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Leia na Fonte: Estadão
[24/03/14]  O BNDES na hora da reformulação - Editorial Econômico

Entre 2013 e 2014, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reduziu ligeiramente o volume de desembolsos, de R$ 190,4 bilhões para R$ 187,8 bilhões (-1%). Com a piora da situação econômica, as empresas demandaram menos recursos, permitindo supor que também em 2015 haverá redução do crédito da instituição. Mais importante será o cumprimento da promessa de que o Tesouro deixará de transferir recursos para o banco sob a forma de títulos públicos, subsidiando a diferença entre o juro que paga para vender os papéis e o que o BNDES cobra nos empréstimos. Este, portanto, poderá ser um ano-chave para o BNDES, pela redução da dependência ao Tesouro e pelo alívio dos compromissos fiscais.

As consultas, primeiro passo para a tomada de empréstimos no BNDES, caíram 15% no ano passado, os enquadramentos diminuíram 16% e as aprovações recuaram 14%. Só por isso já se poderia supor que o banco vai desembolsar menos neste ano.

Em 2014, os desembolsos para a indústria caíram 14%, chegando a R$ 50 bilhões. Para a agropecuária, cederam 10%, para R$ 16,7 bilhões. E para o comércio e serviços, com R$ 52 bilhões, houve acréscimo de 1%.

Por ramos de atividade, só os empréstimos para infraestrutura cresceram 11%, atingindo R$ 68,9 bilhões. Para o banco, o volume é relevante, mas a infraestrutura em geral continua precária. O impacto do crédito oficial é pequeno, numa perspectiva ampla.

Até junho de 2014, o BNDES recebeu repasses ou empréstimos de R$ 433,18 bilhões do Tesouro Nacional, segundo as Informações Econômico-Financeiras disponíveis no site da instituição. Esse montante cresceu no segundo semestre, chegando a R$ 466,5 bilhões em dezembro, segundo reportagem do Estado.

A concentração das operações do banco é elevada: 53,1% dos recursos - ou R$ 316,5 bilhões - estavam emprestados aos 10 maiores clientes, no primeiro semestre de 2014. E apenas 60 clientes tomaram 74% dos recursos emprestados.

Os créditos para estatais, a começar da Petrobrás, são vultosos. O banco também destinou fartos recursos a empresas privadas em cujos conselhos têm assento representantes do governo. Agora, sofre pressão para resolver a situação da Sete Brasil, parceira da Petrobrás.

Sem os aportes do Tesouro, o BNDES deve passar por profunda reformulação, que tende a reduzir seu tamanho.