WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Março 2012             


28/03/12

• Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março (28) - Seleção de notícias do dia 28 Mar 1964 + Leituras complementares

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]   Crise termina na Marinha com uma morte, novo Ministro e amotinados em liberdade

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]   Informações de que está forte levam Goulart a agir rápido

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  CGT escolheu o Ministro

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  Rajada de metralhadora mata um marinheiro e fere vários

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  Coluna do Castello - Goulart submeteu a Marinha de Guerra

Fonte: Banco de Dados Folha
[28/03/64]  Em liberdade provisória os marinheiros rebeldes

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 06)
[28/03/64]  Suboficiais e sargentos condenam demonstrações de indisciplina nos quartéis

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 06)
[28/03/64]  Senadores acham que governo pode dominar os movimentos militares

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 03)
[28/03/64]  Goulart mantém Aragão no Comando dos Fuzileiros

Leituras complementares:

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre
Paulo Mário da Cunha Rodrigues

Fonte: FGV/CPDOC
Silvio Mota

Fonte: FGV - CPDOC
Cândido Aragão


Transcrições:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]   Crise termina na Marinha com uma morte, novo Ministro e amotinados em liberdade

Com a nomeação do ano Ministro da Marinha, Almirante Paulo Mário Rodrigues — que ontem mesmo assumiu o cargo — e a libertação de todos os marinheiros e fuzileiros amotinados, o Presidente João Goulart deu por encerrada a crise na Marinha, que resultou na morte de um marinheiro, metralhado quando junto com outros 600 praças iniciava uma passeata de solidariedade aos colegas. Depois de conferenciar durante toda a noite com os seus assessores militares, o Presidente João Goulart, determinou que caminhões do Exército retirassem os marinheiros rebeldes do Sindicato dos Metalúrgicos e os levassem para o quartel do 1.0 Batalhão de Guardas, de onde os marujos foram libertados às 17h30m.

O novo Ministro da Marinha foi escolhido de uma lista tríplice apresentada pela Comissão Executiva do CGT ao Presidente João Goulart por volta das 6 horas da manhã de ontem, depois que aquela entidade reuniu-se, no próprio Palácio das Laranjeiras, com parlamentares e lideres das chamadas Forças Populares.

A Associação dos Marinheiros e Fuzileiros autorizara o CGT a decidir em seu nome. Ao deixar o quartel do 19 Batalhão de Guardas, o líder dos rebeldes, cabo-marinheiro José Anselmo, foi avisado de que o Ministro Paulo Mário desejava falar com ele, rumando imediatamente para o Ministério da Marinha. Ali, o líder rebelde conferenciou durante vários minutos com o Ministro e seus assessores.

Em nota oficial divulgada ontem, a Secretaria de Imprensa da Presidência da República informou que "os integrantes da assembleia da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais, que inspiraram as medidas disciplinares, foram transferidos para dependências militares, devendo todos apresentar-se no prazo indicado às unidades em que servem".

Pouco antes das 18 horas de ontem, o Ministério da Marinha, em Brasília, confirmou a permanência do Almirante Cândido da Costa Aragão no Comando do Corpo de Fuzileiros Navais, mas revelou também um incidente entre ele e o Almirante Matos, que teria, inclusive, sacado de um revólver. Esta última notícia, no entanto, não foi confirmada. O líder da UDN na Câmara Federal, Deputado Adauto Lúcio Cardoso, disse ao JORNAL DO BRASIL que "entre a defesa da disciplina, que o Ministro Silvio Mota procurou fazer, e o motim, o Presidente João Goulart escolheu o motim".

O Deputado Admito Cardoso convocou toda a bancada do seu partido para uma reunião, segunda-feira, em Brasília. A rebelião dos marinheiros repercutiu imediatamente na Europa e nos Estados Unidos, tendo a agência France Presse divulgado um comentário de Georges Clément, em que este diz que "a febre de revoltas no Brasil, tantas são elas ultimamente, pode acabar realmente — e num futuro próximo — em coisa mais séria e definitiva". De Nova Iorque, o correspondente do JB, Nahum Sirotsky, informa que os meios norte-americanos bem informados acreditam que a pronta reação contra os rebeldes evitou que o movimento se transformasse numa rebelião de sérias consequências e destacam o caso como a prova de que as Forças Armadas brasileiras não se inclinam a permitir quaisquer movimentos que possam interromper a normalidade do país.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]   Informações de que está forte levam Goulart a agir rápido

A decisão do Presidente da República de agir enérgica e rapidamente para superar a crise nascida nas últimas horas na Marinha foi tomada ontem, depois que, com base em informações, se compôs um quadro que lhe indicava existir condições para uma atuação firme, lastreada não apenas no seu dispositivo militar de sustentação, como também no esquema sindical que está à sua retaguarda.

Essas informações mostravam, em síntese:
1 - as oposições não se revelavam inclinadas a explorar politicamente a crise na Marinha, de modo a isolar como responsável único e direto o Presidente da República;
2 — os acontecimentos apanharam de surpresa e inteiramente desarticulados os setores, civis e militares, que poderiam aprofundar substancialmente a sua gravidade;
3 — as lideranças dos militares amotinadas não eram insensíveis a apelos diretos da Presidência da República.
Como último e mais importante dado no conjunto — que, por sinal, foi o que o aconselhou às atitudes enérgicas e imediatas — o Sr. João Goulart configurou um esforço em sentido contrário ao seu Governo em, comandos militares sensibilizados com as denuncias de compromissos formais seus com comunistas e outras correntes revolucionárias lideradas pelo Deputado Leonel Brizola.

As declarações feitas pelo Presidente da UDN, Sr. Bilac Pinto, e publicadas ontem pelos jornais, enquadrando a crise na Marinha como episódio no movimento patrocinado pelo Governo visando à implantação de um regime com características marxistas-leninistas no Brasil, colocaram, na opinião do Presidente da República e de acordo com os que com ele tiveram mais um contato durante a fase aguda dos acontecimentos, a nu a etapa posterior de um plano estruturado pela Oposição. Ou melhor: a partir do instante em que a Presidência udenista, encontrando motivações políticas numa crise que se enfocava como de características eminentemente militares, dispôs-se a encarar sob esse prisma os acontecimentos, o Sr. João Goulart preferiu admitir a hipótese de a Oposição marchar para a tentativa do seu impeachment. Para que a UDN e o PSP levantassem no Congresso essa alternativa, restava apenas a busca de cobertura militar, que as oposições provavelmente obteriam como conseqüência da crise na Armada.

Sob essa advertência, e confiado nos indícios de fortalecimento de seu dispositivo militar, foi que o Presidente João Goulart aceitou o pedido de demissão do Almirante Silvio Mota do Ministério da Marinha e nomeou o Almirante Paulo Mário para substituí-lo, ao mesmo tempo que formalizou o convite ao Almirante Pedro Paulo de Araújo Susano para chefiar o Estado-Maior da Armada e garantiu a recondução do Almirante Candido Aragão ao Comando-Geral do Corpo de Fuzileiros Navais, do qual se afastara por divergir da conduta do Almirante Silvio Mota.

A velocidade com que foram adotadas essas medidas permitiu ao Presidente João Goulart e ao Sr. Doutel de Andrade considerar como marchando para a normalidade a situação geral do País e eliminados os riscos de propagação de fatos com aspecto de crise ao Exército e à Aeronáutica, bem como que se possa afirmar ser impenetrável o esquema militar  de sustentação do Presidente da República.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  CGT escolheu o Ministro

O novo Ministro da Marinha foi escolhido de uma lista tríplice apresentada pela Comissão Executiva do CGT ao Presidente da Republica. por volta de 6 horas da manhã de ontem, depois que aquela entidade sindical reuniu-se no Palácio das Laranjeiras com parlamentares e outros membros das chamadas forças populares, A direção da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais outorgara ao CGT poderes para falar e decidir em seu nome, com vistas à solução da crise. Da lista tríplice figuravam os Almirante Pedro Paulo Susano, Paulo Mario Rodrigues e Araujo Goiano. O primeiro, ex-ministro da Marinha, estava sem comando, o segundo era o Presidente do Tribunal Marítimo e o terceiro é o Presidente do Lóide Brasileiro. Os três são da confiança da UNE, do CGT e parlamentares da Frente Nacionalista  e desfrutam de prestigio Junto as praças da Armada.

FÓRMULAS
Na ocasião ficou decidido com o Presidente da Republica que os marujos amotinados seriam libertados, ao fim do dia, devendo apresentar-se aos seus comandos, na próxima segunda-feira, mas sem risco do sofrer nenhuma punição. Alem disso, os representantes das chamadas forças populares solicitaram ao Presidente Goulart a manutenção do Comandante Aragão à frente do Corpo de Fuzileiros Navais.
 
Revelou-se, também, que ao remanejar os postos chaves da Marinha, o Presidente escolheu o Almirante Pedro Paulo Susano de comum acordo com o novo Ministro, para chefiar o Estado-Maior da Armada. O Sub-comandante dos Fuzileiros, Almirante Frazão, será mantido no cargo. O Comando da Esquadra passaria para na mãos de um Almirante de confiança do Governo mas até então não revelara o seu nome.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  Rajada de metralhadora mata um marinheiro e fere vários

Em consequência do metralhamento ocorrido ontem no pátio do Ministério da Marinha, morreu uni marinheiro de primeira classe (nao identificado) e ficaram feridos gravemente o marinheiro de segunda classe José Adeildo Ramos, Cabo Gonzaga da Silva e o fuzileiro Oziel Costa de Araújo, internados no Hospital Central da Marinha. Segundo testemunhas do fato, um grupo numeroso de marinheiros, todos servindo a bordo de belonaves, iniciou unia marcha de solidariedade em direção ao Sindicato dos Metalúrgicos, passando sem dificuldades pelo portão do Arsenal da Marinha.

TIROS E FUGA
O grupo passou também pelo portão do Ministério da Marinha, cuja guarda colocou suas armas no chão. Quando os marinheiros ja ganhavam a rua, ouviu-se uma rajada de metralhadora, vindo do alto do prédio do Ministério. que provocou confusão e fuga. Os manifestantes se dispersaram e um dos marinheiros, já ferido, caiu ao mar, sendo depois recolhido e transportado para o Hospital Central da Marinha. Segundo informações não confirmadas, foi este o marinheiro que morreu nos acontecimentos de ontem. Populares que assistiram ao tiroteio no pátio do Ministério afirmaram que sobe a mais de dez o número de marinheiros feridos e internados no HCM. Os médicos do Hospital da Marinha informaram que inspira cuidados o estado dos feridos.

PISTOLA COMEÇOU
Três marinheiros, falando ontem ao JORNAL DO BRASIL, revelaram que o tiroteio no pátio do Ministério teve começo com o disparo de uma pistola de calibre 45 e quem atirou está sendo identificado, havendo suspeitas de que o autor é um oficial conhecido por Branco. Um dos participantes contou a sua versão para o ocorrido: às 8h25m da manhã de ontem rumava um grupo subalterno para "o encontro dos colegas nos metalúrgicos", quando foram surpreendidos com tiros partidos das janelas do Ministério da Marinha, obrigando a todos a se esconderem por trás de árvores e automóveis, sendo que vários destes foram atingidos pelas rajadas, notadamente um Volkswagen, que está perfurado pelo menos quatro vezes.

 TIROTEIO
Na véspera — prosseguiu — alguns companheiros saíram pelos navios para confirmar o local de encontro par a que sai&sem todos juntos até o sindicato. Na hora mareada, os que se encontravam no Interior do navio Maguari, sob continência, tiraram a bandeira brasileira e saíram cantando o Hino Nacional. Frente ao Ministério, um oficial de fragata, fardado gritou: "bandeira brasileira não é para comunista", e puxou um revolver. Das janelas do edifício vieram tiros.
- O nosso colega caiu logo. Enquanto nos procurávamos abrigo, outros tiros partiram de outros flancos, enquanto nos corremos para o mar, quando fomos surpreendidos com rajadas de metralhadora vindas dos navios Jurema, Jutai e Juruaba.

Conta ainda um outro participante do ocorrido que quem se atirou ao mar foi preso, "naturalmente está passando por grande vexame a esta hora, se não estiver apanhando muito". A uma pergunta como conseguiram chegar ao sindicato, responderam os marujos que conseguiram fugir, apanhar um taxi e contar, lá, aos companheiros o ocorrido.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[28/03/64]  Coluna do Castello - Goulart submeteu a Marinha de Guerra

Brasília — O Presidente João Goulart terá permanecido fiel à sua aliança com as esquerdas num momento crucial, ao consolidar o estado de rebelião dos marinheiros contra os chefes da Marinha de Guerra que pretenderam contê-los nos limites da disciplina tradicional da corporação. O Almirante Sílvio Mota, que pretendeu opor-se à afirmação das reivindicações da marujada, foi sacrificado, depois de mantido algumas horas sob a ilusória expectativa de um triunfo. E, a crer-se nas informações tanto dos dirigentes políticos da esquerda quanto dos próprios assessores do Presidente da República, o Almirante Cândido de Aragão, apontado como instigador da indisciplina, permanecerá no comando do Corpo de, Fuzileiros Navais, como uma advertência aos interessados de que o Sr. João Goulart não pretende sacrificar seus aliados a qualquer conveniência da conjuntura política ou militar.

A crer-se igualmente nas fontes esquerdistas, cujas informações prevaleceram sempre no correr do dia de ontem, os marinheiros retirados do Sindicato dos Metalúrgicos por patrulhas do Exército e recolhidos ao quartel do Batalhão de Guardas não estariam sendo presos, mas apenas retirados para desafogo da situação e criação de clima adequado à implantação do novo comando naval.

É verdade que ambas as informações, tanto a que se refere ao Almirante Aragão quanto a que se refere à situação dos marinheiros, sofrem ainda contestação por parte das fontes oficiais do Ministério da Marinha, as mesmas, no entanto, que até à 15 horas asseguravam que o Presidente João Goulart, ao receber o Almirante Silvio Mota às 5h30min da manhã, rejeitara seu pedido de demissão e referendara todos os seus atos, inclusive a ordem de prisão do Comandante do Corpo de Fuzileiros Navais. Quando, porém, suas noticias se impunham aparentemente, os deputados esquerdistas, em constante contato com o Rio de Janeiro, contestavam sua veracidade e garantiam que, dentro de algumas horas, o Ministro seria substituído pelo Almirante Paulo Mário e restaurada a situação de segurança para o esquema governamental dentro da Marinha.

A escolha do novo Ministro não ecoou mal no meio da oficialidade naval, a qual, todavia, apontava como fator determinante do quadro futuro a situação do Almirante Aragão. Sua volta ao comando não se faria sem que disso resultassem conseqüências graves, pois ela seria tomada como um golpe fulminante contra toda a estrutura da Marinha e das próprias Forças Armadas.

A satisfação nos círculos esquerdistas pelo rumo que os acontecimentos tomaram deixava poucas dúvidas com relação ao assunto. O Sr. João Goulart teria demonstrado que não haverá mais recuo na linha adotada e que se dispõe, dentro da aliança fixada, a assumir todas as responsabilidades e todos os riscos.

Recorrendo às forças do Exército, para dominar o quadro militar — o Presidente teria inclusive se recusado a examinar objeções do Almirantado quanto à presença de tropas de terra na operação do Sindicato dos Marítimos, alegando que não estava fazendo consultas mas transmitindo ordens -, o Sr. João Goulart demonstrou estar solidamente apoiado pelo núcleo principal das Forças Armadas, em condições efetivas de dominar qualquer movimento rebelde em qualquer setor militar.

Parece ainda imprevisível a repercussão, no alto comando do Exército, do desmantelamento do Almirantado e da sua anulação como força de resistência à onda revolucionária. O General Jair Dantas Ribeiro mantém-se convencido de que está em condições de eliminar todos os focos de descontentamento e de assegurar o prosseguimento da política do Governo, de um lado, e a condução do regime ao desfecho eleitoral de 1965, em que pese a aparente contradição dos objetivos a atingir.

De qualquer forma, e a menos que surjam. fatos novos, o Presidente João Goulart saiu fortalecido da crise naval e com seu dispositivo civil e militar estimulado a prosseguir na operação das reformas, inclusive na revisão dos princípios clássicos da disciplina das classes armadas.

Daqui por diante, seu rumo está seguramente definido, inclusive sua atuação nos momentos de crise. Por outro lado, colheu-se, no episódio, valiosas informações militares, pois ficou sabendo objetivamente como se comportam, em conjunturas semelhantes, os diversos comandos militares e seus titulares. Sabe com quem conta e como pode contar e isso lhe dará uma indicação precisa para qualquer revisão a que deseje proceder visando a acrescentar segurança ao esquema que montou.

Não tendo, porém, a crise atingido o próprio Exercito, não se pode antecipar que esteja ele vitorioso em qualquer emergência, desde que persistam os indícios de que o Estado-Maior dessa corporação mantém sua própria doutrina sobre legalidade e sobre disciplina. Disso estariam alertados os membros da Casa Militar e do Conselho de Segurança Nacional, órgãos de assessoramento do Presidente da República, de certa forma postos à margem das mais secretas movimentações de tropa e de disposições de comando.

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Fonte: Banco de Dados Folha
[28/03/64]   Em liberdade provisória os marinheiros rebeldes

Publicado na Folha de S. Paulo, sábado, 28 de março de 1964

Rio, 27 (Folha) - Os marinheiros e fuzileiros navais rebeldes que se concentravam no Palácio dos Metalúrgicos ficarão em liberdade até segunda-feira, quando se apresentarão presos às respectivas unidades. Na tarde de hoje, quando ainda se encontravam presos, foram eles recolhidos ao quartel do Batalhão de Guardas, de onde saíram às 18h30, em liberdade provisória.
A libertação e posterior apresentação dos marujos decorre de um acordo entre autoridades federais, o Comando Geral dos Trabalhadores e representantes da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. O acordo prevê ainda a recondução do almirante Aragão ao comando do Corpo de Fuzileiros (já efetivada) e a nomeação do almirante Pedro Paulo de Araujo Suzano para a chefia do Estado-Maior da Armada.
O presidente Goulart aceitou a demissão do ministro Silvio Mota e nomeou em seu lugar o almirante Paulo Mario da Cunha Rodrigues, da Reserva Naval. O novo ministro assumiu o cargo à tarde, em solenidade a que a imprensa não teve acesso, cercado o Ministério por tanques do Exercito.
Em reunião do Almirantado, vários de seus membros haviam instado com o alm. Silvio para que não se demitisse, a fim de que fosse fixada a responsabilidade do presidente Goulart pela crise.
Um fuzileiro naval morreu e três ficaram feridos, na sede da corporação (Ilha das Cobras), quando pretendiam fugir à prisão para unir-se aos companheiros rebelados.
Às 5 horas de hoje, o porta-aviões "Minas Gerais" e o cruzador "Tamandaré" deixaram a Guanabara com destino desconhecido. Sabe-se apenas que o porta-aviões dirigia-se para o Sul.

Marinheiros libertados: serão presos segunda-feira

Rio, 27 (Folha) - Os marinheiros e fuzileiros navais que se encontravam no Palácio dos Metalúrgicos foram transferidos esta tarde para o quartel do Batalhão de Guardas. A seguir, foram liberados, após entendimentos mantidos pelo presidente Goulart com deputados da Frente de Mobilização Popular e lideres do Comando Geral dos Trabalhadores. Deverão os marinheiros apresentar-se presos segunda-feira em suas unidades.
Libertados, os marinheiros dirigiram-se, cantando o Hino Nacional, para a sede da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil. Lá chegando, cantaram o Hino Nacional e retiraram-se para suas residências.

Transferência

Os marinheiros foram transferidos do Palácio dos Metalúrgicos para o quartel do Batalhão de Guardas ao meio-dia. Concordaram com a transferência após entendimentos mantidos pelos deputados da Frente de Mobilização Popular com seus lideres. Ônibus e caminhões transportaram-nos até São Cristovão, onde fica o quartel.
O Comandante Geral dos Trabalhadores, durante os entendimentos com o presidente da Republica, ameaçou decretar greve geral caso os marinheiros não fossem libertados.

Incidente

O Exercito, durante a operação de transferência, isolou novamente o quarteirão do Palácio dos Metalúrgicos. Os componentes do CGT, em consequência, determinaram a suspensão da transferência. "Excesso de aparato militar" - justificaram. Depois de acertarem com o Exercito o relaxamento da vigilância, os dirigentes do CGT concordaram com a transferência dos restantes marinheiros. O ultimo ônibus deixou o Palácio dos Metalúrgicos às 16 h 30.

Tanques no ministério

Quatro tanques de guerra, pertencentes à guarnição da Vila Militar - chefiada pelo general Oromar Osório - deslocaram-se para a praça da Republica, onde está localizado o Ministério da Guerra. Os tanques instalaram-se atrás do panteon de Duque de Caxias, a fim de reforçar a prontidão em que se encontra o corpo de guarda do prédio. Outros veículos blindados estão em prontidão na Guanabara, no Ministério da Marinha e próximo do Palácio dos Metalúrgicos, para evitar possíveis perturbações da ordem.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 06)
[28/03/64]  Suboficiais e sargentos condenam demonstrações de indisciplina nos quartéis

Em nota assinada pelo seu Presidente, 1º Sargento Davi Bezerra Falcão, a Associação dos Suboficiais e Sargentos da Marinha conclamou ontem os seus companheiros "a cerrar fileiras junto às autoridades, pois só com a disciplina, com a manutenção da ordem e do principio da autoridade sobretudo, conquistaremos, como vimos conquistando, pouco a pouco, aquilo que almejamos para nós e nossos filhos".
- Precisamos agora — prossegue a nota da ASSM - quando a incompreensão de elementos preparados por doutrinação estranha à Marinha do Brasil, levou ao extremo da intolerância irmãos nossos, firmar propósitos e manifestar às mesmas autoridades que nós, Suboficiais e Sargentos, de modo algum nos deixaremos levar pelos leguleios dos interessados na destruição do principio da autoridade e da disciplina para, à nossa custa, à custa do nosso sangue e do sangue generoso dos nossos irmãos, colher benefícios para si próprios.

EXEMPLO
Lembra a nota da ASSM que "não há muito, nós, subofociais e sargentos, fomos tentados e provocados ára nos pormos contra as praças e contra os oficiais. Tenhamos isso À mente para nossas considerações".

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 06)
[28/03/64]  Senadores acham que governo pode dominar os movimentos militares

Brasília (Sucursal) — Dois dos três Senadores presentes nesta Capital expressaram ontem, ao JORNAL DO BRASIL, a opinião de que os acontecimentos no Rio, envolvendo a Marinha de Guerra, seriam dominados, restabelecendo-se, em poucos dias, a disciplina militar. Esses dois Senadores foram os Srs. João Agripino e Josafá Marinho, que nenhum contato conseguiram manter com o Presidente do Senado, Sr. Moura Andrade, nem com qualquer dos membros da Mesa daquela Casa, todos ausentes de Brasília.  (...)
Reafirmando sua impressão de que os acontecimentos não se desdobrariam, sendo rapidamente sufocados, o Sr. Josafá Marinho analisou como "uma arma de dois gumes. que tanto poderá servir a Goulart como ser-lhe nefasta". A sublevação na Marinha terá, como primeira conseqüência. o efeito de "colocar em suspeita os outros dois Ministros militares".
E continuou, dizendo que o Presidente da República deve-ria ter mantido o Almirante Silvio Mota em seu posto, a qualquer preço, mesmo que para isso tivesse que lhe fazer um apelo público, até que a situação se recompusesse". - Não tendo feito isso, inevitável será que os Ministros da Guerra e da Aeronáutica sintam a fraqueza de suas posições no governo, de quem nada poderão esperar, caso também se vejam, amanhã, envolvidos em situação semelhante.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 03)
[28/03/64]  Goulart mantém Aragão no Comando dos Fuzileiros

Brasília (Sucursal) — Pouco antes das 18 horas, ontem, o Ministério da Marinha confirmou a permanência do Almirante Aragão no Comando do Corpo dos Fuzileiros Navais, mas informou também que houve um incidente entre ele e o Almirante Matos, que teria, inclusive, sacado de uma arma, ao mesmo tempo que lhe deu ordem de prisão. Oficialmente, a noticia não foi confirmada.

Deverão ser nomeados, nas próximas horas, Almirante Araújo Susano, Chefe do Estado-Maior da Armada; Almirante Washington Frazão, atual Subcomandante do Corpo de Fuzileiros, para o Comando do 1.° Distrito Naval e Almirante Norton Demaria Boiteux, para o Comando-Chefe da Esquadra.

ALTERAÇÃO
As mesmas fontes que ontem de manhã já anunciavam a substituição do Almirante Sílvio Mota pelo Almirante Paulo Mario da Cunha Rodrigues informaram ter o Presidente da República decidido não apenas manter o Almi-ante Aragão no Comando do Corpo dos Fuzileiros Navais mos tambem alterar todo o Alto Comando da Armada.

Até ontem à tarde oficiais do Ministério da  Marinha em Brasília continuavam a informar - como o fizeram anteontem que havia ordem de prisão contra o Almirante Aragão, dizendo também que um

Almirante chegou a dar a ordem, não sendo obedecido.

DEMISSIONÁRIOS
Posteriormente, quando foi confirmada a nomeação novo Ministro da Marinha, a informação que se teve foi de que os oficiais dos gabinetes estavam demissionários "e não se Interessavam mais pelas noticias".

DEMISSIONÁRIA
A oficialidade do Gabinete do ex-Ministro Silvio Mota, demissionária desde as primeiras horas da tarde, ficou aguardando a nomeação dos substitutos. Toda a guarnição da Marinha em Brasília  cerca de 600 homens — continuou em regime de prontidão, não se verificando qualquer anormalidade. Nas demais Armas, não houve nenhuma movimentação.


Leituras complementares:

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre
Paulo Mário da Cunha Rodrigues

Paulo Mário da Cunha Rodrigues (Rio de Janeiro, 20 de outubro de 1895 — Rio de Janeiro, 12 de fevereiro de 1985) foi um militar brasileiro. Atingiu a patente de almirante.

Foi ministro da Marinha do Brasil no governo de João Goulart, de 27 a 31 de março de 1964.

Paulo Mário da Cunha Rodrigues nasceu no dia 20 de outubro de 1895, no Rio de Janeiro, filho de João Soares da Cunha Rodrigues e de Ana da Cunha Soares Rodrigues.

Ingressou na Escola Naval em 1913, concluindo o curso em 1916. Participou em 1918 da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), servindo na Divisão Frontin. De volta ao Brasil, lutou contra as revoltas tenentistas ocorridas na década de 1920. Encontrava-se servindo no Rio Grande do Norte quando eclodiu a Revolução de Outubro de 1930 que levou Getulio Vargas ao poder. Vitorioso o movimento, foi nomeado secretário de Segurança do estado, cargo que ocupou por pouco tempo.

Aluno do curso de comando da Escola de Guerra Naval, entre 1936 e 1938, em 1942 comandou o contratorpedeiro Rio Grande do Norte, que fez o patrulhamento das costas brasileiras durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Diplomou-se, em 1948, no curso superior da Escola de Guerra Naval. Entre 1954 e 1955 exerceu a chefia do IV Distrito Naval (DN), sediado em Belém; nesse ultimo ano, assumiu o comando do I DN. Em 1957 tornou-se inspetor-geral da Marinha. Nomeado em janeiro de 1959 juiz-presidente do Tribunal Marítimo, em março passou para a reserva como almirante-de-esquadra.

No dia 25 de março de 1964, durante as comemorações do aniversário da Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil na sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, irrompeu uma rebelião de marinheiros que protestavam contra a punição imposta a 12 dirigentes da entidade que se haviam posicionado a favor das reformas de base propostas pelo presidente João Goulart. Os rebeldes decidiram não acatar a ordem de prisão dada aos colegas e permanecer amotinados no prédio do sindicato até que suas reivindicações fossem atendidas. Diante da recusa do comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, almirante Cândido Aragão, em reprimir o motim, o ministro da Marinha Sílvio Mota recorreu a efetivos da Polícia do Exército, que prenderam os rebeldes. Aragão foi afastado do cargo. No entanto, a determinação de Goulart em atender às reivindicações dos marinheiros culminou com a exoneração de Mota.

Paulo Mário da Cunha Rodrigues assumiu a pasta da Marinha no dia 27 de março, tendo sido seu nome proposto pelos marinheiros. No mesmo dia foi determinada a permanência de Aragão no comando dos fuzileiros e a libertação dos amotinados. No dia 28 estes realizaram uma passeata pelo centro do Rio e, no dia seguinte, oficiais da Marinha emitiram um manifesto criticando o governo. Em 31 de março Goulart foi deposto por um golpe militar e no dia 4 de abril Cunha Rodrigues exonerado do ministério. Em maio foi demitido do Tribunal Marítimo, com base no Ato Institucional nº 1 (9/4/1964), e, em junho, foi desligado definitivamente do tribunal e do serviço ativo da Marinha.

Faleceu no Rio de Janeiro, no dia 12 de fevereiro de 1985.

Foi casado com Marilda Guimarães Rodrigues, filha do Almirante Protógenes Pereira Guimarães, com quem teve três filhos, e com Lindaura Maria Rodrigues, com quem teve dois filhos.

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Fonte: FGV/CPDOC
Silvio Mota

Sílvio Borges de Sousa Mota nasceu no dia 11 de fevereiro de 1902, no Rio de Janeiro, filho de José de Sousa Mota e de Emília Borges de Sousa Mota.

Aluno da Escola Naval entre 1920 e 1924, nesse mesmo ano realizou serviços de ligação entre as forças que combateram os revoltosos da cidade de São Paulo, na revolução que ali eclodiu no dia 5 de julho, sob a chefia do general Isidoro Dias Lopes.

Em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial, quando servia junto à Comissão Naval Brasileira, sediada em Miami (EUA), realizou exercícios a bordo de vários navios norte-americanos e fez o curso de tática anti-submarina, na Fleet Sound School, em Key West. Em seguida, foi destacado para a base de Natal, onde assumiu o comando do contratorpedeiro Bauru. Participou então de escoltas a comboios aliados com outros navios brasileiros e norte-americanos.

Assessor militar da delegação brasileira à IV Reunião de Consulta dos Ministros de Relações Exteriores das Repúblicas Americanas (Washington) em 1951, em 1953 serviu no Comando de Alto-Mar, como chefe do estado-maior. Em novembro de 1955 assumiu a subchefia do Gabinete Militar do presidente da República em exercício, Nereu Ramos, da qual foi dispensado em fevereiro de 1956, logo após a posse de Juscelino Kubitschek na presidência.Presidente da Comissão de Marinha Mercante em 1957, dois anos depois, foi nomeado secretário-geral do Conselho Coordenador do Abastecimento. Em agosto de 1962, foi novamente nomeado membro e presidente daquela comissão.

Em junho de 1963, quando o presidente João Goulart constituiu o segundo ministério da fase presidencialista de seu governo, foi nomeado ministro da Marinha. No dia 13 de março de 1964 realizou-se o Comício das Reformas, na estação da Central do Brasil, no Rio de Janeiro. A manifestação teve como principal orador o próprio presidente, que anunciou as medidas que seu governo pretendia tomar, entre as quais a reforma agrária. Após o comício, membros da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil decidiram dar uma demonstração de apoio ao governo, homenageando aos trabalhadores da Petrobras, uma vez que o presidente anunciara a encampação das refinarias de petróleo privadas. Considerando esse ato uma transgressão ao regulamento disciplinar, Sílvio Mota ameaçou de punição os que dele participassem, mas não foi ouvido. No dia 24 ordenou a prisão dos diretores da associação.

No dia 25, dois mil praças da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais reuniram-se na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, no Rio de Janeiro, para comemorar o segundo aniversário da associação, com a presença dos elementos contra quem fora decretada ordem de prisão. Sílvio Mota enviou para o local um contingente de fuzileiros navais e solicitou a ajuda do I Exército para prender os insurretos. Contando com o apoio do comandante da corporação, vice-almirante Cândido Aragão, os fuzileiros aderiram aos revoltosos, permanecendo na sede do sindicato. Sentindo-se desprestigiado, Sílvio Mota pediu demissão do cargo de ministro da Marinha, sendo substituído, já no dia 27, pelo almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, que determinou a imediata libertação dos revoltosos, detidos no Batalhão de Guardas. No dia 31 de março um golpe militar depôs João Goulart.

Em junho de 1965 Sílvio Mota passou para a reserva por aplicação do Ato Institucional nº 1, de 9 de abril de 1964.

Foi casado com Mariana Sales Mota, com quem teve dois filhos.

Faleceu no dia 3 de fevereiro de 1969, no Rio de Janeiro.

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Fonte: FGV - CPDOC
Cândido Aragão

Cândido da Costa Aragão, nasceu no dia 04 de setembro de 1907, em Paraíba (atual João Pessoa), filho de Manuel Virgílio Aragão e de Maria da Costa Aragão.

Começando como soldado, depois de fazer alguns cursos e exercer alguns comandos, chegou a capitão-tenente em 1938. Comandante militar da ilha de Trindade em 1944, em 1948 cursou a Escola de Guerra Naval. Devido a problemas disciplinares, foi reformado no posto de capitão-de-corveta em outubro de 1949. Permaneceu afastado da carreira militar até abril de 1955, quando retornou ao serviço ativo. Promovido a vice-almirante em 1963, naquele mesmo ano assumiu o comando-geral do Corpo de Fuzileiros Navais. Nesse cargo, teve destacada atuação nos acontecimentos que precederam a derrubada do presidente João Goulart.

Em 13 de março de 1964, realizou-se no Rio de Janeiro, o Comício das Reformas, presidido por Goulart, em favor das reformas de base. Logo após, a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros Navais do Brasil manifestou seu apoio ao governo, prestando homenagem aos trabalhadores da Petrobras pelo ato presidencial que encampava as refinarias particulares. O ministro da Marinha, almirante Sílvio Mota, qualificou a iniciativa como transgressão disciplinar e ameaçou punir os que dele participaram. O clima de tensão se agravou no dia 24, quando Mota ordenou a prisão dos diretores da entidade. Em resposta, cerca de dois mil praças da Marinha e do Corpo de Fuzileiros Navais reuniram-se no Sindicato dos Metalúrgicos, na noite de 25 de março, para comemorar o segundo aniversário da associação. Cândido Aragão foi uma das autoridades escaladas para discursar. No dia seguinte, os marinheiros rebelados se entrincheiraram no Sindicato dos Metalúrgicos, dispostos a resistir a cerca de quinhentos soldados do Exército que aguardavam ordem do ministro da Marinha para invadir o prédio. Afastado do comando do Corpo de Fuzileiros Navais, Aragão recebeu ordem de prisão.

Nesse mesmo dia, Goulart enviou mediadores para negociar a rendição dos revoltosos. Os rebeldes se renderam e foram presos em unidades militares. Considerando-se desprestigiado, Sílvio Mota demitiu-se. O novo ministro, almirante Paulo Mário Rodrigues, determinou a imediata libertação dos detidos. Em 27 de março, Aragão foi homenageado por sua recondução ao comando do Corpo de Fuzileiros Navais, ganhando destaque no noticiário o fato de ele ter sido carregado nos ombros de marinheiros e fuzileiros navais que haviam participado da rebelião. Seu nome voltou a ser manchete por ocasião da festa promovida pela Associação dos Sargentos e Suboficiais da Polícia Militar. Realizado na sede do Automóvel Clube em 30 de março, o evento contou com a sua presença, como convidado de honra, além da do próprio presidente da República.

Esse ato teve grande repercussão no país e serviu de estopim para o golpe militar de 31 de março, que depôs Goulart. Aragão foi preso e conduzido à fortaleza de Lajes, onde permaneceu incomunicável durante quatro meses. Devido aos maus-tratos que recebeu na prisão, ficou cego de um olho. Em 14 de abril, foi transferido para a reserva pelo Ato Institucional nº 1, e teve seus direitos políticos suspensos por dez anos. Em 6 de agosto foi solto, devido à concessão de habeas-corpus pelo Superior Tribunal Militar e em seguida asilou-se na embaixada do Uruguai.

Durante os seus 15 anos de exílio, Aragão viveu em diversos países, tendo regressado ao Brasil em outubro de 1979. Embora a Lei de Anistia já tivesse sido promulgada, foi preso ao desembarcar Rio de Janeiro, permanecendo detido por 49 dias. Citado em diversos processos, foi finalmente absolvido de todas as acusações em de 1981.

Faleceu no dia 11 de novembro de 1998, no Rio de Janeiro.

Casou-se em primeiras núpcias com Naide Pereira Aragão, com quem teve três filhos e, em segundas núpcias, com Aldalina Bobadilla.


Nota: Este "post", de 2012, atualiza este outro, publicado em 2011:
28/03/11
Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março (28) - Seleção de notícias do dia 28 Mar 1964 + Leituras complementares