WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Janeiro 2013              


08/01/13

• Governo Dilma Schwarzenegger (ops!), Rousseff: Exterminando o futuro (2) - "Mais voluntarismo" e "Mais um ano de inflação"

Nota de Helio Rosa:
01.
Em 03 de janeiro de 2012, escrevi a Nota abaixo, em itálico. Para atualizá-la, basta trocar a expressão "primeiro ano" por "segundo ano".

"Na minha opinião, Dilma, em seu primeiro ano, fez um governo chinfrim, pífio. Super-poderosa, poderia ter feito muito mais.
E explico: Dilma está no governo desde 2002 quando participou da equipe de transição FHC-Lula. Esteve sempre na cúpula das decisões, primeiro como ministra das Minas e Energia e depois como ministra-chefe da Casa Civil, desde 2005.
A lenda conta que "Dilma presidente" é uma "criatura", uma invenção de Lula. Pode ser, em parte, mas "Dilma presidente" viabilizou-se devido à sua própria determinação de chefiar a nação. Um coisa é certa: não é a coitadinha que foi obrigada a aceitar uma ordem do chefe para subir ao cadafalso e candidatar-se.
Moveu-se uma enorme e caríssima máquina governamental para sua eleição, com uma atuação de Lula presidente e seus recursos muito além dos limites da legalidade e da moralidade.
Outra lenda lenda diz que Dilma é neófita, caloura, recruta e lhe foi dado um crédito muito grande por isso. Mas não é. Provavelmente não havia nenhuma pessoa tão bem preparada para fazer um "governo tipo PT". Dilma sabe tudo do estilo PT de governar. E até o momento ninguém, nem ela própria, desmentiu que com ela o "projeto do PT" chegou ao poder, como afirmou Dirceu.
O povão não, mas nós, leitores de jornais, razoavelmente informados, sabemos que existem duas formas de "perpetuar-se" (ou quase) no poder: governar para o povo, com honestidade, seriedade, com eficiente planejamento e consequente realizações, com as melhores cabeças do país, ou fazer um "governo tipo PT", desmoralizando as instituições para poder cooptá-las ou aliciá-las para atingir seus objetivos nefastos, usando para tal pessoas despreparadas escolhidas entre amigos, sindicalistas e "companheiros". É o que estamos vendo, um governo dito "de coalizão", que seria melhor definido como "governo de corrupção". O PT chegou ao poder e vai "perpetuar-se" se a sociedade organizada continuar se omitindo. É preciso Resistir!
Não, não estou tentando "derrubar Dilma", quero apenas que ela, simplesmente, governe para o povo e não para o PT.


02.
É fartamente sabido que Lula não lê jornais e todas as informações lhe chegam através de terceiros. Sabe-se também que isto o torna uma pessoa vulnerável e influenciável.
Minha opinião de que "Dilma candidata" criou-se por vontade própria dela e que não foi apenas uma "invenção" de Lula, é baseada em dados concretos.
Recorto este trecho de uma matéria da Revista Piauí sobre a trajetória de Dilma:
(...) Um levantamento feito pelo gabinete pessoal do presidente mostra que, desde que assumiu a Casa Civil, em junho de 2005, até o dia 17 do mês passado (julho 2009) - somando-se os despachos entre ela e o presidente, reuniões com outros ministros, audiências com gente de fora, cerimônias, viagens, cafés da manhã, almoços e jantares -, a ministra e o presidente estiveram juntos 1 093 vezes. Em 49 meses, é uma média de mais que um encontro por dia útil. As reuniões entre o presidente e a ministra, sozinhos, foram 144 - três por mês. (...)

É sabido também que Dilma candidatou-se e elegeu-se com "o nariz torcido do PT", que teve que ceder à vontade e determinação de Lula.
Era minha expectativa que, em algum momento, Dilma traria à tona seu próprio "projeto de governo".
Passaram-se dois anos e nada indica que este projeto exista. Aparentemente, ela deixou-se levar pela correnteza e agora tem apenas um "projeto de poder" e, deste modo, serve momentaneamente ao PT, que passou a considerá-la como "seu projeto".
Dilma continua uma esfinge, com a da lenda mitológica ("decifra-me ou te devoro"): é a titular do Governo e não governa ou governa mal; trabalha muito e não produz resultados satisfatórios. O Brasil ainda não consegui decifrar Dilma Rousseff e corre o risco de ser devorado pelo seu voluntarismo e dificuldade de reunir em torno de si, pessoas realmente competentes para ajudá-la governar o país.
O Brasil, como todas as nações, nestes tempos globalizados, deve ser gerenciado como uma mega-empresa, em que a população configura-se como seus acionistas. O povo quer resultados: empregos, segurança pública, educação, saúde e infraestrutura.

A ala do PT que ainda não apodreceu precisa tomar as rédeas do partido e trazê-lo de volta aos fundamentos éticos. Dilma precisa "comprar esta briga" de moralizar o PT.
Dilma precisa começar a governar, efetivamente, para o povo. Precisa desaparelhar o governo e exterminar a corrupção. Precisa decifrar-se e construir hoje o Brasil do futuro.
Criticar e "resistir", é a nossa contribuição!

03.
Transcrevo abaixo duas matérias:
Leia na Fonte: Estadão
[02/01/13]  Mais voluntarismo - por Rolf Kuntz
Recorte:
"A presidente Dilma Rousseff começa o terceiro ano de mandato sem Orçamento aprovado, com a economia emperrada e a inflação ainda longe de 4,5%, meta muito mais alta que a de outros países bem mais dinâmicos. O cenário mundial continua ruim, com a Europa estagnada e a recuperação americana em perigo, mas o governo brasileiro, se tiver juízo, deverá abandonar a ilusão dos últimos dois anos: será inútil confiar no mercado interno como fator de crescimento, se a indústria permanecer incapaz de responder à demanda dos consumidores. Os grandes beneficiários do estímulo serão mais uma vez os produtores estrangeiros, além de alguns setores sempre favorecidos pelas autoridades.
O governo encerrou 2012 com promessas de tempos melhores, mas sem formular, pelo menos em público, sequer um bom propósito de ano-novo. Ao contrário: aceitou sem espernear a decisão dos parlamentares de jogar para fevereiro a votação do Orçamento. O adiamento, disse a presidente, foi decidido com a concordância do governo. A história é um tanto intrigante, porque o atraso impediria o governo de investir. A solução encontrada foi a edição da Medida Provisória n.º 598. Objetivo: liberar R$ 42,5 bilhões para investimentos desde o início do ano.(...) Ler mais

Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[07/01/13]  Mais um ano de inflação
Recorte:
"O governo promete mais crescimento e menos inflação em 2013, mas sua prioridade será, com certeza, o cumprimento da primeira promessa. O estilo de jogo, tudo indica, será o mesmo dos últimos dois anos, com mais estímulos ao consumo e algum esforço para impulsionar o investimento. A presidente Dilma Rousseff e sua equipe tratarão a alta de preços como assunto secundário, como até agora, e cuidarão apenas de manter o resultado final abaixo de 6,5%, limite de tolerância fixado na política de metas. Se esse roteiro for cumprido, o quarto ano de mandato será iniciado com um potencial de crescimento ainda medíocre e um quadro de preços muito pior que o das economias mais produtivas - emergentes ou industrializadas. (...) Ler mais
HR


Leia na Fonte: Estadão
[02/01/13]  Mais voluntarismo - por Rolf Kuntz

A presidente Dilma Rousseff começa o terceiro ano de mandato sem Orçamento aprovado, com a economia emperrada e a inflação ainda longe de 4,5%, meta muito mais alta que a de outros países bem mais dinâmicos. O cenário mundial continua ruim, com a Europa estagnada e a recuperação americana em perigo, mas o governo brasileiro, se tiver juízo, deverá abandonar a ilusão dos últimos dois anos: será inútil confiar no mercado interno como fator de crescimento, se a indústria permanecer incapaz de responder à demanda dos consumidores. Os grandes beneficiários do estímulo serão mais uma vez os produtores estrangeiros, além de alguns setores sempre favorecidos pelas autoridades.

O governo encerrou 2012 com promessas de tempos melhores, mas sem formular, pelo menos em público, sequer um bom propósito de ano-novo. Ao contrário: aceitou sem espernear a decisão dos parlamentares de jogar para fevereiro a votação do Orçamento. O adiamento, disse a presidente, foi decidido com a concordância do governo. A história é um tanto intrigante, porque o atraso impediria o governo de investir. A solução encontrada foi a edição da Medida Provisória n.º 598. Objetivo: liberar R$ 42,5 bilhões para investimentos desde o início do ano.

Os artigos 62 e 167 da Constituição proíbem a edição de medidas provisórias (MPs) sobre matéria relativa a planos plurianuais, orçamentos e abertura de créditos extraordinários, exceto para "atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como as decorrentes de guerra, comoção interna ou calamidade pública". Qual dessas condições é aplicável ao caso, especialmente depois de ter o governo concordado com o adiamento da votação?

Essa MP é prenúncio de mais um ano de política econômica voluntarista, conduzida a partir do Palácio do Planalto. Só os frequentadores do gabinete podem dizer como são dadas as ordens, mas os resultados são inequívocos. O investimento encolheu, a produção industrial diminuiu e os estímulos mal dirigidos foram um fracasso. Ao mesmo tempo, ajuste cambial e mais barreiras foram insuficientes para impedir a piora do saldo comercial. Longe de ser um luxo, um amplo superávit na conta de mercadorias é essencial para o Brasil, por causa do déficit estrutural da balança de serviços.

Para o novo ano o Banco Central (BC) projeta um superávit comercial de US$ 17 bilhões, inferior ao de 2012. Estima-se exportação de US$ 268 bilhões, com crescimento de apenas 4,7% em dois anos (sim, dois anos). As projeções do mercado financeiro são mais magras, com o saldo comercial estimado na vizinhança de US$ 15 bilhões. Se houver alguma recuperação do comércio global, em 2013, deverá ser muito lenta. A Organização Mundial do Comércio divulgou, recentemente, uma projeção de 4,5%, mas até esse número pode ser muito otimista, segundo técnicos da área.

Para os brasileiros os motivos de preocupação vão muito além dessas estimativas. No trimestre final de 2012 a presidente Dilma Rousseff acrescentou a palavra "competitividade" a seus pronunciamentos habituais. Esse reforço vocabular foi usado na apresentação dos novos planos de logística.

Esses planos incluem um novo convite ao setor privado para investir em rodovias, ferrovias, portos e aeroportos - ideia incorporada pelo governo depois de muita resistência. Os investimentos só sairão, naturalmente, se houver realismo nas condições de concessão e de parceria.

Parte importante dos projetos nas áreas de transporte e energia ainda depende, no entanto, diretamente do governo e de suas empresas. De janeiro a novembro o Tesouro investiu 22,8% mais que no ano anterior, segundo a última demonstração de contas do governo central. Mas o valor desembolsado continua inferior a 60% da provisão orçamentária, inclui financiamentos imobiliários e corresponde, em boa parte, a restos a pagar. Além disso, a qualidade dos projetos e de sua execução é muito baixa. Sobra voluntarismo e falta competência na estratégia e na gestão de projetos. Não basta recorrer a truques para liberar R$ 42,5 bilhões, quando o governo é incapaz de usar bem os recursos, nem oferecer benefícios fiscais temporários e localizados, se o sistema tributário ainda onera o investimento, a produção e a exportação. Quanto aos juros, continuarão reduzidos se a inflação permanecer longe da meta?

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Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[07/01/13]   Mais um ano de inflação

O governo promete mais crescimento e menos inflação em 2013, mas sua prioridade será, com certeza, o cumprimento da primeira promessa. O estilo de jogo, tudo indica, será o mesmo dos últimos dois anos, com mais estímulos ao consumo e algum esforço para impulsionar o investimento. A presidente Dilma Rousseff e sua equipe tratarão a alta de preços como assunto secundário, como até agora, e cuidarão apenas de manter o resultado final abaixo de 6,5%, limite de tolerância fixado na política de metas. Se esse roteiro for cumprido, o quarto ano de mandato será iniciado com um potencial de crescimento ainda medíocre e um quadro de preços muito pior que o das economias mais produtivas - emergentes ou industrializadas.

O Banco Central (BC) mantém as projeções mais otimistas: inflação de 4,8% em 2013 e 4,9% em 2014, segundo o último relatório trimestral de inflação. No fim de dezembro, a estimativa do mercado financeiro para este ano chegou a 5,5%, de acordo com a pesquisa Focus, realizada semanalmente pelo BC. Essas previsões se referem ao Índice Geral de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), usado como referência para a política monetária.

A inflação deverá ser contida, segundo as autoridades, pela conjunção de alguns fatores externos e internos. A economia global continuará em marcha lenta e os preços internacionais dos produtos agrícolas e de outras matérias-primas deverão acomodar-se ou, em alguns casos, recuar. Internamente, o crescimento econômico será maior que em 2012, mas o aumento dos salários e do crédito será moderado e, além disso, o governo alcançará a meta fiscal sem ajuste, isto é, sem recorrer ao desconto do valor investido no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

O aumento de 9% para o salário mínimo, a partir de 1.º de janeiro, põe parcialmente em xeque uma das hipóteses do BC. A elevação real certamente supera, com folga, qualquer ganho de produtividade imaginável, mesmo com muito esforço, para o ano passado. Moderação no crédito é algo para ser conferido, nos próximos meses, mas nada permite supor, até agora, um padrão diferente do observado nos últimos anos. Quanto à política fiscal, provavelmente continuará expansionista, confirmando uma avaliação do próprio BC.

No fim do ano o governo confirmou a intenção de manter a política de estímulo fiscal ao consumo. Está prevista uma redução gradual do incentivo, mas o governo cedeu a pressões dos setores mais favorecidos, nos dois últimos anos, e poderá ceder de novo em 2013 e esticar os benefícios. Quanto aos investimentos, são muito menos certos, embora o Tesouro já esteja comprometido com mais créditos subsidiados para o BNDES.

Os indicadores de preços continuaram subindo vigorosamente no último bimestre e nada aponta para um arrefecimento significativo em 2013. As cotações das matérias-primas voltaram a subir, depois de um breve arrefecimento, como apontaram tanto a Fundação Getúlio Vargas (FGV) como o IBGE. Em dezembro, em 14 das 23 atividades da indústria de transformação cobertas pela pesquisa oficial houve alta de preços ao produtor. O IPC-S, o índice de preços ao consumidor atualizado semanalmente pela FGV em sete capitais, subiu 0,66% na última quadrissemana de dezembro e 5,74% no ano. Para 2013, a projeção é de um aumento de 5,4%.

Economistas de várias instituições de pesquisa têm procurado avaliar os efeitos positivos e negativos de alguns eventos esperados - reajustes de preços de combustíveis, aumentos de tarifas de ônibus e redução das contas de eletricidade. Essas contas podem ser muito interessantes, mas o fator decisivo é de outra ordem: qualquer aumento de preço pode gerar um amplo efeito de contágio simplesmente porque as condições da demanda são favoráveis. Essas condições dependem do nível de emprego, da massa de salários e dos gastos públicos. Isso explica a ampla difusão da alta de preços nos últimos dois anos e a persistência da inflação elevada. No fundo da cena está a política de tolerância. Esse quadro, tudo indica, deve manter-se em 2013.