WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Março 2012             


06/03/12

• Mal assessorada, Dilma acende estopim de crise militar (3) - Amorim, mesmo a perigo no cargo, declara que Comandantes foram orientados a punir

Nota de Helio Rosa:
Visito o site "A Verdade Sufocada", que hospeda o Manifesto de militares inativos "Eles que venham. Por aqui não passarão" e anoto o número atualizado de adesões: 1.072.

O jornalista Merval Pereira, comentou em seu blog (03 Mar), que o "destino do Ministro da Defesa Celso Amorim está diretamente ligado à sua capacidade de resolver a crise envolvendo os militares da reserva. As críticas à Comissão da Verdade e a posições de membros do governo Dilma levaram a uma posição radicalizada do governo, alimentada pelo Ministro da Defesa, que em nenhum momento tentou contornar a crise através do diálogo."

Com o mesmo entendimento, a jornalista Margrit Schmidt comentou: "o ministro da Defesa, Celso Amorim, ao contrário de seu antecessor Nelson Jobim, que se notabilizou como excelente bombeiro, é um conhecido e repudiado incendiário."
Com outro renomado "bombeiro", Lula, hospitalizado, quem ajudará a apagar este "incêndio no cerrado"?

Confirmando a previsão dos dois jornalistas, Amorim, com extrema inabilidade, e repassando a responsabilidade da crise, declarou hoje "que os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica foram orientados a punir os militares da reserva que assinaram o manifesto contra a Comissão da Verdade e que pôs em xeque a autoridade do ministro".
Aparentemente Amorim está isolado, continua desinformado, e certamente precisa de orientação para reler - e entender - o Manifesto. E a Lei 7524/86 que permite militar inativo opinar livremente. Os militares inativos que se manifestaram estão amparados por lei específica e não estão sujeitos à nenhuma punição!
Amorim coloca em "sinuca de bico" tanto Dilma como os Comandantes militares.
Como Amorim não é companheiro de guerrilha de Dilma, esta falação pode ser interpretada como os estertores de um moribundo. A conferir.
Repito o que escrevi anteriormente:
O sucateamento das Forças Armadas e e os baixos salários dos militares são os problemas concretos que precisam ser resolvidos com urgência, pois comprometem a segurança da nação.
Do mesmo modo, ao contrário do que diz a militância do partido governista, o país foi e está pacificado pela Lei da Anistia e é preciso coibir o revanchismo de uma minoria raivosa e defasada do sentimento do povo ordeiro e trabalhador.

HR

Matérias transcritas mais abaixo:
Leia na Fonte: Jornal de Brasília - Coluna de Margrit Schmidt
[03/03/12]  Fogo no Cerrado - por Margrit Schmidt

Leia na Fonte: O Globo/ Blog do Merval
[03/03/12]  Amorim a perigo - por Merval Pereira

Leia na Fonte: O Globo
[06/03/12]  Amorim: punição de militares está nas mãos dos comandantes

Fonte: Noblat/O Globo
[05/03/12]  Nota de Repúdio do Instituto Vladimir Herzog

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Leia na Fonte: Jornal de Brasília - Coluna de Margrit Schmidt
[03/03/12]  Fogo no Cerrado - por Margrit Schmidt

Essa “Comissão da Verdade” é a grande falácia alimentada pelos surrados clichês das esquerdas.

Agora temos a previsível e pertinente reação dos militares. Essa discussão está irremediavelmente contaminada pelo viés político-ideológico e não atende aos interesses públicos de busca de verdades históricas ou punição de crimes do passado. Simplesmente porque, como já é mania no governo petista, revoga a institucionalidade que nesse caso tem nome: Lei de Anistia.

Está claro que não eram democratas os militares que estavam no poder. Mas tampouco eram democratas aqueles que tentavam derrubar os militares do poder.
A elite política e econômica aliada aos militares promoveu um golpe de Estado. Os atentados terroristas não buscavam derrubá-los para instituir, então, um regime democrático no País. Os ditos “revolucionários” queriam também uma ditadura, só que a socialista.

Morreram 424 pessoas combatendo o regime militar – algumas delas com armas na mão, trocando tiros com as forças de segurança ou tentando articular guerrilhas. Outras foram assassinadas depois de rendidas pelas forças de repressão do Estado. Um absurdo não justifica outro absurdo, simples assim.

Os grupos de esquerda no Brasil, embora em pequeno número e muito menos armados do que o Estado repressor mataram 119. E são mortes quase indigentes porque não têm o pedigree esquerdista.

Os combatentes guerrilheiros foram assassinados porque escolheram correr o risco de desafiar – isolados do conjunto da sociedade - o regime militar.

Já a esmagadora maioria dos indivíduos assassinados pelos grupos de esquerda eram pessoas que nada tinham a ver com a “luta”, nem de um lado nem de outro. Apenas estavam no lugar errado na hora errada: comerciantes, pedestres, motoristas, clientes de banco e guardas.

Foi a luta dos democratas – não a dos partidários dos regimes ditatoriais socialistas – que nos restituiu um regime de liberdades públicas e respeito ao estado de direito.

O fosso que vai se abrindo entre a presidente Dilma Rousseff e os militares está ficando muito rápido muito fundo.

O canal pago Globonews produziu um documentário sobre a morte, ainda cercada de mistérios, do deputado Rubens Paiva nos porões do regime. Os militares falaram abertamente sobre o tema. O general Rocha Paiva disse com todas as letras; “vamos chamar a presidente para depor”.

Há também a tentativa do Ministério Público de contornar a Lei de Anistia, há toda uma insatisfação militar com a Comissão da Verdade que até então não estava tão explícita.

EM EBULIÇÃO
O general Luiz Eduardo Rocha Paiva não é nenhum “bagrinho”. Até 2007, estava em posições de destaque no Exército, foi comandante da Escola de Comando do Estado-Maior do Exército e secretário-geral do Exército.

Para ele, a Comissão da Verdade não é imparcial, é maniqueísta. “Por que não promover também os esclarecimentos dos atentados terroristas e sequestros de pessoas e aviões, e de execuções, justiçamento até de companheiros da luta armada”, disse.

O general sugeriu que os crimes ainda não solucionados podem ser investigados pela Polícia Federal. Para coroar a polêmica, o general ainda declarou não acreditar que seja verdade que Dilma foi torturada.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria dos Direitos Humanos, afirmou que a Comissão da Verdade será instalada em abril. Dilma tem menos de dois meses para escolher sete nomes. Sem os nomes, o paiol já ameaça pegar fogo, com os nomes pode explodir.

Vai ser difícil agradar aos dois lados, os militares e a esquerda revanchista. A ideia de jerico do promotor da Justiça Militar do Rio de Janeiro, Otávio Bravo, de criar uma manobra jurídica que permitirá contornar a Lei de Anistia e reabrir as investigações envolvendo o desaparecimento de Rubens Paiva, Mário Alves de Souza, Stuart Angel Jones e Carlos Alberto Soares de Freitas quando presos pelos órgãos de segurança em 1971, vem para atiçar ainda mais o fogo.

Para ele, como o STF equiparou o crime de desaparecimento forçado com o de sequestro, considerando ambos os crimes permanentes, e os corpos nunca foram encontrados, os crimes envolvendo os quatro desaparecidos ainda estariam sendo executados hoje e, portanto, não caberia a aplicação da Lei de Anistia.

E o ministro da Defesa, Celso Amorim, ao contrário de seu antecessor Nelson Jobim, que se notabilizou como excelente bombeiro, é um conhecido e repudiado incendiário.

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Leia na Fonte: O Globo/ Blog do Merval
[03/03/12]  Amorim a perigo - por Merval Pereira

O destino do Ministro da Defesa Celso Amorim está diretamente ligado à sua capacidade de resolver a crise envolvendo os militares da reserva. As críticas à Comissão da Verdade e a posições de membros do governo Dilma levaram a uma posição radicalizada do governo, alimentada pelo Ministro da Defesa, que em nenhum momento tentou contornar a crise através do diálogo. Os tênues limites da lei que permite aos militares da reserva expressarem seus pontos de vista políticos estão sendo usados por eles para convencer os ministros militares de que estão no seu direito de cidadãos, enquanto Amorim puxa a corda para o outro lado, vendo quebra de hierarquia nos manifestos, que ganham mais adesões à medida que a crise avança. Já há no Palácio do Planalto quem entenda que a presença de Amorim à frente da Defesa, com seu estilo belicoso de atuar, não seja a melhor opção para superar a crise militar.

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Leia na Fonte: O Globo
[06/03/12]  Amorim: punição de militares está nas mãos dos comandantes

Ministro da Defesa garante que a Comissão da Verdade vai respeitar a Lei da Anistia

BRASÍLIA – O Ministro da Defesa, Celso Amorim, reforçou na manhã desta terça-feira que os comandantes da Marinha , Exército e Aeronáutica foram orientados a punir os militares da reserva que assinaram o manifesto contra a Comissão da Verdade e que pôs em xeque a autoridade do ministro. De acordo com Celso Amorim, todos devem respeitar a lei, inclusive, os militares da reserva. Ele lembrou que a Comissão da Verdade foi aprovada em votação praticamente unânime no Congresso. Amorim também frisou que os militares sabem que a comissão, por dever legal, respeitará a Lei de Anistia, que impede a criminalização de atos cometidos durante o período militar.

- O assunto (a punição) já foi objeto de orientação. E está na mão dos comandantes das Forças. Não estou preocupado com a questão de afronta. O importante é o respeito à autoridade civil, isso é parte da democracia. Da mesma forma que também respeitamos os militares. A Comissão da Verdade é lei, todos têm que respeitar a lei – afirmou Amorim, após participar de audiência publica no Senado sobre o incêndio na Estação Antártica Comandante Ferraz.

O Ministério da Defesa não determinou aos comandantes militares quando e como será feita a punição aos reservistas. O ministério apenas orientou que as três Forças encontrem dentro do regimento um forma de punição.

Amorim fez questão de ressaltar a importância das Forças Armadas tanto no caso da Antártica, quanto em outras missões estratégicas, como em ações de reforço à segurança pública durante operações de larga escala, referindo-se indiretamente a pacificação de comunidades no Rio e a operação para reduzir o impacto da greve de policiais militares na Bahia, em fevereiro.

Ele também fez questão de dizer que a presidente Dilma Rousseff está empenhada em reaparelhar as Forças Armadas, que estariam operando em alguns projetos “em condições precárias”. O ministro informou que também trabalha para tentar resolver parte dos problemas remuneratórios dos militares.

Amorim afirmou que não há motivo para inquietação dos militares da reserva, porque a Comissão da Verdade vai respeitar a Lei da Anistia.

- Não há porque toda essa inquietação por conta de questões que não estão colocadas. A Comissão da Verdade foi objeto de muita negociação. O governo respeitará o que foi pactuado,porque o que foi pactuado está na lei, não hã discussão sobre isso.

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Fonte: Noblat/O Globo
[05/03/12]  Nota de Repúdio do Instituto Vladimir Herzog

O general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva, em entrevista a Miriam Leitão, das Organizações Globo, disse [em] (1/3/2012) que a Comissão da Verdade, prevista em lei sancionada pela Presidência da República em Novembro de 2010, é “maniqueísta” e parcial porque seu objetivo é “promover o esclarecimento de torturas, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres”. Acha ele que, para assegurar a imparcialidade da comissão, ela também deveria investigar atos de violência cometidos por aqueles que combatiam a ditadura.

Depois de sugerir que os desaparecimentos do deputado Rubens Paiva e de Stuart Angel só sensibilizam até hoje a opinião pública porque eles pertenciam às “classes favorecidas”, o general Rocha Paiva mostra duvidar de que a presidente Dilma Rousseff tenha sido torturada na época da ditadura.

E, quando Miriam Leitão lembrou que “Vladimir Herzog foi se apresentar para depor e morreu”, Rocha Paiva questiona: “E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar.”

Como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes. Como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara.

Como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Além de tudo isso, posteriormente, em julgamento proferido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/96, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte.

Ao indagar, mais adiante, “Quando é que não houve tortura no Brasil?”, o general tenta justificar em sua entrevista os martírios que foram perpetrados pela ditadura deixando entender que torturar é uma atividade legitimada e consagrada pelos usos e costumes nacionais.
[Leia a íntegra em Nota de Repúdio - Instituto Vladimir Herzog] [Nota do Instituto em 06/03/12: "O nosso editorial esta sendo re-estruturado e voltará em breve".]