WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Janeiro 2013              


09/01/13

• Governo Dilma Schwarzenegger (ops!), Rousseff: Exterminando o futuro (3) - Estadão: "O declínio da Petrobrás" + O Globo: "Política externa é a do partido"

Nota de Helio Rosa:
Transcrevo estas matérias:
01.
Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[07/01/13]  O declínio da Petrobrás - Editorial Estadão
Recorte para degustação:
"A Petrobrás deve ter registrado, em 2012 - os dados finais ainda não foram coligidos -, a terceira queda de produção de petróleo em 59 anos de operação. Também no ano passado, no segundo trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 1,35 bilhão, o primeiro resultado negativo em 13 anos. Financeira e tecnicamente incapaz de realizar todos os investimentos que programou, sobretudo por pressão política do governo Lula, a empresa negligenciou aplicações em áreas essenciais para a geração de recursos necessários à sustentação desses programas, especialmente a de produção. O declínio é a consequência natural do modelo de gestão imposto pelo governo lulo-petista à empresa. (...) Ler mais

02.
Leia na Fonte: Noblat / O Globo
[08/01/13]  Política externa é a do partido - Editorial O Globo
Recorte:
(...) "Se americanos e europeus chegarem a um acerto entre eles de liberalização comercial, o Brasil terá muito poucas alternativas de parceria de peso. E para piorar o cenário, o Mercosul, depois da expulsão extemporânea do Paraguai, para viabilizar a entrada da Venezuela chavista, começa a ser absorvido pela Alba, símbolo do atraso (além de venezuelanos, congregam-se na associação cubanos, nicaraguenses, etc.).
Enquanto isso, desponta na região a Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia), parceira mais amigável e estável para o mundo do comércio e negócios.
O preço da volta da diplomacia companheira pode ser a definitiva subordinação do Brasil aos desígnios chineses. Seremos exportadores eternos de matérias-primas e compradores perenes de manufaturados.
Ironia, pois esta dependência era denunciada pelas esquerdas no século passado."  Ler mais

HR
 


Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[07/01/13]  O declínio da Petrobrás - Editorial Estadão

A Petrobrás deve ter registrado, em 2012 - os dados finais ainda não foram coligidos -, a terceira queda de produção de petróleo em 59 anos de operação. Também no ano passado, no segundo trimestre, a empresa registrou prejuízo de R$ 1,35 bilhão, o primeiro resultado negativo em 13 anos. Financeira e tecnicamente incapaz de realizar todos os investimentos que programou, sobretudo por pressão política do governo Lula, a empresa negligenciou aplicações em áreas essenciais para a geração de recursos necessários à sustentação desses programas, especialmente a de produção. O declínio é a consequência natural do modelo de gestão imposto pelo governo lulo-petista à empresa.

A primeira queda de produção da Petrobrás ocorreu em 1990, no primeiro ano do governo Collor, que desorganizou a economia brasileira; a segunda, em 2004, no governo Lula, foi provocada por problemas de manutenção e atraso na entrega de equipamentos. A do ano passado é a síntese de um conjunto de problemas que a empresa acumulou desde a chegada do PT ao poder, em 2003. Desses problemas se destacam o loteamento de cargos entre aliados políticos, o estabelecimento de metas irreais de produção, o encarecimento brutal das obras de refinarias, o atraso nos serviços de manutenção das plataformas e na entrega de equipamentos para a exploração do pré-sal e, nos poços já em exploração, notável queda de eficiência operacional.

As consequências são graves. Como mostrou o jornal Valor (7/1), com base em dados da Agência Nacional do Petróleo, a produção diária média de óleo e condensado em agosto de 2012 foi de 2,006 milhões de barris, inferior à média de agosto de 2011, de 2,052 milhões de barris. Descontada a produção dos novos poços que entraram em operação no período, de 500 mil barris diários, constata-se que a produção dos poços antigos diminuiu 26,6%, ou mais de um quarto, entre um ano e outro, bem acima da média histórica de redução, de 7% a 10% ao ano.

Estima-se que, só com a queda da produção de petróleo da Bacia de Campos, a Petrobrás tenha perdido cerca de R$ 7 bilhões no ano passado. A rápida queda da produção dos campos em exploração levou a empresa a anunciar, em meados do ano passado, um programa de aumento de eficiência dessas unidades, que foi incluído em seu Plano de Negócios 2012-2016.

Trata-se de uma tentativa de correção dos efeitos nocivos da decisão, tomada na gestão anterior da empresa, chefiada por José Sérgio Gabrielli, de - como queria o governo Lula, por interesse político-eleitoral - concentrar investimentos na área do pré-sal, o que reduziu as disponibilidades para aplicações em manutenção e recuperação de equipamentos dos poços já em exploração e para o aumento da capacidade de refino da empresa.

Por causa da queda da produção, que talvez não seja revertida em 2013, e da estagnação por muitos anos de sua capacidade de processar o petróleo, a Petrobrás passou a importar diesel e gasolina em volumes crescentes, às vezes superiores à capacidade da empresa de distribuir adequadamente os derivados, o que provocou a escassez temporária em algumas regiões do País. Pior ainda, do ponto de vista financeiro, essa prática tem sido altamente danosa à empresa, por causa da contenção dos preços dos combustíveis no mercado interno, que aumenta a defasagem em relação aos preços internacionais. A Petrobrás compra a preços do mercado internacional, mas vende mais barato do que paga, o que só pode resultar em perdas.

Com a produção em queda e a capacidade de refino estagnada, diante de um mercado em constante crescimento, e ainda acumulando prejuízos por causa da política de preços de combustíveis do governo, a Petrobrás reviu metas, congelou diversos programas de investimentos, vem tentando vender ativos no exterior e tem sua imagem cada vez mais corroída no mercado. Na atual gestão, chefiada por Graça Foster, parece ter abandonado a prática de vender ilusões. No ano passado, o primeiro à frente da diretoria da empresa, Graça Foster diz ter feito a "arrumação da casa". 2013 deverá ser o ano de "acomodação". Se for, pelo menos a Petrobrás não ficará pior.

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Leia na Fonte: Noblat / O Globo
[08/01/13]  Política externa é a do partido - Editorial O Globo

Antes de tomar posse, a presidente eleita Dilma Rousseff concedeu a famosa entrevista ao “Washington Post” em que marcou um distanciamento do seu governo em relação à teocracia iraniana dos aiatolás e de Ahmadinejad, tratado pelo ainda presidente Lula como aliado de primeira grandeza, dentro da estratégia companheira de praticar uma diplomacia terceiro-mundista à década de 60.

A indicação de Dilma foi dada no contexto da ameaça do regime persa à viúva Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento, devido a um suposto adultério, pena criticada, corretamente, pela presidente eleita.

Seguiu-se àquela sinalização positiva uma outra, no início do governo, quando o Brasil votou a favor de o Conselho de Direitos Humanos da ONU investigar o Irã.

Foi só. A esperada mudança na diplomacia companheira, para o Itamaraty retomar a linha histórica de posicionamento externo independente do Brasil, não ocorreu, e hoje isto é claro com a posição assumida pelo governo, segundo declarações do assessor especial da presidência, Marco Aurélio Garcia, de sancionar qualquer interpretação da Constituição venezuelana que deem os chavistas.

No caso, prorrogar o governo de Chávez para além de amanhã, quando ele deveria tomar posse em mais um mandato. Sintomático que o anúncio da decisão do governo tenha sido feito por Garcia, líder do PT atuante na política externa, e não pelo ministro Antonio Patriota.

Assim como Lula adotou a diplomacia companheira para aquietar alas à esquerda do PT desgostosas com a manutenção da política econômica da Era FH, Dilma pode fazer o mesmo como forma de compensar atitudes que desagradem a comissários.

Por exemplo, não intervir no julgamento do mensalão. E o país pagará um preço.

Como pagou pelo fato de Lula abraçar um terceiro-mundismo esclerosado: em nome dele, o Brasil embarcou, sem “plano B”, na Rodada de Doha, de abertura do comércio mundial, e, por isso, recusou-se a negociar a Alca com os americanos. Doha naufragou, e o país ficou engessado no Mercosul, enquanto perde o bonde histórico dos acordos bilaterais.

Se americanos e europeus chegarem a um acerto entre eles de liberalização comercial, o Brasil terá muito poucas alternativas de parceria de peso. E para piorar o cenário, o Mercosul, depois da expulsão extemporânea do Paraguai, para viabilizar a entrada da Venezuela chavista, começa a ser absorvido pela Alba, símbolo do atraso (além de venezuelanos, congregam-se na associação cubanos, nicaraguenses, etc.).

Enquanto isso, desponta na região a Aliança do Pacífico (México, Peru, Chile e Colômbia), parceira mais amigável e estável para o mundo do comércio e negócios.

O preço da volta da diplomacia companheira pode ser a definitiva subordinação do Brasil aos desígnios chineses. Seremos exportadores eternos de matérias-primas e compradores perenes de manufaturados.

Ironia, pois esta dependência era denunciada pelas esquerdas no século passado.