WirelessBRASIL - Bloco RESISTÊNCIA

Janeiro 2013             


12/01/13

• Governo Dilma Schwarzenegger (ops!), Rousseff: Exterminando o futuro (6) - Editoriais do Estadão e o Globo: "Crise de confiança na economia"

Nota de Helio Rosa:
Transcrevo estas matérias:
01.
Leia na Fonte: Noblat / O Globo
[12/01/13]  Crise de confiança na economia - Editorial O Globo
Recortes:
(...) Não é apenas a conjugação indigesta de crescimento na faixa de 1% e inflação alta que alimenta desconfianças. O conjunto da obra é que preocupa. Afinal, qual é mesmo a política econômica em curso?
Quando Lula assumiu, em 2003, e manteve a estratégia do tripé — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante —, houve um alívio geral, e, com aquilo, ele garantiu que o país pudesse aproveitar ao menos parte da onda de crescimento sincronizado das grandes economias mundiais, puxado pela China. (...)
(...) Já a outra perna do tripé, a responsabilidade fiscal, acaba de ser vítima da trapalhada em alta dose da manipulação de dados para embonecar o superávit fiscal do ano passado.
Some-se tudo com as incertezas energéticas para se ter uma ideia das dificuldades que enfrenta o investidor privado na tentativa de enxergar algum horizonte claro para seu negócio. (...)  Ler mais

02.
Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[11/01/13]  Fluxo cambial de 2012 fez uma advertência séria - Editorial Estadão
Recorte:
(...) Não são apenas os investimentos que o governo brasileiro não sabe administrar, mas também a política de balanço de pagamentos deveria procurar obter maiores entradas de recursos externos de boa qualidade, para que o saldo cambial não suscite apreensão sobre a evolução das contas externas.(...)
(...) Apesar dos erros do governo, o ano de 2012 foi favorável para os investimentos estrangeiros. Podemos verificar, no entanto, que o equilíbrio das contas externas do Brasil depende muito da continuidade desses investimentos, que poderão se afastar do Brasil por causa de falta de confiança na política econômica. (...)  Ler mais

03.
Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[09/01/13] Fragilidade do Brasil para enfrentar a crise mundial - Editorial Estadão
Recorte:
(...) Já o fato de que ficamos atrás de muitos países emergentes em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nesses últimos anos dá um sinal de que algo não funciona bem.
Um grande problema está no montante dos investimentos, especialmente na infraestrutura, e mais ainda na administração desses investimentos, cujo custo é anormalmente elevado, seja pelo tempo excessivo de execução, seja por corrupção. (...)  Ler mais
HR


Leia na Fonte: Noblat / O Globo
[12/01/13]  Crise de confiança na economia - Editorial O Globo

Poderia ser melhor o início da segunda metade do mandato da presidente Dilma. Inflação em patamar elevado, pelo terceiro ano consecutivo, conjugada com baixo crescimento, é preocupante, principalmente numa economia em que ainda existem mecanismos de indexação, capazes de criar fortes barreiras de resistência à queda de preços depois de um certo limite de alta e que persista durante algum tempo.

O IPCA fechou o ano passado em 5,84%, mais uma vez distante do centro da meta (4,5%). Nos dois anos anteriores, 6,5% (2011), no limite superior da meta, e 5,91% (2010). Enquanto isso, os juros básicos, instrumento à disposição do Banco Central para conter a inflação, se mantêm no nível histórico mais baixo: 7,25%.

O BC aproveitou de maneira competente a “janela” aberta pelo agravamento da crise europeia e fez um substancial corte nas taxas, o que parecia impossível. Deu certo, mas a questão mais ampla da economia — retomar o crescimento em bases equilibradas — continua em aberto.

Não é apenas a conjugação indigesta de crescimento na faixa de 1% e inflação alta que alimenta desconfianças. O conjunto da obra é que preocupa. Afinal, qual é mesmo a política econômica em curso?

Quando Lula assumiu, em 2003, e manteve a estratégia do tripé — metas de inflação, responsabilidade fiscal e câmbio flutuante —, houve um alívio geral, e, com aquilo, ele garantiu que o país pudesse aproveitar ao menos parte da onda de crescimento sincronizado das grandes economias mundiais, puxado pela China.

Hoje, há quem tema que esta política tenha sido revogada sem anúncio formal — o que aumenta a insegurança. O centro da meta de inflação, por exemplo, parece ter deixado de ser um alvo prioritário.

Se o objetivo era baixar os juros, que assim fosse. Tudo em nome do crescimento — que não veio. Ficou claro, então, o limite da política monetária como ferramenta de indução do crescimento. O mundo, hoje, está repleto de exemplos deste tipo.

O câmbio, ao flutuar, compensa choques externos. Como, além dos juros, o câmbio foi identificado como outra barreira para a indústria competir no mundo, e como há amplas reservas externas, parece ter havido um “tabelamento”: o câmbio deve ficar acima dos R$ 2.

A desvalorização do real, porém, gerou pressões inflacionárias — o país depende muito mais de componentes importados do que quando o câmbio era instrumento de política industrial, na ditadura —, e a produção não reagiu como o governo imaginava. Enquanto isso, os salários continuam a subir acima da produtividade, mau sinal.

Já a outra perna do tripé, a responsabilidade fiscal, acaba de ser vítima da trapalhada em alta dose da manipulação de dados para embonecar o superávit fiscal do ano passado.

Some-se tudo com as incertezas energéticas para se ter uma ideia das dificuldades que enfrenta o investidor privado na tentativa de enxergar algum horizonte claro para seu negócio.

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Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[11/01/13]  Fluxo cambial de 2012 fez uma advertência séria - Editorial Estadão

Não são apenas os investimentos que o governo brasileiro não sabe administrar, mas também a política de balanço de pagamentos deveria procurar obter maiores entradas de recursos externos de boa qualidade, para que o saldo cambial não suscite apreensão sobre a evolução das contas externas.

Em 2012, o saldo cambial caiu 74% e foi o menor em quatro anos, enquanto o governo mudava sua política de forma infeliz. Em março, a presidente Dilma Rousseff fez um discurso violento contra os países do Primeiro Mundo, cuja política antirrecessão exportava para os países emergentes um verdadeiro tsunami de capitais, que os obrigava a se protegerem deste excesso de liquidez. Alguns meses depois, o governo voltava atrás para acolher esses capitais, absolutamente necessários para compensar o déficit em transações correntes do balanço de pagamentos.

Mas o fato é que, no acumulado do ano, o fluxo cambial registrou entrada líquida de US$ 16,753 bilhões, ante US$ 65,279 bilhões em 2011. O fluxo comercial ficou positivo em US$ 8,373 bilhões, ante US$ 43,950 bilhões em 2011, enquanto o fluxo financeiro ficou positivo em US$ 8,380 bilhões, ante US$ 21,329 bilhões no ano anterior.

Com receio de um fluxo financeiro excessivo, as autoridades monetárias tomaram uma série de medidas para conter o aporte de capitais do exterior, tais como o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) e o pagamento de IOF sobre gastos no exterior. Reduziram, no entanto, a tributação sobre as entradas de capitais na segunda parte do ano. Pelo menos resistiram quanto a tributar o Investimento Estrangeiro Direto (IED), que teve um ligeiro recuo no ano passado, muito mais sensível no caso dos investimentos na Bolsa de Valores.

Houve, ainda, um recuo na captação externa, embora as empresas tenham recorrido mais ao mercado externo do que no ano anterior, o que pode se traduzir, daqui a dois anos, em alguns problemas. Algumas vezes, porém, essas captações foram utilizadas no exterior, e não entraram no País para financiar projetos. As remessas de lucros e dividendos foram sensivelmente iguais às do ano anterior, que já eram bastante elevadas, mas o pagamento de serviços foi superior.

Apesar dos erros do governo, o ano de 2012 foi favorável para os investimentos estrangeiros. Podemos verificar, no entanto, que o equilíbrio das contas externas do Brasil depende muito da continuidade desses investimentos, que poderão se afastar do Brasil por causa de falta de confiança na política econômica.

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Leia na Fonte: O Estado de S.Paulo
[09/01/13]  Fragilidade do Brasil para enfrentar a crise mundial - Editorial Estadão

O Fórum Econômico Mundial acaba de divulgar uma avaliação sobre os países mais bem preparados para enfrentar riscos globais, como a atual crise financeira, desastres naturais, mudanças climáticas e pandemias. Dos 139 países analisados, o Brasil ocupa um modesto 45.º lugar, contraditando o governo brasileiro, que gosta de lembrar que o Brasil foi o país que melhor enfrentou a crise econômica mundial (a de 2008).

No ranking agora apresentado, e na comparação com outros países emergentes, não há razão para comemorações: o Chile ocupa o 10.º lugar; o México, o 12.º; a Turquia, o 18.º; a China, o 30.º; e a Índia, o 38.º. Estamos mais perto de países que atravessam uma grave crise (Portugal, 51.º, e Espanha, 53.º) e nos consolamos apenas com a Argentina e a Venezuela, que ocupam os dois últimos lugares na lista.

O fator mais importante, para os autores do levantamento, está na capacidade de enfrentar a crise econômica mundial. Por exemplo, um país como a Argentina não está sujeito a graves percalços por desastre natural ou pandemia, e sua única fragilidade reside em mudanças climáticas que possam afetar a sua produção agropecuária. Nesse sentido, o Brasil pode ser considerado como um país privilegiado, pois a seca acontece essencialmente no sertão nordestino e, em alguns anos, no Rio Grande do Sul. Isso nos leva a pensar que o fator que mais pesou na nossa classificação foi a capacidade do governo de enfrentar a crise financeira mundial.

É uma afirmação que pode, à primeira vista, surpreender, pelo fato de que somos ricos em matérias-primas, especialmente minerais e produtos alimentares, que nos colocam entre os maiores fornecedores do mercado mundial. Mas a capacidade de enfrentar uma crise financeira depende, sobretudo, da política econômica adotada pelo governo.

Já o fato de que ficamos atrás de muitos países emergentes em crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nesses últimos anos dá um sinal de que algo não funciona bem.

Um grande problema está no montante dos investimentos, especialmente na infraestrutura, e mais ainda na administração desses investimentos, cujo custo é anormalmente elevado, seja pelo tempo excessivo de execução, seja por corrupção.

O Brasil padece de uma falta de produtividade que reduz sua capacidade de concorrência no mercado internacional. Finalmente, entre os problemas maiores, além da tributação alta demais e mal distribuída, está a burocratização que cerca a vida dos empreendimentos.