeitar e agredir verbal ou fisicamente qualquer pessoa é outra coisa, muito diferente.

O e-mail com a última newsletter da D. Márcia, com data de 31 de março, traz este título, em maiúsculas:
"FOI A MAIOR LAVADA DE ALMA VER OS TORTURADORES e ASSASSINOS ACUADOS, AMEDRONTADOS E ENTRANDO E SAINDO ESCOLTADOS DO CLUBE MILITAR".
No texto D. Márcia descreve sua atuação e de seus amigos no protesto em frente ao Clube Militar.
É ler e pasmar-se!

03.
D. Márcia está sujeita à sanções legais por seu gesto, que é uma contradição total com suas publicações, que levam "Cidadania" em seu nome.
Os cidadãos agredidos gratuitamente por D. Márcia, militares inativos, na grande maioria idosos, se eventualmente devessem algum coisa à sociedade, não poderiam ser hostilizados, pois está em vigor a Lei da Anistia.

D. Márcia, o que aconteceria se uma turba agressiva e descontrolada, agredisse e cuspisse em D. Dilma, ex-guerrilheira, que atuou na luta armada e também foi anistiada?

04.
Há um outro aspecto.
O jornal O Globo, em que d. Márcia de Almeida assina sua coluna mensal, publicou este recente Editorial:

Leia na Fonte: Noblat/O Globo
[19/03/12]  Sem vencidos e vencedores - Editorial O Globo (sobre a Comissão da Verdade)

No dia seguinte, veio à publico esta outra matéria do influente Merval Pereira, jornalista d'O Globo:

Leia na Fonte: Blog do Merval
[20/03/12]  Momento tenso - Merval Pereira

Os dois textos, já transcritos neste espaço, fazem várias considerações sobre o tema "Comissão da Verdade" e tem algo explicitamente em comum: A defesa da Lei da Anistia.

Márcia Almeida, com a matéria do seu e-mail e sua atitude na manifestação em frente ao Clube Militar, agrediu não só os militares inativos, mas também sua classe jornalística e o órgão da mídia em que escreve sua coluna.
E agrediu também toda a sociedade brasileira que - continuo repetindo sempre - foi e está pacificada pela Lei da Anistia.

Em resumo, para não perder a elegância em relação à esta senhora, opino que a jornalista Márcia de Almeida, integrante a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e que se diz "militante de cidadania", por sua atitude, no mínimo, apresenta-se como um péssima cidadã.

05.
Quanta diferença desta outra jornalista, Miriam Macedo, que no mesmo dia, 31 de março, registrou em seu Blog:(grifos meus)

"Hoje, arrisca a pele (literalmente) quem vai contra o rebanho e diz o que todos sabem: o Brasil poderia, sim, ter virado Cuba ou Coréia do Norte, se não tivesse havido o movimento de 64.
A imagem do homem solitário sendo espancado porque gritou "abaixo o comunismo", na missa do papa em Cuba, dias atrás, não é peça de publicidade, é real, aconteceu.
Aqui, no Brasil, os 'valentinhos', beneficiários da democracia que os comunistas negam ao cidadão comum, cospem na cara de senhores idosos que se reúnem, na legalidade, para comemorar o 31 de março.
Eu já estive do lado dos que hoje cospem nos militares que arriscaram a vida para impedir que o Brasil virasse Cuba.
Eu tenho minha parcela de culpa e responsabilidade pela ditadura descarada em que está se transformando o Brasil.
E mudei porque busquei e conheci a verdade.
Por isto, não me tornei apenas ex-comunista. Não basta. Para reparar o mal que eu ajudei a espalhar, foi preciso tornar-me anti-comunista. É o que eu sou."

Miriam Macedo escreveu, em junho de 2011, um antológico "post" em seu Blog: A verdade: eu menti, admitindo que, durante 40 anos, mentiu sobre o fato de ter sido torturada.

Transcrevo abaixo o e-mail recebido da descontrolada jornalista Márcia de Almeida.
HR.

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de Em Dia Com A Cidadania < > newsletter@emdiacomacidadania.com.br
para rosahelio@gmail.com
data 31 de março de 2012 17:03
assunto FOI A MAIOR LAVADA DE ALMA VER OS TORTURADORES e ASSASSINOS ACUADOS, AMEDRONTADOS E ENTRANDO E SAINDO ESCOLTADOS DO CLUBE MILITAR.

Foi uma felicidade inenarrável ( acho essa palavra esquisita e engraçada), no dia 29, ver o milicos, hoje de pijamas, mas todos ex-torturadores e assassinos, tendo que entrar e sair acuados e escoltados pela PM de Beltrame e Sérgio Cabral, para o tal seminário que glorificava os 21 anos de negror da nossa história na segunda metade do século XX ( na primeira metade, tivemos o negror de 15 anos de Getúlio, sendo que oito de uma ditadura ferrenha).

Estávamos nós, coroas, que vivemos a ditadura, e a garotada do segundo grau, aguerrida e insistente, aguentando a intimidação ( que piorou quando chegou o Batalhão de Choque da PM, em carros camuflados e até um mega camburão, que, em 68, chamávamos de "coração de mãe", pois sempre cabia mais um).

Fui com 4 pedras portuguesas na bolsa, pois ninguém sabia o que ia acontecer.

Cada um que chegava ou saía, era chamado de assassino, covarde, estuprador,torturador, e , muitas vezes, filhos da puta.

Vários provocadores também estavam em ação e O Globo, pra vergonha da categoria, disse que éramos 50 pessoas, quando havia mais de 400, divididas entre a entrada principal e a lateral, por onde vários tentaram escapar, mas a garotada os perseguia até o táxi, mesmo escoltados.

Eles nunca imaginaram que um dia tivessem medo de quem massacraram. A cara dos facínoras era de ódio, mas muito mais de medo de um linchamento.

Na verdade, a repressão foi uma inversão de valores, porque a atividade proibida pela presidente da República, era a deles. A nossa, como não foi proibida, estava permitida.

Quem for lá no site poderá ver um ótimo vídeo, feito pelo Latuff, que dá uma ideia do que ocorreu. Pena que tenha poucas imagens do acuamento, mas dá pra ver o assassino do Lamarca, Nilton Cerqueira, descer as escadas do metrô escoltado. E a repressão inflingida a um protesto democrático, numa democracia.

Pânico. Eles estavam em pânico, a partir de certo momento, amontoados numa janela para ver como sairiam daquela situação.

A polícia usou taser ( aquele choque que matou o brasileiro na Austrália, há 5 dias), balas de borracha, gás de pimenta , bombas de efeito "moral"( em 67, em 24 de maio, uma dessas bombas de "efeito moral, mas com danos físicos) lacerou as pernas da estudante Núria Mira y Lopez) e gás lacrimogênio - muito mais forte e nocivo do que o de 40 anos atrás. Além de fortíssimo, dava náuseas.

Mas foi uma delícia passar diante de um coronel da PM vermelho e sufocado e dizer a ele: ainda bem que, aqui, vocês sofrem o mesmo do que nós. Bem feito, vê se é bom...

Saímos de alma lavada. Deu pra ficar feliz.

Foi lida uma lista de mais de 400 nomes de mortos e desaparecidos, tendo como resposta um "presente" uníssono, a cada nome lido, intercalado por gritos contra os meganhas, que iam chegando, em pinga-pinga.

Agora é nos organizarmos melhor para que saia uma Comissão da Verdade, de verdade.

Não apareceu UM vereador ou Um deputado ( aqui, ó, que mais algum leva meu voto!) e, dos partidos, só o presidente do PCB, Ivan Pinheiro, compareceu.

PSOL? Que nada! Apenas um assessor de uma deputada deles, tirava umas fotos um pouco à distância.

Nada de PT, PSTU ( só bandeira), ou qualquer outra agremiação política, nem sindicatos, nem nada. Muito menos a UNE.

A OAB-RJ também não se fez representar. Nem a ABI.

Éramos 400 cavaleiros e amazonas da Távola Redonda, sozinhos.

A PM mandava o trânsito seguir, mesmo com o sinal aberto para os pedestres. Da primeira vez, em pé, parei no meio da faixa de pedestres e esperei que o sinal fechasse pra mim, para atravessar e o trânsito não pode seguir.

. Da segunda, já com a presença do batalhão de choque, sentei na faixa de pedestres, em posição iogue, com o sinal aberto pra mim, claro, me neguei a sair e fui levantada ( sou magrela) por dois meganhas, sempre na mesma posição e retirada dali. A galera foi pra cima dos PMs, acabei esperneando e o companheiro Luiz Rodolfo Viveiro de Castro, o querido Gaiola, me retirou dali, e me"prendeu"no Bar Cinelândia, onde os coroas já estavam.

É isso por hoje ( nem vou falar do cínico do Demóstenes Torres, fica para a próxima semana), lembrando que não fui ao velório ou à cremação do querido e insubstituível Millôr Fernandes, amigo do meu pai por décadas, porque tive que optar entre a despedida e a manifestação.

Sei que ele me preferia na Avenida Rio Branco e dedico a ele parte dessa felicidade, que também sentiria, se vivo estivesse.

E vimos que, no Brasil, convocação pelo Facebook ainda não rola. Quase 3 mil pessoas confirmaram presença, e não foram. Pena.

Não sei o que vai ser no CURTIR TAMBÉM É CIDADANIA de hoje, mas lá pro final da tarde, todos nós vamos saber.

Bom fim de semana e, na próxima, compareçam. Se a gente não se mexer, esses caras que mataram, estupraram, torturaram e sumiram com corpos, anônimos, ficarão sem que a História do país saiba seus nomes.

No pasarán (muito menos incógnitos).

Marcia de Almeida
Editora
www.emdiacomacidadania.com.br

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Resumo Biográfico

MARCIA DE ALMEIDA (foto), responsável pelo site, é jornalista, escritora, roteirista, videomaker e militante da cidadania.
Carioca de Botafogo, e botafoguense de coração, escreveu 4 livros de ficção e foi por muito tempo correspondente internacional, quando cobriu a famigerada guerra da Bósnia.

Há dez anos tenta trazer os temas que serão abordados aqui para a chamada “grande imprensa”, e nada.
O jeito está sendo botar o bloco na rua. Este é o texto que estava aqui até há pouco.

Hoje, 4 anos depois do bloco na rua, a jornalista e editora deste site, passou a integrar a Comissão de Direitos Humanos da OAB-RJ e, como tanto se bate, até que fura, após 14 anos batalhando por um espaço na mídia que falasse dos brasileiros “invisíveis”, assina mensalmente, desde o dia 5 de abril de 2011, no Caderno RAZÃO SOCIAL d’O Globo, a coluna Razão & Cidadania, abrangendo justamente os segmentos que trata aqui: LGBTs, pessoas com deficiência, ciganos, racismo, intolerância, preconceito, e tudo mais que acue o “diferente” da forma tida como “normal”.

É o primeiro jornalão a abrir um espaço periódico para falar deles.