WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Abril 2012             


23/04/12

• Mal assessorada, Dilma acende estopim de crise militar (14) - "31 de março – Patriótica Paciência" - por Ivan Monteiro

Nota de Helio Rosa:
Este é "post" nº 14 desta Série.

Transcrevo mais abaixo este artigo:
Leia na Fonte: Alerta Total
[10/04/12]  31 de março – Patriótica Paciência - por Ivan Monteiro

Permito-me, nesta Nota, fazer este "recorte", como incentivo à leitura do texto completo:
(...)
Exemplo típico de estorvo em começo de trabalho foi cometido pela senhora Eleonora Menicucci, no seu discurso de posse na Secretaria de Políticas Para a Mulher. Se bem me lembro, antes de assumir, a Presidente Dilma reuniu os Comandantes Militares e solicitou não fossem comemorados os feitos revolucionários. Tudo acordado. Acordado com os militares. Faltou avisar a turma.

Destarte, no dia 10 de fevereiro último, lá vai Dona Eleonora no seu discurso de posse, relembrando tempos de cela, levantando mil problemas a enfrentar na pasta, mostrando conhecimento, provocando esperanças, até que a boca grande não se aguenta e surge a frase desnecessária: “Quero neste momento render minhas homenagens às mulheres e aos homens, que tombaram na luta contra a ditadura e não podem participar deste momento histórico do nosso país.” Histórico? Haja paciência.

Além de desnecessária e infeliz a frase é também incompleta. Faltaram as palavras que tomo a liberdade de introduzir no parágrafo da Secretária: “Quero neste momento render minhas homenagens às mulheres e aos homens, que tombaram na luta contra a ditadura militar e pela implantação da ditadura do proletariado, e não podem participar deste momento histórico do nosso país”. Aí ficou perfeito e acabado.

Ou alguém acredita que após mourejar na luta armada, sofrer na clandestinidade, conseguida a vitória, os militantes abandonariam seus propósitos e iriam implantar a democracia plena na terra Tupi, afastar-se do palco generosos e convocar eleições diretas. Se o amigo acredita, mais uma vez peço, esqueça-me.

Dona Eleonora esqueceu seu passado, a maioria da turma esqueceu, estão convictos no discurso e na mente que lutaram apenas contra a ditadura. Se Dona Miriam Leitão acha que o pensamento das Forças Armadas não foi atualizado, impossível reclamar do pensamento de seus amigos atingido por uma lipo radical nas suas principais ideias.

Dona Eleonora atirou ao vento, os Clubes Militares responderam ao fogo e Dona Dilma se irritou. Com sua companheira de cárcere que provocou o desastre? Parece que não. Chamou o Ministro da Defesa e deu-lhe uma “chapuletada”. Quem o Senhor Ministro convocou? Os Comandantes das Forças. Haja paciência! (...)


Leia, abaixo, a íntegra da matéria.

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Leia na Fonte: Alerta Total
[10/04/12]  31 de março – Patriótica Paciência - por Ivan Monteiro

Ivan Monteiro é coronel inativo do Exército

No dia 31 de março de 1964, peguei o ônibus Capelinha-Praça Carlos Gomes, desembarquei na praça com seu pequeno lago e peixes coloridos, caminhei pelas ruas do centro da cidade vazia e juntei-me às dezenas de uniformes cáquis na fila do Tarumã-Via Itupava, próximo à Catedral. O segundo coletivo me deixou à frente do Colégio Militar de Curitiba, naquele dia, estranhamente repleto de viaturas e militares. Com a curiosidade da minha meninice, circulando entre canhões e soldados, foi assim que tomei contato com a Revolução. A notícia de que as aulas estavam suspensas me fez feliz.

Quatro anos depois deixei a família, amigos, o meu Atlético Paranaense e segui destino para a Academia Militar das Agulhas Negras. Foi no mar de morros de Resende, uma montanha russa natural com banhados fedorentos em suas declividades, que tomei contato com a guerrilha miserável. As lições do Vietnam estavam cuidadosamente contidas no currículo acadêmico. Subir o Itatiaia gelado para tomar um reduto guerrilheiro, tiritar de frio, responder a contra-ataques noites inteiras, cercar vilarejos, dormir em viveiros de carrapatos, girar canhões para apoiar patrulhas disparadas em todas as direções, este era o dia a dia dos meus vinte anos.

Neste Vietnam fluminense vi as explosões jogarem terra para todos os lados, experimentei o cheiro de pólvora penetrar forte nos pulmões aflitos, sofri a morte do jovem companheiro. Não fosse a guerrilha miserável, estivéssemos treinando apenas para o combate convencional, não teria visto o corpo passar vagaroso pelo “retão” da Academia, rumo à mãe inconsolável. As pessoas não sabem da história a metade. Não foi só nos enfrentamentos que se perderam vidas. A guerrilha nunca me fez feliz.

Tive sorte. Após atravessar o monumental portão da Academia, com as brilhantes estrelas de aspirante a oficial nos ombros e jogar o quepe para o alto no tradicional ato de formatura, em 1972 voltei à minha Curitiba, melhor dizendo para o 5º Grupo de Artilharia de Campanha Autopropulsado, ali no final da Marechal Floriano, então uma ruazinha estreita e esburacada, o natural e único caminho para São José dos Pinhais e seu aeroporto.

No Quartel do Boqueirão, no Grupo Salomão da Rocha, encontrei a sadia camaradagem da caserna, incorporei-me ao espírito da centenária unidade militar, tradicional doadora de bravos para a defesa da Pátria. No ninho de heróis, vivi a ameaça terrorista, a possibilidade do carro-bomba ser lançado contra os portões do quartel, a expectativa da grávida se aproximar do sentinela e matá-lo a tiros. Passei noites acordado, as munições acomodadas nas câmaras de todas as armas, os dedos ágeis dos meus subordinados prontos para responder à ameaça, dois tiros para cima, um terceiro direto sobre o inimigo sorrateiro.

A responsabilidade tornou-me um instrutor exigente. A guerra obrigava. Era o meu dever. Tenho certeza que a vida de meus soldados e alunos não foi fácil. Pelo menos tentei dar o exemplo. Ensinar, mostrar, treinar, exigir, estar à frente. Tenho orgulho de todos eles. Estiveram sempre atentos, cumpriram ordens com exatidão, nunca falharam. Foram companheiros leais, defenderam o Brasil com o ardor do eterno soldado brasileiro.

O estado de alerta de toda a unidade, o comprometimento de todos seus oficiais e praças, a certeza da prontidão da resposta, talvez tenham afastado de nós a ameaça medonha. Nunca fomos incomodados pelos covardes da noite.

De 1972 a 1985, data da eleição de Tancredo Neves e fim do regime militar, com a família em crescimento, rodei o Brasil. Fui transferido sete vezes. Se cada mudança é um incêndio, queimei um prédio de sete andares. Por todos os lugares que passei, jamais encontrei um desses “idealistas” dados ao sequestro, ao lançar bombas, aos assaltos a banco, ao justiçamento de seus próprios camaradas. Assisti ao largo a surra de laço que meus confrades do Exército, Marinha e Aeronáutica deram nessa gente despreparada. Como disse, tive sorte.

Eu e a grande maioria de meus companheiros assistimos a guerra afastados dos teatros de operações. Nos jornais impressos e televisivos acompanhamos a paulatina derrota dos grupos alinhados com os principais focos difusores da doutrina marxista, idealizadores da luta armada para a conquista do poder e implantação da ditadura comunista, fontes dos recursos necessários para a realização das ações criminosas, parte comum dos manuais incentivadores da chamada Guerra Revolucionária.

Sem dúvida alguma, vencemos a guerra. Livramos o Brasil do comunismo. Para quem quer saber a verdade, essa é a primeira e gloriosa verdade. Orgulhe-se brasileiro.

A senhora Maria do Rosário, Secretária dos Direitos Humanos deste país, disse em entrevista à jornalista Miriam Leitão, sobre a Comissão da Verdade: “É estranho dizer isso, porque no mundo contemporâneo, poucas vezes a gente fala a verdade. Mas neste caso, precisamos falar a verdade, porque precisamos desfazer na opinião pública brasileira, na sociedade, a ideia de que existiam dois lados”... “Eram as Forças Armadas do Brasil, o governo brasileiro, o poder do Estado contra alguns grupos de militantes, outros isoladamente, que exerceram o direito humano à desobediência civil diante de uma ditadura”.

Mesmo diante da afirmação da Secretária de que “poucas vezes a gente fala a verdade”, admitamos que na entrevista tenha fugido ao atual hábito que permeia o pensamento humano mundial e pautado pela verdade. Com essa fé, tenho que optar pela desinformação da Secretária.

Diz a senhora Maria do Rosário que não existiam dois lados. Aboliu da história a Guerra Fria e seus desdobramentos. Que bom. Não foi um bom período para o mundo. Abriu mão da lei da causa e efeito e colocou nossos historiadores frente a uma questão a requerer o assessoramento de psicólogos e psiquiatras: Por que os militares desta nação pacífica se envolveram em batalha contra inimigo inexistente?

Mais adiante, a senhora Maria do Rosário admite a existência de “alguns grupos de militantes”. Então, existia um “outro lado”. Se eram poucos, seus familiares ficaram milionários. As indenizações a esses poucos militantes do outro lado já somam mais de R$ 4 bilhões, com isenção de imposto de renda, valores ainda contestados na Justiça Brasileira. Querem mais.

Por fim, nossa Secretária dos Direitos Humanos legaliza a desobediência civil diante de uma ditadura. Pode ela achar que o regime cubano não seja uma ditadura, mas, no conceito aceito mundialmente de regime ditatorial, o eterno regime do senhor Fidel é uma ditadura. Até o Papa acha. Assim sendo, ao legalizar a desobediência civil, autoriza o povo cubano aos sequestros de embaixadores, ao ataque a unidades militares, ao lançamento de explosivos em aeroportos, à formação de quadrilhas, ao fornecimento de recursos por governos estrangeiros para a manutenção das ações de “desobediência” até a queda de Fidel e seu hermano Raúl. Autoriza uma primavera caribenha. Parece mais um diretor da CIA.

Um olhar mais cuidadoso mostra imenso descompasso entre a Secretária e sua Presidente da República, há poucos meses visitante do Governo Cubano, autora de um pito nas potências mundiais em defesa do telhado de vidro do camarada Fidel, mais ainda, doadora de mais de um bilhão de dólares para o famigerado ditador.

Tivesse a Secretária Maria do Rosário tomado conhecimento desse pito universal, não daria tanta importância a julgamentos que cortes internacionais fazem a respeito dos direitos humanos no Brasil, daria de ombros e iria cuidar do trabalho escravo nos rincões da gigante Pátria, dos navios negreiros em que se transformaram nossas prisões.

Desculpe-me senhora Maria do Rosário, eu sei que tratar do dia a dia sem solução é decepcionante e enfadonho, a visibilidade é mínima. Veja a senhora que o Ministério Público Federal, com milhares de ações a cuidar, empenhou-se decididamente em processar o Coronel Curió, invocando a tese do crime permanente, algo muito mais visível. Uma mesa carregada de pastas e documentos é prova da engenhosidade e arte do nosso MPF, do tempo gasto com a proposta ardilosa de dar drible “neymaresco” na Lei da Anistia.

Ah! Ai de mim que imploro aos céus todos os dias por essa engenhosidade e arte para que escarafunchando parágrafos, alíneas e incisos, o Ministério Público consiga manter preso o assassino cruel que mata, se apresenta e sai pela porta da frente da delegacia, para matar de novo. Não seria o caso de se criar o crime eloquente, a ser julgado no dia seguinte ao seu cometimento? Desculpe-me dona Maria do Rosário, desculpe-me a OAB, desculpem-me os magistrados de toda ordem, estou dando opinião para o que me falta engenhosidade e arte.

Eu sei dona Maria do Rosário que as entrevistas são sempre trilhas plenas de armadilhas. A senhora caiu em algumas, cairia em muitas outras não fosse da turma.

A economista Miriam Leitão, que colocou a Secretária neste caminho pleno de cordéis de tropeço, conhece bem os recursos da mídia eletrônica. Num dos raros momentos em que se afastou da Economia que domina, resolveu atacar os militares e colocou Maria do Rosário nessa gelada. Ah! Dona Miriam, não faça isso! Que maldade!

Assisto Dona Miriam quase todos os dias, no “Bom-Dia Brasil”, jornal em que ela faz o gênero economia ao alcance de todos. Prefiro a âncora do programa, elegante, séria, dinâmica, inteligente, viva, mas para coadjuvante de três minutos, Dona Miriam passa. No dito programa, vi a chamada por alguns de “empregada de banqueiros” falar mal do modelo econômico do regime militar ao promover a venda do seu livro, do qual, perdoem-me, esqueci o nome.

Não vou discutir com a especialista, entrar na sua área, ficar vulnerável. Para quem desejar saber das realizações do Governo Militar recomendo a ironia de Millôr Fernandes – o Brasil perde gênios a cada dia – no saboroso texto “Militares Nunca Mais!”. O amigo entre no Google e procure. Se após a leitura encontrar nos últimos 26 anos de governo civil mais realizações que no período em que os militares estiveram no poder, esqueça-me.

Pois dona Miriam, jornalista laureada, resolveu sair de novo da sua trincheira e atacar as Forças Armadas no artigo “Círculo Militar” publicado em “O Globo”. O artigo revisita o período militar com sua certeza pessoal de que tudo que escreve é a mais pura expressão da verdade. Para ela inexistem dúvidas. Deveria ser a primeira a depor na “Comissão da Verdade”. Acabado seu depoimento, a Comissão encerraria seus trabalhos, colocaria ponto final definitivo neste capítulo da nossa história. Aleluia!

Pois dona Miriam, as Forças Armadas já colocaram ponto final nessa história há muito tempo. A Lei da Anistia já aconteceu, os que se julgam prejudicados estão sendo regiamente pagos – já falamos nos 4 bilhões em indenizações –, os militares tem muito mais o que fazer, pensar em como gerenciar orçamentos irrisórios, manter a operacionalidade das Forças, atender compromissos internacionais de toda ordem, agora ainda mais, cuidar de rebeliões das polícias estaduais, gerenciar favelas, distribuir água no Nordeste eternamente seco, transformar-se em anjos da guarda em todas as catástrofes nacionais.

Convenhamos dona Miriam, que no momento em que General está voltado para o seu trabalho, tentando resolver pletora de problemas com meios sempre menores que os necessários, e vem a senhora com os seus chiliques de trinta anos atrás, é de jogar a toalha. Não se pode negar aos Generais na ativa a paciência infinita.

Pois Dona Miriam, gostaria de vê-la, com o mesmo ardor revolucionário, ensandecida de ódio contra os banqueiros e seus ganhos exorbitantes, seus cabelos leoninos alvoroçados contra os impostos cobrados pelo Governo, guerrilheira insuperável na luta contra a corrupção na esfera pública, jogadas no esgoto suas escolásticas aparições televisivas. Eu sei que não dá dona Miriam. Sair da Globo é desaparecer, palavra que lhe parece trazer pesadelos.

Para Dona Miriam e tantas outras figuras deste Brasil varonil, seria bom lembrar o velho ditado, quem não trabalha, não estorva.

Exemplo típico de estorvo em começo de trabalho foi cometido pela senhora Eleonora Menicucci, no seu discurso de posse na Secretaria de Políticas Para a Mulher. Se bem me lembro, antes de assumir, a Presidente Dilma reuniu os Comandantes Militares e solicitou não fossem comemorados os feitos revolucionários. Tudo acordado. Acordado com os militares. Faltou avisar a turma.

Destarte, no dia 10 de fevereiro último, lá vai Dona Eleonora no seu discurso de posse, relembrando tempos de cela, levantando mil problemas a enfrentar na pasta, mostrando conhecimento, provocando esperanças, até que a boca grande não se aguenta e surge a frase desnecessária: “Quero neste momento render minhas homenagens às mulheres e aos homens, que tombaram na luta contra a ditadura e não podem participar deste momento histórico do nosso país.” Histórico? Haja paciência.

Além de desnecessária e infeliz a frase é também incompleta. Faltaram as palavras que tomo a liberdade de introduzir no parágrafo da Secretária: “Quero neste momento render minhas homenagens às mulheres e aos homens, que tombaram na luta contra a ditadura militar e pela implantação da ditadura do proletariado, e não podem participar deste momento histórico do nosso país”. Aí ficou perfeito e acabado.

Ou alguém acredita que após mourejar na luta armada, sofrer na clandestinidade, conseguida a vitória, os militantes abandonariam seus propósitos e iriam implantar a democracia plena na terra Tupi, afastar-se do palco generosos e convocar eleições diretas. Se o amigo acredita, mais uma vez peço, esqueça-me.

Dona Eleonora esqueceu seu passado, a maioria da turma esqueceu, estão convictos no discurso e na mente que lutaram apenas contra a ditadura. Se Dona Miriam Leitão acha que o pensamento das Forças Armadas não foi atualizado, impossível reclamar do pensamento de seus amigos atingido por uma lipo radical nas suas principais ideias.

Dona Eleonora atirou ao vento, os Clubes Militares responderam ao fogo e Dona Dilma se irritou. Com sua companheira de cárcere que provocou o desastre? Parece que não. Chamou o Ministro da Defesa e deu-lhe uma “chapuletada”. Quem o Senhor Ministro convocou? Os Comandantes das Forças. Haja paciência!

Dona Eleonora poderia ter deixado seu ardor carcerário para outra hora. Ao invés de ralhar com a amiga, Dona Dilma preferiu bater no enteado disciplinado e trabalhador.

Desde que o General Leônidas teve que orientar os desorientados sobre os ditames da lei e colocar o donatário do Maranhão no mais alto cargo deste país de falsos hermeneutas, Comandantes Supremos, que vão do intelectual ao primevo, tem se empenhado em tratar as Forças Armadas como o enteado inoportuno, dentro de família de ministros e secretários, que não para de crescer.

Nem sempre. No governo FHC criou-se o Ministério da Defesa. Os quatro Ministros Militares foram reduzidos a singular Ministro da Defesa. Confesso que fui favorável. Dentro da ótica da logística da guerra em que trabalhei por algum tempo, não entendia como o Brasil poderia enfrentar ameaça sem ter, desde o tempo de paz, um comando único que coordenasse Marinha, Exército e Aeronáutica. Eu e minha santa ingenuidade. Não era esse o objetivo.

O que se criou foi um tutor civil para o enteado inoportuno. Pior ainda, os tutores nomeados foram dignos de veemente denúncia ao Conselho Tutelar mais próximo, sem qualquer condição para o cargo pelo total desconhecimento da área militar. Até oriundos do Ministério das Relações Exteriores, paradoxalmente órgão encarregado de garantir a paz pelos meios diplomáticos, foram chamados às armas. Alguém já pensou em colocar um General de Exército na chefia do Itamaraty? Será que os tataranetos de Rio Branco não se considerariam insultados?

Para não crucificar gaúchos e soteropolitanos, vou salvar o gaúcho Nelson Jobim. O único que a meu ver vestiu a camisa, tentou entender o processo e jogar junto, por incrível que pareça em dias de Comissão da Verdade, demitido por dizer a verdade. Na festa dos 80 anos de FHC, Jobim lembrou a frase de Nelson Rodrigues sobre os idiotas de um tempo em que “chegavam devagar e ficavam quietos” e avançou perigosamente: “O que se percebe hoje, Fernando, é que os idiotas perderam a modéstia”.

Com os idiotas jogando para o alto as sandálias da humildade, o enteado inoportuno passou a ser alvo do apedrejamento. Se opina sobre importante assunto de segurança nacional, é um insulto à democracia, um espasmo de torturadores. Ao defender-se das afrontas, quer desestabilizar o Governo impoluto, como se fosse necessário, não bastassem as reportagens da Folha, da Veja, dos repórteres do Fantástico e de todos aqueles que introduzirem uma câmera nos escritórios dos novos gerentes do Brasil.

Segundo Olavo Setúbal de Carvalho “O Partido dos Trabalhadores ganhou a confiança do eleitorado por sua luta feroz contra os políticos corruptos, ao mesmo tempo em que ia preparando, para colocá-lo em ação tão logo chegasse ao poder, o maior esquema de corrupção de todos os tempos, perto do qual a totalidade dos feitos de seus antecessores se reduz às proporções de roubo de um cacho de bananas numa barraca de feira”.

Após oito anos no comando supremo de nossas Forças Armadas, o representante desse PT no poder, o pai do “Ronaldinho dos negócios”, protagonizou o mais contundente exemplo de menoscabo aos homens de farda. Em poucas palavras, o cacique petista conceituou o soldado nacional: “O militar brasileiro é facilmente controlado, basta lhe oferecer qualquer migalha”. Bem feito Deodoro! Veja o que você foi arrumar Floriano! Tivéssemos um rei, ele poderia dizer bem alto: “Por que não te calas?”

Por mais que se compreenda o nível cultural do ex-presidente, era de se esperar um mínimo de educação e respeito. Ou estou enganado? A frase mostra a que grau de liberdade se chegou na afronta aos militares. A partir daí tudo pode. Nelson Jobim estava certo.

Sempre entendi como patriótico o silêncio das Forças Armadas frente a tantas parvoíces, tentativa penosa de não tumultuar o ambiente político frágil, por muito tempo inquietado pelo PT ansioso pelo poder, com Lula no comando, atormentado pelos constantes flagrantes de corrupção a que se refere Olavo Setúbal de Carvalho. O esquema foi colocado em prática e vaza por todos os lados. Além do mais, respondessem aos ataques, as Forças Armadas correriam o risco de serem acusadas de desestabilizadoras do regime. Pelo bem da Pátria, melhor o silêncio, afinal, “à Pátria tudo se dá, nada se pede, nem ao menos consideração”.

O problema é até onde isso vai, qual é o limite dos inconsequentes, afinal, tudo tem limite. Como dona Dilma parece lhes ter dado carta branca e os intelectuais de esquerda lhes dão socorro com seus manifestos, a matilha pode ir longe demais. Um perigo.

Contra as patetices estou vacinado desde a infância. O visionário mestre de Português dizia com rara propriedade: “Quando os idiotas falam, a gente bate palmas, e eles seguem felizes com suas estultices”. Eu acrescentaria: seguem felizes rumo aos pastos verdejantes, às águas tranquilas, onde pastarão e saciarão suas sedes. Se tivessem paciência de ler dois parágrafos, eu lhes recomendaria o Salmo 22.

O que me maltrata é a falta de brasilidade dessa gente. Usassem seus tempos para diminuírem suas carências intelectuais e administrativas, e gerenciar seus empreendimentos com maior capacidade, as soluções para o Brasil não passariam sempre pelas privatizações – ou concessões na nomenclatura petista –, agora fundamentais para o lerdo movimento do Governo, recursos incomensuráveis não seriam jogados em ONGs de todos os tipos, buracos negros da nossa economia.

Seria bom, mas nem pensar. Continuam presos à derrota, um problema psicológico de colocar Freud, Jung e companhia no manicômio. O problema só pode ser psicológico, pois nessas figuras em desespero não percebo cicatrizes, pernas amputadas, dedos arrancados que não sejam fruto de seus próprios acidentes de trabalho. Alguém lhes precisa dar socorro, informar que a terapia existe para por fim a esses problemas, pelo bem do Brasil.

Então que posso eu fazer quando o Movimento de 31 de Março se aproxima dos 50 anos?

Na esfera militar, esperar que os Comandantes das Forças continuem com a patriótica paciência em alto nível, sem correr riscos de cair nas armadilhas perfidamente colocadas a cada microfone aberto para uma boca despreparada, uma humildade perdida. Esperar que continuem a cultuar a história militar do Brasil a cada içar da Bandeira amada, nada mais que a prodigiosa saga de manter um gigante territorial uno, afastado de desvios inaceitáveis, firme rumo ao destino glorioso que seu povo tanto deseja e merece.

Dos meus valorosos amigos da inatividade, impregnados de brasilidade e de infinito amor aos uniformes que vestiram com honra – disse o exagerado Patton que a carreira militar era a última das profissões de honra –, esperar declarações claras, sóbrias, carregadas de justas demandas, demonstrações abertas de amor ao Brasil, Brasil que de alguma forma tem que saber o pensamento militar, proibida sua veiculação oficial.

Dos derrotados em frenético e tardio contra-ataque, um momento de maturidade, de grandeza, de foco no trabalho, de abandono do clientelismo e busca de verdadeiras competências, sem as quais os compromissos internacionais assumidos transformar-se-ão em sumidouros de recursos públicos, permanentes fontes de corrupção, riscos poderosos de mundial vexame.

Eu, cá na minha linda Curitiba, ao alvorecer de 31 de Março, com o guerreiro de todos os dias despertando por trás da Serra do Mar, vou saudar Caxias, o meu Exército nunca vencido, os meus amigos da Turma Marechal Castello Branco, as nossas famílias, os soldados que comigo olvidaram o sono, aqueles que hoje nos confins das fronteiras amazônicas guardam nossos tesouros, as opulentas águas do Atlântico profundo, os ares da Pátria querida, eterna testemunha de que um filho seu não foge à luta.

Parabéns irmãos em armas! Salvar um gigante não acontece todo dia!

Bom-dia Brasil! Forte por que somos fortes, gigante por que o acalentamos no perigo e o tornamos gigante.

Ivan Monteiro é Sócio do Clube Militar.