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Leia na Fonte: Alerta Total
[03/06/15]  Risco de CPI força BNDES a liberar, só parcialmente, dados sobre US$ 1,9 bi em contratos externos de obras - por Jorge Serrão

Pelo menos parcialmente, o desgoverno Dilma Rousseff se viu obrigado a se curvar às pressões políticas vindas das ruas, das redes sociais e do parlamento, ao tornar públicos, na internet, informações ainda muito parciais e incompletas sobre US$ 1,9 bilhão em contratos de exportação de serviços de engenharia a países firmados pelo BNDES entre 2007 e 2015.

Mesmo assim, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social não fica livre de fornecer informações que forem solicitadas pelo Ministério Público Federal - se a instituição quiser cumprir seu papel fiscalizados. A "transparência pela metade" ainda censura dados essenciais para identificar indícios de operações ilegais ou corruptas. Parece a transparência levyana - invisível por conveniência...

Por alegado sigilo bancário, não foram divulgados pelo BNDES dados sobre a estratégia de negócios, a situação financeira da empresa, existência de alavancagem maior ou menor, a estrutura de endividamento e a análise do balanço - o que origina o rating ou nota de crédito. Pelo mesmo motivo, não foram fornecidas as condições legais e cadastrais das pessoas físicas, os contenciosos com a Receita e a Justiça e outras informações que dizem respeito à estratégia comercial de negócios. No governo em que sempre se alega que ninguém sabe de nada quando acontece algo errado, o BNDES avançou muito...

Na verdade, o medo concreto de uma CPI do BNDES falou mais alto. Tanto que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, prometeu liberar, nas próximas semanas, dados sobre 1.753 contratos, no valor de R$ 320 bilhões, em operações domésticas. Sobre os contratos externos, foram liberadas informações detalhadas: valores contratados, países, taxas, prazos e garantias dos financiamentos de exportação para obras no exterior. Os dados envolvem nove países. Seis da América do Sul e Central: Argentina, Equador, Costa Rica, República Dominicana e Cuba. E mais três da África: Angola, Gana e Moçambique.

Luciano Coutinho prometeu que, no caso das operações internacionais, até então eram publicadas informações consolidadas por exportador e país de destino, com as datas de contratação. Brevemente, serão conhecidos os exportadores - com CNPJ - além dos demais dados imanentes ao projeto, sempre respeitando o sigilo bancário das empresas.

O poderosíssimo Luciano Coutinho comemorou, marketeiramente: "O BNDES está dando um grande passo em matéria de transparência, com a decisão de desclassificar determinadas informações. A instituição se tornou a instituição financeira mais transparente entre os bancos de desenvolvimento e bancos oficiais de exportação do mundo inteiro".

A mídia amestrada pela grana do BNDES bateu palminha para a "transparência pela metade" - ou abaixo disto. Acesse o BNDES Transparente para ver como é bonitinho o trabalho que vai ser completado, em breve na base da legítima pressão popular ou do oportunismo parlamentar. Abre a caixa preta, BNDES! Confira: http://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/bndes/bndes_pt/Institucional/BNDES_Transparente/