WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Abril 2013             


07/04/11

• Revolução de 1964 - Os primeiros dias de Abril (7) - Seleção de manchetes do dia 7 Abr 1964

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[07/04/64]  O Desejo da Nação - Editorial

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil - Coluna do Castello
[07/04/64]  Limites do expurgo e retorno ao regime

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil - Coluna do Castello
[07/04/64]  De como o General Castelo deu o Sim

Leituras complementares:

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
[23/03/13]   Otávio Gouveia de Bulhões

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
[23/03/13]  Vasco Leitão da Cunha

Referências, sem transcrição:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo
[06/04/64]  Manchetes

Jornal do Brasil 
(clique para ler na fonte)
- PSD apóia a candidatura Castelo Branco
- Asilados são 20 e presos passam de 3 mil
- Aparecem as armas da conspiração
- Senado regula a eleição
- Uruguai vai reconhecer Brasil hoje
- De como o General Castelo deu o sim (pág. 3)
- Costa e Silva satisfeito com a situação do País após a queda de Goulart (pág. 3)
- Mauro Borges e Alkmim  levam nome de Castelo a deputados (pág. 3)
-
Nina Ribeiro mostra recibo de verbas federais dada À UNE para fazer Movimento (pág. 3)
- Jânio Quadros pede a Castelo Branco que aceite a Presidência (pág. 9)


Folha de São Paulo  (clique para ler na fonte)
- Combate sistemático ao comunismo e à corrupção

- AB [Ademar de Barros]: "Castelo é o candidato"
- Senado aprova eleição indireta (pág. 3)
- Respeito à Constituição - Editorial (pág. 4)
- Presidente militar - Editorial (pág. 4)
- No Senado projeto de eleição indireta do Presidente (pág. 5)
- 3 pontos: reformas, luta anticomunista e cassação (pág. 6)
- Castelo Branco: a Revolução foi trabalho de equipe (pág. 7)

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[07/04/64]  O Desejo da Nação - Editorial

Mais uma vez nos dirigimos ao Congresso, ao poder da República que foi desprestigiado pelo caudilho deposto e foi restaurado pela revolução vitoriosa.

E o fazemos para lembrar ao Congresso que ele hoje representa, com o Judiciário, o poder constitucional a ser plenamente reconstituído por ação sábia e oportuna do Poder Legislativo.

O movimento revolucionário está cumprindo em todas as horas seu dever. Importa, que nesta semana, o poder constitucional, o Legislativo, cumpra o seu dever, elegendo o Presidente da República para atender ao reclamo, ao clamor geral do Pais.

O País quer, com urgência, Governo constitucional estável e apoiado no consenso do povo. O País quer um Executivo forte, com autoridade, capaz de exercer na plenitude o governo e a administração, na hora em que os desafios propostos são gigantescos, no momento em que a herança do Governo Goulart mal começa a ser descoberta em todos os seus descalabros.

Executivo forte e com autoridade. Executivo restaurado, tal como foi restaurado o Congresso. E o nome do General Castelo Branco preenche as condições de confiança e de autoridade.

Chegou a oportunidade de o Congresso devolver ao movimento revolucionário o serviço prestado, dando-lhe o amparo de sua unção constitucional na forma da eleição imediata de novo Presidente da República.

Esta, bem sabemos, e uma ação eminentemente política. Política também foi a ação militar que criou a situação nova. Portanto, a classe se política brasileira, os partidos, as bancadas, todos aqueles com parcela de responsabilidade e de poder político não têm o direito de cometer erros que nos encaminhariam para rumos indesejados. Para os rumos da indecisão, da dubiedade, do cálculo pequeno, que só diminuiriam aos olhos do povo, ávido de governo e de administração, o Legislativo, que teria falhado.

O PSD ocupa no Legislativo posição especial. E o majoritário. Tudo dependeria, portanto, do comportamento de sua bancada. Dependeria de um partido que não foi chamado a defender o caudilho nem a isso se ofereceu. Dependeria de um partido que assistiu, como espectador, à vitória da revolução. Foi e continuaria sendo espectador, se na hora da organização do novo poder não lhe coubesse, por força do jogo democrático, papel e voz influentes.

Que faz o PSD? Pareceu, por algum tempo, que pretenderia cavalgar os fatos sem ter corrido qualquer risco.
O Sr. Juscelino Kubitschek tem responsabilidade maior nesse episódio. E o candidato do partido e seu Líder natural, nessa qualidade. Tudo lhe seria atribuído no cometimento do erro, se calculasse mal onde está seu próprio interesse de candidato e seu próprio dever de senador da República. No caso, felizmente, interesse e dever se confundem, restando ao candidato apenas encarar os fatos em sua simplicidade. E claro o seu dever e o seu interesse em preservar a continuidade do sistema democrático, aquele que lhe assegura e lhe assegurará a possibilidade de concorrer ao pleito de 1965.

A continuidade do sistema foi posta em perigo pela política do Sr. João Goulart tal como se comprova já com documentos sobre a investida comunista contra o Brasil. No caso, portanto, não é o movimento revolucionário que obriga a necessidade imediata de constituição de novo Executivo com o mister de governar até 1966. A imposição de novo Executivo forte e com autoridade surge da necessidade de desmantelar toda a obra conspiratória anti-brasileira, sem risco de vacilações com os criminosos envolvidos nela, por conveniências eleitorais espúrias e de longo prazo.

As vacilações e retardamentos na escolha de novo governo só serviriam à causa daqueles que querem escamotear a apuração, legal e correta, de responsabilidades inequívocas de fração ponderável do antigo oficialismo conivente com a agressão ideológica sofrida pelo País, em processo de investigação acelerada por parte das autoridades militares. O senador Juscelino Kubitschek é um democrata sincero, anticomunista vigoroso e não repudiaria princípios e orientação sensata, capazes de preservar sua possibilidade de eleger-se, para aparentemente, obter o apoio do PTB nas próximas eleições.

 Na verdade. o Sr. Juscelino Kubitschek nada teria a perder e tudo a ganhar com a imediata constituição de um Executivo forte, com a eleição de novo Presidente. Ao contrário: o processo eleitoral estaria melhor protegido pela honra das Forças Armadas, e a recuperação administrativa e financeira seria iniciada bem antes do começo do novo mandato, em 1966. Na situação anterior, a candidatura pessedista sofria o desgaste dos erros do Governo, por ser Governo, e não desfrutava do poder de Governo porque o Presidente seguia orientação nitidamente antipessedista.

Em síntese: a candidatura pessedista só ganhou na nova situação. Deve a ela o direito de concorrer com grandes possibilidades se não cometer erro que em politica equivale a crime.

Equivale a crime porque se o PSD viesse a torpedear a solução política da crise, forçaria a radicalização indesejada de atitudes. Ora, o País já está exprimindo de todas as maneiras a sua confiança na nova situação. O dólar cai, as ações sobem e palpita o desejo de trabalhar em paz. Agir contra isso, seria agir contra a Pátria que deseja Governo, que tem urgência de Governo, e já vislumbra Governo de fato com a presença de Otávio Gouveia de Bulhões na Fazenda e de Vasco Leitão da Cunha no Itamarati, duas figuras capazes de restaurar, de pronto, a imagem turva do Brasil dos últimos meses janguistas. A nova situação veio para ficar. Só parcela ressentida do janguismo, os aproveitadores do comunismo, almejam levar-nos para a política de: após Jango o dilúvio. Só ao janguismo interessa o fechamento do Congresso, novamente soberano.

Será inútil tentar inverter a tendência. O País quer paz e trabalho, com austeridade e seriedade.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil - Coluna do Castello
[07/04/64]  Limites do expurgo e retorno ao regime

Brasília — Parece estar se impondo sobre a corrente revolucionária exaltada a corrente moderada, que entende e proclama que a revolução foi feita contra o comunismo e não contra o Congresso e as liberdades públicas. É esta, de resto, a tendência normal dos movimentos vitoriosos que, cumprida sua missão, procuram acomodar-se à ordem.

A revolução, no entanto, untes de se dissolver nos quadros constitucionais vigentes, pretende afirmar-se através de um ato de força que cumpra, em si mesmo, os principais subjetivos definidos pelos chefes revolucionários.

Esse ato de força é a proclamação, outorgada ou que outro nome técnico tenha, de disposições institucionais, que permitam ao Governo triunfante praticar a cirurgia que os órgãos do ordenamento normal das instituições se recusariam a fazer. O Congresso, como se sabe, não votará cassação de mandatos nem dará leis de suspensão de direitos. As Fôrças Armadas, em conseqüência, teriam decidido assumir a responsabilidade do expurgo, proclamando o Ato Institucional ou Adicional das Disposições Transitórias da Constituição que lhes dará poderes de cassar mandatos, suspender direitos políticos e suspender as garantias do funcionalismo civil e militar.

Ao concordarem nas linhas gerais desse ato, tiveram os comandos militares, que divergiram no correr do processo, de se compor em torno de termos de execução. Assim é que se pretendeu atingir a vitaliciedade dos membros da Magistratura, com vistas à situação de dois ministros do Supremo e de outros Juízes, afastando-se a idéia. Quanto ao Congresso, concordou-se em suprimir os mandatos de "meia dúzia de Deputados mais marcados", rejeitando-se a idéia do expurgo de trinta ou quarenta pretendidos pelos exalados. A suspensão de direitos dos servidores públicos visa a possibilitar a eliminação dos quadros administrativos e das fileiras das forças armadas dos elementos declarados comunistas.

Teria sido objeto de entendimento pacífico que a eleição e posse do novo Presidente da República a ocorrer amanhã, quarta-feira, ou no mais tardas, quinta-feira, significará o sinal de retorno à normalidade institucional, ficando superadas as disposições institucionais revolucionárias. Isso significará que os atos de prática do expurgo serão sumários e imediatos. O Congresso, pela manifestação dos seus lideres, recebe o ato como ele é: como um ato de força, contra o qual a instituição é impotente — afastada qualquer hipótese de impugnação ou contestação. Como a maioria é partidária da revolução vitoriosa, apesar da graduação de solidariedade de partido a partido e de pessoa a pessoa, passará, feito o expurgo nas bancadas, a deliberar na base do reconhecimento da situação de fato e a acelerar os preparativos para a eleição do Presidente.

O equilíbrio da composição nos altos escalões e a passividade do Congresso em face da decisão revolucionária poderão, no entanto, ser alterados se, na execução, se caracterizarem excessos que signifiquem uma ruptura "do entendimento geral de respeito ao congresso e de próxima normalização da vida institucional. Sabe-se que, na linha de restauração da legalidade democrática sem ferimentos profundos nas instituições, estão os Comandantes do I, do II e do III Exércitos, incluindo-se a guarnição federal de Minas.

Ignora-se ainda o papel do Governo Mazzilli em face das disposições institucionais revolucionárias, desde que as mesmas criam na realidade um poder a latere, executando medidas de Governo à revelia do poder civil mantido pela revolução.

O Sr. Mazzilli está no Governo para simbolizar, perante o Pais e sobretudo perante o mundo, a persistência de instituições civis no Brasil.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil - Coluna do Castello
[07/04/64]  De como o General Castelo deu o Sim

Quarenta horas se passaram, do momento em que o nome do General Castelo Branco foi escolhido pelos Governadores, até que, na sua casa em Ipanema, aplaudido por todos, ele desse o sim à sua candidatura. Entre bases dois instantes houve uma crise, um mal-entendido e uma reconciliação.

Eis coisa se passem as 40 horas, segundo uma testemunha que a tudo assistiu,

No domingo, de manhã, pouco antes do encontro do Comando Militar, que reuniu os Generais Costa e Silva, Amauri Kruel, Castelo Branco, Justino Alves Bastos. Olimpio Mourão Filho e Décio Escobar, o General Danilo Nunes procurou o General Suzano Sarmento, Chefe do Gabinete do Ministro da Guerra, a quem expôs uma situação criada

O General Danilo Nunes recordou para o General Suzano Sarmento que no encontro entre os Governadores e o Ministro da Guerra se criara um impasse, superável, através de uma nova reunião dos Governadores com o General Costa e Silva.

Logo que terminou a reunião do Alto Comando. procurado pelo General Suzano Sarmento, que lhe expôs com detalhes todo o quadro político. o General Costa e Silva concordou em participar de noivo encontro com os Governadores, à noite. Eram 13,130 m e alegando que precisava dormir, foi para casa.

As 21h e 30 m, o Ministro da Guerra estava de volta ao seu gabinete, onde encontrou o Governador Nei Braga e o General Danilo Nunes, que imediatamente se puseram em contato com os demais Governadores, convidados a comparecerem ao Ministério. A reunião entre o Ministro da Guerra e os Governadores se iniciou às 23 horas. Dela participaram os Governadores Ademar de Barros. Nei Braga, Correia da Costa, Deputado José Maria Alkmim, representando o Governador Magalhães Pinto, Juraci Magalhães, representando o Governador Carlos Lacerda, e o Governador ldo Meneghetti, além dos Generais Costa e Silva. Suzano Sarmento e Danilo Nunes. O Ministro da Guerra, General Costa e Silva, mostrava-se cordial, pilheriando com os Governadores.

Os Governadores iniciaram o diálogo, dizendo de início que, no invés de sete, agora representavam o pensamento de onze Governadores de Estado. Frisaram que a indicarão do General Castelo Branco não tinha o propósito de impor às Forcas Armadas um nome. Desejamos saber como é que o Ministro da Guerra recebia aquela indicação, se concordava ou não comi ela.

O General Costa e Silva iniciou uma longa digressão sobre o história da Proclamação da Republica, recordando as divergências que acorreram com o indicação do General Deodoro da Fonseca para a Presidência da Republica e a sua posterior renúncia. Disse que a conduta que tem observado tem sido a de evitar uma cisão no esquema militar da revolução.

O Governador Ademar de Barros, verificando que o General Costa e Silva evitava o tema central da reunião, resolveu entrar de cheio, perguntando ao Ministro da Guerra: - General Costa e Silva — o que eu e os Governadores queremos saber é se o senhor veta o nome do General Castelo Branco?
- O Castelo Branco — respondeu o Ministro da Guerra — é um nome do mais alto gabarito, mas de alto gabarito mesmo, um companheiro meu de mais de 40 anos. Conversem com ele.

Ato continuo, o General Costa e Silva mandava o General Suzano Sarmento preparar uma sala para que os Governadores se reunissem com o General Castelo Branco.

Depois lembrando-se que se tratava de urna reunião eminentemente política, sugeriu aos Governadores que talvez ficasse melhor a realização do encontro fora do Ministério da Guerra.

Dali mesmo os Governadores se encaminharam para a casa do General Castelo Branco, ern Ipanema. Um diálogo franco se estabeleceu entre do Governadores e o General Castelo Branco, que os recebeu de terno escuro e gravata. Os Governadores queriam saber o pensamento do General Castelo Branco sobre os mais diversos assuntos da atualidade brasileira. O Governador Ademar de Barros, em dado momento. perguntou:

- General. o Sr. acha que aceitando sua candidatura divide o Exercito?

Resposta do General Castelo Branco:

- A essa pergunta eu mr permito lhe fazer outra: o Ministro da Guerra acha que eu divido o Exército?

Os governadores, como que em coro, responderam não. Fora o próprio Ministro da Guerra que sugerira a eles para conversar com o General Castelo Branco.

- Diante dessa resposta que os senhores me deram — frisou o General Castelo Branco — estou em condições de dizer que não divido o Exercito. E o faço confiando na palavra de vários companheiros meus que têm vindo aqui sugerir a minha candidatura, muito embora eu tenha estado alheio a todas essas articulações.

O Governador Ademar de Barros continuou:
- General Castelo Branco, o senhor não ignora que há uma sucessão presidencial em perspectiva e que há vários candidatos às eleições presidenciais de 1965. Queremos saber se o senhor assumindo a Presidência da Republica procederá como uns magistrado nas eleições de 1965?

- À sua pergunta, Governador, respondo com o meu passado. O meu passado ê a garantia que lhe posse dar.

Verificando que as perguntas se sucediam e que a reunião poderia perder-se, sem alcançar as suas finalidades, o Deputado Danilo Nunes interveio, pedindo licença para fazer uma pergunta:


- Sei que não sou governador, mas me permita fazer uma pergunta: General Castelo Branco, o senhor autorizaria os governadores aqui presentes entrarem em contato com as suas lideranças políticas para levarem o seu nome à consideração do Congresso Nacional, corno candidato à Presidência da Republica?

Resposta do General Castelo Branco, que foi recebida com uma prolongada, salva de palmas:
-  Aceito.

Ali mesmo, os Governadores Ademar de Barros e Nei Braga se comprometeram a acionar o PSP e o PDC, enquanto que, em nome da UDN, ali estavam os Srs. Juraci Magalhães e Danilo Nunes, o pelo PSD o Governador Mauro Borges e o Deputado Jose Maria Alkmim. O Governador Mauro Borges disse não estar autorizado a afirmar que o Senador Juscelino Kubitschek apoiaria a candidatura Castelo Branco. Entretanto, tendo em vista declaração anterior do Sr. Kubitschek de que aceitaria um candidato isento, não tinha dúvidas de que o ex-Presidente receberia com o melhor agrado o nome do General Castelo Branco, que no seu entender preenchia os requisitos de imparcialidade exigidos. O Governador Ademar de Barros fez uma pequena ressalva: apresentara antes uma lista dos seus candidatos por ordem preferencial, na qual apareciam em primeiro lugar o General Kruel, em segundo o General Costa e Silva e por último o General Castelo Branco. Concluiu o Governador Ademar de Barros dizendo que se Inclinara pelo General Castelo Branco, tendo em vista que era o nome que reunia as preferências da maioria.

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Leituras complementares:

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
[23/03/13]   Otávio Gouveia de Bulhões
 
Otávio Gouveia de Bulhões (Rio de Janeiro, 7 de janeiro de 1906 — Rio de Janeiro, 13 de outubro de 1990) foi um economista brasileiro.

Perfil
Filho de Otávia Gouveia de Bulhões e do diplomata Godofredo de Bulhões, passou a primeira infância na França e na Áustria. Voltou a residir no Rio de Janeiro aos oito anos de idade. Homem de hábitos simples, tido como lacônico e discreto, casou-se com sua prima, dona Yedda, e teve quatro filhos. Foi um grande fã de música clássica e presidente do conselho da Orquestra Sinfônica Brasileira.

Quanto a questões políticas, Octavio mantinha-se neutro. Embora tenha vivenciado anos de profundas transformações no Brasil e no mundo, preocupava-se com o desenvolvimento econômico de seu país.

Já no campo econômico defendia a corrente liderada por Eugênio Gudin, preocupando-se principalmente com a estabilidade da moeda e o combate à inflação. É classificado como neoliberal dentro do pensamento econômico brasileiro. Fora influenciado desde jovem pelos livros do economista Adam Smith.

Formação e carreira acadêmica

Formou-se bacharel em ciências jurídicas e sociais com curso de doutorado pela Faculdade do Rio de Janeiro. Fez curso de especialização em economia na American University (Washington). Foi catedrático por concurso da Faculdade Nacional de Ciências Econômicas do Rio de Janeiro. Foi doutor honoris causa em economia pela Escola de Pós-Graduação em Economia da Fundação Getúlio Vargas. Foi professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

Cargos

Destaques durante o cargo de Ministro da Fazenda (1964-67)

Destaques de sua bibliografia

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Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
[23/03/13]  Vasco Leitão da Cunha

Vasco Leitão da Cunha (Rio de Janeiro, 2 de setembro de 1903 — Rio de Janeiro, 11 de junho de 1984) foi um diplomata brasileiro.[1]

Neto de Ambrósio Leitão da Cunha[carece de fontes]. Foi ministro das Relações Exteriores do Brasil, de 4 de abril de 1964 a 17 de janeiro de 1966.[1]

Cursou ciências jurídicas e sociais na Faculdade de Direito do Rio de Janeiro, pela qual se bacharelou em 1925. Dois anos depois, através de concurso, ingressou na carreira diplomática. Em novembro de 1961, quando foram restabelecidas as relações diplomáticas do Brasil com a União Soviética, rompidas desde 1947, Leitão da Cunha foi nomeado embaixador em Moscou, para lá sendo enviado em abril de 1962.

Chamado do exterior a serviço, em janeiro de 1964, Leitão da Cunha voltou ao Brasil somente no dia 5 de março. Foi convidado pelo presidente da Câmara Federal, Ranieri Mazzilli, que fora empossado interinamente na presidência da República, para assumir o Ministério das Relações Exteriores. Como o primeiro misnistro da ditadura, tomou posse no dia 4 de abril, passando a responder também cumulativamente pela pasta da saúde, a qual comandou até o dia 15, quando Humberto de Alencar Castelo Branco assumiu a presidência.[1]

Sua gestão à frente do Itamaraty ficou conhecida por desmontar as bases da Política Externa Independente, que marcara as gestões anteriores, estabelecendo uma "correção de rumos", por meio de uma teoria conhecida como "círculos concêntricos", uma vez que estabeleceu metas específicas para a América Latina, para o Ocidente e, especialmente, para os Estados Unidos. Em seu discurso de encerramento da II Conferência Interamericana Extraordinária (novembro de 1966), pediu aos Estados-membros da OEA que prosseguissem a manutenção de políticas e ações de combate à "subversão no continente".[2]

Acreditava-se que, assim, o Brasil obteria vantagens pelo seu apoio aos norte-americanos no contexto da Guerra Fria, todavia, essa política foi efêmera e quase sem resultados, visto que as forças políticas mundiais haviam mudado desde pelo menos 1962, após a crise dos mísseis em Cuba, a independência da Argélia e a conseqüente política de Charles de Gaulle, contrário à hegemonia norte-americana na Europa e o surgimento do Terceiro Mundo como uma força política, que em 1955 já havia se reunido na Conferência de Bandung, deslocando o foco das tensões políticas da relação Leste-Oeste para Norte-Sul. Vasco Leitão permaneceu no governo até 17 de janeiro de 1966, sendo substituído por Juracy Magalhães, então o embaixador brasileiro em Washington DC.[1]