WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Março 2012             


30/03/12

• Revolução de 1964 - Os 31 dias de Março (30) - Seleção de notícias do dia 30 Mar 1964 + Leituras complementares

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]  Na ilegalidade - Editorial

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]  Almirantes denunciam a comunização do País

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]  Coluna do Castello - Em colapso o sistema militar anti-Goulart

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]  Clube Naval protesta contra a anistia a marinheiros rebeldes

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (Pág 05)
[30/03/64]  Ministro vê separação entre oficiais e praças da Marinha

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (Pág 05)
[30/03/64]  Capitão-de-Fragata nega tiros em marinheiros e diz que comunistas orientaram o motim

Leituras complementares:

Fonte: ORVIL - 2ª PARTE - A SEGUNDA TENTATIVA DE TOMADA DO DO PODER - CAPÍTULO III - O ASSALTO AO PODER
8. A reunião no Automóvel Clube

Fonte: GEDM
Discurso de João Goulart durante reunião de sargentos no Automóvel Clube em 30 de março de 1964 (Íntegra)


Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]   Na ilegalidade - Editorial

As fotografias dos sediciosos em festa formam o retrato de corpo inteiro da ilegalidade. Das situações de ilegalidade que precedem revoluções como a de 1917 na Rússia. O estado de direito submergiu no Brasil. Estamos vivendo uma situação de fato, onde não existem figuras constitucionais. Só restam como válidos aqueles que detêm o poder de agir para restabelecer o estado de direito. Ou permitirão que o País se estilhace numa guerra civil?

As Forças Armadas foram todas, - todas, repetimos - feridas no que de mais essencial existe nelas: os fundamentos da autoridade e da hierarquia, da disciplina e do respeito às leis militares. Sem esses fundamentos, a hierarquia se dissolve e em lugar dela surgem as milícias político-militares, preconizadas pelos comunistas e fidelistas.

Nesse quadro de fatos a figura do Presidente se confunde e se turva. Quando estão em jogo os fundamentos da ordem e do estado de direito, quando a indisciplina e a sedição não são punidas pelos detentores do poder legal, pouco importa saber se o Presidente ainda governa ou não. Se é ou não prisioneiro de uma minoria audaciosa que invadiu o poder legal para atirar a Nação à situação de fato que ora ela vive. A Marinha de Guerra do Brasil é peça essencial do conjunto das Forças Armadas. Se sua estrutura e sua existência estão ameaçadas e fendidas, o Exército e a Aeronáutica não podem ficar indiferentes. Porque não podem ficar indiferentes a si mesmos e ao papel que desempenham na preservação de um mínimo de vida civilizada e democrática.

Esta não é a hora dos indiferentes. Principalmente no Exército, que tem poder preventivo capaz de impedir males muito maiores do que aqueles que já nos atingem sob a forma de insegurança pessoa] e familiar. Numa situação de fato ninguém tem o direito de ficar indiferente. A audácia dos líderes comunistas no soviete de operários e marinheiros instalado vitoriosamente na Rua Ana Néri, convenceu os mais cépticos de que chegou a hora de resistir, por todos os meios.

Sim; pregamos a resistência. O JORNAL DO BRASIL e o País querem que sejam restabelecidos a legalidade e o estado de direito.

Mas isso só será possível quando ex!s. tirem Forças Armadas intactas. Quando o germe da divisão for eliminado das Forças Armadas, quando as ideologias não tiverem nelas ingresso para explorar certas reivindicações que podem ser justas, mas que jamais deverão ser defendidas pelo caminho da sedição e da indisciplina.

Sem o restabelecimento da hierarquia e da disciplina, sem a recomposição e a restauração da Marinha em sua integridade digna e respeitada, não existirá legalidade possível. Mo voltaremos à legalidade enquanto não forem preservadas a disciplina e a hierarquia das Forças Armadas. Primeiro portanto, vamos recompor os alicerces militares da legalidade - a disciplina e a hierarquia - para depois, e só depois, perguntarmos se o Presidente da República tem ou não condições para "exercer o Comando Supremo das Forças Armadas".

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]   Almirantes denunciam a comunização do País

Em manifesto ontem lançado à Nação, Almirantes e oficiais de Marinha afirmaram que "continuam unidos e dispostos a resistir por todos os meios ao seu alcance às tentativas de comunização do Pais", depois de "alertarem o povo para o golpe aplicado contra a disciplina na Marinha ao admitir-se que minoria insignificante de subalternos imponha demissão de ministros e autoridades navais e se atreva a indicar substitutos".

"Em lugar de promover-se a devida punição disciplinar — diz o manifesto — licenciam-se marinheiros amotinados que não representam absolutamente os dignos suboficiais, sargentos, marinheiros, fuzileiros que, em compacta maioria, continuaram e continuam fiéis ao seu juramento de disciplina e de dedicação a Marinha."

Até esta madrugada, o manifesto já estava assinado pelos seguintes Almirantes: Carlos Pena Bôto, Luis Clóvis de Oliveira, Jorge Leite, Otacílio Cunha. Hélio Garnier Sampaio, Augusto Haman Radmacker Grunewald, Levi Pena Aarão Reis, José Saldanha da Gama, Zilmar Campos de Araripe Macedo, Silvio Monteiro Moutinho, Fernando Carlos de Matos, Vítor Jaime de Sá, Augusto Amaral Peixoto, Mario Carneiro de Campos Esposel (Comandante), Wigaud Joppert (Comandante), Jurandir Pereira, Ernesto de Meio Batista, Mário Balusier, Armando Zenha de Figueiredo, Antonio Borges da Silveira Lobo, Jurandir Muller de Campos, Abel Campbell de Barros, Leônidas Teles Ribeiro, Waldeck Lisboa Vampré e Luis Gonzaga Doring.

O Ministro da Marinha, Almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, declarou ontem, em entrevista coletiva à imprensa. que "o marinheiro não pode ser um eterno raspador de ferrugem e por isso tem o direito à politização" e que pessoalmente está politizado "no sentido de que o Brasil consiga a sua emancipação com os meios que forem eficazes".

Depois de dizer que os seus pontos-de-vista políticos são idênticos aos do Presidente João Goulart, o Ministro Paulo  Mário Rodrigues afirmou que a sua permanência no Ministério da Marinha está condicionada ao sucesso da anistia concedida aos marinheiros que se rebelaram no Sindicato dos Metalúrgicos.

Em manifesto à Nação, o Clube Naval afirma que "o grave acontecimento que ora envolve a Marinha de Guerra, ferindo-a na sua estrutura, abalando a disciplina, não pode ser situado apenas no setor naval. E' um acontecimento de repercussão nas Forças Armadas e a ele o Exército e a Aeronáutica não podem ficar indiferentes. Caracteriza-se claramente a infiltração de agentes da subversão na estrutura das Forças Armadas. O perigo que isto representa para as instituições e para o Brasil não pode ser subestimado" .

O Presidente João Goulart, em declarações ontem distribuídas à imprensa, ressaltou "a decidida colaboração do Exército e da Aeronáutica, a cuja unidade, disciplina e alto patriotismo deve o Pais a rápida superação da crise, que, se prolongada, poderia nos conduzir a caminhos mais perigosos".

O Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro, enviou aviso aos Comandantes de todas as guarnições do Exército, dando por encerrada a crise surgida na Marinha e informando que os fatos que possam sobrevir, capazes de abalar a disciplina na Armada, serão solucionados pelo Ministro Paulo Mário da Cunha Rodrigues.

A noite de ontem era altamente satisfatório o estado de saúde do General Jair Dantas Ribeiro, segundo o boletim assinado pelos Drs. Jorge Edison Mendes, Bento Coelho. Raimundo Dias Carneiro e Emanuel Bruno. Diz o boletim: "Pressão arterial, 15 8; temperatura, 36,2; pulso, 80; condições clínicas em perfeita ordem. Levantou-se hoje, alimentando-se normal-mente. Despachou normalmente com o General Bomtempo, Chefe de seu Gabinete."

Tanto na UDN como no PSD, cujos lideres estão consultando as suas bancadas de deputados. há urna forte inclinação para a rejeição do projeto de anistia aos sargentos rebeldes de Brasília - que está na pauta da sessão de hoje da Câmara Federal para votação.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]   Coluna do Castello - Em colapso o sistema militar anti-Goulart

BRASÍLIA — "Meu Deus, como é dura a luta contra o imperialismo agonizante." Com essas palavras, sussurradas ao ouvido de um dos oficiais que o acompanhavam, e segundo a versão triunfante dentro do Governo, o Almirante Paulo Mário penetrou no edifício do Ministério da Marinha para assumir o posto de Ministro e Comandante das Forças Navais.

Pouco importa que o nome do Almirante Paulo Mário tenha figurado numa lista tríplice organizada pelo CGT. O General Assis Brasil o desmente. Outras fontes o confirmam. Na verdade, ele assumiu o poder na Marinha como chefe de uma comissão revolucionária, como delegado da confiança dos marinheiros e não como expressão da autoridade e da hierarquia. O comando que ele impôs à oficialidade é todo ele um comando que vem de baixo para cima, representativo dos anseios e do predomínio da marujada e dos fuzileiros e não um órgão de cúpula com a força oriunda da ordem instituída e hierarquizada.

"O Comando Naval foi a pique", dizia ontem um dos principais dirigentes do PSD, definindo a perplexidade que se apoderou dos meios políticos com a vitória tão fácil e tão decisiva do movimento revolucionário num setor das Forças Armadas tido como baluarte do conservantismo institucional.

O Presidente João Goulart, na medida em que se regozija com seu triunfo e em que constata a força das chamadas organizações de base que o sustentam no Governo e o estimulam a quebrar o restante das estruturas políticas, sociais e econômicas, não deixa de revelar certa ansiedade pelas eventuais reações do sistema que a crise naval demonstrou estar em colapso. Considera o Presidente que a direção sindical e os políticos mais açodados da esquerda, entre eles inclui também o Almirante Aragão, revelaram certa imprudência no encaminhamento da crise. Sua vocação natural para a conciliação e a composição foi violentamente bloqueada, percebendo ele, afinal, a inexistência de condições para a política de transigência. As bases mobilizadas para servir de sustentáculo do Governo mostraram-se mais afirmativas e mais fortes do que o próprio Governo, impondo-lhe um rumo que exclui a hipótese de recuo.

Na Frente de Mobilização Popular, que dedicou o sábado a análises da crise, retirou-se como principal lição dos acontecimentos a vitória da linha radical, com reflexo imediato sobre as articulações em curso para formação da Frente Popular. Consideram os dirigentes parlamentares da FMP que, de agora por diante, está superada a discussão na procura de termos mais amenos para o manifesto. A equação agora será posta pelos fatos e cada uma das forças que deseja colaborar com o Governo deverá, daqui por diante, afirmar esse espírito de cooperação nos episódios que se irão suceder, em ritmo acelerado.

Por coincidência, o principal núcleo de deputados da Frente de Mobilização que se dedicaram ao exame da conjuntura estavam ontem reunidos na sede do jornal Panfleto, a alguns passos do Clube Naval, onde a frustração da oficialidade da Marinha adquiria alto grau de efervescência. O comportamento dos comandos do Exército foi observado atentamente pelas forças interessadas. A esquerda considerou-o satisfatório e estimulante, tanto mais quanto se generalizam os prognósticos da próxima ascensão do General Gramar Osório ao Ministério da Guerra. A organização básica das Forças Armadas está agora na linha direta da ação revolucionária e é o alvo naturalmente indicado para as próximas escaramuças.

A manifestação de sargentos ao Presidente da República, cancelada pelo General Jair Dantas Ribeiro, foi rearticulada e novamente programada para amanhã, segunda-feira, quando terá por cenário e clima a vitória exemplar do cabo José Anselmo.

A importância civil

Nos meios políticos civis, entre os partidos — PSD e UDN — ao abatimento vai-se sucedendo um arrojo cívico para enfrentar sem instrumentos adequados a luta contra o Sr. João Goulart. As bancadas estão convocadas, os líderes estão excitados, mas a instituição representativa hoje do poder civil, o Congresso, sente-se posto fatalmente à margem das decisões e sem a força com que repelir os golpes que vai sofrendo.

Não há um pessedista hoje que não creia que a situação que pretenderam sustentar na base da transigência e da conciliação está no fim. O Sr. Juscelino Kubitschek pensa assim, o Sr. Amaral Peixoto pensa assim, o Sr. Mazzilli pensa assim, e o Sr. Tancredo Neves desapareceu. Esses homens, tanto quanto os udenistas, lançam hoje olhares, em que ao desepêro se soma um fio de esperança, para os arranjos entre São Paulo e Minas, para o poder de fogo do Governador Ademar de Barros, para os armamentos dispersos pelas fazendas dos fazendeiros amedrontados de todo o interior.

O Sr. Martins Rodrigues, único líder presente em Brasília, foi ao Rio receber instruções para orientar a bancada nas votações que começarão amanhã, com o projeto de anistia em primeiro lugar. A impressão das correntes oposicionistas, e já agora entre elas figura o PSD, ostensivamente, é a de que, se não ocorrer um milagre, os próximos dias, senão nas próximas horas, o Sr. João Goulart, ainda que não o queira, cobrirá os objetivos que lhe são atribuídos de implantar no País um novo tipo de República, que não é certramente República dos sonhos do PSD, da UDN, do PR e até mesmo do PTB.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[30/03/64]   Clube Naval protesta contra a anistia a marinheiros rebeldes

O Clube Naval realizou ontem duas assembleias, uma pela manhã o outra à tarde, depois do que lançou un manifesto à Nação, denunciando autoridades constituídas de subverterem a disciplina na Marinha, anistiando os marinheiros rebelados no Sindicato dos Metalúrgicos. Embora a reunião da tarde só começasse às 17 horas, desde cedo havia grande movimentação no Clube Naval, onde os jornalistas foram impedidos de entrar. Um oficial, abrindo os braços, disse que "é melhor sair já antes que venha outro mais exaltado".

VIGILÂNCIA

Alguns associados do Clube Naval mantiveram uma severa vigilância sobre todas as pessoas que permaneciam nas imediações da sede da entidade. Os oficiais presentes à reunião estavam todos armados e não escondiam os seus revólveres e pistolas.

BOATOS
No decorrer da reunirá, correu a noticia de que o Comandante dos Fuzileiros Navais, Almirante Cândido Aragão, dissera que, iria "fechar no peito" o Clube Naval. Outra notíicia dizia que os oficiais haviam decidido não comparecer aos navios na próxima segunda-feira, em sinal de protesto contra a anistia concedida aos marinheiros amotinados.

PRESENTES
Entre outros, estiveram presentes na reunião da tarde os Almirantes Silvio Heck, Levi Aarão dos Reis, Pena Bôto, Radmacker o os Comandantes Ajuricaba Façanha, Heitor Lopes de Sousa e Modiano, este ex-Chefe de Gabinete do Almirante Sílvio Mota, Pouco depois dos 17 h 30 m foi distribuído um manifesto à Nação e os jornalistas tiveram licença para igressar no Clube.

O MANIFESTO
E o seguinte o manifesto do Clube Naval. "A Marinha do Brasil, dentro da missão que lhe é atribuída pela Carta Magna, tem por dever zelar pela lei.,pela ordem e pela defesa das instituições. Vinha o Clube Naval mantendo silêncio na intenção de não agravar ainda mais o conturbado panorama político-social do Pais. Os últimos acontecimentos, porém mostraram que a Marinha, como instituição militar, foi inteiramente abalada em seus próprios fundamentos. Um ato de indisciplina, praticado por um grupo de militares, foi acobertado pela autoridade constituída. destruindo o princípio de hierarquia, fundamentai em qualquer organização, principalmente as militares.

Esses  lamentáveis acontecimentos foram o resultado de um plano executado com perfeição e dirigido por um grupo, já Identificado pela Nação brasileira, como interessado na subversão geral do País, com características nitidamente comunistas.

O fato de a Associação de Suboficiais e Sargentos da Marinha e do Clube Humaitá terem se manifestado contrariamente a esses episódios demonstra que a Marinha, em sua expressiva maioria, com seu pessoal subalterno, continua trilhando as tradições de bem servir à Pátria. Demonstra também que, contrariamente ao que querem fazer crer os agentes desagregadores, a Marinha não possui classes ou castas. Trabalha para cumprir sua missão como um todo, com seu pessoal distribuído por postos e graduações, que vão de grumete a almirante com fundamento na hierarquia, base da organização militar. Os elemento que se indisciplinaram, dentro de tática facilmente reconhecível, apresentaram reivindicações, algumas justas e outras absurdas, como se esses problemas pudessem ser resolvidos numa corporação milhar, desta maneira. É de se notar que muitas das reclamações expostas têm sido há anos consideradas, sendo a Marinha a pioneira da Assistência Social nas Forças Armadas.

Deve ser esclarecido, outrossim, que na Marinha do Brasil seus subalternos têm tratamento igual ou superior ao de qualquer outra Marinha. Seus homens são recrutados, em geral, nas zonas subdesenvolvidas do País. A Marinha os transforma em técnicos especializados, úteis não só a ela como a eles mesmos e ao País, proporcionando-lhes inclusive a possibilidade de alcançarem o oficialato e até mesmo o Almirantado.

Vem assim o Clube Naval, interpretando o sentimento unânime dos seus associados, comunicar a Nação que:
a - A indisciplina foi coordenada e dirigida por elementos totalmente estranhos à Marinha.
b — O acobertamento dessa indisciplina violentando o princípio da autoridade dificultou, e possivelmente impedirá o seu exercício através de toda a cadela hierárquica a bordo dos navios, nos quartéis e estabelecimentos navais. E o mais lamentável é que a palavra do Governo empenhada ao Ministro da Marinha no sentido de punir a insubordinação, não foi cumprida. Pouco depois a punição do todos os sublevados foi relevada e o principio da autoridade mutilado.

O grave acontecimento que ora envolve a Marinha de Guerra, ferindo-a na sua estrutura, abalando a disciplina, não pode ser situado apenas no setor naval. É um acontecimento de repercussão nas Forças Armadas e a ele o Exército e a Aeronáutica não podem ficar indiferentes. Caracteriza-se, claramente, a infiltração de agentes da subversão na estrutura das Forças Armadas. O perigo que isto representa para as instituições e para o Brasil, não pode ser subestimado".

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (Pág 05)
[30/03/64]  Ministro vê separação entre oficiais e praças da Marinha

O Ministro da Marinha, Almirante Paulo Mário da Cunha Rodrigues, disse ontem à imprensa, em entrevista coletiva, que "conta com o espírito de patriotismo dos diversos graus de hierarquia da Marinha para pacificar a Armada" e admitiu a existência de uma "profunda separação ideológica entre oficiais e praças da Marinha".

Afirmou o novo Ministro da Marinha que reconhecerá a Associação dos Marinheiros e Fuzileiros do Brasil "desde que ela se coloque nos moldes das entidades congêneres já existentes", acrescentando ter feito recomendações no sentido de que a Associação elabore estatutos "que se enquadrem nos preceitos da Constituição".

ANISTIA PARA TODOS
No inicio da entrevista coletiva, no Salão Nobre do Ministério da Marinha, o Ministro Paulo Mário Rodrigues distribuiu nota oficial à imprensa, na qual justifica "a sua decisão de dispensar as faltas disciplinares cometidas por praças, nos recentes acontecimentos ocorridos a bordo do alguns navios da Esquadra".

Na nota, o Ministro da Marinha afirma que "a sua permanência, na Pasta está condicionada no êxito daquela medida de clemência, como fator para manutenção daqueles princípios, para o que espera a compreensão e colaboração de toda a Marinha, oficiais, suboficiais, sargentos e praças.

O Ministro afirmou aos jornalistas que não houve quebra da palavra do Presidente da República quanto à punição dos praças, revelando que ele próprio, Almirante Paulo liaria Rodrigues, propôs a anistia disciplinar para todos os envolvidos nos acontecimentos da Marinha, tendo o Presidente concordado.  (...)

O Ministro da Marinha frisou que se não tivesse concedido anistia para todos os envolvidos teria que abrir inquéritos nos dois lados - oficialidade o praças - "o que transformaria este Ministério num parque do inquéritos". Revelou que o Almirante Aragão também foi beneficiado pela anistia, sem que isso importasse em qualquer desprestigio para o ex-Ministro Silvio Mota. Ressaltou que a anistia para os praças "repercutiu pessimamente" entre alguns setores da oficialidade, os quais não discriminou.

POLITIZAÇÃO
Sabre o direito dos praças à politização, o Almirante Paulo Mário afirmou que "não se pode impor ao indivíduo porque ele veste unia farda, que sela apenas um eterno raspador de ferrugem. Eles (os marinheiros e fuzileiros) têm o direito de se politizarem".

O Ministro Paulo Mário Rodrigues afirmou ser favorável ao "nacionalismo dentro dos limites da ordem e do respeito", acrescentando que pessoalmente está politizado "no sentido de que o Brasil consiga a sua emancipação com os meios que forem eficazes". Disse que poderia ser considerado esquerdista, "se isto é ser de esquerda". (...)

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (Pág 05)
[30/03/64]  Capitão-de-Fragata nega tiros em marinheiros e diz que comunistas orientaram o motim

(...) TIROTEIO
Na Sexta-feira Santa, o Comandante Rafael de Azevedo Branco se encontrava no 6º andar do Mintsterio guando, por volta das 9 horas, ouviu uma algazarra e observou pela janela que um grupo de marinheiros se dirigia ao Ministério.

- As previsões estavam então confirmadas -disse o Comandante Branco — e a revolta era de caráter geral. As ordens existentes, em cumprimento aos Regulamentos da Marinha e as Leis do País, eram no sentido de fazer voltar às suas unidades todos os marinheiros e prender os que não acatassem as ordens.

A situação continuava bastante tensa, quando o grupo prosseguia avançando com cerca de 200 homens e carregando uma Bandeira Brasileira o apesar das advertências feitas para que parassem, não obedeceram.
- Estavam usando a Bandeira Nacional - disse o Comandante Branco para a insubordinação e pura satisfazer a grupos orientados do exterior.
Os comunistas usaram os marinheiros para provocar a desunião na Marinha e consequentemente nas Forças Armadas.
- Nessa ocasião — prosseguiu — foram disparados tiros para o ar e escudados atrás da nossa bandeira os rebelados continuavam avançando, pois nenhum de nós desejava ferir ou matar os marinheiros.
Pareceu-me que a única saída seria tirar-lhes a Bandeira e resolvi fazê-lo para que fosse mantido o prestigio da autoridade e da lei. Inicialmente, correndo, dirigi-me ao grupamento e arranquei das mãos de um marinheiro a Bandeira Nacional em meio aos tiros de advertência.
Com isso, foi dispersado o grupo, sendo alguns presos e o restante conseguiu fugir de regresso à Ilha das Cobras. A maioria dos disparos foi feita para o ar, tanto assim que apenas três homens saíram feridos. (...)
 


Leituras complementares:

Fonte: ORVIL - 2ª PARTE - A SEGUNDA TENTATIVA DE TOMADA DO DO PODER - CAPÍTULO III - O ASSALTO AO PODER
8. A reunião no Automóvel Clube

Acesas estavam, ainda, as paixões desencadeadas pela vitoriosa rebelião dos marinheiros. De um lado, as forças democráticas já se articulavam contra o governo da indisciplina. Do outro, Jango apoiava-se no PCB, nas organizações de massa e num pretenso "esquema militar". Pretendia, entretanto, dar uma demonstração de força aos que o criticavam pela posição assumida no episódio da rebelião dos marinheiros, mostrando que tinha prestigio junto aos escalões menores das Forças Armadas.
Alguns meses antes, a Associação dos Subtenentes e Sargentos da Policia Militar do Rio de Janeiro (a que havia optado pelo serviço federal) convidara o Presidente para comparecer às comemorações do aniversário da entidade. Naquela oportunidade, Jango aceitou o convite, mas adiou o seu comparecimento sem marcar data. Entretanto, chegara a hora ...
Na noite de 30 de março de 1964, a Associação realizou a reunião na sede do Automóvel Clube, no Rio de Janeiro, com a presença de centenas de sargentos, além de diversos oficiais e ministros, dentre os quais o novo Ministro da Marinha, Almirante Paulo Mário.

Dezenas de comunistas confraternizaram-se com os militares. O ambiente atingiu o auge da exaltação quando se abraçaram, sob aplausos gerais, o Almirante Aragão e o Cabo Anselmo. Os oradores, inflamados, discursavam repisando a tônica das reformas. Discursos atentatórios à hierarquia e à a disciplina foram pronunciados.
O Sargento Ciro Vogt, um dos oradores, foi estrepitosamente vaiado, porque, atendendo aos regulamentos disciplinares, limitou-se a apresentar as reivindicações de sua classe, sem abordar temas políticos.

Mas o ponto alto da reunião foi o discurso do Presidente da República. Inebriado pela calorosa recepção dos sargentos e incentivado pelos constantes aplausos, Jango fez um dos discursos mais inflamados de sua vida pública. Defendeu os sargentos amotinados. Propugnou pelas reformas de base. Acusou seus adversários, políticos e militares, de estarem sendo subsidiados pelo estrangeiro. Ameaçou-os com as devidas "represálias do povo".

A televisão mostrou "ao vivo" estas cenas. Muitas das pessoas que as assistiam sentiram que, após aquela reunião, a queda de Jango era iminente.
Na verdade, fora seu último discurso coma Presidente da República.

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Fonte: GEDM
Discurso de João Goulart durante reunião de sargentos no Automóvel Clube em 30 de março de 1964 (Íntegra)

A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que se abrirá à democracia pela integração de milhões de patrícios nossos na vida econômica, social e política da Nação, libertando-os da penúria e da ignorância.

O momento que estamos vivendo exige de cada brasileiro o máximo de calma e de determinação, para fazer face ao clima de intrigas e envenenamentos, que grupos poderosos estão procurando criar contra o governo, contra os mais altos interesses da Pátria e contra a unidade de nossas Forças Armadas.
Para compreender o esquema de atuação desses grupos que tentam impedir o progresso do país e barrar a ampliação das conquistas populares, basta observar que são comandados pelos eternos inimigos da democracia, pelos defensores dos golpes de estado e dos regimes de emergência ou de exceção.

Na crise de 1961, os mesmos fariseus que hoje exibem um falso zelo pela Constituição, queriam rasgá-la e enterrá-la sob a campa fria da ditadura fascista. Tudo isto é história recente, que não pode ser repetida, porque está indelevelmente gravada na memória do povo brasileiro.

Vimos, de repente, os políticos que mais pregaram o ódio neste país estenderem a mão para os políticos mais corruptos da história brasileira e juntos terem o cinismo de falar em nome dos sentimentos católicos do povo. Passaram a acusar de anticatólicos, não apenas ao Presidente da República, mas ao próprio Cardeal de São Paulo. Na hora em que ainda ressonam as Encíclicas Sociais de João XXIII, é demasiada audácia a desses aventureiros se atreverem a falar em nome da Igreja. Não me cabe, porém, combater essa usurpação, pois a Ação Católica de Minas e de São Paulo já tomou essa iniciativa. E a maior resposta a esses fariseus foi dada por aquele prelado brasileiro que, a 2 de fevereiro de 1963, afirmava que os ricos da América Latina falam muito em reformas de base, mas chamam de comunistas aqueles que se decidem a levá-las à prática. Ele explicava: “É fácil de entender: os ricos da América Latina continuam a deter o Parlamento e tem o grande idealismo da fé no futuro”. Dizia por fim: “O egoísmo de muitos ricos, sua cegueira, é um problema muito mais grave do que o próprio comunismo”.

Esse sacerdote, Dom Hélder Câmara, acaba de ser designado pelo papa para ser Arcebispo de Recife, uma das cidades que mais refletem a crise social do nosso país.
Reconheço que há muitos iludidos de boa-fé. Venho adverti-los de que estão sendo manipulados em seus sentimentos por grupos de facções políticas, agências de publicidade e órgãos de cúpula das classes empresariais.

Aconselho, portanto, a todo brasileiro que hoje esteja envolvido, por motivos religiosos, em comícios políticos, que medite um pouco se está realmente defendendo a doutrina daquele que pela salvação da humanidade morreu na cruz, ou apenas os interesses de alguns grupos financeiros ou eleitorais. Recorde-se da palavra de Pio XI que, tomando consciência de que a Igreja se estava transformando em escudo de privilégios injustificáveis, reconheceu que “o grande escândalo do nosso tempo foi a Igreja ter perdido contato com a classe operária”.

Continuemos, ao lado das nossas mães, mulheres e filhos, a acompanhar as suas orações e a prestigiar e respeitar a sua fé e os seus sentimentos, que são também os nossos. Mas não nos iludamos diante da torpe exploração que procura envolver os sentimentos mais puros, como se a religião e a fé fossem servir de escudo a interesses contrários ao nosso país - e muito menos podemos admitir que o dinheiro do Ibad venha a macular a pureza das nossas instituições cristãs e do sentimento religioso dos nossos filhos. Não podemos permitir que esse dinheiro espúrio venha macular os sentimentos puros das nossas famílias, os sentimentos puros do povo brasileiro.

Mas, senhores sargentos, que constituem um dos alicerces da nossa estrutura militar, a minha palavra, e meu apelo, é para que os sargentos brasileiros continuem cada vez mais unidos, cada vez mais disciplinados naquela disciplina consciente, fundada no respeito recíproco entre comandantes e comandados. Que respeitem a hierarquia legal, que se mantenham cada vez mais coesos dentro das suas unidades e fiéis aos princípios básicos da disciplina. Que continuem prestigiando as nossas instituições, porque em nome dessas instituições, em nome dessa disciplina, os sargentos jamais aceitarão sectarismos, partam de onde partirem, porque o caminho que lhes está traçado é o caminho que me foi traçado também.

As reformas que nós pedimos, senhores suboficiais, senhores sargentos, as pedimos rigorosamente dentro da Constituição. As atitudes que vêm caracterizando a ação do governo, as suas providências, as leis e os decretos que vem assinando o governo em benefício do povo são também efetuados rigorosamente dentro da lei e dentro da Constituição.

O Ibad, os interesses econômicos, os grandes grupos nacionais e internacionais não tem competência para julgar os atos do Presidente da República. Existem poderes constituídos como a Suprema Corte de Justiça do nosso país, como outros poderes constitucionais que podem aquilatar e julgar os atos do Presidente da
República. Os Constituintes em 1946 estabeleceram no Artigo 217 da nossa Constituição o princípio de que ela poderia ser modificada. Compreenderam os legisladores que as Constituições não devem servir apenas para resguardar as instituições do presente, mas as constituições devem, acima de tudo, resguardar as instituições do futuro. Triste do país que tivesse uma Constituição intocável. As constituições têm que evoluir à medida que evoluem os povos e as nações.

Mas outra crítica que constantemente se levantava contra o Presidente da República, diariamente transcrita e bem paga na imprensa brasileira, era a de que o Presidente não revelava quais as reformas que desejava o povo brasileiro. Este argumento agora não prevalece mais, porque o Presidente da República, acaba de enviar mensagem ao Congresso Nacional propondo claramente, em com todas as letras, como o povo brasileiro deseja as reformas. Reformas que não podem mais ser adiadas, reformas que não podem mais ser transferidas, porque essas reformas constituem, acima de tudo, reivindicações legítimas e sentidas do povo brasileiro e são indispensáveis ao desenvolvimento do nosso país.

Com fé em Deus e confiança no povo, quero afirmar, claramente, nesta noite, na hora que, em nome da disciplina, se estão praticando as maiores indisciplinas, que não admitirei que a desordem seja promovida em nome da ordem; não admitirei que o conflito entre irmãos seja pregado e que, em nome de um anti-reformismo impatriótico, se chegue a conclamar as forças da reação para se armarem contra o povo e contra os trabalhadores; não permitirei que a religião de meus pais, a minha religião e a de meus filhos, seja usada como instrumento político de ocasião, por aqueles que ignoram o seu sentido verdadeiro e pisoteiam o segundo mandamento de Deus.

O meu mandato, conferido pelo povo e reafirmado pelo povo numa segunda vez, será exercido em toda a sua plenitude, em nome do povo e na defesa dos interesses populares. Enganam-se redondamente aqueles que imaginam que as forças da reação serão capazes de destruir o mandato que é do povo brasileiro.

Ainda agora, procura-se, em nome da disciplina militar, criar uma crise para dividir as gloriosas Forças Armadas do país.
Quem fala em disciplina? Quem está alardeando disciplina nesta hora? Quem está procurando intrigar o Presidente da República em nome da disciplina?

São aqueles mesmos que, em 1961, em nome de uma falsa disciplina, em nome de pretensa ordem e de pretensa legalidade que defendiam, prenderam dezenas de oficiais e sargentos brasileiros.
Em nome dessa disciplina, prendeu-se um dos mais ilustres e eminentes comandantes do Exército Brasileiro; prendeu-se numa fortaleza, aqui no Rio de Janeiro, um Marechal, pelo crime de defender a Constituição que ele tinha jurado. Esse grande militar, de uma tradição ilibada nas fileiras de nossa Exército, símbolo de disciplina e de bravura das nossa Forças Armadas, o grande Marechal Henrique Teixeira Lott, foi punido, com recolhimento a uma fortaleza.

Fiel à minha formação cristã, não guardo qualquer mágoa daqueles acontecimentos. Jamais remanesceu no meu espírito qualquer ressentimento com relação àqueles que, num determinado instante, não souberam defender a Constituição da República, não souberam interpretar as leis do país.

E o mesmo espírito que me guiou em 1961 foi o espírito que me guiou agora na crise da Marinha, que está servindo de tantos pretextos para intrigas nas Forças Armadas.
Estava no Sul, quando soube da crise que irrompia na Marinha de Guerra. Desloquei-me imediatamente para o Rio de Janeiro.
E aqui a minha primeira recomendação – recomendação compreendida e sentida pelo Exército e pela Aeronáutica – foi a de que eu não permitiria jamais que se praticasse qualquer violência contra aqueles brasileiros que se encontravam desarmados na sede de um sindicato.
Eu estaria faltando a vocês, sargentos, às suas esposas e às suas mães, se naquele instante, rigorosamente dentro da lei e das minhas atribuições, confiei o problema, na sua plenitude, ao atual ministro da Marinha, que se encontra aqui conosco.
Não tive mais nenhuma interferência, a não ser dar autoridade ao novo ministro que assumia naquela hora o comando da nossa Marinha de Guerra.

Ninguém mais do que eu, neste país, deseja o fortalecimento e a coesão das nossas Forças Armadas. Ninguém mais do que eu deseja a glória da nossa Marinha de Guerra. Ninguém mais do que eu deseja que ela vive permanentemente num clima de compreensão, de entendimento, de respeito e de disciplina. Mas a disciplina não se constrói sobre o ódio e a exaltação. A disciplina se constrói sobre o respeito mútuo entre os que são comandados.

Mas também faltaria com o meu dever se não alertasse o alicerce básico das nossas Forças Armadas – os sargentos – contra a terrível campanha que neste país [ilegível] contra o Presidente da República e mais especificamente contra o pensamento representado pelo Presidente.

Se os sargentos me perguntassem – estas são as minhas últimas palavras – donde surgem tantos recursos para campanha tão poderosa, para mobilização tão violenta contra o governo, eu diria simplesmente, sargentos brasileiros, que tudo isto vem do dinheiro dos profissionais da remessa ilícita de lucros que recentemente regulamentei através de uma lei.
É do dinheiro maculado pelo interesse enorme do petróleo internacional e de companhias nacionais contra a lei que também assinei do monopólio da importação de petróleo pela Petrobrás. É do dinheiro que se levantou contra outro ato que também praticou o Presidente da República, que foi a encampação de todas as companhias particulares de refino, mas atos que pratiquei rigorosamente dentro da lei e no espírito da Lei 2004, criada pelo grande e imortal Presidente Vargas. Esse é o dinheiro graúdo.

Se os sargentos me perguntarem sobre o dinheiro mais miúdo, mas também muito poderoso, eu diria que é o dinheiro dos proprietários profissionais de apartamentos em todo o Brasil, de apartamentos que estavam sendo negados aos brasileiros, de apartamentos que não se alugavam mais em cruzeiros, de apartamentos cujo aluguel já se exigia pagamento em dólar, como se Copacabana fosse um país estrangeiro, como se os brasileiros vivessem subordinados a outros interesses.

É o dinheiro, por outro lado, senhores sargentos, de comerciantes desonestos que estavam explorando e roubando o povo brasileiro e que o governo, no direito legítimo que lhe confere a lei, defendeu e deu ordem ao Ministro Jurema para que não mais permitisse a exploração e que defendesse o povo em toda a sua integridade.

Enfim, trabalhadores, enfim, militares, enfim, brasileiros, é o dinheiro dos grandes laboratórios estrangeiros de medicamentos. De laboratórios que terão que cumprir a lei ou terão que ser subordinados à lei porque o Presidente da República não vacilará um instante sequer na execução de todas as leis e de todos os decretos.

Fonte: Jornal do Brasil, 31 mar. 1964.


Nota: Este "post", de 2012, atualiza este outro, publicado em 2011:
30/03/11
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