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Janeiro 2012             


05/01/12

• "Herança maldita" do governo Lula (36) - Dilma e as ‘heranças malditas’ - Editorial O Globo

Nota de Helio Rosa:
Em novembro de 2010 escrevi este pequeno texto que encabeça esta coleção de "posts"
"Herança maldita" do governo Lula:
As aspas de "herança maldita" do título desta série de "posts" têm algumas explicações.
O termo foi repetido à exaustão pelo Presidente Lula, eternamente em campanha, para desqualificar o governo de seu antecessor. Qualquer brasileiro razoavelmente informado sabe que Lula recebeu um país organizado e perdeu uma oportunidade única de fazer um excelente governo ao escolher "os melhores companheiros" para sua equipe, quando poderia ter escolhido as "melhores cabeças".
A herança que deixou merece "aspas", nem tanto pelo que fez de errado mas pelo que deixou de fazer.
Dilma recebe também um herança com "aspas", estas realmente irônicas, pois terá enorme dificuldade de explicar e principalmente, de governar, com o espólio que ajudou a construir. Dilma está no governo desde 2002, quando participou da equipe de transição. Mas administra o Brasil, de fato, na Casa Civil, desde 2005, na eterna ausência do titular, sempre no avião ou no palanque. Vai colher o que plantou, muito mais joio do que trigo. HR


Transcrição:
Fonte: O Globo / Noblat

[05/01/12]  Dilma e as ‘heranças malditas’ - Editorial O Globo

As causas de muitos desastres ditos naturais, em que inundações e desmoronamentos deixam um rastro de destruição e mortes a cada temporada de chuvas, estão numa longa história de imprevidências.

Entre as principais, incúria administrativa e populismo de políticos despreocupados com a favelização e ocupação desordenada de áreas de risco.

A descoberta do mau uso de verbas do Ministério de Integração Nacional, de Fernando Bezerra, do PSB de Pernambuco, acrescenta mais um elo nessa cadeia de explicações: o clientelismo na devolução à sociedade de parte do enorme volume de recursos extraídos do contribuinte por meio de escorchante carga tributária.

Pois, embora o ano passado, o primeiro de Dilma Rousseff no Planalto, tenha começado com a catástrofe ocorrida na Serra Fluminense, onde, entre Friburgo, Petrópolis e Teresópolis, mais de 900 pessoas morreram, o estado que mais recebeu recursos do Programa de Prevenção e Preparação para Desastres do ministério foi o da base eleitoral do ministro — Pernambuco, com R$ 34,2 milhões, 22% do total dos recursos liberados (R$ 155,6 milhões).

O Rio de Janeiro liderou a lista dos gastos em reconstrução (R$297,9 milhões, ou 29,5% do total de R$ 1,06 bilhão), mas não faz sentido que uma região atingida por uma catástrofe como aquela não precise de obras de prevenção. Aliás, como tem sido mostrado com a devida insistência pela imprensa, faltam também obras de reconstrução.

No terceiro dia do ano já eclode a primeira crise de 2012 no ministério de Dilma. Terça, a presidente resgatou a chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, da folga de fim de ano e a despachou para o Planalto, enquanto a chuva já castigava, com os dramáticos resultados de sempre, Minas e Rio de Janeiro.

Teria sido decretada intervenção da Casa Civil no ministério de Fernando Bezerra, negada ontem por Gleisi.

Dilma exige o mínimo: parâmetros técnicos na liberação dos recursos. Em defesa do correligionário, o governador de Pernambuco, Eduardo Campos, afirmou que Bezerra concentrou o dinheiro no estado por sugestão da presidente, diante das chuvas ocorridas em 2010 na Zona da Mata.

Algo a esclarecer. Em entrevista coletiva, Bezerra lembrou o fato e ainda argumentou que Pernambuco não pode ser discriminado por ser o estado do ministro. Por suposto. Mas tem sido costume subordinar o orçamento do ministério à bússola político-eleitoral do ministro do momento.

Bezerra seguiu o modelo de Geddel Vieira (PMDB), dono do ministério no final do governo Lula. Geddel despejou o grosso do dinheiro do programa contra acidentes na Bahia, onde disputa votos.

Na essência, repete-se na Integração Nacional a distorção verificada no Ministério da Agricultura de Wagner Rossi (PMDB), no Turismo de Pedro Novais (PMDB), no Transporte de Alfredo Nascimento (PR), Esporte de Orlando Silva (PCdoB) e Trabalho de Lupi (PDT).

Corrupção à parte — pelo menos por enquanto —, Bezerra seguiu o figurino patrimonialista de usar o dinheiro público com fins privados: adubar o terreno em que pretende colher votos no futuro.

Terá de ser mais convincente nas explicações. O caso parece ser mais uma herança maldita que Dilma recebe do modelo fisiológico de montagem de governo pelo lulopetismo.

Há fortes evidências de que o ministério foi “doado” ao PSB de Bezerra, como tantos a outros aliados. O problema é que surgem na cena, de maneira visível, destruição e morte.