WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Março 2012             


08/03/12

• Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março (8) - Seleção de notícias do dia 08 Mar 1964 + Leituras complementares

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Política na opinião alheia

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Líderes da UDN crêem em não-intervenção na GB

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Propaganda comunista no Jabaquara: DOPS prende 7 

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Decreto da SUPRA: CNE mais radical

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 04)
[08/03/64]   Goulart iria para "Ditadura Consentida" - Coluna do Castello

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pag 04)
[08/03/64]   Anti-reformismo - Editorial

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pag 05)
[08/03/64]   FPN teme ofensiva extralegal de Goulart no comício

Leituras complementares:

Leia na Fonte: FGV _ CPDOC
As frentes partidárias durante o governo Goulart
[Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) - Ação Democrática Parlamentar (ADP) - Frente de Mobilização Popular (FMP) - Frente Progressista de Apoio às Reformas de Base]

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
União Democrática Nacional

Fonte: Orvil - 2ª PARTE - A SEGUNDA TENTATIVA DE TOMADA DO DO PODER - CAPÍTULO II - A AÇÃO COMUNISTA
8. O Movimento Camponês


Transcrições:

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Política na opinião alheia

RADICALIZAÇÃO

Do "Correio da Manhã": "A esquerda começou reivindicando as reforma. Mas gradualmente evolui para um programa amplamente revolucionário. A direita começou exigindo que as reformas sejam democráticas e razoáveis, mas hoje não quer saber de reforma nenhuma. Quanto mais os esquerdistas se excedem mais se excedem os direitistas e vice-versa. É este o desenvolvimento da radicalização."

BRASÍLIA
Do "Estado de São Paulo": "Pelo que ultimamente tem vindo à publico, já não resta a menor dúvida que os dias de Brasília estão contados. Não é, aliás, de hoje que temos essa convicção. Desde o dia em que a loucura da mudança foi consumada não nos passou jamais pelo espírito a ideia que pudesse ser definitivo esse crime  cometido contra os mais altos interesses da nação pela leviandade do sr. Juscelino Kubitschek e sancionado pelo Congresso."

FALÊNCIA
Do "Diário de Notícias": "Com quer que seja, o governador Carlos Lacerda é o mais expedito na procura de novas zonas de atrito, no lançamento de novas agressões às autoridades federais. Depois, entretanto, só resta ao sr. Carlos Lacerda solicitar que fechem o país para balanço"

UDN
Da "Última Hora": "Na verdade, como já observamos, o grande partido liberal está reduzido, no presente, a uma agremiação que não sintoniza com as necessidades do povo e que, pelo contrário, dia após dia, se marginaliza numa posição que antagoniza com todos os que se recusam a acreditar que as instituições só podem ser corrigidas a partir de um golpe de força."

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Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Líderes da UDN crêem em não-intervenção na GB

RIO, 7 (FOLHA) -Líderes da UDN apreciaram a possibilidade de intervenção na Guanabara pelo governo federal, e foram unânimes em achar que, apesar da situação atual ser olhada com cautela, não chegaria o sr. João Goulart a tomar uma decisão dessa gravidade somente por ter o sr. Carlos Lacerda pedido a falência do Banco do Brasil, em consequência da suspensão de quitação do cheque correspondente ao pagamento do pessoal da Polícia Militar.

Os representantes da bancada federal da UDN decidiram fazer chegar ao governador Carlos Lacerda um conselho para que não tome nenhuma atitude de resposta ao que classificaram de "provocação", pois isto poderia ocasionar uam série de fatos que somente prejuízos traria ao país.

ADVOGADO DO BB
Enquanto isso, o Banco do Brasil contratou o sr. Fabrício Paulo Bagueira para representá-lo na ação de falência requerida pelo governo da Guanabara. O advogado do BB, falando À imprensa, disse que o banco ainda não recebeu a citação judicial, razão pela qual ainda não tomou providência sobre o caso. 

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Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Propaganda comunista no Jabaquara: DOPS prende 7 

Sete pessoas foram detidas pelo DOPS na madrugada de ontem pichando muros e calçadas, e distribuindo panfletos de propaganda comunista na av. Jabaquara. Às 23 h 30, a RP 210 deteve Negume Yuasa, Leôncio Nep Ribeiro, Miguel Ramos e Gabriel Mendes, que faziam inscrições alusivas à pretendida volta à legalidade do Partido Comunista.

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Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[08/03/64]   Decreto da SUPRA: CNE mais radical

RIO, 7 (FOLHA) - O s. Humberto Bastos, presidente do Conselho Nacional de Economia, enviou hoje mensageiro ao Palácio da Laranjeiras para entregar ao presidente da República o parecer do órgão que preside sobre o decreto da SUPRA que desapropria as terras que margeiam as rodovias, ferrovias e açudes federais.
Adiantou o sr. Humberto Bastos que - caso o sr. João Goulart retorne ao Rio hoje - deverá avistar-se imediatamente com o chefe da nação, ao qual transmitirá, pessoalmente, os termos do parecer.
Revelo, ainda, que na próxima segunda-feira, tem um encontro marcado com o sr. João Pinheiro Neto, para tratar do assunto. O presidente do CNE considera o parecer do Conselho ainda mais radical que o próprio projeto de desapropriação elaborado pela SUPRA.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 04)
[08/03/64]   Goulart iria para "Ditadura Consentida" - Coluna do Castello

Brasília — Para as esquerdas, tanto quanto para a oposição liberal e conservadora, o comício do próximo dia 13, na medida em que dá curso é política de ação direta do Presidente da República sobre as massas populares, coloca o problema da permanência do Sr. João Goulart no Poder.

Carecendo de esquema político e parlamentar que lhe possibilite reformar a Constituição para esse fim, o Presidente só poderia contemplar o desenvolvimento de uma idéia semelhante na base da quebra das resistências por vias anormais ou excepcionais, para o que seria indispensável o apoio agressivo dos movimentos populares, desde que lhe faltaria também um dispositivo militar para ações golpistas.

Atrair as massas, portanto, mediante impactos emocionais, para colocá-las no centro das decisões políticas, radicalizando o processo sem que o seja expressamente por estímulos diretos do Chefe do Governo, seria caminhar no rumo rumo de soluções de fato que, dentro das dominantes psicológicas do Sr. João Goulart, se traduziria numa transação entre as correntes em choques para a estabilização do Poder naquilo que os intérpretes comunistas chamam de "ditadura consentida" do tipo introduzido por Sukarno na indonésia.

A corrente comunista brasileira tem sua opção feita nesse sentido e seus porta-vozes habituais não escondem que, entre as hipóteses eleitorais colocadas, o partido lutará pela fórmula que permita a permanência do Sr. João Goulart no Governo. É possível que a versão de uma conversa do Embaixador Fomin com o Governador Miguel Arrais, publicada ontem num matutino de São Paulo, seja desmentida ou sofra correções (os funcionários do Palácio do Planalto consideram-na pura fantasia); isso, entretanto, não alterará um fato de que se toma conhecimento pelas vias normais da informação política: a decisão do PCB de lutar pela continuação do Governo João Goulart.

O comício do dia 13 no Rio está sendo organizado popularmente na órbita das entidades sob influência dominante dos comunistas, o que realça a hipótese levantada de que nele se projete o movimento continuísta. As organizações esquerdistas não ortodoxas decidiram comparecer à manifestação mas o Sr. Leonel Brizola resiste ainda à idéia de comparecer pessoalmente, apesar dos argumentos utilizados pelo Sr. Miguel Arrais para demonstrar a necessidade da sua presença. Entendem os brizolistas que, a esboçar-se a hipótese de quebra dos impedimentos constitucionais, a candidatura Brizola deverá ter precedência sobre a do Sr. João Goulart. Não acreditam, todavia. que o Presidente possa transitar dentro de esquema semelhante a não ser na base golpista, o que o brizolismo concentrar-se na hipótese preferida da revolução.

O Presidente João Goulart, com a sua perícia habitual, vai conduzindo os preparativos do comício de maneira a amortecer as casamatas da resistência oposicionista e a deixar indefinido o panorama no que se refere às decisões das chamadas forças populares. Amanhã, falará na Escola Superior de Guerra e seu discurso deverá ser totalmente tranquilizador, à semelhança do que ocorreu com seus mais recentes pronunciamentos. Ganhará com isso clima para um contato mais espontâneo e vivo com as massas convocadas para o comício em que sua única mensagem será o apelo pelas reformas de base, com a indicação de que o Congresso, representativo das forças conservadoras, dos que detêm os privilégios, se recusa a acompanhar o povo e o Governo. Esse apelo atuará diretamente, mas terá seus desdobramentos autônomos que na aparência só remotamente se vincularão aos planos políticos do Presidente.

As forças que se opõem ao Sr.. João Goulart, e que identificam na sua política reformista simples aspiração subversiva, tomaram a si o exame e a divulgação de objetivos ocultos por trás do comício do dia 13. Era inicialmente do interesse do Governo a difusão de versões que excitassem a imaginação popular e política em torno do meeting. A partir de determinado momento no entanto, atingido o objetivo psicológico do Governo a Oposição entrou no assunto para retirar dele os rendimentos que considera indispensáveis na mobilização das forças conservadoras para a reação adequada, ainda para aquelas porventura excessivas.

Não resta dúvida de que, se pudesse aliciar no Rio, como fez em Belo Horizonte, a oposição liberal e conservadora, tentaria ocupar a Praça da República desde o amanhecer de sexta-feira para uma espécie de rosário em família, O Sr. Bilac Pinto esta convencido de que só a resistência da população civil, na base do que ocorreu na Capital mineira, salvará o País envolvido pelo processo da guerra revolucionária.

A oposição perdeu de há muito seu poder de distinguir e considera como embarcadas na mesma canoa todas as gamas da esquerda, os revolucionários, golpistas, os evolucionistas etc. Para ela, o comício é continuísta e é revolucionário ao mesmo tempo, pois se recusa a atribuir um objetivo ao Sr. João Goulart e outro diferente ao Sr. Leonel Brizola.

O Governador Carlos Lacerda parece empenhado em que o comício se circunscreva aos limites de uma manifestação pacifica. Candidato, sua aspiração é de chegar ao pleito. Mas a verdade é que, nas horas de crise, o Governador não costuma comandar as .correntes ostensivas ou ocultas que trabalham ao seu lado na rotina política. Elas se organizam à sua revelia e fogem ao seu controle, preferindo sua inspiração permanente à sua palavra de ordem ocasional.

O prévio esclarecimento de todas as posições e de todas as intenções haverá, contudo, de contribuir para quebrar a tensão armada e para que o comício seja apenas uma peça de rotina na guerra fria entre direita e esquerda. No correr da semana, episódios políticos virão ao primeiro plano, notadamente as eleições para a Presidência da Câmara e do Senado.
CARLOS CASTELLO BRANCO

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pag 04)
[08/03/64]   Anti-reformismo - Editorial

O rei está nu. Caiu a mistificação do reformismo oficial. Ele nada mais é que ação reacionária, mais que conservadora; e agitação caudilhesca, ou uso das reivindicações sociais com fins políticos personalistas.

O rei ficou nu, mal o Congresso, por medida de urgência da oposição, coloca na primeira ordem de consideração o projeto Aniz Badra, reforma agrária abordada em todos os seus aspectos, e não apenas por um dos aspectos, o da expropriação.

Salta-nos agora pela frente um corifeu do anti-reformismo oficial„ o líder do PTB na Câmara, trovejando ameaças contra o PSD, que corretamente abriu a questão, política que assegurará a aprovação do projeto. O líder do PTB, por ordem do rei, não quer a aprovação da lei ordinária da reforma agrária, porque o rei ficaria sem o seu dó de peito, na campanha caudilhesca com a aparência de reformismo.

Aprovado o projeto Badra na Câmara e no Senado, o decreto da Supra encolhe e o menino da Supra fica enquadrado. Os comícios urbanos pela reforma agrária serão feitos menos audaciosamente, porque evidenciarão uma nudez perigosa para a demagogia reformista do governo anti-reformista.

Já não será possível denominar o Presidente de "procurador do povo" na cobrança de reformas do Congresso, pois o Congresso terá se adiantado ao "procurador", que ficará. reduzido ao duplo papel inconstitucional de liderar a oposição contra o Poder Legislativo na pregação de reformas da Constituição, visando à expropriação e ao voto do analfabeto, para chegar à reeleição.

Esta é a hora do Congresso — temos dito — e continuaremos a repetir. Mas não apenas isso.

Esta é a hora da rebelião no PTB autenticamente reformista contra o caudilhismo anti-reformista.

Esta é a hora de o PSD, moderador do regime, salvar do regime mostrando que ser conservador não é ser reacionário.

Esta é a hora da lucidez. Não do radicalismo do tudo ou nada.

Esta é a hora de encher o vácuo que existe entre o País real e o País jurídico com reformas, por via ordinária, politicamente viáveis na sistemática da democracia representativa.

Esta é a hora de impedir que esse vácuo seja ocupado pelo caudilhismo. A única reforma pretendida pelo caudilho é aquela que prorrogará seu mandato.

A reeleição porém é inviável. Viáveis são as reformas, porque o rei não está apenas descamisado: o rei está nu.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pag 05)
[08/03/64]   FPN teme ofensiva extralegal de Goulart no comício

Deputados da Frente Parlamentar Nacionalista, depois de importantes reuniões em Brasília e encontros no Rio, passaram a preocupar-se, de modo especial, com uma ofensiva extralegal do Presidente da Republica, desfraldando a bandeira do continuísmo através de emenda constitucional considerada de todo absurda.

O Deputado Leonel Brizola, que regressou ontem a Porto Alegre depois de menos de 24 horas no Rio, recomendou a presença de todas as forças representadas na Frente de Mobilização Popular no comício do dia 13, mas ainda não se decidiu a respeito de sua presença. 0 ex-Governador gaúcho ainda não foi convidado.

A REUNIÃO
Um grande grupo de deputados da Frente Parlamentar Nacionalista reuniu-se quinta-feira em Brasília, tendo cada um o direito de falar por determinado tempo, sem ser interrompido, ora fornecendo informações colhidas em diversas fontes, ora oferecendo suas observações pessoais.

Depois de uma longa troca de ideias e informações, todos foram unânimes em considerar confuso o panorama nacional, diante da imensa quantidade de dados os mais controversos. Além de problemas de ordem político-partidária, os deputados da Frente Parlamentar Nacionalista examinaram, em profundidade, o panorama sucessório e suas perspectivas para 1965.

ARMAS À REAÇÃO

Considerando como fato concreto o desejo do Sr. João Goulart de continuar no Poder, em face de urna série de dados cuidadosamente analisados, os deputados da FPN concluíram, igualmente, que a tentativa do Presidente de modificar a Constituição para permitir a sua reeleição "fornecerá uma vigorosa arma às forças da reação na confirmação de sua tese de que, a reforma constitucional para possibilitar a reforma agrária nada mais é do que cortina de fumaça para modificação do inciso constitucional que proíbe a reeleição do Presidente da República no Brasil". O continuísmo do Sr. Goulart surge corno verdadeiro para os deputados da FPN, não só através de atos, mas também de palavras do Presidente. Indica-se, assim, recente declaração do Presidente, segundo a qual o único candidato até aqui lançado para 65, na área da oposição, é o Sr. Carlos Lacerda. Com isto, o Presidente quis dizer que nenhum outro nome na área popular, até aqui cogitado, representa autenticamente a expressão dessas forças, sendo ele a única, solução anti-Lacerda.

ARRAIS

Por outro lado, aos membros da FPN e demais grupamentos da FMP parece que o Presidente Goulart procurou tirar o melhor proveito dos acontecimentos de Belo Horizonte e, bem recentemente, de Recife, com o intuito de mostrar ser ele a única força capaz de não só impor a ordem no País, como também de se contrapor às chamadas "forças da reação". Consideram, ainda, que o Sr. João Goulart conseguiu, de certo modo, anular a ação pacificadora do Sr. Magalhães Pinto, mas não desmoralizou o Sr. Arrais com a pretendida intervenção de tropas federais.

Indica-se que, no auge da crise, irritado com o silêncio presidencial, e com a declaração do Sr. Abelardo Jurema de que conhecia os acontecimentos pernambucanos apenas pelos jornais, o Governador pernambucano enviara dois assessores ao Presidente, formalizando o seu protesto, ocasião em que teria transmitido o seu desejo de resistir de maneira violenta contra qualquer tentativa de intervenção através de tropas federais.

TODOS CONTRA

O dia 13, data de realização do comício, seria o escolhido pelos elementos mais ligados ao Presidente da República, segundo dados em mãos da.FPN, para o lançamento na área popular da candidatura do Presidente à reeleição. Mesmo sabendo ser de todo improcedente qualquer possibilidade de modificação do texto constitucional para permitir a sua reeleição, o Sr. João Goulart esperaria sensibilizar as massas e, através de pressão, dar um golpe nas Instituições. A própria Frente Parlamentar Nacionalista é contra qualquer modificação, no capitulo das inelegibilidades, até mesmo por interesse eleitoral, visto que não lhe interessa o continuísmo do Presidente, a não ser em última análise. À FMP interessa um candidato que represente de maneira mais autêntica os interesses dos grupamentos de esquerda — e a modificação do texto constitucional com a presença do Sr. Goulart nas urnas enfraqueceria esse candidato.

Em sua estada no Aeroporto Santos Dumont, o Sr. Miguel Arrais encarregou-se de expressar o pensamento da maioria dos grupamentos esquerdistas, ao declarar que, se "há necessidade de reforma constitucional esta tem de visar, antes de tudo, a realização das reformas de base". Tal resposta, em tom incisivo, foi dada a uma pergunta de um jornalista sobre o que achava o Governador da emenda constitucional, no capitulo das inelegibilidades.

ARRAIS-65

Os chamados setores de vanguarda da FMP também consideraram uma vitória das forças populares o recuo das classes produtoras pernambucanas no caso do lockout, e disso tiraram como "melhor resultado a projeção do Sr. Miguel Arrais no plano nacional".

O Sr. Max da Costa Santos, por exemplo, declarou ao JORNAL DO BRASIL que "a projeção nacional adquirida pelo Sr. Miguel Arrais com os acontecimentos de Pernambuco, colocam seu nome em posição privilegiada na lista dos candidatos das forças populares com vistas a 1965".: O próprio Governador Miguel Arrais, que antes considerava prematura a luta sucessória, já não tem para seus amigos e correligionárias a mesma palavra de ordem. Já admite o Governador que possa vir a ser candidato à sucessão presidencial.

Informava-se ontem nas áreas de esquerda, especialmente ligadas ao Sr. Miguel Arrais, que o Governador pernambucano só estaria disposto a falar no comício do dia 13 se o Deputado Leonel Brizola também discursasse. Indicava-se, nas mesmas áreas, que o Deputado Estadual José Gomes Talarico, um dos organizadores do comício, dizia abertamente anteontem, no Palácio das Laranjeiras, que o Sr. Leonel Brizola "não falará no comido das reformas. pois seu nome não está incluído".


Leituras complementares:

Leia na Fonte: FGV _ CPDOC
As frentes partidárias durante o governo Goulart - por Alzira Alves de Abreu

[Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) - Ação Democrática Parlamentar (ADP) - Frente de Mobilização Popular (FMP) - Frente Progressista de Apoio às Reformas de Base]

Os anos 1960 assistiram a uma crescente polarização ideológica, aliada a uma instabilidade político-institucional vivida pelo país desde 1945. O sistema político indicava a existência de um processo de desagregação, com dissensões internas entre os partidos de centro-direita e forte radicalização dos partidos de esquerda. Esses podem ser os elementos de explicação para o surgimento das frentes partidárias que se organizaram em torno de diferentes agremiações políticas, sobretudo a partir de 1961.

Organizada em 1956, no início do governo de Juscelino Kubitschek (1956-1961), a Frente Parlamentar Nacionalista (FPN) reuniu parlamentares de diversos partidos e tinha como princípio defender, no Congresso Nacional, políticas e soluções nacionalistas para o desenvolvimento brasileiro. O jornal O Semanário era o porta-voz de suas idéias. Nos anos 1960, a FPN aderiu à ação de mobilização política, aliando-se aos estudantes, sindicatos e ao Partido Comunista Brasileiro, numa luta mais agressiva pelo controle dos lucros das empresas estrangeiras, por uma política de extensão dos benefícios do desenvolvimento a todas as regiões do país e pela transformação da estrutura agrária. Contando com um efetivo que variou de 50 e 70 parlamentares ao longo de sua atuação, a Frente apoiou o governo João Goulart. Após abril de 1964, com a cassação dos mandatos da maioria dos seus membros, a FPN deixou de atuar.

Grupo interpartidário organizado no primeiro semestre de 1961, ainda, portanto, durante o governo de Jânio Quadros, a Ação Democrática Parlamentar (ADP) foi constituído basicamente de parlamentares da União Democrática Nacional (UDN) e do Partido Social Democrático (PSD), e deputados de outros partidos que se identificavam com a orientação do grupo. Promovendo cerrada oposição ao governo Goulart, tinha por objetivo combater a infiltração comunista na sociedade brasileira. Em outubro de 1961 contava com aproximadamente 155 membros na Câmara dos Deputados. Estruturou-se em seguida nas Assembléias Legislativas de alguns estados como Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo. Contrária ao reatamento de relações diplomáticas e comerciais do Brasil com a então União Soviética promovida pelo governo João Goulart, a ADP defendia o estrito alinhamento do Brasil ao bloco ocidental liderado pelos Estados Unidos.

A Frente de Mobilização Popular (FMP), criada em 1962 sob a liderança do então governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola, atuou como grupo de pressão, exigindo que o presidente João Goulart implementasse as reformas de base (agrária, urbana, tributária, bancária e constitucional). A Frente contou com a adesão de organizações sindicais, estudantis, femininas, camponesas e de alguns integrantes do Congresso Nacional e do Partido Comunista Brasileiro (PCB). A FMP lançou vários manifestos, dentre eles o de apoio à rebelião dos sargentos em Brasília de setembro de 1963, e o de apoio ao nome de Leonel Brizola para ministro da Fazenda. Foi fechada em 31 de março de 1964 pelos militares e seus integrantes tiveram seus direitos políticos suspensos.

A Frente Progressista de Apoio às Reformas de Base, organizada por iniciativa do ex-ministro da Fazenda San Tiago Dantas, a partir de outubro de 1963, era integrada por políticos moderados do PTB e de outros partidos de centro-esquerda e do Partido Comunista Brasileiro, visando impedir o movimento conspiratório dos grupos de direita contra o governo. O próprio San Tiago Dantas denominou o grupo que dela participou de "esquerda positiva". Defendia a preservação do processo eleitoral constitucional, o repúdio ao golpe e à subversão. Uma das preocupações da Frente era a consolidação das condições para a efetivação das "reformas de base" mas dentro dos princípios democráticos. O seu programa, lançado em 5 de fevereiro de 1964, foi apresentado com o apoio do presidente Goulart. Sofreu forte oposição da Frente de Mobilização Popular. A atitude ambígua de Goulart em relação à Frente Progressista, as suas oscilações de apoio ora ao grupo de San Tiago Dantas ora ao grupo de Brizola, inviabilizou a alternativa política de sua continuidade no governo.

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Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
União Democrática Nacional

União Democrática Nacional (UDN) foi um partido político brasileiro fundado em 7 de abril de 1945, frontalmente opositor às políticas e à figura de Getúlio Vargas e de orientação conservadora.

Concorreu às eleições presidenciais de 1945, 1950, e de 1955 postulando o brigadeiro Eduardo Gomes nas duas primeiras e o general Juarez Távora na última, perdendo nas três ocasiões. Em 1960 apoiou Jânio Quadros (que não era filiado à UDN), obtendo assim uma vitória histórica.

Seu principal rival nas urnas era o Partido Social Democrático. Até as eleições parlamentares de 1962 a UDN era a segunda maior bancada do Congresso Nacional, atrás apenas da bancada pessedista. Neste ano, o Partido Trabalhista Brasileiro tomou este segundo lugar da UDN. Como todos os demais partidos, a UDN foi extinta pelo governo militar que assumiu o poder em 1964.

Entretanto, após o Golpe Militar de 1964, muitos quadros da UDN migraram para a Aliança Renovadora Nacional.

Presidentes

Secretários-gerais

A UDN nos estados

Minas Gerais

Era um dos estados onde a UDN era mais forte. Lá ganhou duas eleições para governador: 1947 (Milton Campos) e 1960 (Magalhães Pinto). Seu principal rival era o PSD. Os maiores nomes do udenismo mineiro foram Virgílio de Melo Franco, Afonso Arinos, Pedro Aleixo, Alberto Deodato, José Bonifácio Lafayette de Andrada, Olavo Bilac Pinto, Carlos Horta Pereira, João Franzen de Lima, Odilon Braga, Oscar Dias Correia, Gabriel Passos, Antonio Neder e José Maria Lopes Cançado. Todos esses tinham sido signatários do Manifesto dos Mineiros, em 1943, primeira reação política organizada à ditadura de Getúlio Vargas, com exceção de Passos, colaborador do Estado Novo até 1944. Neder e Bilac Pinto se tornariam ministros do Supremo Tribunal Federal. Também se destacou Paulo Campos Guimarães, chefe de gabinete dos governadores de Minas, Rondon Pacheco e Magalhães Pinto, Diretor da Imprensa Oficial de Minas e primeiro Coordenador da Cultura do Estado. Outros udenistas ligados a Magalhães Pinto, como Aureliano Chaves, Francelino Pereira e Eliseu Resende seriam os principais expoentes da seção mineira da Arena e depois do PFL.

Guanabara

Ativíssima era a UDN carioca, com apoios na imprensa (principalmente do jornal Tribuna da Imprensa), na Igreja católica e nas altas patentes militares. Era galvanizada pelo seu maior líder, Carlos Lacerda, que ganhou as eleições de 1960 para governador ao derrotar o petebista Sérgio Magalhães por 28% dos votos a 26%. Seu maior rival aqui era o PTB. Com exceção de Adauto Lúcio Cardoso, seus grandes expoentes eram figuras carimbadas do lacerdismo, como Sandra Cavalcanti e Amaral Netto, fundador do Clube da Lanterna.

Rio de Janeiro

A UDN fluminense não se confunde com a UDN carioca. No antigo estado do Rio de Janeiro, o PSD, liderado por Amaral Peixoto era hegemônico, daí fazendo com que a UDN frequentemente se aliasse ao PTB. No entanto, a UDN apoiou o vencedor das eleições para governador de 1947, com Edmundo Macedo Soares e Silva (do PSD). A UDN fluminense era heterogênea, reunindo bacharéis liberais como Prado Kelly, o principal defensor do Brigadeiro Eduardo Gomes no partido, e Raul Fernandes, Ministro das Relações Exteriores do Governo Dutra, com ex-integralistas como Raymundo Padilha e líderes populistas como Tenório Cavalcanti, considerado o primeiro udenista "com cara de povo". Tenório, principal cacique de Duque de Caxias, se consagraria como grande líder popular famoso por sua capa preta e metralhadora chamada "Lurdinha", bem como por seu anticomunismo radical e seu envolvimento com dezenas de assassinatos de adversários políticos e desafetos.

São Paulo

A UDN nunca conseguiu ser forte no Estado. Apoiou o governo de Carvalho Pinto (1959-1963). Teve como líder o deputado estadual Abreu Sodré (que foi governador do Estado pouco depois do partido ter sido extinto). Na bancada federal paulista da UDN figurava o banqueiro e empresário Herbert Levy, um dos mais combativos deputados udenistas durante os governos de Juscelino Kubitschek e de João Goulart, contra os quais fez oposição ferrenha. Outro nome de relevo da UDN paulista era o Padre Calazans, eleito senador em 1958.

Bahia

Na Bahia a UDN era forte, competindo contra o PSD pelo poder no Estado. Elegeu governador em 1947 (Octávio Mangabeira) e em 1958 (com Juracy Magalhães). Outros udenistas baianos foram: Aliomar Baleeiro, advogado tributarista integrante da "Banda de Música", grupo de políticos de formação jurídica que eram os mais vocais contra o Getulismo (Baleeiro seria nomeado ministro do Supremo Tribunal Federal em 1968); Luís Viana Filho (seria nomeado Chefe do Gabinete Civil do Governo Castello Branco); Jutahy Magalhães (filho de Juracy) e Vasco Azevedo Filho. Já o udenista Antônio Carlos Magalhães era um deputado ligado à chamada "Chapa-Branca da UDN", pessoas que se filiaram à UDN não por um anti-getulismo entranhado, mas antes por conveniência da política local. Antônio Carlos veio a ser nomeado prefeito de Salvador com o Golpe de 1964, e depois foi eleito governador do Estado, tanto indiretamente quanto diretamente.

Paraíba

A UDN era o partido hegemônico neste estado e manteve-se no poder ininterruptamente entre 1947 e 1965 com os governadores Oswaldo Trigueiro, José Américo de Almeida, Flávio Ribeiro Coutinho, Pedro Gondim e João Agripino Filho. Em 1955, Flávio Ribeiro do PSB foi eleito governador com apoio da UDN local. Outros nomes de peso da UDN paraibana foram Argemiro de Figueiredo, Ernani Sátiro e José Cavalcanti.

Alagoas

A UDN era o partido mais forte, porém competia quase em pé de igualdade com o PSD. Elegeu dois governadores: Arnon de Mello (pai do futuro presidente Fernando Collor de Mello) em 1950 e Luís Cavalcanti em 1960. Um importante cacique udenista de Alagoas foi Rui Palmeira, pai do futuro senador conservador Guilherme Palmeira e do líder estudantil esquerdista e futuro deputado petista Vladimir Palmeira.

Sergipe

A UDN sergipana era ligada aos usineiros, como Leandro Maciel que foi eleito governador em 1954. Em 1958, a UDN elegeu governador Luís Garcia, coligando-se com o PTB. Em 1962, a UDN elegeu o udenista dissidente Seixas Dória, apoiado pela Bossa Nova da UDN e que seria cassado no golpe de 64.

Pernambuco

A UDN era a segunda força, perdendo para o PSD, este rompido com sua direção nacional e assumindo uma postura mais conservadora. Assim, a UDN pernambucana via-se obrigada a aliar-se com o PTB e demais forças esquerdistas. Esta coligação heterogênea conseguiu eleger governador, em 1958, o usineiro udenista Cid Sampaio. O maior líder da UDN pernambucana, João Cleofas, apesar de se candidatar por 4 vezes, nunca conseguiu se eleger governador de Pernambuco.

Espírito Santo

A UDN chegou ao governo do estado em duas oportunidades, em 1954 e 1962, ambas com Lacerda de Aguiar em coligação com o PTB ante o forte PSD capixaba (sendo que o candidato era do PTB, não da UDN).

Rio Grande do Sul

No estado-natal de Getúlio Vargas, a alternância política era entre o PSD e o PTB. A UDN, sem maior expressão, frequentemente se coligava com o primeiro. As forças hegemônicas da política pré-Revolução de 30, base udenista nos demais estados, no Rio Grande do Sul se agruparam no Partido Libertador, fundado por Raul Pilla, enquanto setores mais conservadores das áreas de imigração italiana e alemã preferiam o Partido de Representação Popular. Os principais nomes da UDN gaúcha eram José Antônio Flores da Cunha, que fora governador antes do Estado Novo, e o senador Daniel Krieger.

Rio Grande do Norte

A UDN era dominante neste estado e elegeu governador em 1955 e 1960, respectivamente, Dinarte Mariz e Aluísio Alves (que, no entanto, concorreu pelo PSD). Em 1965, perdeu o cargo para o monsenhor Valfredo Gurgel, do PSD.

Ceará

Seu principal rival pelo governo do estado era o PSD e esta competição era bem acirrada. A UDN elegeu governador em 1947 (Albuquerque e Sousa), 1954 (Paulo Sarasate - que derrotou o pessedista Armando Falcão em eleições com fortes acusações de fraude) e 1962 (Virgílio Távora).

Piauí

Após a queda de Getúlio Vargas em 1945, UDN e PSD repetiam no Piauí o duelo travado em nível nacional com vantagem inicial para os udenistas, que elegeram José da Rocha Furtado governador do estado em 1947 após uma férrea disputa com o PSD que fez a maioria na Assembleia Legislativa e boicotou as ações do executivo criando as condições necessárias para a vitória de Pedro de Almendra Freitas do PSD em 1950. A partir de 1954 a disputa entre as duas legendas foi recrudescida graças à participação do PTB que ora se aliava a um partido, ora a outro. Em aliança eleitoral com o PTB, a UDN piauiense venceu o PSD local e assim elegeu Chagas Rodrigues (do PTB) em 1958 sendo que a disputa entre as referidas legendas só teve fim quando Petrônio Portela Nunes, eleito governador pela UDN em 1962, reuniu os próceres dos dois partidos em uma coligação que o levou ao poder e posteriormente formou a Aliança Renovadora Nacional cabendo aos egressos do PTB e alguns dissidentes fundarem o Movimento Democrático Brasileiro. Ao reunir rivais históricos sob uma mesma bandeira, Petrônio Portela assumiu o comando de um grupo político antes liderado por Pedro Freitas, seu sogro e ex-adversário.

Ligações externas

Notas

  1.  NICOLAS, 1977, p32.
  2. HOERNER, 2001, p153.

Bibliografia

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Fonte: Orvil - 2ª PARTE - A SEGUNDA TENTATIVA DE TOMADA DO DO PODER - CAPÍTULO II - A AÇÃO COMUNISTA
8. O Movimento Camponês

[Leia o "Orvil" na íntegra  - cópia xerox em pdf ou em "formato web" neste link, onde o trabalho da nova formatação está em andamento]
 

A partir de 1962, o panorama no movimento camponês modificar-se-ia totalmente. O Governo Goulart decide estimular a sindicalização em massa, na tentativa de reorientar as mobilizações agrárias,agora em apoio a seu governo populista. É criada a Superintendência da Política da Reforma Agrária "SUPRA) e a bandeira da reforma agrária é reativada sob a égide do Governo.

As cartas sindicais concedidas pelo Ministério do Trabalho permitiam uma seleção dos sindicatos a serem liberados. Apenas a Igreja disputaria essas concessões com o PCB, através de sua organização de frente, a ULTAB. Nesse ano, ainda, o número de camponeses filiados aos sindicatos já ultrapassaria ao dos filiados ás Ligas. A agitação, camponesa concentrar-se-ia agora no movimento sindical. O móvel da luta no campo seria de caráter trabalhista, a luta seria do assalariado rural, embora a bandeira que agitasse essa luta fosse a da reforma agrária.

Particularmente no Rio de Janeiro, cresce o número de invasões de propriedades por grupos armados nas regiões de Magé, Paracambi, Itaguaí, Cachoeira de Macacu, Caxias, etc.

No inicio de 1963, a aprovação do Estatuto do Trabalhador Rural permitiria que o número de filiados aos sindicatos dobrasse em todo o pais. Simultaneamente, acirram-se os conflitos sociais no campo.

Em outubro, é programado um comício em Recife, do qual deveriam participar 30.000 camponeses vindos do interior, em .
marcha sobre a Capital, conduzindo foices, enxadas e outros instrumentos de trabalho. Concretizava-se mais um objetivo. Era a demonstração de força, pacifica, usada com objetivos políticos sindicais.

Após a perda da hegemonia do movimento camponês, as Ligas procuravam reestruturar-se organicamente e redigir suas teses programáticas para a nova conjuntura que se apresenta amplamente favorável. Elas são revitalizadas com a adesão do Padre Alípio, que se desligara da ULTAB em fins de 1962.

O jornal "A Liga", editado no Rio de Janeiro, transcrevia o embate interno que se travava nas Ligas. Ele girava em torno
da necessidade da criação de uma estrutura centralizada que impusesse uma política unitária, coordenando as bases e consolidando uma vanguarda revolucionária.

Julião tenta nessa oportunidade recriar o Movimento Tiradentes, através da organização do denominado Movimento Unificado da Revolução Brasileira (MURB).propondo a unidade das forças revolucionárias em torno de reformas radicais de conteúdo nitidamente socialista. Embora suas teses programáticas tivessem ressonância no Conselho Nacional, Julião não leva em conta a complexidade das alianças político-ideológicas, distinguindo apenas duas forças em choque, as forças reacionárias e as forças revolucionárias. Sua proposta de criação do MURB não encontra apoio.

Organicamente, o Conselho das Ligas iria optar pela proposta do Padre Alípio, que propugnava uma composição predominantemente operário-camponesa para o Conselho Nacional e que as Ligas com o nome de Ligas Camponesas do Brasil tivessem como suporte uma organização de Massa (OM) e uma organização Política (OP).
A OP deveria estruturar-se nos moldes de um partido marxista-leninista, cabendo-lhe as funções dirigentes da Liga, e a OM funcionaria como uma entidade de massa, congregando todos aqueles que concordassem com a efetivação das reformas radicais propostas por Julião.

Em outubro de 1963, na Conferência de Recife, as Ligas que se vincularam informalmente ao Conselho Nacional unificam-se sob uma estrutura única com a denominação de Ligas Camponesas do Brasil.

As Ligas foram a expressão mais explicita da tendência violenta do Movimento Comunista Brasileiro, antes da Revolução de 1964.

9. Cedendo às pressões

Continua no próximo "post" desta Série
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Nota:
Este "post", de 2012, atualiza este outro, publicado em 2011:
08/03/11
Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março (8) - Seleção de notícias do dia 08 Mar 1964 + Leituras complementares