WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Abril 2013             


01/04/13

• Revolução de 1964 - Os primeiros dias de Abril (1) - Seleção de notícias do dia 01 Abr 1964

Matérias transcritas nesta página:

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]   São Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  I Exército parte contra Minas

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  Deflagrada greve geral em todos o País

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  Lacerda disposto à resistência

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  Juscelino faz apelo para a paz

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  São Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart

Leia na Fonte: Acervo JB - Destaque na primeira página
[01/04/64]  "Gorilas" invadem o JB

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Fora da lei - Editorial

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Manifesto de Magalhães

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  General Mourão diz que Goulart deve ser afastado

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Ademar exorta os paulistas a destruírem a ameaça à ordem

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Kruel ergue II Exército contra comunismo

Folha de São Paulo
Manchetes (matérias não transcritas)
- II Exército domina o Vale do Paraíba
- Calma é completa no Estado de São Paulo
- Proclamação de AB [Ademar de Barros] ao povo brasileiro
- Não há separatismo em Minas, diz Magalhães
- O IV Exército solidário ao I e III
- Adesões aumentam, diz II Exército
- Assembléia e Câmara em sessão permanente



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[01/04/64]   São Paulo adere a Minas e anuncia marcha ao Rio contra Goulart

A tropa do Exército sediada em Minas e a Policia Militar Mineira rebelaram-se ao amanhecer de ontem contra o Governo Federal, ocupando o Estado, bloqueando fronteiras e ganhando a adesão do II Exercito, com o lançamento, em São Paulo, de um manifesto do General Arnauri Kruel, anunciando que suas tropas iam se fixar "numa posição de extrema responsabilidade para salvar a Pátria da infiltração comunista que se observa no Governo".

A Cadeia da Liberdade, formada por todas as estações de rádio de Minas e São Paulo, informou esta madrugada que as tropas do II Exército estavam prontas para marchar sobre o Rio de Janeiro. Deslocando carros de assalto e canhões de longo alcance, tropas do Exército, fiéis ao Presidente da República, rumaram para Juiz de Fora, no princípio da noite. É iminente um choque com as forças mineiras. entrincheiradas perto de Paraibuna, na fronteira com o Estado do Rio. Cem ônibus requisitados em Belo Horizonte, após a ocupação da Estação Rodoviária, já se acham no lugar do encontro, levando soldados da PM e Exército.

Num manifesto lido às 18 horas, através da emissora oficial, o Governador Magalhães Pinto afirmou que o Presidente da República "escolheu o caminho da subversão para realizar as suas reformas". No mesmo manifesto, o Governador Magalhães Pinto advertiu ser um problema de coerência a adesão ao movimento que eclodiu em Belo Horizonte.
O Senador Auro de Moura Andrade respondeu negativamente ao convite do Sr. Magalhães Pinto para a instalação do Congresso em Belo Horizonte.

Todos os prédios federais de Minas foram ocupados e o General Olimpio Montão, Comandante da IV Região Militar, lançou um manifesto afirmando que "há de ser afastado do Poder o Presidente que abusa dele e de acordo com a lei operar-se sua sucessão, mantida a ordem jurídica".
A Câmara Municipal de Juiz de Porá, foi fechada e ocupadas todas as radioemissoras e redações de jornais. Um recrutamento de 10 mil homens em Belo Horizonte conte e 30 mil no interior foi iniciado, ontem, sob a orientação direta do Governador de Minas.

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[01/04/64]  I Exército parte contra Minas

A Presidência da República comunicou ontem, à noite, em nota oficial, a rebelião da guarnição federal em Minas, sob o comando dos Generais Olimplo Mourão Filho e Carlos Luís Guedes, e anunciou a deslocação de unidades do I Exército para conter a sublevação, que considera inspirada no manifesto lançado pelo Governador Magalhães Pinto "contra a ordem constitucional e os poderes constituídos".

A nota frisa que "o Governo federal manterá intangíveis a unidade nacional, a ordem constitucional e os princípios democráticos e cristãos em que ele se inspira, pois conta com a fidelidade das Forças Armadas e com o patriotismo do povo brasileiro". Em nota oficial, o Ministro da Guerra, General Jair Dantas Ribeiro, comunica a exoneração, dos Generais Mourão Filho, do Comando da 4.° Divisão de Infantaria, e Carlos Luis Guedes, da; ID/4, e afirma que "agirá com a máxima energia contra os sublevados.

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[01/04/64]  Deflagrada greve geral em todos o País

Ao primeiro minuto de hoje teve inicio a greve geral em todo o Pais, por determinação do Comando Geral dos Trabalhadores e em apoio do Presidente João Goulart, paralisando de imediato os trens da Central do Brasil e da Leopoldina, o Porto de Santos e os bondes da Guanabara, com a adesão de universitários.

A decisão da greve foi precipitada pela prisão ontem, no Sindicato dos Estivadores, de vários líderes sindicais pela Polícia Política da Guanabara. A Federação Nacional dos Marítimos, que decretou a greve ontem à noite, denunciou o desaparecimento de quatro estivadores, uni líder sindical de Vitória e do Sr. António Pereira Filho, líder dos bancários.

O Partido Comunista Brasileiro responsabilizou ontem os grupos radicais pela precipitação da crise política, tachando de imprudente a tática utilizada por lideres extremados. Acha o PCB que tal atitude conduzirá à união do centro com a direita, neutralizando assim ação dos setores mais moderados da esquerda,  que, no seu  ententer, levara à deposição do Presidente da República,  com lastro na opinião pública.

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[01/04/64]  Lacerda disposto à resistência

O Governador Carlos Lacerda, embora tenha dito ao seu Secretariado que não acredita na crise nacional, montou um esquema de segurança para o Palácio Guanabara e para as ruas a
ele adjacentes, com o qual pretende resistir contra qualquer intervenção federal no Estado da Guanabara.

Às três horas de hoje o Palácio Guanabara deu nota oficial informando que os fuzileiros para lá se dirigiam e chamava o povo para defender o Governador.

Cerca de 500 homens da Policia Militar, sob as ordens diretas do Secretário de Segurança, General Salvador Mandim são empregadas na defesa do Palácio do Governo. Barricadas foram construidas com sacos de areia e os militares permanecem em regime de prontidão.

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[01/04/64]  Juscelino faz apelo para a paz

O Senador Juscelino Kubitschek formulou ontem, em manifesto, "apelo de paz ao Governo  e à Nação", afirmando que "a legalidade una e indivisível está onde estão a disciplina e a hierarquia" e acentuando que "a Casa Brasileira estaria irremediavelmente dividida se as Forças Armadas se dividissem em lealdades distintas e antagônicas, geradoras de legalidades
múltiplas e também antagônicas".

Também os Governadores do Paraná, Pará e Santa Catarina divulgaram manifestos: o Sr. Nei Braga indicou que é chegada a hora de serem estancadas, dentro da lei, as fontes que intranquilizam a Nação; o Sr. Aurélio do Carmo defendeu a oposição às soluções extralegais; e o Sr. Celso Ramos exortou o povo a se manter em calma. Em seu primeiro pronunciamento após o motim dos marinheiros, o Governador Carlos Lacerda declarou que o Brasil e a Guanabara estão sofrendo a agressão da guerra revolucionária, manifestando sua confiança nas Forças Armadas, "em sua' unidade. patriotismo e fidelidade ao juramento feito à Bandeira".

À últimas horas de ontem, através de cadeia de emissoras de rádio, o Governador Ademar de Barros disse que o reguei federal esta praticamente destruído", anunciou a união do II Exército e de São Paulo em defesa do regime e convocou os paulistas, "homens e mulheres para (ilegível).

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[01/04/64]  "Gorilas" invadem o JB

Quem chegasse ás 08 30m da noite de ontem ao Edifício do JORNAL e da RADIO JORNAL DO BRASIL não poderia entrar pois encontraria na porta, metralhadora em punho, um fuzileiro naval. E se olhasse pela parede de vidro dos estúdios da Radio teria a impressão de assistir a Um filme de gangsters: quatro outros fuzileiros, comandados pelo Tenente Arinos, moviam-se como gorilas pelo estúdio, seus movimentos tolhidos pelas metralhadoras que ameaçavam microfones, painéis de instrumentos e os funcionários, estupefatas com aquela irrupção de selvajaria tecnológica em plena Avenida Rio Branco.

 Era o Brasil regredindo ao estado de republiqueta latino-americana. Os fuzileiros navais, ao chegarem, dispararam dois tiros para o ar diante do prédio, e entraram de metralhadoras em punho. Deixaram um colega na porta da rua e subiram, metralhadora em punho,.pistolas na cinta, até o 5° andar.

Tinham ordem de quem? indagamos. Do Ministro da Marinha, disseram. Onde estava a ordem? Era verbal.
Da Radio O Tenente telefonou a um Almirante, sem lhe dizer o nome. O prédio era muito grande, disse. Precisavam reforços.

Deixarem dois de guarda na Rádio, outro na porta da rua e foram oro busca dos tais reforços, sem duvida para ocuparem todas as dependências do JORNAL DO BRASIL.

Mas deve estar em desespero o Governo do Sr, João Goulart. Dentro de meia hora, em lugar dos reforços, veio a ordem de retirar. Amontoados no elevador, capacetes na cabeça, metralhadoras se entrechocando e se apoiando nas costelas deles próprios, desceram. E passaram diante dos populares boquiabertos, na calcada da rua, Quem humilha assim os bravos Fuzileiros Navais da Marinha do Brasil? Quem os transforma primeiro em gangsters violentos e os faz evacuar em seguida, confusos, um pugilo de homens envergonhados sob o peso de tanto material bélico? Quem estimula a indisciplina de marujos e fuzileiros e depois os transforma em bandidos e em seguida em pobres diabos pilhados em flagrante?

A partir de 13 de março o Sr. João Goulart tem injuriado muitos, em muito pouco tempo, Agora, ao que tudo indica, já lhe resta muito pouco tempo para injuriar quem quer que seja. (Noticiado na página 4)

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Fora da lei - Editorial

Desde ontem que se instalou no Pais a verdadeira legalidade: aquela que através das armas do movimento mineiro e paulista de libertação, procura imediatamente restabelecer a legalidade que o caudilho não quis preservar, violando-a no que de mais fundamental ela tem: a disciplina e a hierarquia militares.

Só há uma legalidade — legalidade dos brasileiros liderados por Minas e São Paulo. Esta, sim, visa a repor o Pais na situação em que foi entregue ao Sr. João Goulart — quando jurou defender a Constituição, após memoráveis lutas também contra os Ministros Militares daquela hora.

Só há uma legalidade — aquela que foi caracterizada pelo ex-Presidente Juscelino Kubitschek. Legalidade agora e em primeiro lugar é a restauração imediata da disciplina .e da hierarquia militares repetidamente violadas pelo Sr. João Goulart, em atos claros de subordinação do País e do Governo à liderança comunista de organismos político-sindicais ilegais, que já ousam interferir até mesmo na orientação militar do País.

Só há urna legalidade — a legalidade contra a desordem e a desunião implantadas no País pelo Sr. João Goulart em sua desmedida e criminosa atuação política visando a continuar a qualquer preço no uso do Poder.

Conseguiu o candidato à tirania aquilo que parecia inteiramente afastado do futuro do Brasil democrático.

Conseguiu desunir a Federação, atentando, através de provocações sucessivas, contra a ordem constitucional.

É crime só punível pela deposição pura e simples do Presidente, atentar contra a Federação.

Atentar contra a Federação é crime de lesa-pátria. E daqui acusamos o Sr. João Goulart de crime de lesa-pátria. Jogou-nos na luta fratricida.

Chega às raias do cinismo e da desfaçatez a nota dos ocupantes do Palácio. Ousam eles acusar de rebeldia o governador mineiro, líder do movimento de restauração da legalidade com liberdade.

Ousam eles, agora, os responsáveis pela subversão comandada de cima, pela comunização do Brasil, acusar os democratas que se levantam em todo o País, de propósitos de desordem e de vontade de ferir a Constituição.

Os réus pretendem transformar-se em acusadores.

Não. Eles tiveram todas as oportunidades de voltar à legalidade e reincidiram no crime. Ainda anteontem o ex-comandante supremo das Forças Armadas se dirigia a subalternos extremados, em reunião política, em linguagem e pregação subversivas, em tom degradante. Ali, ele perdeu o direito de ser chamado de Presidente da República. Não mais merece a lealdade dos verdadeiros brasileiros.

Os verdadeiros brasileiros já fizeram a sua escolha. Estão restabelecendo a legalidade democrática, reformista, sim, mas expurgada do objetivo de comunização do Brasil. O reformismo do Sr., João Goulart é comunização disfarçada em reformismo.

Por isso, o País se levanta e leva de roldão aqueles que ainda ocupam, como usurpadores, os palácios oficiais e usam sem direito os selos e timbres da República.

Nada há a temer. A Federação ameaçada será logo reunificada pela ação liderada por Minas Gerais e São Paulo. A derrota do Sr. João Goulart é inevitável.

E com ele tudo que representou nesse curto período de mistificação e engano de um povo bom, pacifico e trabalhador, que não merecia colher das mãos de governantes maus brasileiros, as provações que vai colher nas ansiedades das próximas horas.

Nada há a temer. A segurança interna e externa do Brasil se recompõe com a expulsão dos falsos legalistas. Eles serão expulsos da Guanabara e não encontrarão guarida em nenhum ponto do solo pátrio.

As Forças Armadas, responsáveis pela segurança interna e externa do País, saberão encontrar logo a solução constitucional cabível para a imperiosa deposição do caudilho João Goulart.

 A hora é de firmeza e coragem. Principalmente aqui na Guanabara, sob o guante do General Jair Dantas Ribeiro. Vamos batê-lo aqui mesmo. Nós democratas saberemos derrotar a greve geral que se deflagra por ordem dos comunistas aliados ao caudilho. Saberemos suportar todas as privações até o momento da expulsão do caudilho do generoso solo carioca.

A legalidade está conosco. Estamos lutando por ela e vamos restabelecê-la. O Congresso será chamado a dizer quem substituirá o caudilho até as eleições de 1965, que assegurarão a continuidade do regime.

A Legalidade está conosco e não como caudilho aliado do comunismo. As opções estão feitas e vamos para a vitória.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Manifesto de Magalhães

Belo Horizonte (Sucursal) — O Governador Magalhães Pinto dirigiu à Nação o seguinte manifesto:

"Brasileiros: Foram inúteis todas as advertências que tentos feito ao Pais contra a radicalização de posições e de atitudes. Contra a diluição do principio federativo, pelas reformas estruturais dentro dos quadros do regime democrático.
Finalmente, quando a crise nacional ia assumindo características cada vez mais dramáticas, inútil foi também nosso apelo ao Governo da União para que se mantivesse fiel à legalidade constitucional.

Tivemos, sem dúvida, o apoio de forças representativas, todas empenhadas em manifestar o sentimento do povo brasileiro, ansioso de paz e de ordem para o trabalho, único ambiente propicio à realização das reformas profundas que se impõem, que a Nação deseja, mas que não justificam, de forma alguma, o sacrifício da liberdade e do regime.

O Presidente da República, como notoriamente o demonstram os acontecimentos recentes e sua própria palavra, preferiu outro caminho: o de subverter, o de submeter-se à indisciplina nas Forças Armadas e o de postular ou, quem. sabe, tentar realizar seus propósitos reformistas com sacrifício da normalidade institucional e acolhendo planos subversivos que só interessam à minoria desejosa de sujeitar o povo a um sistema de tirania que ele repele.

Ante o malogro dos que, ao nosso lado, vinham proclamando a necessidade de reformas: fundamentais, dentro da estrutura

do regime democrático, as forças sediado em Minas, responsáveis pela segurança das instituições feridas no que mais lhes importa e importa ao Pais — isto é, a fidelidade aos princípios de hierarquia, garantidores da normalidade institucional e da paz pública, consideraram de seu dever entrar em ação, a fim de assegurar a legalidade ameaçada polé próprio Presidente da República.

Move-as a consciência de seus sagrados compromissos para com a Pátria e para com a sobrevivência do regime democrático. Seu objetivo supremo é o de garantir às gerações futuras a herança do patrimônio da liberdade política e de fidelidade cristã, que recebemos de nossos maiores e que não podemos ver perdido em nossas mãos.

A coerência impõe-nos solidariedade a essa ação patriótica. Ao nosso lado estão todos os mineiros, sem distinção de classes e de condições, pois não pode haver divergência quando está em causa o interesse vital da Nação Brasileira. É ela que reclama, nessa hora, a união do povo, cujo apoio quanto mais decidido, e sem discrepâncias, mais depressa permitirá o êxito dos nossos propósitos de manutenção da lei e da ordem.

Que o povo mineiro, com as Forças vivas da Nação, tome a seu cargo transpor esse momento histórico. Só assim poderemos atender aos anseios nacionais de reforma cristã e democrática. Esse o fruto que nos há de trazer a legalidade, por cuja plena restauração estamos em luta e que somente ela poderá conseguir."

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  General Mourão diz que Goulart deve ser afastado

Belo Horizonte (Sucursal) — O Comandante da 4ª Divisão de Infantaria, General Olímpio Mourão Filho, afirmou ontem, em manifesto lançado à Nação, que o Presidente João Goulart "há de ser afastado do poder de que abusa, para, de acordo com a lei, operar-se a sua sucessão, mantida à ordem jurídica".

Disse o General Olímpio Mourão Filho que o Presidente João Goulart, "divorciado dos preceitos constitucionais, negando solene juramento, pretende transformar o Brasil, de Nação soberana que é, em um ajuntamento de sub-homens, que se submetem a seus planos ditatoriais".

O MANIFESTO
É o seguinte o manifesto do General Olímpio Mourão Filho:
 
"À Nação e às Forças Armadas:
- Faz mais de dois anos que os inimigos da ordem e da democracia escudados na impunidade que lhes assegura o Chefe do Poder Executivo vêm desrespeitando as Instituições, enxovalhando as Forças Armadas. diluindo nas autoridades públicas o respeito que lhes é devido em qualquer nação civilizada, e, ainda, lançando o povo em áspero e terrível clima de medo e desespero.

Organizações espúrias de sindicalismo político, manobradas por inimigos do Brasil, confessadamente comunistas, tanto mais audaciosos quanto estimulados pelo Presidente da República, procuram infundir em todos os espíritos a certeza, de que falam em nome do operariado brasileiro, quando é certo que falam em nome do um Estado estrangeiro, a cujos interesses imperialistas estão servindo em criminosa atividade subversiva, para traírem a Pátria brasileira, tão generosa e cavalheiresca.

E o atual Governo, a cujos projetos que negam a soberania. do Brasil vêm servindo essas organizações, dá-lhes apoio oficial ou oficiosamente, concedendo-lhes até mesmo a faculdade de nomear e demitir ministros, generais e altos funcionários, objetivando, assim, por conhecido processo a desfazer as instituições democráticas o Instituir abertamente, o totalitarismo que nega a Federação,a República, a Ordem Jurídica, e até mesmo o Progresso Social.

Tentaram revoltar o disciplinado e patriótico Círculo do Sargentos, e, recentemente. essas organizações e esse governo no tudo fizeram para desmoralizar e humilhar a Marinha de Guerra do Brasil na mais debochada e despudorada ofensa à disciplina e hierarquia, que nela devem predominar.

O povo, governos estaduais e Forças Armadas, animados do fervoroso sentimento patriótico. repelem esse processo de aviltamento das forças vivas da Nação, tão bem concebido e caprichosamente executado pelo Sr. Presidente da República, o qual, divorciado dos preceitos constitucionais, negando solene juramento, pretende transformar o Brasil, nação soberana que é, em um ajuntamento de sub-homens, que se submetem a seus planos ditatoriais.

Na certeza de que o Chefa do Governo está a executar uma das etapas do processo de aniquilamento das liberdades cívicas, as Forças Armadas, em nome delas, o seu mais humilde soldado, o que subscreve este manifesto, não podem silenciar diante de tal, crime, sob pena de com elo se tornarem coniventes.

Eis o motivo pelo qual conclamamos a todos os brasileiros o militares esclarecidos para que, unidos conosco, venham ajudar-nos a restaurar no Brasil o domínio da Constituição e o predomínio da boa-fé no seu sentimento.

O Sr. Presidente da República, que ostensivamente se nega a cumprir os seus deveres constitucionais, tornando-se, ele mesmo, Chefe de Governo comunista, não merece ser havido como guardião da Lei Magna, E. portanto, há de ser afastado do Poder do que abusa para, de acordo com a Lei, operar-se a sua sucessão, mantida a ordem jurídica. Assinado, General de Divisão Olímpio Mourão Filho. Comandante da 4ª Região Militar"

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Ademar exorta os paulistas a destruírem a ameaça à ordem

São Paulo (Sucursal) - O Governador Ademar de Barros declarou às ultimas horas de ontem, através de uma cadeia de emissoras de rádio. que "o governo de São Paulo e o II Exército estão unidos em defesa do regime", terminando por convocar "os homens responsáveis e também as mulheres, para acabar com o regime de ameaça à ordem e ao progresso".

Depois de comparar a situação atual com a de 1932, o Governador paulista disse que o Palácio dos Campos Elíseos "é agora uma trincheira em defesa da Constituição", para, em seguida, revelar que 'Minas não está só na luta contra a bolchevização do Pais e a onda comunista que invade os setores  do Governo" e que "o regime federal está praticamente destruído". (...)

CONTATOS
O Sr. Ademar de Barros revelou, à noite, haver mantido contatos telefônicos com seis Governadores, pelo menos. Disse que todos estão de acordo quanto a necessidade de pôr fim à situação presente e ao "estado policial" que se vem criando. O Governador alertou também o povo contra as "oficinas de boatos, agrupamentos comunistas encarregados de criar o pânico na população".

O Sr. Adernar de Barros disse que em São Paulo foi descoberta uma dessas organizações, que espalhava no Nordeste a notícia de que São Paulo está em movimento separatista.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[01/04/64]  Kruel ergue II Exército contra comunismo

Em manifesto lançado à Nação, o Comandante do II Exército, General Amauri Kruel, afirmou que o contingente sob sua chefia, "coeso o disciplinado, acaba de assumir uma atitude de grave responsabilidade, com o objetivo de salvar a Pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho".

O II Exército, ao dar esse passo diz o manifesto, manter-se-á fiel à Constituição e tudo fará, no sentido da manutenção dos poderes constituídos, da ordem e da tranquilidade. Sua luta será contra os comunistas e o seu objetivo será o do romper o cerco do comunismo, que ora compromete e dissolve a autoridade do Governo da República".

MANIFESTO
E' o seguinte o manifesto do General Amauri Kruel:
"O II Exército, sob o meu comando, coeso e disciplinado, unido em torno de seu chefe, acaba, do assumir atitude de grave responsabilidade, com o objetivo do salvar a Pátria em perigo, livrando-a do jugo vermelho.

É que se tornou por demais evidente a atuação acelerada do partido comunista para a posse do poder, partido agora mais do que nunca apoiado por brasileiros mal avisados que nem mesmo têm consciência do mal que se está gerando.

A recente crise surgida na Marinha de Guerra, que se manifestou através de um motim de marinheiros e contou com a conivência de almirantes nitidamente de esquerda e com a complacência de elementos do Governo federal. à qual se justapôs a intromissão indébita de elementos estranhos para a solução de problemas internos daquela força armada. permitiu ficasse bem definido o grau de infiltração comunista no seio militar.

O intenso trabalhe do Partido Comunista no seio do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, desenvolvido principalmente nos círculos das praças e objetivando a induzi-las à indisciplina, traz em seu bojo um princípio de divisão de forças que reflete o enfraquecimento de seu poder reparador na garantia das instituições.

A atitude do II Exército está consubstanciadas na reafirmação dos princípios democráticos prescritos pela Constituição vigente. Inteiramente despido de qualquer caráter político-partidário. visa exclusivamente a neutralizar a ação comunista que se infiltrou em alguns órgãos governamentais e principalmente nas direções sindicais, com o único propósito de assalto no Poder.

O II Exército, ao dar esse passo de extrema responsabilidade. para a salvação da Pátria, manter-se-á fiel à Constituição e tudo fará no sentido da manutenção dos poderes constituídos, da ordem e da tranqüilidade. Sua luta será contra os comunistas e o seu objetivo será o do romper o cerco do comunismo, que ora compromete e dissolvo a autoridade do Governo da República. a) General-de-Exército Amauri Kruel"