WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Abril 2013             


12/04/13

• Revolução de 1964 - Os primeiros dias de Abril (12) - Seleção de manchetes do dia 12 Abr 1964 + Leituras complementares

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Revolução democrática - Editorial

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Presidente eleito fala

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Entrevista de paz - Editorial  (sobre o Ministro da Guerra, Gen. Costa e Silva)

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (Coluna do jornalista Carlos Castello Branco)
[12/04/64] 
Congresso: esperança no novo Presidente (pág. 04)

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Castelo Branco obteve na primeira apuração 361 votos do total de 438 (pág. 04)

Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[12/04/64]  Revolução definida - Editorial

Leituras complementares:

Fonte: Grupo Inconfidência - Edição Histórica
[10/04/64]   Saber ganhar - por David Nasser [Edição Histórica de O Cruzeiro - Extra, de 10 de abril de 1964]

Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
David Nasser

Referências, sem transcrição:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil e da Folha de São Paulo
Manchetes
Jornal do Brasil
- Castelo eleito Presidente toma posse na quarta-feira [15]
- Comando Revolucionário transfere para reserva 20 generais e 102 oficiais
- Ex-Ministro dá tiros na Câmara
- Castelo Branco obteve na primeira apuração 361 votos no total de 438

Folha de São Paulo
-
Castelo Branco eleito; José Maria Alkmin, vice
- Revogado o decreto que criou a SUPRA
- Proclamação de Castelo Branco ao povo
- Kruel: Não devemos ser levados à extrema direita

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Transcrições:

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Revolução democrática - Editorial

O Presidente da República, que o Congresso Nacional elegeu ontem, em nome de todos os brasileiros, tem um destino histórico a cumprir: reaparelhar com urgência o Governo para as grandes e as pequenas tarefas que pesam indiscriminadamente sobre o povo. O ímpeto do movimento revolucionário já arrombou as portas do imobilismo legislativo e está varrendo os ninhos de corrupção armados na máquina administrativa e as emboscadas de grupos ideológicos engajados no Governo. É preciso agora canalizar essa força criadora, na composição de um Governo atento à urgência reclamada pelos problemas nacionais e identificá-lo com os ideais revolucionários, no sentido de imprimir à ação restauradora da ordem da normalidade a eficiência que as grandes causas facilitam.

A figura do Presidente da República já eleito se tornou depositária, desde muito antes, das certezas que dominam o povo brasileiro ao reconhecer a necessidade do movimento armado e ao apoiar o desdobramento das ações que caracterizam, desde o dia 30 do março, o advento de uma nova fase na História do Brasil. A esperança se configura em certeza e a segurança social, anseio de todas as classes, se transfigura em disposição para retribuir ao trabalho com trabalho, à confiança com confiança.

Este Governo que o Brasil vai ter dentro de poucos dias não se pode candidatar a operar milagres, mas também não precisa se sujeitar aos vícios de um comportamento político aviltado pelas práticas de uma aliança subalterna entre o Executivo e o Legislativo, pois foi o exercício do Poder amesquinhado pelos apetites individuais e de grupos que enfraqueceu a nossa democracia e infiltrou-lhe focos de conspiração e de improbidade. O Ato Institucional, proclamando a legitimidade do Congresso em termos revolucionários, criou as condições para o funcionamento harmônico dos Poderes, dentro da medida e da urgência do interesse nacional.

O que para os preconceitos e interesses atingidos pela revolução parece usurpação de Poder, pelo Executivo acrescido em sua autoridade, significa em verdade um esforço de adequação entre Poderes que precisam se encaminhar para o objetivo comum: desenvolvimento com justiça social.

O que vai fazer a grandeza date Governo, emergente de uma revolução, é a capacidade que revelar no trato de uma soma de problemas que há anos se acumulam e se agravam por força de um conceito demagógico. Já é tempo de proclamar que todos os problemas são grandes. Quem não teve capacidade de dar solução às questões diárias, que constituem obrigação dos governantes, também não tem credenciais pura propor reformas. Cessam daqui por diante os obstáculos que só pareciam intransponíveis, _nas relações entre Executivo e Legislativo, porque despreparo para a vida pública e demagogia trabalhavam de mãos dadas e com segundas intenções.

O Presidente eleito não terá tempo a perder: não poderá fazer milagres em vinte meses, mas é seu dever revelar a coragem de pôr em ordem a vida financeira, corrigir os vícios antigos r restaurar o funcionamento da máquina de Governo. Com as sementes trazidas no bojo tio Ato Institucional e semeadas sobre um País e uma opinião pública revolvidas pelo debate patriótico, o Brasil se tornará apto, nesse espaço de tempo, para prosseguir nas mãos do seu sucessor o caminho que a revolução lhe traçar agora.

Este será também um Governo sem compromissos com o passado imediato e sem obrigações com as forças políticas que saírem purificadas da recuperação nacional. Sua única obrigação é com a História e suas responsabilidades são com a democracia, que a revolução veio avivar na consciência do povo e identificar para sempre ao destino nacional. Situando-se acima das contingências passadas, banidas pelo movimento revolucionário, e independente quanto aos que pela vontade do povo lhe herdar a responsabilidade de prosseguir a obra de recuperação brasileira, tem condições excepcionais para realizar tudo que representa a aspiração nacional, resumida no lema da Bandeira — Ordem e Progresso.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]   Presidente eleito fala

O Presidente eleito da República, General Humberto Castelo Branco, disse ontem em nota oficial, pouco depois de tornar conhecimento de sua eleição pelo Congresso Nacional, que "espera entregar, no iniciar-se o ano de 1966, ao seu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma Nação coesa e ainda mais confiante em seu futuro".
O General Humberto Castelo Branco disse aos jornalistas que embarcará para Brasília na manhã de quarta-feira, a fim de prestar juramento diante do Congresso Nacional e receber a faixa presidencial das mãos do Presidente Ranieri Mazzilli.

A DECLARAÇÃO
É a seguinte a declaração do Presidente eleito Humberto Castelo Branco:

"Minha eleição pelo Congresso Nacional em expressiva votação. traduz sobremaneira o pesado fardo das responsabilidades que sabia já haver assumido ao aceitar a indicação de minha candidatura à Presidência da República por forças políticas ponderáveis, sob a liderança de vários governadores de Estados.

O calor da opinião pública através de autênticas manifestações populares e de numerosas entidades de classe, estimulou-me a esta atitude. Agora espero em Deus corresponder às esperanças de meus compatriotas nesta hora tão decisiva dos destinos do Brasil, cumprindo plenamente os elevados objetivos do movimento vitorioso de abril, no  qual se irmanaram o povo inteiro e as Forças Armadas, na mesma aspiração de restaurar a legalidade, revigorar a democracia. restabelecer a paz e promover o progresso e a justiça social.

Espero, também, em me ajudando o espírito de colaboração de todos os brasileiros e o sentimento da gravidade da hora presente, possa entregar, ao iniciar-se o ano de 1966 ao meu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma Nação coesa e ainda mais confiante em seu futuro, a que não mais assaltem os temores e os angustiosos problemas do momento atual.

Ao Congresso Nacional, com todo meu respeito de brasileiro e de Presidente eleito da República, apresento nesta oportunidade, de modo muito especial, as minhas saudações."

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Entrevista de paz - Editorial  (sobre o Ministro da Guerra, Gen. Costa e Silva)

A qualidade principal num momento de revolução é também a mais difícil: a clareza. Revobtendo tudo como revolvem, as revoluções tendem a turvar homens e conceitos. Por isso mesmo é digna de atenção a entrevista ontem publicada do Ministra da Guerra, General Costa e Silva. Respondeu de forma concisa e clara às perguntas feitas. Reafirmou o General o pressuposto básico da revolução de 30 de março: ela é contra o comunismo, contra as idéias comunizantes. Mas, como disse o Ministro Costa e Silva, "a revolução não visa especificamente grupos e sim erradicar idéias comunistas. Por conseguinte, os cidadãos democratas, pertencentes a qualquer corrente ou movimento de opinião, imunes à comunização ou infensos ao comunismo, nada têm a temer. Assim também, quando interrogado acerca da liberdade de imprensa, disse: "Não há restrição do Comando Supremo à liberdade de imprensa, mas é claro que não poderá ser tolerada, por exemplo, a propaganda comunista ou o proselitismo de fundo comunista". O pressuposto anticomunista da revolução é de tal forma fundamental, que a propaganda comunista não será feita, A conclusão é de que não há restrição à liberdade de imprensa. Não pode haver. Uma revolução que teve o apoio da maioria da imprensa, que em grande parte venceu graças a esse apoio, se desfiguraria por sua própria mão se nela empunhasse uma caneta de censor.

Quase todas as demais respostas do Ministro da Guerra foram no sentido de provar que, já agora, a revolução institucionalizada no seu Ato espontâneo acolhe-se à sombra da ordem constitucional que criou. Arbitrariedades e excessos, depois do Ato Institucional e da eleição, ontem, do General Castelo Branco, pareceriam medidas contra a revolução de 30 de março. Por isso o General Costa e Silva declarou que o Supremo Tribunal Federal reverte, absorvido o Ato Institucional, ao quadro da Constituição de 1946; declarou que o Comando Supremo encarará a Oposição "tal como o faz qualquer outro Governo democrático"; que os inquéritos policiais "serão feitos conforme a processualística em vigor no Pais".

A revolução, em suma, soube agir com unia celeridade severa. podendo agora fazer declarações que tranqüilizam o Pais. Sua responsabilidade, proporcional à rapidez e ao vigor com que executou, pela força, seus objetivos, é de, com igual rapidez, entregar um País pacificado ao povo que deseja trabalhar, longe da anarquia, das greves artificiais do janguismo, do comunismo do ruído e do tumulto por si mesmos. A entrevista do Ministro da Guerra foi de paz.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64] 
Congresso: esperança no novo Presidente (pág. 04)

Brasília — A eleição do General Castelo Branco para Presidente da República foi saudada pelo Congresso como a afirmação de esperança numa rápida institucionalização do movimento revolucionário e na fixação de critérios seguros para a continuidade da democracia brasileira.

Mesmo os membros do partido derrotado pela revolução, que se abstiveram de votar, referendam aquela esperança que ontem contaminava a generalidade dos meios políticos.

Havia de um modo geral ansiedade igualmente quanto à imediata posse do novo Presidente da República, pois se acredita que a transferência efetiva do poder do comando revolucionário para um Chefe do Governo escolhido dentro de um ritual legal será o passo final para a transposição do inquieto período assinalado pela presença nas ruas das armas que decretaram a vitória.

O General Castelo Branco, segundo depoimento de políticos que com ele mantiveram contato nas últimas horas, esteve atento às ponderações favoráveis ou contrárias à sua posse imediata, decidindo-se finalmente por estabelecer um prazo, ainda que curto, dentro do qual possa constituir o seu Governo em consonância com suas responsabilidades. Entenderia o General que está no estrito dever de apresentar um ministério do mais alto gabarito, que se imponha ao respeito de toda a Nação. Não se sabe se consultará ele as forças políticas, mas, ainda que possa fazê-lo, não haverá obviamente qualquer restrição ou condição a seu livre direito de escolha dos homens que com ele irão comandar o Pais numa fase de transição e de consolidação de um programa revolucionário.

Há rumores igualmente — e esses rumores ensombrecem pequenos setores do Congresso — de que o General Castelo Branco, entre as razões que considerou para não tomar posse imediatamente no Governo, incluiu a conveniência ou necessidade de dar tempo ao Comando Militar Revolucionário de completar o expurgo na representação política e de deflagrar a depuração no funcionalismo civil e militar. Há a expectativa de uma lista complementar de mandatos cassados para a segunda-feira, sem que se conheçam ainda com segurança pormenores a respeito, pois há apenas a indicação de que militares influentes no processo revolucionário consideraram omissa a lista inicial. Por outro lado, há indicações de uma possível revisão para eliminar inclusões tidas como de rigorosa injustiça. A manter-se o clima de ontem, de esperança, tudo indica que a posse do General Castelo Branco na próxima quarta-feira será uma posse festiva para a revolução e de desafogo para a generalidade dos meios políticos. 

A conspiração

Quando na terça-feira, 31 de março, o General Olímpio Morão telefonou de Juiz de Fora ao Deputado Armando Falcão, comucando que havia se sublevado, o Deputado perguntou-lhe se estava articulado. "Estou articulado com a minha consciência", respondeu-lhe o comandante das tropas mineiras.

O Sr. Falcão, que funcionara como contato entre meios civis e militares envolvidos na conspiração, indo inclusive a Juiz de Fora, transmitiu suas apreensões ao General Castelo Branco, O General apurou em seguida a veracidade da informação e tranqüilizou o Deputado: de qualquer jeito as coisas dariam certo.

O deflagrar da revolução estava previsto para o dia 2 de abril, após a marcha popular programada no Rio. Os mineiros, no entanto, a precipitaram por uma decisão do General Mourão, logo apoiada pelo Governador Magalhães Pinto, o qual já estava indócil desde a sexta-feira.

Esse pormenor e os que se seguem vão aqui registrados como complemento à reportagem que, em Caderno Especial, fizemos sobre a conspiração militar, Aos Coronéis já arrolados, acrescentamos aqui os nomes de outros influentes conspiradores militares como os Coronéis Milton Câmara Sena, Meira Matos, Montagna, Anel, Portela e Andrada Serpa. O General Cordeiro de Farias teve sua missão principal na infiltração pelos escalões inferiores e controle das informações.

O QG secreto da revolução gravou as ultimas conversas do Sr. João Goulart com o General Kruel, O ex-Presidente fazia um apelo à sua fidelidade pessoal. O General exigia a imediata demissão de todos os comunistas do Governo, O Sr. Goulart respondeu-lhe que naquele momento não era possível uma medida dessas, pois a esquerda era seu único apoio político, "Vamos esmagar Minas, primeiro, General, depois a gente trata do resto". O General respondeu-lhe que depois seria tarde. Toda a oficialidade do II Exército pressionava seu Comandante, quebrando-lhe afinal suas últimas indecisões.

A situação na Guanabara não era tida como tranqüila, admitindo-se que a Cidade se transformasse em campo de batalha. No esquema de segurança do Palácio da Guanabara, figurou a dinamitação da Praia de Botafogo, da Rua Faran5 e da Rua das Laranjeiras no trecho de acesso ao Palácio. As ordens do Almirante Aragão e seus ajudantes, de preparação do ataque, foram todas interceptadas pelo Comando Revolucionário.

O ex-Presidente parece ter permanecido confiante nas informações do General Assis Brasil até o momento em que o General Âncora entrou nas Laranjeiras e lhe disse que a situação mudara. O Sr. Goulart pediu às pressas suas malas, reuniu os amigos que ali estavam e zarpou para Brasília.

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Fonte: Acervo do Jornal do Brasil
[12/04/64]  Castelo Branco obteve na primeira apuração 361 votos do total de 438 (pág. 04)

Brasília (Sucursal) - O General Humberto Castelo Branco foi ontem eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional, recebendo 351 votos do total de 438 proferidos oralmente por Deputados e Senadores no plenário da Câmara. Três votos foram dados ao Marechal Juarez. Távora e dois outros ao Marechal Eurico Dutra.

O plenário e as galerias da Câmara, totalmente lotados por cerca de três mil pessoas, irromperam em aplausos delirantes quando anunciou-se o 238º voto para o General Castelo Branco, que marcava os dois terços necessários do quorum presente para garantir a sua eleição à Presidência. Esse voto foi proferido exatamente da bancada de Minas Gerais, pelo ex-Ministro Paulo Pinheiro Chagas.

Abstiveram-se de votar 72 parlamentares, . entre eles apenas dois senadores. Dos abstinentes, 69 são do PTB, 2 do PSD - Tancredo Neves e Oliveira Brito e um sem partido, o Senador. Josafá Marinho. Sem serem candidatos, as Marechais Juarez Távora e Eurico Dutra receberam,, respectivamente, 3 e 2 votos: no primeiro votaram os Srs. Celso Passos, Mário Covas e Wilson Martins; no ex-Presidente, o Senador Vitorino Freire e o Deputado Anísio Rocha.

AUSENTES
A sessão do Congresso foi, talvez, a que recebeu a maior presença de todas quantas se realizaram em Brasília. Num total de 475 membros, votaram 438, devendo levar-se em conta que há dois senadores presos - Arnon. de Melo e Silvestre Péricles -, o Deputado Nélson Carneiro, presente, não votou por discordar do voto a descoberto, e numerosos dos suplentes convocados para preencher as vagas dos parlamentares que tiveram cassados seus

mandatos ainda não prestaram compromisso, Dos ex-Ministros do Sr. João Goulart, apenas não compareceu o Sr. Expedido Machado. Dois - Abelardo Jurema e Amauri Silva — tiveram seu mandato cassado. Os demais abstiveram-se.

No exercício do mandato, deixaram de votar apenas os Deputados Expedito Machado, Humberto Lucena, Francisco Macedo, José Carlos Teixeira, Henrique Lima, Adolfo de Oliveira, Emanuel Waissmann, Nelson Carneiro, Campos Vergai, Otávio Maria, lHarry Normaton, Ponce de Arruda e Paulo Mansur e os Senadores Catete Pinheiro, Eugenio Barros. Barros Carvalho e Pessoa de Queirós. (...)

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Fonte: Acervo da Folha de S. Paulo
[12/04/64]  Revolução definida - Editorial

Mais do que oportuna a entrevista concedida pelo ministro da Guerra, gen. Artur da Costa e Silva, a respeito da situação nacional, e mais oportuna ainda a declaração por ele feita de que o Alto Comando Revolucionaria não faz limitação alguma à imprensa, afora a que concerne à publicação de idéias subversivas ou comunistas.

Nesta revolução todos os observadores estavam sentindo, desde o inicio, a falta de uma clara definição de seu comando. Conhecendo apenas o aspecto exterior dos processos que se desenrolaram desde a sublevação do governo de Minas até a fuga do presidente Goulart, o povo entrou em verdadeiro estado de perplexidade, do que se aproveitaram vários políticos para atribuir-se glórias o prioridades.

Se desde o começo se houvesse definido o intenção dos responsáveis pelo movimento e se houvesse caracterizado, como órgão dirigente, o que depois apareceu como Alto Comando Revolucionário, é provavel que a eleição do presidente, que deve governar até o fim do atual qüinqüênio, pudesse ter sido feita mais precocemente, no mesmo tempo que se teriam evitado certas interferências políticas desnecessárias.

Não haveria o país, então, permanecido alguns dias na estranha situação em que ficou, com sua Constituição aparentemente intocada, porém violada seguidamente por autoridades civis, cada qual a se atribuir poderes ditatoriais que ninguém lhe conferira, enquanto as Forças Armadas se ocupavam em consolidar a vitória. O que estamos dizendo encontra fácil comprovação nos atos de algumas autoridades e até mesmo em violências ou tentativas de violência à imprensa.

Dai a explicação da Ato Institucional, que, estabelecendo de maneira clara responsabilidade pela Revolução, ou melhor, pela sua efetivaçãoção, dá a cada cidadão a medida exata daquilo que lhe pertence, em matéria de garantias constitucionais. Há uma norma a seguir, norma essa a que se submeterão todos os poderes, todas os Estados, todas as autoridades. E' uma limitação, sem dúvida, urna grave limitação, porém uma limitação sabida, conhecida, explicada.

E daí lambem o interes-se da entrevista do ministro da Guerra, que falou já dentro desse esquema político definido no Ato Institucional.

Dessa entrevisto cabe destacar antes de tudo a afirmação de que entre os objetivos da Revolução figura o da moralização das instituições. Outros chefes militares já o haviam dito, é certo, e este jornal repetidamente tem insistido neste ponto. A luta anticomunista é imperiosa e deve realizar-se implacavelmente, sem todavia descambar para a perseguição que, sob rotulo de anti-comunismo, se faça para fins políticos. Mas a. luta implacável contra a corrupção deve merecer igual apoio e empenho do Alto Comando Revolucionário.

E é talvez na luta contra a corrupção que o Alto Comando Revolucionário e o novo presidente terão, por assim dizer, a sua pedra do toque. Pois não hão de faltar, por este pais afora, políticos altamente corruptos que usem a luta anticomunista como expediente igual ao dos gatunos que, para mais facilmente escapar, saem correndo a gritar "ladrão"!

Administradores notoriamente desonestos estão e soltos o tentando capitalizar votos ou atrair proteção por meio de malabarismos como o que acabamos de lembrar. Não deixe o Alto Comando Revolucionário que eles se santifiquem ou se considerem remidos. Dirija lambem contra eles sua ação, não com a idéia preconcebida de destituí-los ou detê-los, mas com o objetivo de levar a bom termo a revolução, que é contra o comunismo e a corrupção.

Se não visa a revolução a grupos, como diz o ministro da Guerra, em cujas palavras devemos confiar, é lógico que cassações do mandatos e direitos devem ser examinadas com profundidade, a fim do impedir que os maus políticos., os indecisos, os omissos e também os que procrastinaram a ação do Congresso, em beneficio de interesses outros que não os da pátria, venham a sobrenadar.

Finalmente, cabe comentar a questão da liberdade de imprensa. Houve, praticamente, absoluta coesão da imprensa livre na condenação e na critica aos atos do ex-presidente Goulart. A imprensa é, pois, uma força que pode exigir respeito. Ninguém poderá fazer restrições à ação de imprensa durante as horas de intranqüilidade. Se ela repeliu a censura, quando se esboçou a possibilidade desta, manteve-se cautelosa em seu noticiário para não animar a agitação nem dar oportunidade de contragolpe aos conhecidos inimigos do país.

A imprensa tem sua tradição, tem seus princípios, tem sua missão. Por isso a ressalva que o ministro da Guerra fez à sua liberdade ("é claro que não poderá ser tolerada, por exemplo, a propaganda comunista ou o proselitismo subversivo de fundo comunista") precisa ser entendida em seus estritos termos, que são aqueles que se acham no texto mesmo da Constituição, que não permite publicação subversiva das instituições, em hipótese alguma. Fora daí, mal andaremos se a restrição implicar em cerceamento da liberdade de critica — a falta de critica poderá levar o governo a erros tremendos, que acabem isolando-o do povo ou do noticiário. Então será simples mito a liberdade de imprensa e melhor será fechar os jornais e dizer no mundo que no Brasil morreu a liberdade de manifestação do pensamento. Mas isto não acontecerá, estamos certos, porque confiamos em que Revolução se fez para reimplantar a democracia, praticamente abolida com os repetidos assaltos ao Congresso pelo ex-presidente da República e pela deslavada pregação comunista feita pelo próprio governo federal.

Outro ponto de máxima importância é a referencia à ação da Justiça. Ressalvados aqueles casos constantes do Ato Institucional, é preciso que ela tenha plena garantia de funcionamento e que ao poder dos juizes e à sua consciência não se superponha a força dos agentes policiais.

Finalmente, afirmou o ministro da Guerra que as perspectivas são boas. Tudo efetivamente faz crer que sejam. 'Ninguém pode duvidar da capacidade do trabalho e disciplina do povo e da boa vontade das chamadas classes produtoras. Muito dependerá, pelo que se vê, da própria ação do governo, do modo que este, investido de tantos poderes especiais, não perca de vista a advertência histórica de que todo poder corrompe, e o poder absoluto corrompe ao máximo. Temos agora um homem de autoridade e respeitável a dirigir os destinos do pais. Confiemos, sem renunciar jornais à nossa missão que hoje é mais do que isso, porque é dever para com a pátria, de informar e criticar, em permanente vigília.

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Leituras complementares:

Fonte: Grupo Inconfidência - Edição Histórica
[10/04/64]   Saber ganhar - por David Nasser [Edição Histórica de O Cruzeiro - Extra, de 10 de abril de 1964]

AGORA, eles sabem que a sua espada não é de pau, meu velho Capitão, e eu volto o pensamento até aquele quarto da casa paulista, onde as suas mãos trêmulas escreviam a história deste país, dizendo-me: Péter plus haut que son cul.

AGORA, eles sabem que a sua doença democrática só tinha este remédio. Deputado João Calmon, quando você, na sua admirável
teimosia, recusava todo e qualquer acordo e desfraldava a bandeira suicida. Se teríamos que morrer vergonhosamente amanhã, que morrêssemos com honra, hoje.

AGORA, eles sabem que as suas palavras não eram simples filigranas verbais, Governador Carlos Lacerda, homem afirmativo, líder másculo, democrata autêntico, brasileiro
enlouquecido de amor à sua Pátria - e que se desesperava ao vê-la conduzida ao curral das nações arrebanhadas. Meses a fio, exposto na primeira linha, combatente de
vanguarda, sabendo que a cada esquina um novo perigo o esperava, você, meu bravo companheiro, só teve um guarda-costas: Deus. O capanga divino, que com a sua infinita sabedoria enguiçava o carro do Faz-Tudo, iluminava o espírito dos coronéis, cobria de lucidez a decisão dos pára-quedistas, evitara a sua eliminação, o caminho aberto, supunham eles, para a fácil conquista de um resto de Pátria. Mas eles estavam enganados, sempre estiveram enganados, continuam enganados. Nenhum de nós era essencial, qualquer de nós, bem ou mal, seria substituído, mesmo você, grande e insubstituível Carlos Lacerda. Não se matam idéias.

AGORA, eles sabem que a sua intransigência democrática, jovem Adhemar de Barros, moço governador de uma terra indomável, agora eles sabem que a fé o rejuvenesceu, o espírito de luta o retemperou, e você, moço Adhemar, sejam quais forem os erros do passado, a todos redimiu na bravura de sua última jornada. Mil vezes você, com todos os pecados, Adhemar, diabo velho! Mil vezes você que aquele falso honrado, Jânio Quadros, até agora escondido debaixo da cama, à espera de que a última cidadela se renda, que o último homem se defina. Ah, tivéssemos nós ensarilhado as armas, tivéssemos nós tido piedade dos canalhas, tivéssemos nós permitido com o nosso silêncio que eles voltassem - e quem se encontraria, agora, no governo de São Paulo?
A cachaça cívica, o fauno de Adelaide, o entreguista Jânio Quadros, responsável primeiro pela guinada do Brasil para o Oriente, aliado dos comunistas, traidor de sua Pátria. Graças a Deus, à Providência de que nos fala Adhemar, como o instrumento divino, foi buscar no museu dos canastrões, o canastrão maior - você, velho, passado, cansado, desonrado, reabilitado, contestado, esquartejado, encarcerado, processado, libertado, envergonhado, ressuscitado, reabilitado - e agora numa demais exaltado Adhemar de Barros. A História, se alguma verdade houve no balanço dos seus erros, a História o passou por seu banheiro carrapaticida. E o futuro o julgará pela importância de sua luta na redemocratização de sua Pátria.

AGORA, eles sabem que a sua coragem não se conta pelos fios de cabelo, ó indecifrável Magalhães Pinto, mineiro silencioso, patriota humilde, general sem farda de
um dos movimentos mais perfeitos da história revolucionária. O Brasil nunca se esquecer á que o primeiro grito foi seu, o primeiro gesto de um ballet inesquecível, o primeiro
passo da longa marcha democrática.

AGORA eles sabem que os três anos de silêncio do General Mourão não significavam três anos de capitulação, mas três anos de conspiração, três anos de prudência, três anos de silêncio - para o grande despertar da nacionalidade.
Alguns generais que pareciam anestesiados - hoje o sabemos - estavam apenas de vigília. Luiz Guedes, Castello Branco, Costa e Silva, Décio Escobar, Correia de Melo, tantos generais,
tantos brigadeiros, tantos almirantes jurados na intransigente defesa da democracia brasileira.

AGORA, eles sabem que aquelas medalhas exibidas pelo General Amaury Kruel não eram de lata nem foram conquistadas noutro campo que não fosse o de honra. Eles sabem, meu bravo
Kruel, que, acima de sua fidelidade a um homem, você colocava a lealdade à sua Pátria ameaçada por um bando de canibais políticos.

SABÍAMOS, todos que estávamos na lista negra dos apátridas - que se eles consumassem os seus planos, seríamos mortos. Sobre os democratas brasileiros não pairava a mais leve esperança, se vencidos. Uma razzia de sangue, vermelha como eles, atravessaria o Brasil de ponta a ponta, liquidando os últimos soldados da democracia, os últimos paisanos da liberdade. Onde estaria Carlos Lacerda a esta hora? Onde estariam Adhemar, Calmon, Armando Falcão, Castello Branco, Mourão, Gustavo Borges, Anísio Rocha, Alkimin, Magalhães Pinto, Ney Braga, Costa e Silva, Décio Escobar, tantas, tantas vozes e tantas espadas que não se calaram, não se embainharam em todos êsses longos meses
da comunização do Brasil? Se outros fossem os vencedores, não haveria contemplação.

A VIRTUDE da democracia está em saber ganhar. Em seu nome, em nome da Democracia, não se pode permitir que a injustiça se pratique em nome da Justiça, que sejam anulados,
sem processo legal, os mandatos populares, que a Constituição seja rasgada em nome da Constituição.

TODOS sabem o desprezo vegetariano que voto a certos homens fistulizados que compunham o cerne desse Governo que caiu.
Mas - advertiu na sua cristalinidade política o próprio Governador da Guanabara - um democrata autêntico não odeia um homem, odeia uma idéia. Odeia, não a figura ridícula de um
Ministro comendo feijoada e bebericando enquanto a lama corria sob os pés de um regime vilipendiado.
Odeia, não os gestos febris de um adolescente político saído de uma taba espiritual para a Casa Civil da Presidência.
Odeia, não aquelas figuras tenebrosas do CGT, aqueles pobres moços ensandecidos da UNE, aqueles sargentos equivocados, mas tudo o que a idéia que eles defendiam, honesta ou estùpidamente, representava. NÃO é porque eram criminosos, que em criminosos vamos nos transformar. Não é porque representavam o totalitarismo, a radicalização, o que de mais vergonhoso, mais sórdido, mais brutal e mais brasileiro pudesse existir no Brasil que devemos nós, os democratas, pedir-lhes as armas e as usar com a mesma ausência de liberalidade
democrática. O que nos diferencia deles é justamente isto. O mesmo que diferencia a carniça que eles são do abutre que não somos.

NÃO significa que os criminosos não devam ser punidos nem os responsáveis irresponsabilizados. Significa que cada um pague pelo que fez, não pelo que foi. Ninguém tem culpa de ter sido Ministro de um Governo legalmente eleito, constitucionalmente organizado.
Ninguém tem culpa de ter sido Ministro de João Goulart, nem mesmo o Senhor Abelardo Jurema.

O QUE me enoja não é ver os ratos fugirem do navio que se afunda, mas aqueles que ontem lhes comiam a comida, ajudar a matá-los.

PARTE o Senhor João Goulart para Porto Alegre, para o Uruguai, para a Espanha, sem o meu ódio. Nunca consegui odiá-lo e até hoje - permita-se a um adversário de suas idéias
e de seus métodos confessar após o crepúsculo de um deus que tinha os pés de barro não o consigo odiar. Vejo-o ainda, no seu pequeno trono do Alvorada, como um pobre homem,
incapaz de governar, de distinguir amigos de aproveitadores, inimigos de oponentes.

CAIU porque em seu espírito engarrafado pela mediocridade mais positiva deste País, nunca deixou de existir o estancieiro que contava os aliados como quem conta o gado no curral.

CAIU porque acreditou que aqueles que lhe faziam planos de continuísmo, acenando com o poder sindical, com o dispositivo militar, acreditavam no que diziam. E lutariam por tudo aquilo que o Senhor João Goulart acreditava. Mas o Senhor João Goulart não acreditava realmente em nada. A não ser na sua boa estrela, que era a estrela vermelha.

RECUSO-ME a pisar sobre os cadáveres morais desses homens sobre os quais, com o risco da própria vida, dentro das limitações que me eram impostas por uma organização
que êles ameaçavam destroçar, tantas vezes caminhei pela estrada que nos conduzia ao imprevisto de um fim melancólico ou de uma liberdade sonhada.

NÃO será em nome dessa liberdade conquistada que iremos tripudiar sobre os vencidos. Aqueles que eram comunistas, continuarão a sê-lo, talvez com menos esperança.
Aqueles que eram os pobres enganados dessa República talvez abram os olhos, os vencedores não procederem com a mesma fúria, o mesmo despotismo, a mesma insensibilidade
daqueles que nem por isto deixaram de ser brasileiros e possivelmente democratas equivocados.
A compreensão e a justiça talvez os ajudem a abrir os olhos.

WILSON FIGUEIREDO conta que, em plena ocupação do velho órgão da Condessa, um fuzileiro pediu para telefonar para a mulher a quem não via há três dias de longa e sofrida
prontidão. Não apenas deixaram o invasor telefonar, mas serviram um cafezinho bem brasileiro. Nesse momento, também, o Brasil estava voltando a ser brasileiro.

POIS é esse cafezinho brasileiro que devemos servir aos que erraram por acreditar demais ou erraram por acreditar de menos. Respeitemos as suas famílias, as suas idéias
falsas, e apuremos apenas os seus possíveis crimes. A menos que voltem a ser inimigos, a se constituírem em vírus vivos - os inimigos vencidos deixam de ter nomes.

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Fonte: Wikipédia, a enciclopédia livre.
David Nasser

David Nasser (Jaú, 1 de janeiro de 1917 Rio de Janeiro, 10 de dezembro de 1980) foi um compositor e jornalista brasileiro.

Biografia
História

Era filho de imigrantes libaneses. Logo criança mudou-se para Caxambu em Minas Gerais, onde fazia carretos com charrete, onde conheceu sem saber Francisco Alves. Um dia mudou-se para o Rio de Janeiro, onde começou como mascate e depois vendedor de loja.

Na cidade maravilhosa, sofreu bastante e acabou se reencontrando com Francisco Alves, daí em diante sua carreira foi decolando, pois Francisco Alves, se interessou pelos seus versos e acabou os musicando.

Carreira

Como teve meningite quando criança, dedicou-se a ler e escrever estórias.[1] Começou a trabalhar aos 14 anos, em 1934 como contínuo das empresas Diários Associados de Assis Chateaubriand. O conglomerado jornalístico reunia no mesmo prédio a redação dos jornais "Diário da Noite" e "O Jornal", e a revista "O Cruzeiro".[1]

Aos poucos, tornou-se jornalista das empresas dos Diários Associados.[1] Iniciou-se profissionalmente depois do golpe do Estado Novo de Getúlio Vargas em 1937.

Nos Diários Associados, criou Giselle - A Espiã Nua Que Abalou Paris, espiã fictícia Giselle Monfort tratada como real pelo jornal Diário do Norte, a personagem teve uma série bastante popular de livros de bolso.[2]

Foi contratado, em 1936, pelo jornal "O Globo" dirigido por Roberto Marinho. Saiu em 1943 insatisfeito por não poder realizar ou assinar reportagens importantes.[1]

Em 1940, ele estoura com um sucesso incrível da música Nêga do Cabelo Duro, e se torna compositor de vários sambas, e sambas canção.

Foi trabalhar, em 1943, na revista "O Cruzeiro" que se tornava, então, a revista brasileira mais popular dos anos 1940 e 1950. As reportagens que fez em parceria com o fotógrafo Jean Manzon de 1943 a 1951 foram fundamentais para o sucesso de vendas da revista cuja tiragem atingiu níveis inesperados para a época.[3] David Nasser e Jean Manzon tornaram-se então a mais famosa dupla de repórter-fotógrafo do Brasil.

Ganhou notoriedade por realizar vários trabalhos conhecidos como "grande reportagem", forma de reportagem que misturava de pesquisa de campo, opinião do jornalista, pedaços de entrevistas e muitas fotografias de alta qualidade técnica. Ocorria assim uma valorização do repórter que conhecia as pessoas e os locas de onde vinha a notícia como a principal figura da redação, em detrimento dos editorialistas e articulistas. A "grande reportagem" tornou-se bastante popular no Brasil dos anos 40 quando foi usada pelos jornais para driblar a censura da ditadura de Getúlio Vargas.

Apoiou a ditadura militar no Brasil (1964-1985) e teve amigos influentes nos seus diversos governos.

Deixou a revista "O Cruzeiro" em 1975, quando esta já estava em decadência. Dizia que sofria pressões para seguir pautas dadas pela direção da revista. Seu pedido de demissão foi noticia de repercussão nacional. Escreveu uma carta aberta intitulada "Por que deixei o velho barco" na qual atacava João Calmon, o diretor dos Diários Associados.[1]

Em fevereiro de 1976 foi trabalhar na revista Manchete, que tinha o mesmo estilo da "O Cruzeiro", seguindo um convite de Arnaldo Niskier. Lá continuou a escrever artigos atacando João Calmon, seu antigo chefe. Recorria aos amigos influentes no governo da Ditadura Militar pedindo para acelerar os processos judiciários civis que abriu contra seus antigos empregadores.[1]

Em Pentagna, distrito do município de Valença (RJ) o grande jornalista David Nasser possuía uma residência, que ainda existe, junto a colônia de férias dos servidores do estado do Rio de Janeiro, bem como uma outra junto a cachoeira, que ainda hoje pertence a seus familiares.

Morreu doente de diabetes e câncer no pâncreas.[1]

Morou no bairro da Aldeia Campista no Rio de Janeiro e fez parceria com inúmeros compositores de música popular da região.

Reportagens famosas

As versões de David Nasser sobre pequenos e grandes fatos nem sempre refletiam a realidade. Aumentavam e criavam fatos apenas para aumentar a venda de "O Cruzeiro".[1]

Barreto Pinto sem máscara

O deputado federal Barreto Pinto foi entrevistado e deixou-se fotografar em seu gabinete e numa banheira, vestido de fraque e cartola, mas sem as calças (de cuecas samba-canção). O caso resultou na cassação do deputado.[1]

Chico Xavier, detetive do além

Em 1944 viajou para Pedro Leopoldo com o intuito de entrevistar Chico Xavier. À época, a família de Humberto de Campos movia uma ação contra Chico Xavier pelo fato deste publicar obras psicografadas como sendo de autoria do falecido escritor. Como não conseguia ser atendido por Chico Xavier, fingiu ser estrangeiro, o que também serviria para testar se de fato o médium se comunicava com espíritos.

A história acima, de veracidade discutível, é um exemplo de que a opinião de David Nasser é importante até nos dias de atuais. A verdade é conseguiu fazer uma reportagem não muito simpática com o extremamente retraído médium Chico Xavier, a qual foi publicada em "O Cruzeiro".[4]

A briga com Brizola

Em 1963, David Nasser foi agredido pelo então deputado federal Leonel Brizola no Aeroporto do Galeão. O que motivou a agressão foi um artigo escrito por Nasser na revista "O Cruzeiro" com pesadas ofensas ao ex-governador gaúcho e fluminense."[5]

Morreu Jean Manzon

David Nasser e o fotógrafo Jean Manzon forjaram uma reportagem sobre a morte do próprio Jean Manzon.[1] Foi apenas um brincadeira de mau gosto que ajudou bastante as vendas de "O Cruzeiro".

Japoneses e Chineses

Em 1945, a dupla David Nasser e Jean Manzon publicou em "O Cruzeiro" uma matéria ilustrada na qual pretendiam ensinar aos brasileiros a distinguir um japonês de um chinês. David Nasser escreveu, entre outras coisas, que o japonês podia ser distinguido pelo "aspecto repulsivo, míope, insignificante".[6][7]

Livros Publicados