WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Janeiro 2013             


11/01/13

• Governo Dilma Schwarzenegger (ops!), Rousseff: Exterminando o futuro (5) - Estadão: "Inflação, estagnação e teimosia" + Rabello: "A negação como método"

Nota de Helio Rosa:
Transcrevo estas matérias:
01.
Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[11/01/13]  Inflação, estagnação e teimosia - Editorial Estadão
Recortes:
(...) O fato mais grave é a combinação desastrosa de inflação alta e crescimento baixo. Desde 2005 a meta de inflação é de 4,5%, bem mais alta que a da maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir de 2006 a margem de tolerância diminuiu de 2,5 pontos porcentuais para 2, mas continuou muito ampla. Outros países cresceram muito mais com alta de preços muito menor.(...)
(...) No Brasil, tudo indica mais um ano com aumentos de preços além da meta, alimentados pelo crédito fácil e pela gastança pública, e sem nenhum benefício para o crescimento econômico." Ler mais

02.
Leia na Fonte: Estadão / Blogs / João Bosco Rebello
[10/01/12]  A negação como método – do PT ao governo - João Bosco Rebello
Recorte:
(...) Ocorre assim na infraestrutura, em que a privatização é inevitável; no setor elétrico, em que são notórios os problemas; e, agora, com a frustração das principais metas econômicas. Abre-se, no primeiro caso, negociações envergonhadas e insuficientes com parceiros privados, adotando-se eufemismos para tal; nega-se qualquer problema, no segundo caso; e, maquia-se operações para salvar números não alcançados, no terceiro caso.
A constatação revela a predominância da estratégia de comunicação partidária sobre a do governo, misturando objetivos e conveniências dissociados do interesse público e, mesmo, daquilo que poderia ser mais eficaz para o próprio Planalto. O PT quer preservar velhas e abatidas lideranças e manter a fantasia do marketing que o fez, tempos atrás, o único partido ficha limpa do País. É passado.
Já governos lidam com a realidade. Uma coisa é o discurso ideológico surrado, em que divergências são rotuladas de conservadorismo, a serviço de uma eficiência eleitoral. Outra é a capacidade de administrar essa pressão de conteúdo anacrônico e encontrar seu modus operandi para governar “apesar disso”. Essa é a premissa para os avanços pretendidos pela presidente Dilma em 2013.(...) Ler mais
HR


Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[11/01/13]  Inflação, estagnação e teimosia - Editorial Estadão

O Brasil completou mais um ano com inflação bem acima da meta e crescimento econômico pífio - desempenho muito pior que o da maior parte dos emergentes e até inferior ao de alguns países desenvolvidos ainda em crise. O principal padrão de referência da política oficial, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 5,84% e poderia ter subido mais, sem a redução temporária do IPI sobre carros.

O indicador mais restrito, o INPC, referente aos gastos de famílias com ganho mensal de até cinco salários mínimos, aumentou 6,2%. Ruim para todos os trabalhadores, a evolução dos preços foi particularmente cruel, portanto, para os grupos de baixa renda. Mas o discurso-padrão do governo exclui o reconhecimento dos fracassos. O presidente do Banco Central (BC), Alexandre Tombini, festejou o resultado melhor (de fato, menos ruim) que o de 2011, quando o IPCA se elevou 6,5%, e garantiu para 2013 uma nova redução.

Não deixou, no entanto, de tentar uma explicação mal-ajambrada para os 5,84%. No segundo semestre, segundo ele, houve choques de preços agrícolas, "entre outros fatores". Mas a perspectiva de um mercado agrícola mais acomodado havia sido, desde agosto de 2011, um de seus principais argumentos para justificar o corte dos juros. Mais do que nunca está claro: o corte de juros foi mais uma ação determinada pelo voluntarismo da presidente Dilma Rousseff.

Quanto aos preços dos alimentos, realmente impulsionaram a inflação, mas o fator mais importante foi o descompasso entre a demanda de consumo e a capacidade de oferta da economia. Houve aceleração de aumentos em seis dos nove grandes componentes do IPCA, em dezembro, e a variação do conjunto, no mês, foi a maior desde o fim de 2004.

Chegou a 70,7% a parcela de itens com aumento de preços, de acordo com o indicador de difusão calculado pelo banco Besi Brasil. Isso confirmou a tendência observada em todo o ano, de generalização dos aumentos pelo contágio. O crédito abundante, o aumento da massa de rendimentos, o gasto público e os incentivos mal dirigidos explicam esse fenômeno. Nenhuma faísca - no caso, a alta dos preços agrícolas - provoca um grande incêndio sem farto material combustível e sem oxigênio.

O fato mais grave é a combinação desastrosa de inflação alta e crescimento baixo. Desde 2005 a meta de inflação é de 4,5%, bem mais alta que a da maior parte dos países desenvolvidos e em desenvolvimento. A partir de 2006 a margem de tolerância diminuiu de 2,5 pontos porcentuais para 2, mas continuou muito ampla. Outros países cresceram muito mais com alta de preços muito menor.

No ano passado, até novembro, os preços ao consumidor subiram em média 1,9% nos 34 países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), formada majoritariamente por economias desenvolvidas e algumas em desenvolvimento. No México, o IPC aumentou 4,2% nesse período, mas no terceiro trimestre seu Produto Interno Bruto (PIB) foi 3,3% maior que um ano antes - mais que o triplo do resultado brasileiro.

O contraste entre o Brasil e outros latino-americanos é notável. No Chile, a inflação até novembro ficou em 2,1%, com provável expansão econômica de 5,2% em todo o ano. Na Colômbia, o número final da inflação foi 2,44%, mas o PIB deve ter aumentado cerca de 4%. No Peru, o produto deve ter aumentado uns 6%, talvez pouco mais, mas os preços ao consumidor, até novembro, haviam subido 2,7%. No Equador, a alta de preços está estimada em 4,2%. Os números da produção não estão atualizados, mas o desempenho foi certamente muito melhor que o do Brasil. No segundo trimestre, o PIB foi 5,2% maior que o de um ano antes.

Na China, a inflação até novembro ficou em 2%, mas o produto, no terceiro trimestre, foi 7,4% maior que o de um ano antes. Índia e Rússia tiveram taxas inflacionárias mais altas que a brasileira, mas com expansão econômica bem maior.

No Brasil, tudo indica mais um ano com aumentos de preços além da meta, alimentados pelo crédito fácil e pela gastança pública, e sem nenhum benefício para o crescimento econômico.

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Leia na Fonte: Estadão / Blogs / João Bosco Rebello
[10/01/12]  A negação como método – do PT ao governo - João Bosco Rebello

Não era “rídiculo” o risco de racionamento de energia, como classificou a presidente Dilma Rousseff, no café da manhã de fim de ano com jornalistas no Planalto. A possibilidade é mais concreta do que fez crer a presidente ao tentar desqualificar a pergunta, na resposta em que acrescentou a sugestão de que “gargalhassem” aqueles que ouvissem falar em raios como causas de pane no sistema.

Antes, os raios, suspira o PT. Afinal, o racionamento é evitado pelo uso complementar das usinas térmicas, em caráter emergencial, mas que o governo já admite agora voltar a ser permanente, caso as chuvas não caiam em volume suficiente para elevar em níveis seguros os reservatórios. Temendo o “apagão petista”, o partido torce pela chuva enquanto o governo lança mão da energia suja para reduzir os riscos.

O receio de ver aplicados à sua gestão diagnósticos que imprimiu com êxito eleitoral à era Fernando Henrique - leva o atual governo à adoção do método de comunicação do seu partido, de negação sistemática de problemas ostensivos, sempre desqualificando os críticos ou jornalistas que ousam perguntar aquilo que é de interesse público.

Ocorre assim na infraestrutura, em que a privatização é inevitável; no setor elétrico, em que são notórios os problemas; e, agora, com a frustração das principais metas econômicas. Abre-se, no primeiro caso, negociações envergonhadas e insuficientes com parceiros privados, adotando-se eufemismos para tal; nega-se qualquer problema, no segundo caso; e, maquia-se operações para salvar números não alcançados, no terceiro caso.

A constatação revela a predominância da estratégia de comunicação partidária sobre a do governo, misturando objetivos e conveniências dissociados do interesse público e, mesmo, daquilo que poderia ser mais eficaz para o próprio Planalto. O PT quer preservar velhas e abatidas lideranças e manter a fantasia do marketing que o fez, tempos atrás, o único partido ficha limpa do País. É passado.

Já governos lidam com a realidade. Uma coisa é o discurso ideológico surrado, em que divergências são rotuladas de conservadorismo, a serviço de uma eficiência eleitoral. Outra é a capacidade de administrar essa pressão de conteúdo anacrônico e encontrar seu modus operandi para governar “apesar disso”. Essa é a premissa para os avanços pretendidos pela presidente Dilma em 2013.

Trocar o discurso defensivo por uma campanha de educação de consumo de energia, por exemplo, liga o governo de forma mais positiva com o consumidor do que negar a falta de luz no escuro. Uso equilibrado da energia é bem vindo mesmo com redução da tarifa, até para que a medida (discutível pelo seu caráter intervencionista), não provoque euforia consumista. Poderia ter feito tudo isso com a ressalva da mera precaução e criado um vínculo maior com o contribuinte.

Admitir o lucro como fator natural e intrínseco ao sistema capitalista é indispensável para os avanços no campo da infraestrutura, como indicam as falências de gestões públicas, contaminadas pelo aparelhamento sindicalista, em portos, aeroportos e, de resto, nas estruturas diretamente ligadas ao dia a dia do cidadão, como as de segurança, transportes e saúde.

Da mesma forma teria sido mais honesto e eficiente justificar a insuficiência das metas econômicas frustradas, do que maquiá-las ao custo do agravamento da perda de confiança dos investidores – esses seres de que o Brasil mais precisa agora, Dilma especialmente.

Certamente há estratégia de comunicação mais inteligente do que a negação do óbvio e a recorrente mania de atribuir a culpa aos jornalistas. Até porque, esta parece esgotada. O governo teve juízo ao perceber cedo a conveniência de se desvincular do julgamento do mensalão, separando os interesses do partido e os seus, mas erra ao considerar salutar agir assim apenas em situações extremas como no processo que condenou dirigentes do PT à prisão.

O PT prossegue negando o mensalão, com a desfaçatez do personagem adúltero que nega sua condição mesmo nu ao lado da amante. É método assentado na convicção de que eleitoralmente importa a versão, máxima que não serve a governos carentes de resultados.

Como o ser humano guarda em si mesmo os maiores obstáculos à sua transformação, também é no governo que estão os maiores problemas da presidente Dilma. A começar pela dificuldade de escolher a estratégia de se comunicar com a sociedade – – com a qual a mídia é o canal -, se do governo ou do partido.

Se ficar refém da segunda, continuará a desqualificar perguntas e jornalistas com a aversão a entrevistas que exibiu na última, em que chegou ao ponto de recusar respostas para impor a pauta que lhe convinha.

Até porque, como se vê agora, não havia perguntas ridículas, mas temas incômodos.