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2012
10/04/12
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (3) - O "Comando"
dos "progresistas" e os sites e blogs sob sua influência
Nota de Helio Rosa:
Aqui estão os "posts" anteriores:
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - A
"democratização das comunicações" e "controle social da mídia"
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - Definição de
"progressismo" e de "Blogueiro Progressista"; ligação com o "PC do B"
01.
Esta fase de intensificação do movimento dos blogueiros petistas ou
governistas é boa para pesquisa de suas intenções, pois sentem-se tão
poderosos que não temem (ainda) maiores exposições.
Recebo de um leitor o comentário de que
estou dando visibilidade à um movimento desconhecido da sociedade.
Pode até ser mas é melhor que seja logo exposto para que possamos acompanhar
sua atuação, némessmm?
Coerente com este leitor, recorto um trecho desta matéria, transcrita mais
abaixo (o grifo é meu):
Fonte: Implicante
[06/10/11]
Progressismo Governista: Como a mídia virou inimiga?
(...) Como chegaram a tal ponto? Simples (ou não
tão simples): ao longo de anos, em vez de fiscalizar o governo, passaram a
CULPAR a imprensa por veicular os casos de corrupção das gestões por eles
endossadas. Não importa quantos ministros caiam, a “culpa” é da mídia. A
mídia é golpista. Etc. etc. etc.
Prepotência Folclórica
Isso não faz parte de qualquer linha temporal, mas é algo que de fato ocorre
e, como ficará bem claro, não deixa de ser uma coisa engraçadíssima, até
mesmo folclórica.
O pessoal da internê acha que influi nas eleições.
Isso é uma piada, claro. O número de pessoas acessando a “grande rede”
aumentou, é claro, mas proporcionalmente é ridícula a quantidade dos que
lêem blogs de política, especialmente aqueles dedicados a defender o governo
com unhas e dentes – atacando justamente a mídia que possui mais leitores e
telespectadores.
Não, a tal blogosfera progressista não tem poder algum quanto ao grande
eleitorado. Nada, mesmo. Eles nem sabem o que é blog, muito menos
“progressista” – se bem que essa última qualificação eu duvido que até os
próprios integrantes saibam o que representa, no campo semântico.(...)
Mesmo assim, será um erro menosprezar a capacidade de organização
deste pessoal pois, nos bastidores, está o PC do B, e sabemos que
esta "turma" não desiste nunca, principalmente com recursos "ilimitados"!
02.
Altamiro Borges tem seu nome constantemente associado ao movimento
dos blogueiros progressistas e posso deduzir que é seu líder ostensivo,
eventualmente compartilhando a "visibilidade" com Paulo Henrique Amorim.
Posso deduzir também que um líder "não ostensivo" seja José Dirceu,
presença constante no encontro dos "progressistas" e assunto
deste
"post" e também
deste, no Blog do Reinaldo Azevedo, transcritos mais abaixo.
Altamiro Borges é jornalista e membro de Comitê Central do
PC do B onde é o Secretário
Nacional para Questão da Mídia.
Altamiro Borges é o presidente do
Centro de Estudos de Mídia
Alternativa Barão de Itararé cujo objetivo é "se somar a outras
entidades e movimentos sociais que lutam pela democratização da
comunicação, visando conquistar maior pluralidade e diversidade
informativa e cultural no país" (grifo meu).
No primeiro "post" desta série vimos que o núcleo original do "Barão" era
constituído pelos seguintes elementos: Paulo Henrique Amorim, Luis
Nassif, Altamiro Borges, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo
Viana e Eduardo Guimarães.
Altamiro mantém ainda o "Blog
do Miro", "uma trincheira na luta contra a ditadura midiática".
Não pesquisei a fundo mas aparentemente nada consta que desabone o Sr.
Altamiro Borges como cidadão comum.
Mas, por sua atuação no "PC do B" e pela liderança que exerce sobre "bloqueiros
e mídia progressistas", opino que é um cidadão cuja atuação é perigosa para
a democracia.
03.
Multiplicam-se os encontros físicos dos blogueiros progressistas em
congressos regionais e nacionais (ressaltei o termo "físicos") pois a
"blogosfera" é essencialmente virtual).
Estou pesquisando e vou "holofotar" esses encontros num próximo
"posts".
Mas antecipo e transcrevo mais abaixo esta matéria publicada no
Portal Vermelho (cujo nome já diz tudo:
trata-se de uma página mantida e gerida pela
Associação Vermelho, "entidade sem fins lucrativos", em convênio com
o Partido Comunista do Brasil - PC do B):
Leia na Fonte: Portal Vermelho
[21/03/12]
3º Encontro Nacional do BlogProg será em maio
Faço este recorte:
(...) Segundo (Altamiro) Borges, a Comissão vai
discutir as formas de contornar as dificuldades e viabilizar a realização do
Encontro, que deve reunir cerca de 500 ativistas digitais do Brasil inteiro,
além de convidados e observadores internacionais.
“Desde a sua primeira edição, o Encontro vem se viabilizando através
- de apoio de entidades sindicais,
- de sites e revistas progressistas, como
Caros Amigos,
Carta Capital,
Carta Maior e
Vermelho;
- de fundações de estudos, como a
Perseu Abramo e
Maurício Grabois,
- além disso nós buscamos apoios
institucionais e cobramos pela inscrição.
Para se ter uma idéia de quem sejam os tais
"observadores internacionais", anoto da relação que está no final
desta página (comento no item que se segue), as seguintes referências:
Partido Comunista
Colombiano, Partido
Comunista da Argentina,
Partido Comunista do Chile,
Partido Comunista Português, etc...
04.
Mas vamos ao objetivo principal deste "post" que é listar os sites e blogs
considerados, "progressistas", simpatizantes ou apenas "referências" pelo
Sr. Altamiro "PC do B" Borges.
Vale fazer nem que seja um voo panorâmico sobre as relações.
Fiz apenas uma visita "aleatória" em alguns deles, afinal, tenho 70 anos
e alguns textos destas páginas fazem mal muito mal à minha saúde
estomacal... a famosa "azia"...
As fontes consultadas foram o "Barão de Itararé" (que os identificou
como "rede de blogs") e o Blog do (Alta)Miro que chamou sua
relação de "lista de sítios".
Estão no final desta página, para ler e pasmar!
HR
Matérias
transcritas nesta página, além dos "sites e blogs progressistas"
Fonte: Implicante
[06/10/11]
Progressismo Governista: Como a mídia virou inimiga?
Fonte: Veja - blog de Reinaldo Azevedo
[09/04/12]
Dinheiro público vai financiar encontro de militantes governistas da
Internet. Adivinhem quem é convidado de honra… (José Dirceu)
Leia na Fonte: Portal Vermelho
[21/03/12]
3º Encontro Nacional do BlogProg será em maio
Ler transcrições das matérias
09/04/12
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - A
"democratização das comunicações" e "controle social da mídia"
01.
No "post" anterior citei que hoje, qualquer pessoa possuindo acesso à web e
que desejar criar um Blog, vai descobrir que o custo é "zero".
Mas não para os "Blogueiros Progre$$istas.
Estes "progressistas" querem fazer dos seus Blogs um meio de subsistência e,
neste caso, nós é que pagamos o pato, digo, a conta.
(...) A Blogosfera é produto dos esforços de
pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas,
designação que alude àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram
produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas
autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato
de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a
atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.(...)
O trecho acima, e o que se segue, foram retirados desta matéria, transcrita
mais abaixo nesta página:
Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães -
[17/08/10]
Carta dos Blogueiros Progressistas]
(...) 4 –
Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação
de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras
formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de
comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que
possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para
explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios
de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de
fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios
meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina
pluralidade na comunicação do país. (...)
Na medida que os financiamentos começaram a
aparecer, a blogosfera progressistas começou a ganhar novas adesões, tanto
de jornalistas que trocaram seu diploma pelas "carteirinhas do PT e da base
aliada", quanto dos espertos de sempre e de uma enorme massa de
"inocentes úteis".
02.
Em 2009 e 2010 fiz um acompanhamento cerrado do tema
1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), como assunto ligado à
telecom, pois esperava-se que a enorme e desatualizada legislação técnica
existente pudesse ser debatida neste evento. Não foi.
As "frases de ordem" mais comuns, tanto na Conferência como na atual
"blogosfera progressita" são "democratização das comunicações" e "controle
social da mídia".
Usem o Google e tentem achar estas definições com precisão. Se encontrarem
alguma coisa, será pura enrolação.
Mas, Leonel Brizola - que dispensa apresentações - num momento de total
franqueza, em 21 de março de 1964, alguns dias antes da "Revolução",
definiu o que é "democratizar a imprensa".
Pasmem e registrem:
Fonte: Acervo do Jornal
do Brasil (pág 04)
[21/03/64]
Brizola: Agitação atingirá os quartéis - Coluna do Castello
(...) Mostra-se o
dirigente esquerdista impressionado com a mobilização dos jornais e diz que
uma das etapas da luta consiste em "democratizar a imprensa".
Respondendo à pergunta, citou uma "fórmula intermediária" possível: a
entrega dos jornais aos partidos políticos e o controle da publicidade por
um organismo único. (...)
03.
O objetivo das esquerdas do "controle da publicidade por um organismo único"
já foi atingido com a SECOM - Secretaria de Comunicação da Presidência.
Quanto aos políticos...
Recorto dois trechos desta matéria transcrita mais abaixo:
Leia na Fonte: Agência Abraço
[03/06/11]
Ministério das Comunicações divulga lista de políticos donos de emissoras de
rádios
(...) Um levantamento do Jornal Folha de São Paulo
mostra que 56 deputados federais e senadores de diferentes regiões do país,
são sócios ou tem parentes no controle de emissoras. A Abraço, que luta
contra os políticos que possuem veículos de comunicação, espera que este
seja apenas o início de uma batalha para vencer a guerra contra o
coronelismo nas mídias nacionais. (...)
(...) Essa lista é só uma ponta do iceberg, pois vai mostrar a todos que
conhecidas emissoras de rádio pertencem e estão a serviço de políticos.(...)
O controle do governo sobre as comunicações
prossegue.
O governo Lula, em outubro de 2007, ao editar a Medida Provisória 398,
depois convertida pelo Congresso na Lei 11 652/2008, criou a EBC - "Empresa
Brasil de Comunicação, encarregada de unificar e gerir, sob controle social,
as emissoras federais já existentes, instituindo o Sistema Público de
Comunicação".
A EBC é conhecida como "TV Pública" ou "TV Brasil" ou "TV Lula" ou "TV do
PT", e resultou da fusão de duas empresas já existentes - Radiobrás e
Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).
O Projeto Nacional de Banda Larga - PNBL -
foi instituído pelo
Decreto
nº 7.175, de 12 de maio de 2010 e traz em seu bojo a reativação ilegal
da estatal Telebrás, que vinha em longo processo de extinção. A Telebrás foi
extinta por lei é só poderia ser reativada por outra lei. Foi ressussitada
por um Decreto. Mas está "sub judice" no STF.
E assim, pé ante pé, prossegue o "controle social da mídia" e a "democratização
das comunicações", adaptando-se aos novos tempos, os "ensinamentos" de
Brizola.
04.
Voltando à SECOM.
Transcrevo um trecho desta matéria, que "resume a ópera":
Fonte: Proark
[10/01/11]
Secom define Comunicação Integrada
(...) Quando Luiz
Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de
comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora o
número foi para 8.094. Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e
“outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182
municípios.
Em 2010 o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para
1.047 novos veículos de comunicação.
A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em
cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou
painéis em aeroportos.
Chama a atenção o aumento do número de “outros”.
Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512.
A informação do governo é de que a maioria é de sites e blogs.
Lula e sua equipe de comunicação não escondem a simpatia pelo novo meio
digital.
O presidente foi o primeiro a conceder uma entrevista exclusiva para o que a
administração petista chama de “blogs progressistas”.
O valor total gasto nos dois mandatos, até outubro do ano passado, foi de R$
9,325 bilhões. Dá média anual de R$ 1,2 bilhão. Essa cifra não inclui três
itens: custo de produção dos comerciais, publicidade legal (os balanços de
empresas estatais) e patrocínio. Produção e publicidade legal consomem cerca
de R$ 200 milhões por ano. No caso de patrocínio, o gasto médio anual foi de
R$ 910 milhões de 2007 a 2009. Tudo somado, Lula gastou R$ 2,310 bilhões por
ano com propaganda. Os valores são semelhantes aos do governo FHC, embora
inexistam estatísticas precisas à disposição.(...)
E esta matéria lança a dúvida:
Leia na Fonte: Bahr-Baridades
[28/09/11]
Publicidade do governo chega a R$ 1 bi
(...) Ao todo, os gastos com publicidade do governo devem atingir
aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano. Além disso, as estatais aplicam
verbas mirabolantes em publicidade, como pode ser visto na relação mais
abaixo, onde se percebe que só a Caixa Econômica federal dispõem sozinha de
quase outro bilhão de reais e o Banco do Brasil mais a Petrobrás, de outro
bilhão. (...)
(...) Mesmo com estas estatísticas dadas a público, ainda há buracos
negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de
publicidade estatal nem quanto cada um ganha. (...)
05.
No próximo "post" vamos "iluminar" o Sr. Altamiro Borges e a relação
dos blogs e sites "sujos" sob seu comando ou influência.
HR
Matérias transcritas
neste "post":
Fonte:
Blog Cidadania de Eduardo Guimarães
[17/08/10] Carta
dos Blogueiros Progressistas
Fonte: Acervo do Jornal
do Brasil (pág 04)
[21/03/64] Brizola:
Agitação atingirá os quartéis - Coluna do Castello (definição de
"democratização da imprensa")
Fonte: Proark
[10/01/11]
Secom
define Comunicação Integrada
Leia na Fonte: Bahr-Baridades
[28/09/11]
Publicidade do governo chega a R$ 1 bi
Leia na Fonte: Agência Abraço
[03/06/11] Ministério
das Comunicações divulga lista de políticos donos de emissoras de rádios
Ler transcrições das matérias
08/04/12
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - Definição de
"progressismo" e de "Blogueiro Progressista"; ligação com o "PC do B"
Nota de Helio Rosa:
01.
Mantenho, há 11 anos, mesmo antes do advento dos "Blogs" (contração do termo
"web log" ou "diário da web") na forma atual, dezenas de
páginas temáticas sobre assuntos de telecom e cidadania, com estrutura
semelhante aos onipresentes diários virtuais.
O custo de hospedagem e manutenção sempre foi baixíssimo e não fiquei mais
pobre por causa disso. E nem mais rico, pois não recebo nenhum financiamento
e não há propagandas em minhas páginas, que eu mesmo programo. Hoje o custo
é "zero", para se criar um "blog padrão", em formato pré-programado,
Então estou muito à vontade para acompanhar a atividade dos "blogueiros
progressistas" e o faço de desde junho de 2011, com alguns registros nesta
página:
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas,
que passo a reformular e atualizar com este "post".
E minha motivação cresce quando o assunto desses blogueiros é a revisão da
história da luta armada, pois sou
testemunha ocular e sobrevivente do
"atentado
do aeroporto dos Guararapes", em
1966.
02.
Vejamos uma das definições do termo "progressista".
Entre outras acepções, o Dicionário Houaiss
registra esta, no verbete "Progressista":
Progressista: 7. Política - Que tem afinidade com
idéias socialistas ou marxistas, pertencendo ou não a um destes partidos.
03.
Inicialmente, os atuais "blogueiros progressistas" gostavam de ser chamados
de "sujos" e adoravam quando assim Lula se referia a eles.
O bloqueiro sujo-progressista Paulo Henrique Amorim nos brinda
com a origem do termo "sujo" (grifos meus):
(...) "Os blogueiros progressistas também são conhecidos como blogueiros
sujos porque, na campanha presidencial de 2010, o candidato José Serra –
que, no meu site, Conversa Afiada, eu chamo de Padim Pade Cerra, porque ele
incorporou alguns elementos de um misticismo falso – ele nos identificou
como sendo sujos; existem os blogueiros limpos, que são aqueles que
estão pendurados na Folha, no Globo, no G1, no Estadão, e os outros são os
blogueiros sujos; então, é uma divisão muito tosca.
Nós somos mídia alternativa porque não estamos pendurados em lugar nenhum;
eu, Nassif, o Miro Borges, o Azenha, o Rodrigo Viana, o Eduardo Guimarães,
que somos o núcleo original do Instituto de Mídia Alternativa Barão de
Itararé, nós não estamos pendurados em nenhum grande órgão de imprensa,
nós estamos pendurados em algum ponto da blogosfera e, de lá, nós emitimos
nossos sinais cáusticos e críticos.(...) [Fonte]
04.
Amorim citou que não estão "pendurados" em lugar nenhum.
Digamos que esta afirmação não corresponde exatamente à realidade...
Veremos, neste e nos próximos "posts", que
recursos não faltam e são vários os "ganchos" onde os "progressistas" estão
dependurados.
05.
O Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé, citado acima por
Amorim, pode ser considerado o "braço militante virtual do PC do B"
pois seu presidente, jornalista Altamiro Borges, é membro de Comitê
Central do Partido onde é o
Secretário Nacional para Questão da Mídia.
O PC do B, como se sabe, controla o Ministério do Esporte desde o primeiro
dia do governo Lula, há mais de 11 anos. Controla também a Agência Nacional
do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O "PC do B", que tem um histórico ligado à violência, não deixa de ser um
partido pequeno em relação ao universo de eleitores e há um aparente
paradoxo na sua influência nos governos petistas.
Vale conferir este artigo transcrito mais abaixo:
Coluna do Ricardo Setti
[07/12/11]
Me expliquem, que eu quero entender: por que um partido sem votos como o PC
do B tem tanta força no governo Dilma
O PCB - Partido Comunista do Brasil, estava na ilegalidade muito antes da
"Revolução de 1964", mais exatamente desde 07 de maio de 1947, quando
o Brasil rompeu relações a URSS.
Em outubro de 1961 os stalinistas foram expulsos do PCB. No ano seguinte, de
11 a 18 de fevereiro de 1962, em São Paulo, realizam uma Conferência
Nacional Extraordinária , e fundam o Partido Comunista do Brasil, com a
sigla PC do B.
O PC do B voltou à legalidade após a Lei da Anistia.
A "Revolução de 1964" foi basicamente um movimento anticomunista
feito pela sociedade brasileira, pois o PCB e seus derivados eram
"ilegais de direito" mas "legais de fato", e seus membros estavam
ostensivamente infiltrados em todo o governo João Goulart. O objetivo do PCB
sempre foi tomar o poder pela violência, para instalar no Brasil a
"ditadura do proletariado".
A história real do PCB, desde suas origens, está contada no livro "Orvil",
disponível para download (pdf)
aqui e que estou reformatando
aqui.
Os integrantes do PC do B podem estar em "atividade relativamente discreta"
"vida vegetativa" ou "animação suspensa" mas são todos muito perigosos
para a democracia.
Recentemente o PC do B teve suas entranhas expostas no "escândalo do
Ministério do Esporte" e na demissão do Sr. Orlando Silva.
O Ministério do Esporte, como é "capitania hereditária" no "presidencialismo
de coalizão" praticado por Dilma Rousseff, continua nas mãos - e bolsos - do
PC do B, e está gerenciando as próximas Copa e Olimpíadas. O novo ministro é
Aldo Rebelo, membro do Comitê Central do Partido.
06.
Socorro-me de uma matéria já divulgada neste espaço, que define o que é
um blogueiro progressista:
(...) Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e
negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos
profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde
trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho
a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal -
produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos
veículos tradicionais, mas a outros investidores.
Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitulam "Blogueiros
Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao
PT e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à
"versão da mídia tradicional". É justo que o façam? É.
Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros
Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar
no PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo,
faria bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis
como "Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa
tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o
é na prática.
Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade
de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem
posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...) [Fonte:
Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do
Amigos] (grifos meus). (Transcrição mais abaixo)
07
Continua no próximo "post" iluminação destes "sugismundos" blogueiros progre$$sitas,
com a explicação desta nova grafia.
HR
Matérias transcritas nesta página:
Coluna do Ricardo Setti
[07/12/11]
Me expliquem, que eu quero entender: por que um partido sem votos como o PC
do B tem tanta força no governo Dilma
Leia na Fonte:
Amigos de Pelotas
[04/06/11]
Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho, Editor do
Amigos
Fonte: Noblat / O Globo - Origem: Veja
[27/06/11]
Nem todos os jornalistas estão à venda
Ler transcrições das matérias
2011
17/12/11
• A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas
(4) - Blogueiros governo-peti$tas entrevistam "São" João Pedro Stedile,
padroeiro do MST
01.
Blogueiros progressistas entrevistam Stedile [foto]
na próxima segunda-feira.
Por que será que a vanguarda do atraso da blogosfera decidiu iluminar a vanguarda do
atraso ideológico, representada pela Sr. Stedile?
A explicação [fonte]
é que um grupo de 51 militantes e apoiadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), a
maioria veteranos na luta pela reforma agrária, divulgou recentemente carta na
qual anuncia o desligamento da organização por discordar de seu projeto político
atual. Na avaliação do grupo, o MST, além de burocratizado e institucionalizado,
está integralmente subordinado às políticas do governo federal.
A
direção nacional do MST não quis comentar publicamente o documento. Preferiu
tratar o episódio como parte dos debates e das divergências políticas que sempre
fizeram parte da história da organização.
Nos bastidores, porém, alguns dirigentes acusaram o golpe. Lamentou-se sobretudo
a deserção de militantes históricos do Rio Grande do Sul. Do total de
assinaturas, 28 são daquele Estado, onde o movimento foi idealizado, na década
de 1980, e no qual surgiu seu líder mais conhecido, João Pedro Stédile.
A decisão do MST de não comentar a carta também pode estar vinculada ao fato de
atravessar um dos piores momentos de sua história do ponto de vista de
mobilizações. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos chegou ao nível
mais baixo dos últimos anos.
02.
Consta que participam os jornalistas Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Luiz Carlos
Azenha e Conceição Lemes (ambos do Vi o Mundo), Renato Rovai (Blog do Rovai),
Paulo Salvador (Revista do Brasil) e a blogueira Conceição Oliveira (do Blog da
Maria Frô).
Pessoalmente tenho a lamentar que jornalistas do porte de Rodrigo Vianna e Luiz
Carlos Azenha, cuja atuação me chamou a atenção durante longo tempo pela
seriedade e profissionalismo, tenham trocado seu diploma pela carteirinha do PT.
Respeito suas opções mas, como disse, lamento.
Recorte de uma matéria transcrita mais abaixo:
(...) O sr. Stedile pode ser, no plano pessoal, um homem
honesto — honesto com sua esposa, com seus credores, com seus amigos. Nada sei
que, como ente biológico e civil, o desabone. Política e intelectualmente,
porém, seu discurso é a coisa mais tortuosa, mais mentirosa e mais dissimulada
que tem aparecido no cenário nacional. E que sua figura política seja imposta ao
público como a imagem por excelência do bom menino, como a encarnação mesma dos
"sentimentos nobres" massacrados pelo cínico mundo capitalista, eis aí a prova
de que este país vai perdendo, junto com o senso da verdade, todo discernimento
moral. (...)
Por oportuno, transcrevo estas matérias:
Fonte: Veja
[28/01/09] O
Manual da Guerrilha do MST - por Otávio Cabral
Fonte: Website de Olavo de Carvalho
[17/05/98]
O segredo de João
Pedro Stedile - por Olavo de Carvalho
Fonte: Estadão
[26/11/11]
Grupo critica submissão de líderes e racha MST - por Roldão Arruda
HR.
-----------------------------
Fonte: Veja
[28/01/09] O
Manual da Guerrilha do MST - por Otávio Cabral
Como roubar, fraudar cadastros do governo e até fabricar bombas e trincheiras –
está tudo na cartilha secreta do MST apreendida pela polícia
A fazenda Estância do Céu era uma típica propriedade dos pampas gaúchos.
Localizada em São Gabriel, a 320 quilômetros de Porto Alegre, seus 5 000
hectares eram ocupados por 10 000 bois e 6 000 carneiros que pastavam entre
plantações de arroz e soja. O cenário, de tão bucólico, parecia um
cartão-postal. Tudo mudou na fria e ensolarada manhã do dia 14 de abril passado.
Por volta das 7 horas, 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
Terra, o MST, invadiram a propriedade aos gritos. "Nós ganhamos. Ganhamos dos
porcos. A fazenda é nossa." Armados com foices, facões, estilingues, bombas,
rojões, lanças, machados, paus e escudos, os sem-terra transformaram a Estância
do Céu em um inferno. Alimentos e produtos agrícolas foram saqueados. As telhas
da sede da fazenda foram roubadas. Os sem-terra picharam paredes, arrancaram
portas e janelas e espalharam fezes pelo chão. Bombas caseiras foram escondidas
em trincheiras. Animais de estimação, abatidos a golpes de lança, foram jogados
em poços de água potável. Quatro dias depois, quando a polícia finalmente
conseguiu retirar os sem-terra da fazenda, só sobravam ruínas.
A barbárie, embora não seja exatamente uma novidade na trajetória do MST, é um
retrato muito atual do movimento, que festejou seu aniversário de 25 anos na
semana passada. Suas ações recentes, repletas de explosão e fúria, já deixaram
evidente que a organização não é mais o agrupamento romântico que invadia
fazendas apenas para pressionar governos a repartir a terra. Agora, documentos
internos do MST, apreendidos por autoridades gaúchas nos últimos seis anos e
obtidos por VEJA, afastam definitivamente a hipótese de a selvageria ser obra
apenas daquele tipo de catarse que, às vezes, animaliza as turbas. O modo de
agir do MST, muito parecido com o de grupos terroristas, é uma estratégia. A
papelada – cadernos, agendas e textos esparsos que somam mais de 400 páginas – é
uma mistura de diário e manual da guerrilha. Parece até uma versão rural, porém
rudimentar, do texto O Manual do Guerrilheiro Urbano, escrito por Carlos
Marighella e bússola para os grupos que combateram o regime militar (1964-1985).
Os documentos explicam por que as ações criminosas do movimento seguem sempre um
mesmo padrão.
O registro mais revelador sobre a face guerrilheira do MST é formado por quatro
cadernos apreendidos pela polícia com os invasores da Estância do Céu em maio
passado. As 69 páginas, todas manuscritas, revelam uma rotina militarizada – e
bandida. "Muita arma no acampamento", escreveu Adriana Cavalheiro, gaúcha de
cerca de 40 anos, uma das líderes da invasão, ligada aos dirigentes do MST
Mozart Dietrich e Edson Borba. Em outro trecho, em forma de manual, o texto
orienta os militantes sobre como agir diante da chegada da polícia. "Mais pedra,
ferros nas trincheiras (...) Zinco como escudo (...) Bombas tem um pessoal que é
preparado. Manter a linha, o controle de horas e 800 ml", anotou a militante,
descrevendo a fórmula das bombas artesanais, produzidas com garrafas de plástico
e líquido inflamável. O manual orienta os militantes a consumir o que é roubado
para evitar a prisão em flagrante. Também dá instruções (veja trechos) sobre
como fraudar o cadastro do governo para receber dinheiro público. Há até dicas
sobre políticos que devem ser acionados em caso de emergência. Basta chamar o
deputado federal Adão Pretto e o ex-deputado estadual Frei Sérgio. Ganha um
barraco de lona preta quem souber o partido da dupla.
Em seus capítulos não contemplados pelo Código Penal, o manual expõe uma
organização claramente assentada sobre um tripé leninista, com doutrinação
política, centralismo duro e vida clandestina. Além de teorias esquerdistas,
repletas de homenagens a Che Guevara e Zumbi dos Palmares, há relatos de
espionagem e tribunais de disciplina. Uma militante, que precisou de "licença"
de um mês para fazer uma cirurgia, só foi autorizada a realizar o tratamento com
a condição de que ele fosse feito num único dia. Brigas, investigações internas
e punições também explicitam o rígido e desumano controle exercido sobre suas
fileiras. "Assim como nas favelas controladas pelo narcotráfico, o MST atua como
polícia e juiz ao impor e fiscalizar seu código de conduta", afirma o filósofo
Denis Rosenfield. Exagero? Talvez não. Dos 800 invasores que depredaram a
fazenda Estância do Céu, por exemplo, 673 já foram identificados. Nada menos que
168 tinham passagem pela polícia. Havia antecedentes de furto, roubo e até
estupro. "O MST é formado por alguns desvalidos, vários aproveitadores e muitos
bandidos", diz o promotor Gilberto Thums, do Ministério Público gaúcho. "Eles
usam táticas de guerrilha rural para tomar territórios escolhidos pelos
líderes."
Embora raramente sejam expostos à luz, manuais de guerrilha são lidos como
best-sellers nos acampamentos. Também no Rio Grande do Sul, berço e laboratório
do MST, a polícia apreendeu três documentos que registram o lastro teórico de
sua configuração de guerra. O mais recente, apreendido em julho passado, orienta
os militantes a "se engajar na derrubada de inimigos estratégicos". Os inimigos,
claro, não se resumem aos gatinhos das fazendas ocupadas pelo MST. O objetivo é
a "derrota da burguesia", o "controle do estado" e a "implantação do
socialismo". O documento lista exemplos de como "interromper as comunicações do
inimigo" e "incendiar as proximidades para tornar o ambiente irrespirável". Pode
não ser obra do acaso. Há dois anos, um membro das Farc foi descoberto pela
polícia em meio aos sem-terra gaúchos. A combinação entre teoria e prática deixa
poucas dúvidas sobre os propósitos do MST. O movimento, que seduziu a
intelectualidade nos anos 80 e caiu nas graças do povão na década seguinte, está
marchando para a guerrilha rural. Diz o filósofo Roberto Romano: "O MST está se
filiando à tradição leninista de tomada violenta do poder por meio de uma
organização centralizada e autoritária".
A estratégia da guerrilha é um sucesso recente nos pampas graças a sua eficácia.
As invasões e os acampamentos têm funcionado em muitos casos. Em novembro
passado, após cinco anos de guerra com o MST, o fazendeiro Alfredo Southall
resolveu vender a Estância do Céu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária (Incra). "Cansei da batalha. Joguei a toalha", desabafa. Suas terras
serão transformadas em um assentamento para 600 famílias. O fazendeiro gaúcho
Paulo Guerra teve sua fazenda invadida seis vezes desde 2004. Os invasores
destruíram uma usina hidrelétrica e 300 quilômetros de cercas. Também queimaram
dois caminhões, dois tratores e onze casas, além de abaterem 300 bois. "Minha
família se dedica à fazenda há 100 anos. Podemos perder tudo, mas não vamos
entregar nosso patrimônio ao MST", diz. Nos últimos dois anos, mais de 600
processos já foram abertos contra militantes do movimento. Uma ação judicial
pede que o MST seja colocado na ilegalidade. Enquanto ela não é julgada, porém,
os promotores têm conseguido impedir seus integrantes de circular em algumas
regiões. "Não se trata de remover acampamentos. A intenção é desmontar bases
usadas para cometer reiterados atos criminosos", justifica o promotor Luis
Felipe Tesheiner.
O MST passa atualmente por uma curiosa transmutação política. Desde a chegada ao
poder de Lula e do PT, aliados históricos do movimento, a sigla abrandou os
ataques ao governo federal. A trégua, que beneficia a ambos, permitiu que os
sem-terra apadrinhassem vinte dos trinta superintendentes regionais do Incra. É
um comportamento muito diferente de quando o MST liderou as manifestações "Fora,
FHC" e invadiu a fazenda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002. O
terrorismo agora é praticado preferencialmente no quintal de governadores de
oposição a Lula, como a gaúcha Yeda Crusius e o paulista José Serra. A reputação
do MST acompanha sua guinada violenta. Dez anos atrás, a maioria dos brasileiros
simpatizava com a sigla. Agora, a selvageria, aliada à extraordinária mobilidade
que levou 14 milhões de pessoas a ascender socialmente nos últimos anos, mudou a
imagem do movimento. Pesquisa do Ibope realizada no ano passado mostra que
metade dos entrevistados é contra os sem-terra. O MST, hoje, é visto como
sinônimo de violência. "As pessoas descobriram que é possível melhorar de vida
sem que para isso seja necessário fazer uma revolução", diz o presidente do
Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Às vezes é preciso tempo para enxergar o
óbvio.
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Fonte: Website de Olavo de Carvalho
[17/05/98] O
segredo de João Pedro Stedile - por Olavo de Carvalho
Quando um sujeito não quer ver a realidade, não adianta nada ela posar diante
dele escandalosamente nua. O juiz que rejeitou a denúncia de apologia do crime
apresentada contra o sr. João Pedro Stedile alegou que um simples discurso desse
personagem não podia ter causado atos de vandalismo. Em algum lugar do passado
S. Excia. deve ter tido diante dos olhos, mesmo que fugazmente, um exemplar do
Código Penal. Se nele houvesse detido sua atenção por mais alguns segundos,
teria talvez notado que a apologia do crime é crime em si, ainda quando
impotente para suscitar resultados práticos.
Mas, além de juridicamente descabida, a impotência política que a sentença
atribuiu às palavras do Sr. Stedile contradiz também tudo o que se sabe, em
história e em psicologia social, da eficácia da palavra-de-ordem desfechada por
um líder sobre a massa organizada. Pois o Sr. Stedile não falou, no ar e à toa,
para meia-dúzia de mendigos reunidos casualmente numa praça, e sim para uma
tropa bem preparada, bem trabalhada, pronta para a ação como um canhão carregado
que aguarda, para disparar, apenas uma discreta fagulha.
A comparação, aliás, peca por míngua: secundado pelo apoio quase unânime da
mídia e pela solidariedade providencial de políticos e juristas de miolo mole
que insistem em estender aos ricos incitadores de pobres a excusa do "estado de
necessidade", um discurso do Sr. Stedile não é uma fagulha: é uma explosão em
cadeia, que começa com o chiado de um pavio e termina ribombando e derrubando
prédios por todo o território nacional.
Mas que a sentença seja absurda e fundada num pretexto risível não implica que
devamos lamentá-la. Por mim acho ótimo que o Sr. Stedile continue a circular
livre pelas ruas, despido da aura de mártir que três minutos de cadeia bastariam
para conferir a um homem jamais seriamente maltratado por qualquer adversário, e
que até o momento não tinha pretexto aceitável para se fazer de coitadinho.
É notória a habilidade da esquerda para elevar às dimensões publicitárias de um
holocausto qualquer pequena incomodidade que se lhe inflija. O sr. Leonardo
Boff, por exemplo, tornou-se um novo Cristo no Gólgota por conta das duas ou
três amáveis reprimendas que lhe deram em Roma, enquanto seus inimigos
conservadores – de Lefebvre a Castro Mayer – eram sumariamente excomungados sem
que a grande imprensa lhes concedesse sequer um espacinho para modestas
lacrimejações.
Não. Nada de cadeia. Quero ver o Sr. Stedile livre e forte para agüentar certas
verdades que, mais dia menos dia, hão de aparecer. Para homens como ele, cadeia
não dói. O que dói, a única coisa que dói na alma de um revolucionário
profissional, é ver exposto aos olhos do público o segredo em cuja meticulosa
ocultação reside a fórmula da vitória.
Quando falo em segredo, não imaginem que me refiro ao submundo mental do
inconsciente. Nada sei da psicologia pessoal do Sr. Stedile e me dou por
satisfeito de continuar a ignorá-la. O segredo do Sr. Stedile não está nas suas
emoções profundas, mas numa doutrina política que, para ser eficaz, tem de se
resguardar cuidadosamente de declarar seu nome.
Essa doutrina compõe-se, com efeito, de duas partes: as premissas, que o Sr.
Stedile alardeia abundantemente, e a conclusão fatal, que ele omite
discretamente. As premissas são as seguintes: 1) entre as classes sociais há
contradições de interesses; 2) algumas dessas contradições são antagônicas, isto
é, não têm solução pacífica.
A conclusão, que o Sr. Stedile jamais declara, mas que qualquer garoto de escola
pode tirar sem dificuldade, é que ou a sociedade terá de viver num estado de
guerra permanente, ou uma das classes terá de ser eliminada — sendo difícil
conceber como se poderia dar fim a uma classe sem suprimir fisicamente bom
número de seus membros.
Essa doutrina é nossa conhecida de velhos e sangrentos carnavais. Levada à
prática, custou a vida de mais de 100 milhões de pessoas — o episódio mais
mortífero da História humana desde o dilúvio.
Mas estou pondo o carro adiante dos bois. Deixem-me contar a história desde o
começo. Meu interesse pelas crenças do Sr. Stedile nasceu há tempo em Porto
Alegre, onde, com meu amigo, o brilhante estudioso Cândido Prunes, tive durante
algumas horas, na Bienal do Livro de 1997, o extravagante prazer de debatê-las
com o próprio Sr. Stedile e seu fiel escudeiro frei Sérgio Görgen.
Tendo-as ouvido, não saí, no entanto, estupefato, pela simples razão de que já
as viera ouvindo pela vida a fora, pelo menos desde os quatorze anos de idade,
quando pela primeira vez topei com um comissário do povo incumbido de ensinar
aos jovens o caminho da felicidade universal, que, como o resumiu um adágio da
Revolução Francesa, consiste em enforcar seres humanos uns nas tripas dos
outros.
Quem ficou estupefato foi o próprio Sr. Stedile, porque, habituado pela mídia a
um tratamento de menino mimado, pela primeira vez em sua vida teve a pedagógica
e repugnante oportunidade de ouvir uma resposta substantiva. Sim, reconheço que
maltratei sadicamente o cérebro do Sr. Stedile, mostrando-lhe as últimas coisas
que ele desejaria saber.
Não é de espantar que ele tenha saído espumando de cólera, batendo o pezinho e
maldizendo, alto e bom som, a hora em que aceitara o convite para o debate.
Mas vamos por partes. Após ter exposto as premissas de sua doutrina, o Sr.
Stedile deu alguns exemplos de contradições antagônicas. O primeiro foi que o
regime instalado no país em abril de 1964 esmagara as Ligas Camponesas mediante
a eliminação física de seus líderes. Respondi que o episódio se dera em 1963, um
ano antes da posse do Marechal Castelo Branco, que só poderia ter cometido o
crime pelos métodos do Exterminador do Futuro.
Alegou então o Sr. Stedile, como prova da violência reacionária contra os
camponeses progressistas, o massacre de Canudos. Canudos, respondi, fora um
movimento monarquista e conservador, afogado em sangue pelos progressistas que
tinham acabado de derrubar o regime imperial.
Em resposta, o cortejo de militantes que acompanhava o Sr. Stedile em trajes
típicos — boné, sacola a tiracolo — começou a gritar, vaiar e uivar, para
impedir que os fatos históricos continuassem a tirar de seu guru todo o prazer
de viver. Não tive remédio senão disparar sobre os valentes meninos um enérgico
"Cala a boca!", que, para minha surpresa, os fez mudar de atitude
instantaneamente, passando dos rosnados viris aos muxoxos de donzela magoada.
Alguns levantaram-se para protestar, com pose de aluninhos bem comportados,
contra a grosseria do debatedor escolhido para confrontar-se com a alma delicada
do Sr. Stedile. O próprio Sr. Stedile, aproveitando a deixa, declarou que se
soubesse que iria receber da parte de seu opositor um tratamento tão brutal,
jamais teria ido àquele lugar maldito. Estas sábias palavras foram aplaudidas
com entusiasmo. Eu mesmo as aplaudi, fascinado pela desenvoltura artística com
que aquele talentoso orador passava do furor heróico aos gemidos de
autocomiseração.
Percebi então que o Sr. Stedile só estava acostumado a enfrentar-se com dois
tipos de pessoas: no campo, fazendeiros armados que desejariam matá-lo; na
cidade, políticos, intelectuais e ricaços que o adulam. Um simples cidadão
sincero, capaz de lhe dizer na lata coisas patentes, era demais para a sua
cabeça.
Pior ainda ficou ele, esfregando nervosamente as mãos na impossibilidade de me
estrangular em público, quando eu disse que o MST, embora pose de inimigo número
um do imperialismo, não faz nenhum dano aos poderes internacionais; que estes,
ao contrário, lhe dão vasto apoio financeiro e midiático em troca de sua ajuda
para enfraquecer o Estado nacional brasileiro, o que é parte essencial da
estratégia globalizante, empenhada em fomentar movimentos de reivindicação que
obriguem as nações a viver de ajuda internacional; que, no conjunto, o MST só
ataca empresários rurais, uma classe que, poderosa regionalmente, nada significa
em escala mundial; e que, enfim, tudo se resume no velho circuito descrito por
Bertrand de Jouvenel: um poder maior e central, para se afirmar, destrói poderes
intermediários com a ajuda de uma massa de insatisfeitos que nem de longe
imaginam a quem servem.
A estas observações ninguém me respondeu nada. Os cérebros ficaram paralisados
pelo impacto de uma novidade indigerível.
Concluí então que uma causa fundada na falsidade e no auto-engano só poderia
propagar-se à força de mentiras. A mais notável delas era o famoso "estado de
violência" que, segundo o MST afirma e a imprensa mundial ecoa, é geral e
endêmico no campo brasileiro. Exibi então as estatísticas trazidas no livro de
autoria do próprio Stedile, A Questão Agrária no Brasil, segundo o qual a taxa
de homicídios em toda a área rural brasileira — todo um continente, habitado
pela quarta parte da população brasileira —, tinha sido de 40 a 50 casos por ano
entre 1991 e 1995 — um número aproximadamente igual à quota, não anual, mas
mensal, dos morros cariocas, cuja população não chega a dois milhões de pessoas.
Os dados do Sr. Stedile mostravam que, comparado às áreas urbanas, o campo é a
área mais estável e pacífica do Brasil. Como conseguia o MST fazer tanto alarde
em torno de tão minguados horrores sem o apoio interesseiro dos poderes
internacionais, que a doutrina oficial da esquerda afirmava serem aliados dos
latifundiários? Era aos fazendeiros ou ao MST que a Comunidade Econômica
Européia dava dinheiro, a ONU legitimação política, a grande imprensa
novaiorquina respaldo publicitário? Quem, afinal, servia às forças
globalizantes?
Convidado a dirigir perguntas ou objeções a seu opositor, o Sr. Stedile declarou
que nada tinha a responder a um sujeito tão horroroso, sendo seu aristocrático
mutismo secundado pelo de frei Sérgio Görgen, seu acólito. Respondi a essa
não-pergunta observando que era próprio do monólogo totalitário nada perguntar,
mas viver imerso na auto-satisfação de afirmar, afirmar e afirmar.
Ainda sem responder, o sr. Stedile entrou logo nas suas "considerações finais",
de pé para fazer da mesa de debates um palanque, gesticulando muito, ocupando
por meia hora, sem apartes, o prazo de dois minutos que lhe fora concedido, e
preenchendo-o com um vocabulário seleto, no qual se discerniam, entre outros
termos científicos, o nome da mais velha profissão da humanidade e o do membro
masculino, ambos começando com ''p" e terminando com "a", sendo no fim
entusiasticamente aplaudido pelos que haviam protestado contra a incontinência
verbal de seu adversário.
Em seguida, alegando não sei quais compromissos, retirou-se do debate,
cumprimentando todos os membros da mesa exceto um (no que seria depois imitado
por frei Sérgio, religiosamente).
Após a saída do líder, os militantes dividiram-se: uns foram embora, desistindo
de uma conversa que não poderia trazer ao MST nenhum dividendo político. Outros
redobraram de ferocidade. Um deles gritou que nós outros, defensores de um
determinado "modelo de sociedade" éramos uns "mercadores da morte". Outro, ou o
mesmo, não lembro direito, afirmou que o capitalismo matara todos os índios. Ao
primeiro, convidei a mostrar, nos meus livros, uma linha, ao menos, que
propusesse algum modelo de sociedade. Ao segundo, ou ao mesmo, observei que a
destruição das nações indígenas no Brasil fora anterior ao advento do
capitalismo, tratando-se portanto, de um segundo Exterminador do Futuro.
Seguiram-se novos gritos e protestos, sendo então encerrada, entre apupos e
furores, a singular troca de idéias. Troca na qual levei prejuízo, não tendo
recebido nenhuma em retribuição das minhas.
Ao voltar ao Rio, tive a surpresa ingratamente lisonjeira de descobrir que
muitas pessoas consideravam uma covardia abominável designar-me para enfrentar o
Sr. Stedile, tendo em vista o que presumiam ser uma desproporcional dotação de
nossos respectivos QIs (no entanto jamais cotejados cientificamente). Essa
reação revelou-me um curioso traço da nossa psicologia coletiva: ela encara a
inteligência e o conhecimento como forças físicas, que nos debates deveriam ser
graduadas igualitariamente, a bem da justiça. Quando um simples cidadão sem
cargo ou dinheiro, armado tão somente de sua cabeça e de seus estudos, enfrenta
um líder político que vem escorado em vastas organizações, verbas milionárias e
uma massa de militantes enfurecidos, o covarde é o primeiro, não o segundo.
Entre Cícero com sua eloqüência e César com seus exércitos, covarde é Cícero.
Entre Leon Trotski com seus panfletos e Stálin com seus guardas, covarde é
Trotski.
Mas, deixando de lado essas manifestações de igualitarismo paroxístico, muito
influentes aliás nas "políticas culturais" de hoje, tive ainda, em casa, a
ocasião de completar minhas impressões lendo numa revista de São Paulo (Caros
Amigos, Ano 1, no 8, nov. 1997) uma longa entrevista do sr. Stedile, onde
finalmente acreditei ter compreendido algo da sua personalidade política.
A chave para a decifração dessa criatura enigmática está no estilo do seu
discurso. Desde o falecimento do ministro José Maria Alkmin, nenhum brasileiro
superou o Sr. Stedile na arte da linguagem escorregadia. Mas entre eles há
diferenças substanciais. O primeiro era nebuloso em tudo; o segundo o é apenas
no que se refere à sua identidade política, sabendo ser bastante claro e
incisivo ao definir a dos adversários. Alkmin era vago em atos e palavras, o Sr.
Stedile o é somente em palavras: seus atos têm um sentido muito definido, que o
discurso nebuloso busca disfarçar.
A técnica do Sr. Stedile consiste em evitar dar às suas ações mais óbvias os
nomes que elas obviamente têm. Ele se esquiva às definições pela mesma razão com
que um índio se esquiva de fotografias: para evitar que sua alma seja capturada.
A palavra é poder: aquilo que podemos nomear, podemos de algum modo dominar. O
sucesso das ações do Sr. Stedile depende em última instância de que ninguém
saiba exatamente o que ele está fazendo. Por isto, num mundo em que tantos se
queixam da incompreensão alheia, ele foge da alheia compreensão como um vampiro
foge da luz do dia.
A nebulosidade começa pela própria figura social do personagem. Esse intelectual
diplomado em Economia por uma universidade paga (PUC do Rio Grande) procura
falar errado como um homem do povo, mas às vezes se equivoca e inadvertidamente
começa a conjugar os verbos e flexionar os adjetivos com aprimorada correção. No
debate em Porto Alegre, acuado pelos cálculos de Cândido Prunes, ele primeiro se
fez de ignorante, dizendo que não era justo cobrar de um simples lutador pelas
nobres causas a leitura de "tudu êssis livru" (sic); tão logo sentiu firmeza,
começou a despejar sobre o adversário estatísticas e cálculos — impertinentes,
mas expostos em linguagem de professor da USP.
Mais nebuloso ainda é o estado em que ele procura manter a identidade do MST —
"um movimento sui generis, ao mesmo tempo de caráter popular, sindical e
político", que os esquerdistas mesmos não entendem, pois "nunca existiu um
movimento que reunisse essas três características". Será mesmo? Em escala
nacional, sim. Mas, na história do mundo, um movimento que invade terras e
instala no campo uma administração paralela para ir tomando aos poucos o lugar
dos órgãos oficiais não é novidade nenhuma. Surgiu na Rússia pré-revolucionária
com o nome de soviete. Até a principal diferença que separa o MST dos movimentos
sindicais assinala a sua identidade com os sovietes: ele não se compõe só de
camponeses, como um sindicato de classe, mas inclui engenheiros, economistas,
assessores de imprensa e, last not least, técnicos em guerrilha. Sim, ele não é
um órgão de representação profissional. É um braço da estratégia revolucionária
e a semente da futura administração rural comunista. Ao lançar o manto da
nebulosidade sobre um fenômeno de identidade tão manifesta, o Sr. Stedile
açambarca em proveito da estratégia comunista, espertamente, o próprio fato de o
comunismo estar fora de moda: desconhecendo tudo da estratégia leninista que lhe
parece coisa do passado, o público não poderia reconhecê-la nem mesmo sob o mais
tênue e relaxado disfarce, e encontra-se pronto a servi-la quando ela se
apresenta sem nome.
É por isso que o Sr. Stedile, após defender as velhas e ortodoxas doutrinas da
luta de classes, da destruição do aparelho de Estado burguês, etc. etc., pode,
sem corar, negar que é marxista, negar que é leninista e, para cúmulo, negar até
mesmo, como o faz com vigor em sua entrevista, que seja um homem de esquerda no
sentido mais geral do termo!
"Detestamos rótulos", afirma ele. "Fazemos uma campanha permanente contra o
rótulo". Mas essa firme determinação inverte-se quando a cola vai para o outro
lado. Os inimigos do MST são facilmente catalogados em "neoliberais",
"imperialistas", "reacionários" etc., sem que isto desperte a rotulofobia do Sr.
Stedile. Eu mesmo tive a oportunidade de receber, da parte de militantes do
movimento, o carimbo de "neoliberal", embora minha única participação em
entidades que professam essa doutrina tenha sido, precisamente, uma conferência
no Instituto Liberal do Rio sob o título "Por que não sou neoliberal".
Não é preciso dizer que, no são entendimento humano, nem todos os nomes são
meros rótulos, catalogações exteriores inadequadas à natureza da coisa. Quando
chamamos uma galinha de galinha, um jumento de jumento ou o Sr. Stedile de Sr.
Stedile, não estamos rotulando: estamos nomeando. Mas quando o Sr. Stedile,
tendo negado peremptoriamente que é esquerdista, logo em seguida se qualifica de
"socialista cristão" e mesmo após o galo cantar três vezes não explica que raio
de coisa poderia vir a ser um socialismo não-esquerdista, então compreendemos
que ele está precisamente se rotulando para esconder por trás do rótulo o
verdadeiro nome da coisa; que, em suma, ele prefere antes o mais falseado dos
rótulos, quando lhe é útil politicamente, do que o mais apropriado dos nomes,
quando lhe é politicamente incômodo.
O sr. Stedile pode ser, no plano pessoal, um homem honesto — honesto com sua
esposa, com seus credores, com seus amigos. Nada sei que, como ente biológico e
civil, o desabone. Política e intelectualmente, porém, seu discurso é a coisa
mais tortuosa, mais mentirosa e mais dissimulada que tem aparecido no cenário
nacional. E que sua figura política seja imposta ao público como a imagem por
excelência do bom menino, como a encarnação mesma dos "sentimentos nobres"
massacrados pelo cínico mundo capitalista, eis aí a prova de que este país vai
perdendo, junto com o senso da verdade, todo discernimento moral.
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Fonte: Estadão
[26/11/11]
Grupo critica submissão de líderes e racha MST - por Roldão Arruda
Carta subscrita por 51 antigos militantes diz que movimento deixou de lutar pelo
socialismo e perdeu combatividade com chegada do PT ao poder
Um grupo de 51 militantes e apoiadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), a
maioria veteranos na luta pela reforma agrária, divulgou carta na qual anuncia o
desligamento da organização por discordar de seu projeto político atual. Na
avaliação do grupo, o MST, além de burocratizado e institucionalizado, está
integralmente subordinado às políticas do governo federal.
"Vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que
envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, Movimento
dos Trabalhadores Desempregados, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um
projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do
governo", diz a carta. Na avaliação dos signatários, trata-se de uma "esquerda
pró-capital" e destinada a "movimentar a massa dentro dos limites da ordem e
para ampliar projetos assistencialistas".
Trata-se de uma crítica radicalmente de esquerda. O texto afirma que, além de
perder a combatividade a partir de 2003, com a chegada do PT ao poder, o MST
deixou de lutar pelo socialismo.
A direção nacional do MST não quis comentar publicamente o documento. Preferiu
tratar o episódio como parte dos debates e das divergências políticas que sempre
fizeram parte da história da organização.
Nos bastidores, porém, alguns dirigentes acusaram o golpe. Lamentou-se sobretudo
a deserção de militantes históricos do Rio Grande do Sul. Do total de
assinaturas, 28 são daquele Estado, onde o movimento foi idealizado, na década
de 1980, e no qual surgiu seu líder mais conhecido, João Pedro Stédile.
A decisão do MST de não comentar a carta também pode estar vinculada ao fato de
atravessar um dos piores momentos de sua história do ponto de vista de
mobilizações. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos chegou ao nível
mais baixo dos últimos anos.
16/12/11
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (3) -
"Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri" - por Adrualdo
Catão
Nota de Helio Rosa:
Depois de um intervalo, volto a acompanhar o tema "bogueiros progressistas".
01.
Mantenho, há 11 anos, mesmo antes do advento dos blogs na forma atual,
dezenas de páginas temáticas sobre assuntos de telecom e cidadania.
O custo é baixíssimo e não fiquei mais pobre por causa disso. E nem mais
rico, pois não recebo nenhum financiamento e não há propagandas em minhas
páginas.
Estou muito à vontade para acompanhar a atividade dos "blogueiros
progressistas".
Os dois "posts" iniciais estão aqui:
28/06/11
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - Nem todos os
jornalistas estão à venda
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - "Carta" do 1º
Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas
02.
Retomo com um recorte de uma matéria já iluminada anteriormente que
define este tipo de blogueiro:
(...) Depois da internet, as possibilidades de
liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor
dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram
os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns
vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página
pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não
vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.
Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros
Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT
e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão
da mídia tradicional". É justo que o façam? É.
Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros
Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no
PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria
bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como
"Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa
tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o
é na prática.
Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade
de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem
posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...)
[Fonte:
Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do
Amigos]
Na sequência, para não deixar dúvidas das
pretensões de financiamento dos "blogueiros progre$$istas" (esta grafia será
justificada após a leitura) recorto também este trecho:
(...) 4 – Reivindicamos
a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de
publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas
de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação
representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser
produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu
potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de
comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de
fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios
meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina
pluralidade na comunicação do país. (...)
[Fonte: Fonte:
Blog Cidadania de Eduardo Guimarães - [17/08/10]
Carta dos Blogueiros Progressistas]
03.
Está na "boca da mídia", por conta de enorme auê da blogosfera
"progressista", o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., “A privataria
tucana".
Não li o livro, mas consta que não apresenta nenhuma novidade sobre o
assunto que já não tenha sido veiculada pela mídia.
Especula-se que seu lançamento foi acelerado para se contrapor à enorme
corrupção reinante nos governos Lula e Dilma que, na falta de oposição
partidária formal, a mídia vem "cavando" e divulgando.
Transcrevo abaixo estas matérias:
Fonte: Blog de Adrualdo Catão
[15/12/11]
Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri - por
Adrualdo Catão
Fonte: Blog do Noblat
[12/12/11]
Que pobreza de idéias - por Ricardo Noblat
Fonte: Noblat
[16/12/11]
Notas sobre um livro - por Sandro Vaia
HR
------------------------------
Fonte: Blog de
Adrualdo Catão
[15/12/11]
Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri - por
Adrualdo Catão
Anotado no Blog:
Adrualdo Catão é Doutor em Teoria e Filosofia
do Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor de Filosofia
do Direito da Graduação e do Mestrado da Faculdade de Direito de Alagoas,
FDA/UFAL. Advogado e Blogueiro. Esse é um blogue de opinião sobre política,
direito, filosofia e qualquer assunto considerado relevante. Um ambiente de
total liberdade de expressão e defesa da democracia.
Os progressistas estão me cobrando uma análise do livro “A privataria
tucana” de Amauri Jr. Ainda não li o livro. Esse texto antecipa minhas
expectativas sobre o livro e a movimentação causada por ele.
Vocês já ouviram falar dos blogueiros progressistas? São aqueles que,
demitidos da “grande mídia”, como eles gostam de chamar, encontram abrigo
debaixo da saia do governo petista. Com grandes somas em patrocínios
estatais, dedicam a vida a falar bem do governo e mal da oposição. Eles
também se dizem de esquerda, mas isso nem é o pior dos males...
Eu, por exemplo, não sou um blogueiro progressista. Sou independente, mas
tenho lado. Meu lado é o do estado de direito e dos valores liberais.
Acredito na ética centrada na proteção do indivíduo. Por isso, meus textos
enaltecem esses valores, e não outros. Ao contrário dos blogueiros
progressistas, sou independente, mas não sou neutro.
O PT representa, hoje, a hegemonia de um partido com crenças velhas e ações
voltadas para piorar nossas instituições democráticas. Petistas flertam com
a democracia liberal, mas apenas para manter a estabilidade. Seus valores
ainda são os mesmos e aparecem em seus discursos antiliberais. São contra um
Estado eficiente. Gostam de gastos com companheiros na máquina. Claro que
existem petistas sérios. Estou fazendo uma generalização.
Tudo bem que o partido nem sempre age assim. Mas não é porque não quer, é
porque não pode. Para ganhar a eleição, Lula teve que renunciar a muitas de
suas crenças antiliberais. Isso o tornou palatável e permitiu, com sua
vitória, a continuidade de um projeto para o Brasil, que começou com Collor
e ganhou com FHC seus contornos institucionais mais sofisticados.
O PT, então, curva-se ao ideário liberal na economia por necessidade e não
por convicção. Por isso, ao mesmo tempo em que promove privatização de
aeroportos, demoniza os tucanos justamente pela privatização. Justamente
aquilo que de melhor fizeram os tucanos no poder! Tirar do Estado o peso
enorme das estatais, que agora geral mais tributos do que antes geravam em
lucros. Como justificar tanta incoerência? É tudo uma questão de
conveniência estratégica. Para melhorar aeroportos, o ente privado é
necessário. Assim, as crenças antiliberais perdem espaço para a
governabilidade. Na campanha, o PT falará mal das privatizações de novo.
O PT, junto com seu ideário antiliberal, é, em certos âmbitos, hegemônico.
Na academia, por exemplo, não ser petista é coisa rara e mal vista.
Identificar-se não apenas com a social-democracia, mas com a demonização do
liberalismo e, mais amplamente, do capitalismo, é o típico pensamento da
elite que domina o serviço público brasileiro.
Isso não deixa de ser um retrato da incompreensão sobre o papel das empresas
e do lucro num Estado capitalista. Talvez se os servidores descobrissem que
o dinheiro que é usado para pagar seus salários vem, justamente, do lucro
das empresas e da renda das pessoas que produzem riqueza, deixariam de lado
as velhas bobagens antiliberais.
Mas essa hegemonia é tão grande que, mesmo no poder há tanto tempo, o PT
ainda consegue posar de vítima. E o pior, há um bando de seguidores que leva
a sério esse comportamento. Pensam realmente que há uma “direita
reacionária” que o PT enfrenta e que, por isso, mesmo estando no governo,
precisa de proteção.
Se existe uma direita reacionária, ela está justamente ao lado do PT no
governo! Onde estão Sarney e Collor? Onde está Renan Calheiros? No colo da
presidente Dilma! Onde estão as grandes empresas brasileiras? Penduradas nas
benesses e incentivos fiscais dados aos companheiros. Onde estão os bancos?
Todos com o PT.
Veja o que acontece hoje na rede e, especialmente, com esse blogue. Como sou
declaradamente de direita liberal, a turma vem sempre aqui me aperrear.
Agora o tema da vez é o recente livro do Amauri Jr. (seria aquele
apresentador de TV?), chamado “A privataria tucana”. O livro é uma espécie
de dossiê sobre os subterrâneos do processo de privatização do governo FHC.
A turma está tomando o livro como uma sentença de condenação transitada em
julgado. Cobram das grandes redes de TV que apresentem o livro em seus
telejornais. Cobram da Revista Veja que dê uma capa para o livro. Cobram até
desse mero blogueiro que fale sobre o livro...
Essa turma é uma piada!
Só um idiota para pensar que há processos completamente honestos em
política. Conheço políticos honestos, mas nem esses conseguem se cercar
apenas de anjos ou santos. Posso imaginar a quantidade de informação
privilegiada ou tráfico de influência que deve ter rolado nesse processo de
privatização. Tanto dinheiro envolvido!
Eu já disse aqui o que penso sobre corrupção. Ela está errada em qualquer
governo, em qualquer partido. Não defendo corrupto. Não sou petista. Em
todos os governos há corrupção.
O que distingue o PT dos demais partidos é o discurso sobre a corrupção.
Para o PT, a corrupção é um método. O maior exemplo foi o mensalão. A
corrupção a serviço do poder e serve como justificativa deste. Se os
conservadores sempre roubaram, o PT também tem que fazê-lo, ainda mais por
representar os anseios do povo. Esse é o discurso cretino dos petistas.
Não sejamos injustos com os fatos. Lembram do caro Arruda? Foi expulso do
DEM. Quantos mensaleiros foram expulsos do PT? Não só não foram expulsos
como fazem parte de comissões e ainda dão pitaco no governo Dilma. Vejo até
hoje petistas defendendo José Dirceu.
Nos outros partidos, o político tem vergonha de roubar. No PT, ele tem
orgulho.
Imaginemos então que o livro traga, mais de 10 anos depois, provas que nunca
foram usadas na inúmeras ações que o MPF impetrou na época. Documentos que
não estão nos inúmeros processos em que os “movimentos sociais” barravam os
leilões por meio de liminares. Imaginemos que o livro seja, realmente, uma
bomba no colo de José Serra. Ele que se dane! Que responda na Justiça. Que
pague pelos supostos crimes.
O que os petistas querem, porém, não é isso. Acusações como as que estão no
livro já foram feitas inclusive pela própria revista Veja. A coisa é prato
requentado. O que eles querem é tirar o foco do roubo do governo atual, para
focar num político que nem sequer exerce cargo público. O que eles querem é
afundar José Serra.
Querem equivalência entre um ministro consultor (Fernando Pimentel), amigo
de Dilma, e que está atualmente em ação, e uma denúncia de 10 anos atrás!
Querem equivalência entre a notícia da queda de seis ministros por corrupção
e uma denúncia requentada num livro! Sem contar a má fama desse Amauri,
envolvido com dossiês e cheio de processos nas costas. A mídia pode até ser
golpista, mas não é burra...
Petistas têm que entender que o livro é apenas... um livro! Se, e quando eu
quiser, lerei o bicho. (Há outros na fila) Se, e quando eu quiser,
escreverei aqui o que achei dele. Se algum petista quiser me presentear,
ficarei ainda mais feliz, pois não estarei dando dinheiro para esse
picareta.
Por ora, digo apenas que não tentem me fazer de besta. Sei diferençar
militância política de preocupação com o erário. Eu condeno a corrupção de
qualquer governo. Petistas podem fazer o mesmo?
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Fonte: Blog do Noblat
[12/12/11]
Que pobreza de idéias - por Ricardo Noblat
Os que defendem o governo e o PT, de preferência quando eles estão
escandalosamente errados, arranjaram um novo argumento para tentar se dar
bem nas discussões travadas com seus adversários nas chamadas redes sociais:
a pretexto de qualquer coisa, agora invocam a leitura do livro do jornalista
Amaury Ribeiro Jr., “A privataria tucana".
Se você critica Dilma por blindar Fernando Pimentel, ministro do
Desenvolvimento, autor de consultorias suspeitas, logo alguém escreve: "E o
livro de Amaury, cujos primeiros 15 mil exemplares se esgotaram num único
dia? Não vai falar dele?". Outros provocam: "Criticando Dilma outra vez? E a
roubalheira tucana promovida por ocasião da privatização das estatais?"
De sua parte, os que vivem para bater no governo e no PT mesmo quando eles
acertaram, se valem de truque igual só que na direção oposta. "E a
reportagem da VEJA sobre o estelionatário que falsificou documentos por
encomenda de deputados do PT para comprometer políticos da oposição e
embaralhar as cartas na época da CPI do Mensalão?" - pergunta um deles. "Não
vai comentar?"
É uma pobreza de idéias de dar pena.
O livro de Amaury desperta desde já dois tipos de reação: "Não li e não
gostei". E: "Não li e gostei".
Comecei a ler ontem. É uma leitura penosa para quem tem pouca intimidade com
o mundo financeiro.
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Fonte: Noblat
[16/12/11]
Notas sobre um livro - por Sandro Vaia
Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde,
diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência
Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A
Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez.
E.mail: svaia@uol.com.br
1) Não há nenhum motivo para que a imprensa não noticie e não comente o
lançamento do livro “Privataria Tucana” , de Amaury Ribeiro Júnior, como não
havia para que não noticiasse ou comentasse o livro “O Chefe”, de Ivo
Patarra.
Não há motivo, portanto, para que só a publicação de notícia sobre um deles
seja exigida, enquanto o outro continua ignorado.
2) Uma das informações de maior impacto do livro é a acusação de que Ricardo
Sérgio de Oliveira, homem forte das privatizações, ex-tesoureiro da campanha
de FHC , e ligado a José Serra, teria recebido propina de 15 milhões de
dólares de Benjamin Steinbruch para facilitar a vitória de seu consórcio no
leilão da Vale . A acusação foi publicada em maio de 2002 pela revista Veja,
paradoxalmente a mesma que é acusada hoje de falta de credibilidade pelas
acusações contra ex-ministros demitidos pelo atual governo.
A informação sobre suposta propina que teria sido paga por Carlos
Jereissatti na formação do consórcio das teles que arrematou a Telemar
também foi publicada pela Veja e por vários jornais e revistas. O que
comprova que a imprensa sempre cumpriu o seu papel, e só passou a ser
contestada e chamada de “golpista” quando o protagonista da noticia era
alguém do partido errado.
3) As considerações do autor do livro sobre todo o processo de privatização
representam as razões de um dos lados do debate ideológico que contrapõe em
todo o mundo o dirigismo estatal ao modelo liberal de Estado mínimo. O
próprio uso da palavra “privataria” reflete uma opção ideológica.
Não há no livro referência à sentença do juiz da 17ª Vara Federal sobre a
licitude do processo de privatização da Telebrás no caso da denúncia do
Ministério Público Federal contra Luiz Carlos Mendonça de Barros e outros no
famoso episódio do “limite da irresponsabilidade”. O juiz absolveu os
acusados, dizendo que eles defenderam o interesse do Estado (estimulando a
criação de um consórcio que aumentaria o preço mínimo do leilão) e não se
locupletaram ou beneficiaram pessoalmente de suas ações.
4) O emaranhado de documentos copiados dos arquivos públicos da Junta
Comercial, mostrando inextrincáveis criações, extinções e multiplicações de
empresas, mudanças de razão social, saídas e entradas de sócios, mudanças de
cargos, movimentações enigmáticas em paraísos fiscais, dão ao livro a solene
impressão de uma farta “documentação”, mas faltou um editor ou um
especialista em finanças para explicar o que significa cada uma dessas
coisas e qual é a relação entre elas.
Ficamos sabendo que José Serra tem uma filha que era sócia de Veronica
Dantas, irmã do famigerado Daniel (o que em si não chega a constituir crime)
e que tem um “primo político” (casado com uma prima) e um genro
aparentemente muito ativos em tenebrosas transações. Todos eles,
supostamente, abriam, fechavam e multiplicavam empresas para lavar dinheiro
e internalizá-lo legalmente no País.
Mas de onde vinha esse dinheiro ? Há uma vasta coleção de divagações,
suposições, insinuações, ilações, que levam a uma conclusão que quer parecer
óbvia porém não é comprovada: seria dinheiro desviado das privatizações. Não
há prova nem indício do chamado “crime antecedente”, que a lei exige para a
tipificação do delito da lavagem de dinheiro.
O livro virou uma peça da guerrilha política que ocorre em algumas rotas do
‘bas fond” das redes sociais e, até prova em contrário, está destinado a
provocar mais calor do que luz.
28/06/11
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - Nem todos os
jornalistas estão à venda
Fonte: Noblat - Origem: Blog de Augusto Nunes
[27/06/11]
Os comandantes da ofensiva contra a liberdade de imprensa ignoram que nem
todos os jornalistas estão à venda
Entre uma rodada de palestras financiadas por empresários amigos e uma missa
negra pela salvação da pele dos pecadores de estimação, Lula retomou na
terceira semana de junho a ofensiva contra a liberdade de imprensa.
Coerentemente, a discurseira que tenta estigmatizar o jornalismo
independente e faz a louvação da censura, rebatizada pelo PT de “controle
social da mídia”, foi ressuscitada no Encontro Nacional de Blogueiros
Progressistas, que juntou em Brasília o bando que age na internet a serviço
do governo e, sobretudo, do ex-presidente que ainda não desencarnou do
Planalto.
“Nunca me preocupei com crítica, mas que elas sejam verdadeiras”, mentiu
Lula para a plateia de blogueiros estatizados pelo companheiro Franklin
Martins com verbas, empregos e favores providenciados pelo Ministério da
Propaganda. “O que me preocupam são as inverdades, como aquela pedra,
meteorito, que bateu na cabeça de um candidato na eleição”, voltou a trocar
os fatos a socos e pontapés, insistindo em debochar da agressão sofrida pelo
candidato tucano José Serra num evento eleitoral no Rio de Janeiro.
Anabolizado por salvas de palmas, o palanque ambulante caprichou nos afagos
aos coadjuvantes das sucessivas farsas encenadas para transformar afrontas à
democracia em piadas ─ ou para negar que aconteceram. “Vocês evitaram que a
sociedade brasileira fosse manipulada como durante muito tempo ela foi
manipulada”, inverteu as coisas o falsário patológico. “Vocês evitaram que
os falsos formadores de opinião pública ditassem regras do que deveria
acontecer no país”.
Nessa versão pilantra, o Brasil escapou de afundar nas fantasias urdidas
pela imprensa não domesticada graças aos progressistas eletrônicos ─ uma
tribo que agrupa fanáticos estacionados no começo do século 20, exotismos
que ainda empunham garruchas da Guerra Fria e ex-jornalistas que arrendaram
a alma ao governo para garantir uma velhice poupada ao menos de achaques
financeiros. Todos incondicionalmente subordinados ao morubixaba, não acham
nada sem prévia autorização, nem ousam pensar por conta própria. Esses
requintes são para quem têm autonomia intelectual. Limitam-se a fazer o que
o dono ordena.
No Brasil dos blogs governistas, não existem safadezas, roubalheiras,
corrupção, ladroagem, quadrilhas federais, nada disso. E o escândalo do
mensalão, claro, foi uma invencionice da elite golpista. Nesse país sem
pecados, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci
prosperou honestamente, Aloízio Mercadante e seus aloprados jamais
fabricaram dossiês, Dilma Rousseff é uma pensadora onisciente, Lula é o
gênio da raça e o partido segue honrando a frase recitada por José Dirceu no
século passado: “O PT não róba nem deixa robá”.
O inevitável Dirceu apareceu no segundo dia da quermesse em Brasília
disposto a explicitar o que o chefe sugerira e, de novo, esvaziar o estoque
de bravatas. “É uma vergonha que a regulação da mídia não seja realidade”,
irritou-se. “Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a
reforma”. Se não fizer, avisou o palavrório, terá de haver-se com as tropas
do combatente diplomado em Cuba. “Estou disposto a travar essa luta junto
com vocês”, avisou o guerrilheiro de festim.
Declarações beligerantes formuladas por Dirceu só conseguem matar de rir.
Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, pelo medo paralisante nos anos 70,
pela própria arrogância no restante do século, ele foi definitivamente
derrotado pelo prontuário em 2005. Mas o revolucionário de araque está
sempre pronto para perder mais uma. Ele se recusa a morrer antes de
monitorar, de preferência instalado no gabinete do ministro da Propaganda, a
implantação do controle social da mídia.
Enquanto durasse a experiência liberticida, o que merece ou não virar
notícia seria decidido por comitês formados por gente de confiança do
governo, como os participantes do encontro em Brasília. “Os blogueiros
progressistas não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria
consciência”, garantiu Dirceu. Os que conheci nunca souberam o que é isso.
Dependendo do preço, suariam a camisa com o mesmo entusiasmo num campo de
concentração nazista ou num gulag soviético.
A recidiva autoritária de Lula e Dirceu foi concebida para inibir os que não
se deixam intimidar e açular os blogueiros federais. Além dos incontáveis
casos de polícia já eviscerados pela imprensa, vêm aí a Copa da Roubalheira,
a Olimpíada da Ladroagem e, antes dos dois espantos, o julgamento da
organização criminosa envolvida no mensalão. Para que o governo do padrinho
e da afilhada não fique ainda pior no retrato, é essencial reduzir o espaço
de quem insiste em contar o caso como o caso foi e ver as coisas como as
coisas são.
Os comandantes da ofensiva, intensificada neste fim de semana, vão constatar
de novo que manobras liberticidas naufragam já nos primeiros artigos da
Constituição. E descobrirão que não são poucos os profissionais que ilustram
a lição de Cláudio Abramo: “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, o
exercício cotidiano do caráter”. Jornalistas independentes são prisioneiros
voluntários da paixão pela verdade. Enxergam e denunciam delinquências seja
qual for a filiação partidária do bandido. Sabem que a liberdade não tem
preço. E não estão à venda.
28/06/11
•
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - "Carta" do 1º
Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas
Nota de Helio Rosa
Quem lê jornal ou dá uma passada pelos portais de notícias, já ouviu "falar"
dos Blogueiros Progressistas.
Para saber o que pensam esses blogueiros e acompanhar suas atividades,
colecionei algumas matérias mas permito-me destacar estas duas, com recortes
do seu conteúdo:
Fonte: Amigos de
Pelotas
[04/06/11]
Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do
Amigos
Recorte:
(...) Depois da internet, as possibilidades de
liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor
dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram
os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns
vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página
pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não
vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.
Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros
Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT
e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão
da mídia tradicional". É justo que o façam? É.
Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros
Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no
PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria
bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como
"Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa
tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o
é na prática.
Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade
de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem
posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...)
Fonte: Blog Cidadania
de Eduardo Guimarães
[17/08/10]
Carta dos Blogueiros Progressistas
Recorte:
(...) 4 – Reivindicamos a elaboração de políticas
públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial
remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que
efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela
Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer
cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e
comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas
tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas
que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que
ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação
do país.(...)
Aqui estão manchetes das demais matérias
que estão transcritas mais abaixo:
Fonte: Blog do Miro
[25/05/11]
Aos detratores dos blogs progressistas - por Por Eduardo Guimarães, no
Blog da Cidadania
Fonte: Blog no QAP
[24/11/10]
Lula recebe Blogueiros Progressistas para entrevista histórica
Fonte: Blog do Noblat
- O Globo
[25/11/10]
Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto
Fonte: Substantivo
Plural
[05/04/11]
Carta dos blogueiros progressistas - por Daniel Dantas
HR Ler mais
----------------------------------------------------------------------
Fonte: Blog Cidadania
de Eduardo Guimarães
[17/08/10]
Carta dos Blogueiros Progressistas
Está pronta a redação inicial do documento final do 1º Encontro Nacional dos
Blogueiros Progressistas. Será reproduzida também em outros blogs e sites
ligados à organização do Evento.
Para fazer sugestões – acrescentar, suprimir ou modificar o documento – o
internauta deve enviar e-mail para contato@baraodeitarare.org.br
Há, também, duas outras boas notícias que transmito a pedido de Altamiro
Borges, membro da Comissão Organizadora que está coordenando a logística do
Evento.
1 – Conseguiremos transmitir o Encontro AO VIVO por WebTV (maiores
informações serão fornecidas pela jornalista Conceição Lemes no blog
Viomundo, mais adiante)
2 – Ao fim do Encontro, será fornecido um certificado de participação a cada
convidado, firmado pelos apoiadores institucionais do Evento – Altercom,
Barão de Itararé e Movimento dos Sem Mídia
Leiam, abaixo, a Carta dos Blogueiros Progressistas.
*****
Carta dos Blogueiros Progressistas
“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa, na
medida em que a imprensa compreensiva do rádio e da televisão se define como
serviço público sob regime de concessão ou permissão, ao passo que a
internet se define como instância de comunicação inteiramente privada”
MinistroAyresBritto
Em 21 e 22 de agosto de 2010, homens e mulheres de várias partes do país se
reuniram em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros, com a finalidade de
materializarem uma entidade, inicialmente abstrata, dita Blogosfera, a qual
vem ganhando importância no transcurso desta década devido à influência
progressiva que passou a exercer na comunicação e nos grandes debates
públicos.
A Blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações
de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude àqueles que,
além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o
primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog
independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios
sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou
seja, obtendo remuneração.
Em busca de soluções para as dificuldades que persistem para que a
Blogosfera Progressista siga crescendo e ganhando influencia em uma
comunicação de massas dominada por um oligopólio poderoso, influente e,
muitas vezes, antidemocrático, os blogueiros progressistas se unem para
formularem aspirações e propostas de políticas públicas e pelo
estabelecimento de um marco legal regulatório que contemple as
transformações pelas quais a comunicação está passando no Brasil e no mundo.
Com base nesse espírito que permeou o 1º Encontro Nacional de Blogueiros
Progressistas, os participantes deliberaram em favor dos seguintes pontos:
I – Apoiamos o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), de iniciativa do
governo federal, como forma de inclusão digital de expressiva parcela do
povo brasileiro extemporaneamente alijada de um meio de comunicação de
massas como a internet no limiar da segunda década do século XXI, o que é
inaceitável e incompatível com os direitos fundamentais do homem à
comunicação em um momento histórico em que os avanços tecnológicos nessa
área já são acessíveis a qualquer cidadão de qualquer classe social nos
países em estágio civilizatório mais avançado.
Apesar do apoio ao PNBL, os Blogueiros Progressistas declaram que, mesmo
entendendo a iniciativa governamental como positiva, julgam que precisa de
aprimoramento, pois da forma como está ainda oferece pouco para que a
internet possa ser explorada em todas as suas potencialidades. A velocidade
de processamento a ser oferecida à sociedade sem cobrança dos custos
exorbitantes da iniciativa privada, por exemplo, precisa ser ampliada ou não
realizará aquilo a que se propõe.
2 – Defendemos a regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223da Constituição
Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e, entre outras coisas,
proíbem a concentração abusiva dos meios de comunicação de massa e que
dispõem sobre os sistemas público, estatal e privado.
Por omissão dos Poderes Executivo e Legislativo na regulamentação da matéria
e sob sugestão do eminente professor Fabio Konder Comparato, os Blogueiros
Progressistas decidem mover na Justiça brasileira uma Ação Direta de
Inconstitucionalidade (ADIN) com vistas à regulamentação das leis que
determinam profundas alterações na realidade da comunicação no Brasil supra
descrita e que vêm sendo solenemente ignoradas.
3 – Combatemos iniciativas que tramitam no Poder Legislativo tais como o
Projeto de Lei de autoria do senador mineiro Eduardo Azeredo, iniciativa que
se notabilizou pela alcunha de “AI-5 digital” e que pretende impor
restrições policialescas à liberdade de expressão na rede mundial de
computadores, bem como as especulações sobre o que se convencionou chamar de
“pedágio na rede”, ou seja, a possibilidade de os grandes grupos de mídia
poderem veicular seus conteúdos na internet com vantagens tecnológicas como
capacidade e velocidade de processamento em detrimento do que for produzido
pelos cidadãos comuns e pelas pequenas empresas de comunicação.
4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a
veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como
outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de
comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa
ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar
seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de
comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de
fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios
meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina
pluralidade na comunicação do país.
5 – Cobramos dos Poderes Executivo e Legislativo que examinem com seriedade
deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como a da
criação do imprescindível Conselho Nacional de Comunicação.
6 – Deliberamos pela instituição de um Encontro Anual dos Blogueiros
progressistas, que deve ocorrer, sempre que possível, em diferentes capitais
para que um número maior de unidades da Federação tenha contato com esse
evento e, em algum momento, com o universo da blogosfera.
7 – Lutaremos para instituir núcleos de Apoio Jurídico aos Blogueiros
Progressistas, no âmbito das tentativas de censura que vêm sofrendo
sobretudo por parte da classe política e de grandes meios de comunicação de
massas.
São Paulo, 22 de agosto de 2010
Altamiro Borges
Conceição Lemes
Conceição Oliveira
Diego Casaes
Eduardo Guimarães
Luis Nassif
Luiz Carlos Azenha
Paulo Henrique Amorim
Renato Rovai
Rodrigo Vianna
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Fonte: Amigos de
Pelotas
[04/06/11]
Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do
Amigos
Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e negócios
aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos
profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde
trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho
a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal -
produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos
veículos tradicionais, mas a outros investidores.
Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros
Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT
e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão
da mídia tradicional". É justo que o façam? É.
Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros
Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no
PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria
bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como
"Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa
tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o
é na prática.
Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade
de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem
posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.
O Caso Palocci é um exemplo da guerra entre a imprensa tradicional e a
progressista. Uns estariam atacando, outros defendendo o ministro. Onde está
a verdade? É uma questão difícil. O que sei, por anos de experiência, é que
contra certos fatos não há argumento.
A novidade publicada pela revista Veja (que não é santa) neste fim de
semana, se for verdade, tem por si só o poder de derrubar o ministro.
Palocci viveria numa casa alugada de um laranja - um homem sem condições
sequer de pagar sua conta de telefone. Veja o vídeo abaixo e um post mais
abaixo.
Laranja sem saber: fim de Palocci?
Em Pelotas, vivemos um exemplo daquele conflito de mídia recentemente. A
diferença é que por aqui a "guerra" não é política, mas econômica.
Para sobreviver, a maior parte da nossa mídia evita assuntos delicados sobre
seus anunciantes, num mercado restrito. O caso da cobrança de corretagens
ilegais por parte de construtoras e imobiliárias é típico. A imprensa
tradicional, acostumada às cotas publicitárias do setor, não publicou uma
linha do tema. Sequer se permitiu debatê-lo. Pensou no seu caixa, não na
sociedade.
Já o Amigos investigou e publicou o assunto. No nosso caso, demos um exemplo
de real progressismo, já que em Pelotas a imprensa não tem o hábito de
investigar temas "difíceis", sobretudo se desagradam anunciantes. Sendo
assim, demos um passo adiante.
Com a internet, a verdade não pode mais ser escondida e, aos poucos, creio
que mesmo os veículos que hoje resistem a veiculá-la vão ter que ceder,
inclusive por razões comerciais. Lembram-se da Rede Globo no caso do comício
das Diretas no Rio? Não queriam dar a notícia, não a deram por vários dias
de preparação do evento, mas quando o povo lotou as ruas, a emissora teve de
ceder e noticiar.
O Amigos pode fazer jornalismo de verdade entre outras coisas porque a
internet é barata. Não dependemos de muitos anunciantes para existir.
O Diário Popular, como se sabe, não cobriu o caso das cobranças de
corretagens ilegais. Não desagradou às empresas do setor imobiliário nem a
Caixa Econômica Federal, que mantém alguns envolvidos entre seus
correspondentes, autorizados a fazer negócios em seu nome. Em compensação, o
jornal segue publicando anúncios do setor imobiliário, inclusive da CAIXA,
que anuncia hoje um Feirão da Casa Própria, certamente por uma polpuda
quantia publicitária.
Qual o preço da verdade numa cidade como a nossa? É uma pergunta a ser
respondida pelo leitor. Uma coisa posso garantir. Há jornalismo fora do
petismo e fora do "tradicionalismo".
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Fonte: Blog do Miro
[25/05/11]
Aos detratores dos blogs progressistas - por Por Eduardo Guimarães, no
Blog da Cidadania
Desde que, em meados do ano passado, um grupo de blogueiros passou a se
reunir e a planejar o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que
tal grupo não parou mais de ser atacado. E, a partir do momento em que esse
mesmo grupo entrevistou o presidente Lula, tudo só fez se agravar.
No dia seguinte à entrevista com Lula, os três maiores jornais do país e
algumas redes de televisão apressaram-se em acusar o grupo de ser
“chapa-branca”. Para outros, a Comissão Organizadora do Encontro de
Blogueiros Progressistas, formada por nove amigos e eu mesmo, atuaria como
formuladora de “pensamento único” que pretenderia impingir a outros
congêneres da blogosfera.
O fato é que não poderia deixar passar a oportunidade de apontar como tantos
se enganaram. E o que propicia essa oportunidade é o caso Palocci. Não
poderia haver maior prova de que foi injusto acusar essas pessoas de
chapas-brancas ou de promotoras de “pensamento único” do que a posição que
cada uma tomou nesse caso.
Eu, por exemplo, como todos sabem discordo da exigência de que a presidenta
Dilma exonere um ministro que acaba de nomear e que é responsável por áreas
tão importantes do governo. Ao menos sem uma razão que ninguém aponta. Só
vejo ironias em lugar de provas e fatos. Assim, mantenho-me firme em meu
ponto de vista.
Não é o caso dos meus amigos Paulo Henrique Amorim ou Rodrigo Vianna, por
exemplo. Não aceitam que Palocci tenha enriquecido rapidamente. Eu e eles
somos só exemplos de muitos outros que pensam de uma ou outra forma.
Respeito todas, aliás, porque tenho certeza de que o Paulo Henrique pensa o
que pensa honestamente. É diferente dos que só atacam Palocci e nunca
atacaram Persio Arida ou Armínio Fraga.
Ué, mas não éramos todos chapas-brancas? Não pensávamos todos em uníssono?
Não pretendíamos impor nossos pensamentos a outros colegas blogueiros? Onde
se viu coisa igual?
E os blogueiros progressistas não são 10 membros da Comissão Organizadora,
mas centenas, por enquanto, e poderão ser milhares. E não se pode mudar o
fato de que têm e terão suas opiniões apenas porque acreditam nelas e não
porque um patrão manda. Aliás, se o patrão fosse Dilma, agora metade de nós
estaria demitida.
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Fonte: Blog no QAP
[24/11/10]
Lula recebe Blogueiros Progressistas para entrevista histórica
A manhã desta quarta-feira (24) entrou para a história da luta pela
democratização da comunicação no Brasil. Pela primeira vez um presidente da
república concedeu uma entrevista a comunicadores que não sejam,
especificamente, funcionários da clássica imprensa do país monopolizada por
algumas poucas famílias burguesas.
A 37 dias do fim de seu mandato e levantando, novamente, a bandeira da
construção de um sistema de comunicação democrático e capaz de dar espaço a
todos os brasileiros expressarem sua opinião, o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva, numa atitude inédita recebeu, no Palácio do Planalto, em Brasília,
dez representantes da blogosfera progressista.
Participaram da entrevista os blogueiros: Altamiro Borges (Blog do Miro),
Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo),
Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi),
Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo
Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).
A entrevista com Lula foi transmitida, ao vivo, pelo blog do planalto e
contou com a interatividade e a participação, em tempo real, dos internautas
que faziam suas perguntas e obtinham instantaneamente a resposta do
presidente.
A entrevista
Com a promessa de conversar com o ministro Franklin Martins, do Ministério
da Comunicação Social para tornar-se um bloqueiro e twiteiro, assim que
terminar seu mandato, Lula defendeu a liberdade de imprensa e ressaltou ter
ficado chateado com a cobertura que a Globo fez do caso da bolinha de papel
que atingiu a cabeça do então candidato José Serra. “Fiquei decepcionado
porque tentaram inventar outra história, mostrando um objeto invisível e que
até agora não mostraram” lembra o presidente que ressalta: “Naquele dia do
papel eu não ia dar entrevista, mas quando eu vi uma reportagem e a cena
patética que estavam mostrando lembrei-me da copa de 90 e o caso Rojas,
resolvi falar. Eu perdi três eleições e poderia perder a quarta e a quinta,
mas jamais teria coragem de fazer uma mentira daquela”, diz Lula
O presidente afirmou que parou de ler jornais e revistas para não ficar
nervoso. “Mas podem ficar certos que trabalho com muita informação, mas não
preciso ler o que eles escrevem”.
Lula observou a importância que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª
Confecom), teve e tem para a construção de um projeto, efetivo, de
regulamentação comunicação no país, elogiou o trabalho realizado por
Franklin Martins que, iniciou os debates relacionados a democratização da
mídia no país e ressaltou que as propostas voltadas serão entregues a
presidente eleita Dilma Rousseff. “Os avanços dos meios de comunicação e da
imprensa depende da correlação de forças que você tem estabelecida na
sociedade e dentro do Congresso Nacional”, explica.
Num bate papo descontraído o presidente fez um balanço dos oito anos em que
ficou no poder, falou sobre a importância das ações da polícia civil que, em
sua gestão, trabalhou como nunca para combater a corrupção dentro e fora do
seu governo, dentre outros temas.
Lula que ficou muito a vontade contou como os avanços na área social
adquirida durante seu governo são importantes para a construção de um país
mais justo e democrático, pois se consolidam como a pedra fundamental na
construção des políticas públicas voltadas, exclusivamente, para a
população. Pautas que haviam sido esquecidas ou deixadas para segundo plano
nas políticas desenvolvidas por governos neoliberais e voltados para a
concentração de renda e o fortalecimento da burguesia.
Neste encontro Lula mostrou para as pessoas que já governaram o Brasil, como
se dialoga com a sociedade e como se luta pela democratização da mídia,
mesmo que, a imprensa golpista esteja em sua constante campanha de
desqualificar da causa popular.
Por essa iniciativa inédita de receber profissionais da comunicação que,
durante as eleições, chegaram a ser chamados de “sujos”, por denunciarem as
mentiras e mazelas do então candidato José Serra, que o presidente Lula
encerra seu mandato com 82% da população avaliando seu governo como bom ou
ótimo.
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Fonte: Blog do Noblat
- O Globo
[25/11/10]
Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto
Avesso a entrevistas, presidente abre agenda para falar a blogueiros
chapas-brancas no palácio
Na primeira entrevista que o presidente Lula concedeu só para blogueiros, o
Palácio do Planalto deu preferência a um grupo que alega representar "blogs
progressistas".
Boa parte deles aderiu a uma nova classificação e recentemente se proclamou
como a turma dos "blogs sujos". Dizem ser uma homenagem ao tucano José
Serra, que assim os teria classificado durante a eleição.
Na entrevista de ontem, Lula, assim como fazem esses blogueiros, elegeu a
grande imprensa como alvo principal. E não poupou críticas aos jornais
brasileiros que, segundo ele, torceram contra seu governo.
Entre os convidados para o bate-papo, transmitido ao vivo pelo Blog do
Planalto, havia os que usam a internet para uma espécie de guerra santa
contra a cobertura das grandes empresas de comunicação.
O Cloaca News, por exemplo, avisa, logo na capa, que publica "as últimas do
jornalismo de esgoto e dos coliformes da imprensa golpista". E diz que tem a
seguinte missão: "Desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país".
No encontro com o presidente, a assessoria apresentou o representante do
blog, William Barros, como o "Senhor Cloaca". E foi assim que Lula se
dirigiu a ele: "Senhor Cloaca".
No blog, há textos com ataques a todos que fazem críticas ao governo. Os
artigos sobre Lula têm principalmente referências elogiosas a entrevistas
dadas no exterior.
Há também um texto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com
críticas ao governo. O blog fala que a CNBB liberou bispos para
"esculhambarem" o governo, mas depois não assumiu.
O Cloaca resume o caso no título: "Vão arder no mármore do inferno".
Durante a campanha, logo após o episódio em que Serra foi atingido por um
objeto, o blog postou vários textos ironizando o poder de fogo de uma
bolinha de papel. E até incluiu uma ficha do Dops da Bolinha, numa
referência à suposta ficha da presidente eleita, Dilma Rousseff, publicada
na imprensa.
Entre os convidados havia ainda o Blog do Miro, de Altamiro Borges, que diz
ter montado na internet "uma trincheira contra a ditadura midiática". Ele
reproduziu no blog e-mail que circulou na internet com o título: "45 razões
para não votar em Serra".
Também participaram da entrevista Altino Machado (Blog do Altino), Maria
Flor (Blog da Maria Flor), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes
(Brasília, Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do
Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio
Vianna).
Lula pediu a um assessor para identificar os blogueiros antes de cada
pergunta. Rovai explicou que a entrevista foi pedida em agosto, durante o I
Encontro de Blogueiros Progressistas, em São Paulo. Foram escolhidos dez
para participar do encontro.
— É a primeira vez que um presidente recebe a blogosfera no Palácio do
Planalto. Isso sinaliza um outro momento no contexto midiático nacional —
elogiou o jornalista.
A partir dali, o encontro se transformou numa trincheira de um dos mais
duros ataques do presidente à imprensa.
Estimulado pelos blogueiros, Lula criticou a cobertura da mídia. Disse que o
setor precisa de regras de atuação e defendeu restrições ao capital externo
no controle de empresas de comunicação. Segundo ele, regulação não é crime;
censura é que é crime:
— Tenho problemas, são públicos, na minha relação com o que vocês chamam
agora de mídia antiga. De vez em quando eu digo que vou ter orgulho de ter
terminado meu mandato sem ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma revista,
em nenhum canal de televisão. Não precisei almoçar, não precisei jantar para
poder sobreviver. Sei que durante muito tempo eles torceram para me
derrotar. Mas eu sei que sou o resultado da liberdade de imprensa nesse
país.
Lula apontou o dia do acidente com o avião da TAM, em SP, como o mais triste
dos 8 anos de governo. Críticos responsabilizaram a fiscalização das
condições da pista — e portanto, o governo — pelo acidente.
— O dia em que sofri mais foi no acidente do avião da TAM em Congonhas.
Nunca vi tanta leviandade... Foi o dia mais nervoso da minha vida. Não quero
que isso se repita — disse Lula.
Segundo ele, o governo deve preparar um projeto até o fim do ano para que
Dilma encaminhe ao Congresso.
Lula sustenta que é necessário criar mecanismos que permitam a punição de
autores de denúncias falsas.
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Fonte: Vermelho
[03/06/11]
Blogueiros do Rio de Janeiro publicam carta do primeiro encontro
A coordenação do I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de
Janeiro, ocorrido de 6 a 8 de maio, publicou a carta final do evento. Com
forte teor ideológico, mobilizador e programático, a carta apresenta um
pouco desse movimento no Rio de Janeiro.
Carta dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro
Somos jovens, somos não tão jovens. Somos homens e mulheres, meninas e
meninos. Temos todas as cores, todas as religiões, diferentes crenças
ideológicas, mas apenas um compromisso: liberdade com justiça social. Somos
centenas e não baixamos a cabeça para ninguém. Somos os blogueiros
progressistas do estado do Rio de Janeiro.
No atual estágio da luta de classes, a blogosfera é uma trincheira
fundamental na defesa dos trabalhadores contra a selvageria e crueldade do
capitalismo. Nossos blogs tornaram-se ferramentas de grande utilidade nas
batalhas cotidianas contra as mentiras contadas e recontadas diariamente
pela velha mídia golpista. Milhares de blogs nascem a cada dia, como flores
anunciando a primavera. A cada embuste desferido pelos tradicionais meios de
comunicação, ganha força o ativismo nas redes sociais, temperado no fogo da
luta!
Como na bela canção de Chico Science, percebemos que “nos organizando
podemos desorganizar”. Seguiremos nessa toada enquanto a ditadura da mídia
prosseguir obstruindo um debate político mais livre. Depois disso, outras
frentes de batalha virão, porque a luta pela justiça social é eterna.
Nos dias 6 a 8 de maio deste ano, realizamos o I Encontro Estadual de
Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro. Com a presença de mais de 200
blogueiros de todo o estado (e vários de outras regiões do país) trocamos
experiências, acumulamos debate, confraternizamo-nos alegremente,
manifestamo-nos corajosamente em frente à sede da Rádio CBN - a rádio que
troca a notícia –, e aprovamos a criação da Associação de Blogueiros do
Estado do Rio de Janeiro (ABERJ).
Se você é blogueiro ou simpatizante da blogosfera e se indigna com a
opressão midiática, então você é nosso companheiro.
Blogueiros Progressistas de todo o mundo, uni-vos!
Entre as propostas aprovadas na assembleia final do I Encontro Estadual de
Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro estão:
- Apoio a PEC da Banda Larga;
- Defesa da neutralidade da rede;
- Luta pela aprovação do Conselho Estadual de Comunicação;
- Criação do Marco regulatório da comunicação;
- Pela simplificação da regularização das rádios comunitárias;
- Criação da "Associação dos Blogueiros do estado do Rio de Janeiro - ABERJ";
- Criação de uma linha de publicidade pública para blogs;
- Defender a simplificação dos processos de legalização de rádios
comunitárias;
- Moção de solidariedade ao blogueiro Esmael Morais, do Paraná, perseguido
pelo governo daquele estado;
- Moção de solidariedade ao blogueiro carioca Ricardo Gama, que sofreu um
hediondo atentado, no Rio de Janeiro, provavelmente em virtude de suas
denúncias políticas.
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Fonte: Substantivo Plural
[05/04/11]
Carta dos blogueiros progressistas de Natal - por Daniel Dantas
Car@s,
Após os três dias de Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas, na
plenária final, foram aprovadas algumas alterações da Carta de Blogueiros
Progressistas de Natal. Submetemos a carta agora à coletividade e aguardamos
as devidas observações que julguem necessário. Na sexta-feira, meio-dia, ela
será considerada aprovada.
Caso você tenha alguma moção a propor em nome do movimento, essa é a hora de
fazer a proposição. Consolidaremos todas as informações até a sexta-feira.
O Encontro alcançou em seu conteúdo aquilo que era a nossa expectativa. Os
debates foram ricos e podem ser acompanhados neste espaço:
http://www.ustream.tv/channel/blogueirosprogressistasrn.
Além disso, a prestação de contas foi publicada neste post:
http://blogprogressistasrn.com/2011/04/03/relatorio-financeiro/.
Apresentamos as seguintes propostas para a coletividade, que serão
implementadas em caso de concordância de parte considerável do grupo
inteiro:
1) Realização, em abril, de debate sobre liberdade de expressão e blogosfera
potiguar, enfatizando as perseguições sofridas por parte de representantes
do poder público. A ideia é convidar Ailton Medeiros, Carlos Santos, entre
outros, para partilhar experiências e promover o debate.
2) Apoiar a realização e a ida de blogueiros potiguares para o segundo
encontro nacional em Brasília.
3) Participar em debates on-line, por meio da ferramenta Tinychat, de temas
do interesse da cidade.
4) Realizar no segundo semestre uma série de debates presenciais sobre os
temas da cidade do Natal.
Para realizar tudo isso, entendemos que é fundamental organizar uma
representação do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé.
Assim, estaremos convidando, ainda esta semana, os interessados em organizar
o Barão de Itararé local e organizar os eventos subsequentes, para um
bate-papo aberto.
A seguir, a carta:
Carta de Natal
“A blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que
concordem absolutamente sobre um único tema. Quem imagina que os 200
blogueiros já inscritos ao Encontro vão se submeter a algum tipo de controle
decididamente não conhece a blogosfera” (1º Encontro Nacional de Blogueiros).
No espírito alcançado pelos “pioneiros” que se reuniram em São Paulo em
agosto de 2010, nós, blogueiras, blogueiros, tuiteiros, tuiteiras do Rio
Grande do Norte, identificados com as lutas pela democratização da mídia e
contra o controle e censura pelo poder econômico do acesso à informação, nos
encontramos em Natal entre os dias 1 e 3 de abril de 2011.
O principal objetivo de nosso encontro foi criar e fortalecer uma teia de
participantes e militantes nas redes sociais que possa subsidiar discussões
e ações práticas na direção de uma sociedade mais democrática e de uma
cidade, estado e nação melhores, com maior participação dos cidadãos e uma
resolução mais aprofundada de nossas demandas históricas.
Por isso, debatemos e propusemos, ao fim do nosso primeiro Encontro Estadual
de Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte, os seguintes
compromissos:
1. Assumimos o compromisso de participar ativamente do debate acerca do
desenvolvimento social, econômico, ambiental das cidades e do estado do Rio
Grande do Norte, contribuindo na elaboração de políticas e ações públicas
por parte da sociedade.
2. Assumimos o compromisso de apoiar todas as iniciativas que tenham como
objetivo buscar envolver novos adeptos das novas tecnologias, democratizando
o acesso à Internet através da valorização de espaços coletivos de acesso
gratuitos (cafés, shoppings, praças, universidades, etc.), defendendo que as
instituições públicas permitam o acesso pleno às redes sociais como forma de
democratizar o conhecimento e a informação. Apoiamos as lutas pela inclusão
digital, inclusive de movimentos como a Associação Brasileira de Centros de
Inclusão Digital, conhecida pela sua defesa das lan houses.
3. Assumimos o compromisso de apoiar e difundir as resoluções da 1º
Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) e cobrar do Governo
Federal a realização da 2º Conferência como formar de pautar a sociedade
potiguar e brasileira sobre o debate da comunicação social.
4. Assumimos o compromisso de continuar a provocar novas pautas e tomar
iniciativas que coloquem temas do interesse da sociedade brasileira e
potiguar no cenário público, seja no mundo virtual, seja nas praças e ruas
do estado.
5. Assumimos o compromisso de defender que os recursos públicos destinados à
propaganda institucional devam ser democratizados, não levando em
consideração a linha editorial do veículo que busque o financiamento, bem
como defender e valorizar as novas mídias junto ao bolo total de verba
destinada à publicidade institucional.
6. Assumimos o compromisso de defender o fortalecimento das ações de
controle social dos poderes públicos a partir da valorização dos Conselhos
Setoriais e de Direitos, incluindo nesse ponto a luta pelo estabelecimento
de Conselhos de Comunicação Social no estado e nos municípios.
7. Assumimos o compromisso de defender a valorização dos meios de
comunicação social públicos, como as TV´s Assembleia, Câmara de Natal, TV
Universitária e FM Universitária como espaços de difusão da informação
pública, denunciando o aparelhamento destes veículos para projetos pessoais,
políticos e partidários.
8. Assumimos o compromisso de defender a essência da finalidade das rádios
comunitárias e denunciar o seu aparelhamento com objetivos partidários e
pessoais.
9. Assumimos o compromisso de lutar pelo estabelecimento de políticas
públicas claras e efetivas acerca das tevês comunitárias, ressaltando seu
papel no fomento à produção livre e popular de conteúdo e à democratização
da informação no país.
10. Assumimos o compromisso de defender a revogação, no âmbito do Ministério
da Cultura, de todas as políticas que significaram retrocesso frente à
gestão anterior, especialmente no que se refere à revisão da legislação
acerca de direitos autorais no país, marcada simbolicamente pela retirada
das licenças Creative Commons dos sites do ministério. Além disso,
defendemos o fortalecimento da gestão participativa da cultura no país,
incluindo aí a ampliação da política de editais e dos Pontos de Cultura.
11. Assumimos o compromisso e convocamos as lideranças e personalidades
públicas do nosso estado (pesquisadores, empresários, sindicalistas,
estudantes, políticos, etc) a se engajarem numa campanha pela democratização
da banda larga com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e
a lutarem pela regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223 da Constituição
Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e proíbem a concentração
dos meios de comunicação.
12. Assumimos o compromisso de buscar relações e desenvolver atividades em
parceria com os movimentos defensores do software livre.
13. Assumimos o compromisso de apoiar e difundir políticas públicas que
estimulem o fortalecimento das redes sociais digitais como fóruns
importantes de debate, de formação de opinião pública e diversidade
informativa.
14. Assumimos o compromisso de nos inserirmos no debate pelo projeto do
marco regulatório da Comunicação Social, apoiando e difundindo a Ação Direta
de Omissão (ADO) do Parlamento na regulamentação da comunicação social
apresentada pelo jurista Fábio Konder Comparato.
15. Assumimos o compromisso de participar ativamente da construção da
Coordenação de Movimentos Sociais (CMS) no Rio Grande do Norte, formada pela
UNE, UBES, CTB, CUT, Conam, MST, entre outras instituições e movimentos.
16. Assumimos o compromisso de defender que os recursos do Pré-Sal sejam
aplicados na educação como mais um canal de financiamento de políticas
públicas que visem democratizar o acesso à informação, cultura e educação.
17. Assumimos o compromisso de apoiar a construção da Frente Parlamentar
pela Democratização da Comunicação que visa promover, acompanhar e defender
iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de
expressão e do direito à comunicação no Brasil, cobrando da bancada federal
do Rio Grande do Norte a sua adesão.
18. Assumimos o compromisso de desenvolver uma rede articulada que denuncie
toda e qualquer ameaça à liberdade de expressão, contra qualquer tipo de
censura e perseguição. Denunciar o macartismo contemporâneo desenvolvido no
Rio Grande do Norte, exercido através da perseguição sistemática, por parte
de autoridades políticas, a jornalistas, tuiteiros e blogueiros que ousam
criticar seus feitos e ações públicas no exercício do poder. Assim como
também combater iniciativas que cerceiam a liberdade de expressão na
Internet, como no caso do projeto de lei conhecido como “AI-5 digital”.
19. Assumimos o compromisso de construir uma rede de comunicadores dos
movimentos sociais onde poderemos construir eventos voltados para a formação
e valorização da blogosfera, buscando sempre que possível, parcerias com
Universidades, Faculdades e Escolas de Comunicação na organização de
atividades que promovam a formação cidadã dos futuros profissionais da
comunicação social.
Ao fim deste encontro, comprometemo-nos, também, em contribuir para o
estabelecimento de núcleos municipais e regionais de blogueiros e tuiteiros
progressistas, além de apoiar à realização do segundo encontro nacional, em
junho, na cidade de Brasília.
Pleiteamos, por fim, a formação de um núcleo local do Centro de Estudos de
Mídia Alternativa Barão de Itararé no RN.
Natal, 03 de abril de 2011.
Moções
Solidarizamo-nos com todas as vítimas do episódio do Blog do Paulo Doido, em
Mossoró, que sofreram retaliações por se prestarem ao papel de críticos
constantes dos erros e abusos da gestão municipal de Mossoró. Pedimos ao
Ministério Público e ao Judiciário que o caso seja investigado e os culpados
sejam exemplarmente punidos.
Repudiamos a maneira desonesta em que, nas redes sociais e imprensa em
geral, a gestão municipal em Natal tentou aferir capital político junto ao
movimento estudantil, contribuindo para a distorção do sentido da Jornada
Nacional de Lutas e transformando a interpretação da grande passeata do
último dia 31 de março em uma “passeata do bem” e em agradecimento à
prefeita Micarla de Sousa, o que não era verdade.
No último dia 2 de abril o jornalista e radialista J. Gomes estaria
completando aniversário caso não tivesse sido brutalmente assassinado.
Defendemos uma investigação isenta e ampla do caso, com o julgamento e
condenação exemplar dos culpados.
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