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Coordenador Geral: Helio Rosa (rosahelio@gmail.com)

A TROPA DO BLOP - BLOGUEIROS PROGRESSISTAS

 
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2012
 


10/04/12
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (3) - O "Comando" dos "progresistas" e os sites e blogs sob sua influência

Nota de Helio Rosa:

Aqui estão os "posts" anteriores:
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - A "democratização das comunicações" e "controle social da mídia"
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - Definição de "progressismo" e de "Blogueiro Progressista"; ligação com o "PC do B"

01.
Esta fase de intensificação do movimento dos blogueiros petistas ou governistas é boa para pesquisa de suas intenções, pois sentem-se tão poderosos que não temem (ainda) maiores exposições.

Recebo de um leitor o comentário de que estou dando visibilidade à um movimento desconhecido da sociedade.
Pode até ser mas é melhor que seja logo exposto para que possamos acompanhar sua atuação, némessmm?

Coerente com este leitor, recorto um trecho desta matéria, transcrita mais abaixo (o grifo é meu):
Fonte: Implicante
[06/10/11]  Progressismo Governista: Como a mídia virou inimiga?

(...) Como chegaram a tal ponto? Simples (ou não tão simples): ao longo de anos, em vez de fiscalizar o governo, passaram a CULPAR a imprensa por veicular os casos de corrupção das gestões por eles endossadas. Não importa quantos ministros caiam, a “culpa” é da mídia. A mídia é golpista. Etc. etc. etc.
Prepotência Folclórica
Isso não faz parte de qualquer linha temporal, mas é algo que de fato ocorre e, como ficará bem claro, não deixa de ser uma coisa engraçadíssima, até mesmo folclórica.
O pessoal da internê acha que influi nas eleições.
Isso é uma piada, claro. O número de pessoas acessando a “grande rede” aumentou, é claro, mas proporcionalmente é ridícula a quantidade dos que lêem blogs de política, especialmente aqueles dedicados a defender o governo com unhas e dentes – atacando justamente a mídia que possui mais leitores e telespectadores.
Não, a tal blogosfera progressista não tem poder algum quanto ao grande eleitorado. Nada, mesmo. Eles nem sabem o que é blog, muito menos “progressista” – se bem que essa última qualificação eu duvido que até os próprios integrantes saibam o que representa, no campo semântico.(...)


Mesmo assim, será um erro menosprezar a capacidade de organização deste pessoal pois, nos bastidores, está o PC do B, e sabemos que esta "turma" não desiste nunca, principalmente com recursos "ilimitados"!

02.
Altamiro Borges tem seu nome constantemente associado ao movimento dos blogueiros progressistas e posso deduzir que é seu líder ostensivo, eventualmente compartilhando a "visibilidade" com Paulo Henrique Amorim. Posso deduzir também que um líder "não ostensivo" seja José Dirceu, presença constante no encontro dos "progressistas" e assunto deste "post" e também deste, no Blog do Reinaldo Azevedo, transcritos mais abaixo.

Altamiro Borges é jornalista e membro de Comitê Central do PC do B onde é o Secretário Nacional para Questão da Mídia.

Altamiro Borges é o presidente do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé cujo objetivo é "se somar a outras entidades e movimentos sociais que lutam pela democratização da comunicação, visando conquistar maior pluralidade e diversidade informativa e cultural no país" (grifo meu).

No primeiro "post" desta série vimos que o núcleo original do "Barão" era constituído pelos seguintes elementos: Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Altamiro Borges, Luiz Carlos AzenhaRodrigo Viana e Eduardo Guimarães.

Altamiro mantém ainda o "Blog do Miro", "uma trincheira na luta contra a ditadura midiática".

Não pesquisei a fundo mas aparentemente nada consta que desabone o Sr. Altamiro Borges como cidadão comum.
Mas, por sua atuação no "PC do B" e pela liderança que exerce sobre "bloqueiros e mídia progressistas", opino que é um cidadão cuja atuação é perigosa para a democracia.

03.
Multiplicam-se os encontros físicos dos blogueiros progressistas em congressos regionais e nacionais (ressaltei o termo "físicos") pois a "blogosfera" é essencialmente virtual).
Estou pesquisando e vou "holofotar" esses encontros num próximo "posts".

Mas antecipo e transcrevo mais abaixo esta matéria publicada no Portal Vermelho (cujo nome já diz tudo: trata-se de uma página mantida e gerida pela Associação Vermelho, "entidade sem fins lucrativos", em convênio com o Partido Comunista do Brasil - PC do B):
Leia na Fonte: Portal Vermelho
[21/03/12]   3º Encontro Nacional do BlogProg será em maio

Faço este recorte:
(...) Segundo (Altamiro) Borges, a Comissão vai discutir as formas de contornar as dificuldades e viabilizar a realização do Encontro, que deve reunir cerca de 500 ativistas digitais do Brasil inteiro, além de convidados e observadores internacionais.
“Desde a sua primeira edição, o Encontro vem se viabilizando através
- de apoio de entidades sindicais,
- de sites e revistas progressistas, como
Caros Amigos, Carta Capital, Carta Maior e Vermelho;
- de fundações de estudos, como a
Perseu Abramo e Maurício Grabois,
- além disso nós buscamos
apoios institucionais e cobramos pela inscrição.

Para se ter uma idéia de quem sejam os tais "observadores internacionais", anoto da relação que está no final desta página (comento no item que se segue), as seguintes referências:
Partido Comunista Colombiano, Partido Comunista da Argentina, Partido Comunista do Chile, Partido Comunista Português, etc...

04.
Mas vamos ao objetivo principal deste "post" que é listar os sites e blogs considerados, "progressistas", simpatizantes ou apenas "referências" pelo Sr. Altamiro "PC do B" Borges.

Vale fazer nem que seja um voo panorâmico sobre as relações.
Fiz apenas uma visita "aleatória" em alguns deles, afinal, tenho 70 anos e alguns textos destas páginas fazem mal muito mal à minha saúde estomacal... a famosa "azia"...

As fontes consultadas foram o "Barão de Itararé" (que os identificou como "rede de blogs")  e o Blog do (Alta)Miro que chamou sua relação de "lista de sítios".
Estão no final desta página, para ler e pasmar!
HR

Matérias transcritas nesta página, além dos "sites e blogs progressistas"
Fonte: Implicante
[06/10/11]  Progressismo Governista: Como a mídia virou inimiga?
Fonte: Veja - blog de Reinaldo Azevedo
[
09/04/12]   Dinheiro público vai financiar encontro de militantes governistas da Internet. Adivinhem quem é convidado de honra… (José Dirceu)
Leia na Fonte: Portal Vermelho
[21/03/12]   3º Encontro Nacional do BlogProg será em maio

Ler transcrições das matérias


09/04/12
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) -  A "democratização das comunicações" e "controle social da mídia"

01.
No "post" anterior citei que hoje, qualquer pessoa possuindo acesso à web e que desejar criar um Blog, vai descobrir que o custo é "zero".
Mas não para os "Blogueiros Progre$$istas.

Estes "progressistas" querem fazer dos seus Blogs um meio de subsistência e, neste caso, nós é que pagamos o pato, digo, a conta.

(...) A Blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.(...)

O trecho acima, e o que se segue, foram retirados desta matéria, transcrita mais abaixo nesta página:
Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães -
[17/08/10]   Carta dos Blogueiros Progressistas]

(...) 4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.  (...)

Na medida que os financiamentos começaram a aparecer, a blogosfera progressistas começou a ganhar novas adesões, tanto de jornalistas que trocaram seu diploma pelas "carteirinhas do PT e da base aliada", quanto dos espertos de sempre e de uma enorme massa de "inocentes úteis".

02.
Em 2009 e 2010 fiz um acompanhamento cerrado do tema 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), como assunto ligado à telecom, pois esperava-se que a enorme e desatualizada legislação técnica existente pudesse ser debatida neste evento. Não foi.

As "frases de ordem" mais comuns, tanto na Conferência como na atual "blogosfera progressita" são "democratização das comunicações" e "controle social da mídia".
Usem o Google e tentem achar estas definições com precisão. Se encontrarem alguma coisa, será pura enrolação.

Mas, Leonel Brizola - que dispensa apresentações - num momento de total franqueza, em 21 de março de 1964, alguns dias antes da "Revolução", definiu o que é "democratizar a imprensa".
Pasmem e registrem:
Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 04)
[21/03/64]   Brizola: Agitação atingirá os quartéis - Coluna do Castello

(...)
Mostra-se o dirigente esquerdista impressionado com a mobilização dos jornais e diz que uma das etapas da luta consiste em "democratizar a imprensa". Respondendo à pergunta, citou uma "fórmula intermediária" possível: a entrega dos jornais aos partidos políticos e o controle da publicidade por um organismo único. (...)

03.
O objetivo das esquerdas do "controle da publicidade por um organismo único" já foi atingido com a SECOM - Secretaria de Comunicação da Presidência.

Quanto aos políticos...
Recorto dois trechos desta matéria transcrita mais abaixo:

Leia na Fonte: Agência Abraço
[03/06/11]   Ministério das Comunicações divulga lista de políticos donos de emissoras de rádios

(...) Um levantamento do Jornal Folha de São Paulo mostra que 56 deputados federais e senadores de diferentes regiões do país, são sócios ou tem parentes no controle de emissoras. A Abraço, que luta contra os políticos que possuem veículos de comunicação, espera que este seja apenas o início de uma batalha para vencer a guerra contra o coronelismo nas mídias nacionais. (...)
(...) Essa lista é só uma ponta do iceberg, pois vai mostrar a todos que conhecidas emissoras de rádio pertencem e estão a serviço de políticos.(...)

O controle do governo sobre as comunicações prossegue.
O governo Lula, em outubro de 2007, ao editar a Medida Provisória 398, depois convertida pelo Congresso na Lei 11 652/2008, criou a EBC - "Empresa Brasil de Comunicação, encarregada de unificar e gerir, sob controle social, as emissoras federais já existentes, instituindo o Sistema Público de Comunicação".
A EBC é conhecida como "TV Pública" ou "TV Brasil" ou "TV Lula" ou "TV do PT", e resultou da fusão de duas empresas já existentes - Radiobrás e Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp).

O Projeto Nacional de Banda Larga - PNBL - foi instituído pelo Decreto nº 7.175, de 12 de maio de 2010 e traz em seu bojo a reativação ilegal da estatal Telebrás, que vinha em longo processo de extinção. A Telebrás foi extinta por lei é só poderia ser reativada por outra lei. Foi ressussitada por um Decreto. Mas está "sub judice" no STF.

E assim, pé ante pé, prossegue o "controle social da mídia" e a "democratização das comunicações", adaptando-se aos novos tempos, os "ensinamentos" de Brizola.

04.
Voltando à SECOM.
Transcrevo um trecho desta matéria, que "resume a ópera":
Fonte: Proark
[10/01/11]   Secom define Comunicação Integrada

(...) Quando Luiz Inácio Lula da Silva tomou posse, em janeiro de 2003, apenas 499 veículos de comunicação recebiam verbas de publicidade do governo federal. Agora o número foi para 8.094. Esses jornais, revistas, emissoras de rádio, de TV e “outros” estão espalhados por 2.733 cidades. Em 2003, eram só 182 municípios.

Em 2010 o dinheiro para publicidade de Lula passou a ser distribuído para 1.047 novos veículos de comunicação.
A categoria “outros” inclui portais de internet, blogs, comerciais em cinemas, carros de som, barcos e publicidade estática, como outdoors ou painéis em aeroportos.
Chama a atenção o aumento do número de “outros”.
Em 2003, eram apenas 11. Agora, são 2.512.
A informação do governo é de que a maioria é de sites e blogs.
Lula e sua equipe de comunicação não escondem a simpatia pelo novo meio digital.
O presidente foi o primeiro a conceder uma entrevista exclusiva para o que a administração petista chama de “blogs progressistas”.

O valor total gasto nos dois mandatos, até outubro do ano passado, foi de R$ 9,325 bilhões. Dá média anual de R$ 1,2 bilhão. Essa cifra não inclui três itens: custo de produção dos comerciais, publicidade legal (os balanços de empresas estatais) e patrocínio. Produção e publicidade legal consomem cerca de R$ 200 milhões por ano. No caso de patrocínio, o gasto médio anual foi de R$ 910 milhões de 2007 a 2009. Tudo somado, Lula gastou R$ 2,310 bilhões por ano com propaganda. Os valores são semelhantes aos do governo FHC, embora inexistam estatísticas precisas à disposição.(...)

E esta matéria lança a dúvida:

Leia na Fonte: Bahr-Baridades
[28/09/11]  Publicidade do governo chega a R$ 1 bi

(...) Ao todo, os gastos com publicidade do governo devem atingir aproximadamente R$ 1 bilhão neste ano. Além disso, as estatais aplicam verbas mirabolantes em publicidade, como pode ser visto na relação mais abaixo, onde se percebe que só a Caixa Econômica federal dispõem sozinha de quase outro bilhão de reais e o Banco do Brasil mais a Petrobrás, de outro bilhão. (...)
(...) Mesmo com estas estatísticas dadas a público, ainda há buracos negros no processo. Não se sabe quais são os veículos que recebem verba de publicidade estatal nem quanto cada um ganha. (...)

05.
No próximo "post" vamos "iluminar" o Sr. Altamiro Borges e a relação dos blogs e sites "sujos" sob seu comando ou influência.
HR

Matérias transcritas neste "post":

Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães
[17/08/10]  Carta dos Blogueiros Progressistas

Fonte: Acervo do Jornal do Brasil (pág 04)
[21/03/64]  Brizola: Agitação atingirá os quartéis - Coluna do Castello (definição de "democratização da imprensa")

Fonte: Proark
[10/01/11]  Secom define Comunicação Integrada

Leia na Fonte: Bahr-Baridades
[28/09/11]  Publicidade do governo chega a R$ 1 bi

Leia na Fonte: Agência Abraço
[03/06/11]  Ministério das Comunicações divulga lista de políticos donos de emissoras de rádios

Ler transcrições das matérias
 


08/04/12
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - Definição de "progressismo" e de "Blogueiro Progressista"; ligação com o "PC do B"

Nota de Helio Rosa:
01.
Mantenho, há 11 anos, mesmo antes do advento dos "Blogs" (contração do termo "web log" ou "diário da web") na forma atual, dezenas de páginas temáticas sobre assuntos de telecom e cidadania, com estrutura semelhante aos onipresentes diários virtuais.

O custo de hospedagem e manutenção sempre foi baixíssimo e não fiquei mais pobre por causa disso. E nem mais rico, pois não recebo nenhum financiamento e não há propagandas em minhas páginas, que eu mesmo programo. Hoje o custo é "zero", para se criar um "blog padrão", em formato pré-programado,

Então estou muito à vontade para acompanhar a atividade dos "blogueiros progressistas" e o faço de desde junho de 2011, com alguns registros nesta página: A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas, que passo a reformular e atualizar com este "post".

E minha motivação cresce quando o assunto desses blogueiros é a revisão da história da luta armada, pois sou
testemunha ocular e sobrevivente do "atentado do aeroporto dos Guararapes", em 1966.

02.
Vejamos uma das definições do termo "progressista".

Entre outras acepções, o Dicionário Houaiss registra esta, no verbete "Progressista":

Progressista: 7.  Política - Que tem afinidade com idéias socialistas ou marxistas, pertencendo ou não a um destes partidos.

03.
Inicialmente, os atuais "blogueiros progressistas" gostavam de ser chamados de "sujos" e adoravam quando assim Lula se referia a eles.

O bloqueiro sujo-progressista Paulo Henrique Amorim nos brinda com a origem do termo "sujo" (grifos meus):

(...) "Os blogueiros progressistas também são conhecidos como blogueiros sujos porque, na campanha presidencial de 2010, o candidato José Serra – que, no meu site, Conversa Afiada, eu chamo de Padim Pade Cerra, porque ele incorporou alguns elementos de um misticismo falso – ele nos identificou como sendo sujos; existem os blogueiros limpos, que são aqueles que estão pendurados na Folha, no Globo, no G1, no Estadão, e os outros são os blogueiros sujos; então, é uma divisão muito tosca.
Nós somos mídia alternativa porque não estamos pendurados em lugar nenhum; eu, Nassif, o Miro Borges, o Azenha, o Rodrigo Viana, o Eduardo Guimarães, que somos o núcleo original do Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé, nós não estamos pendurados em nenhum grande órgão de imprensa, nós estamos pendurados em algum ponto da blogosfera e, de lá, nós emitimos nossos sinais cáusticos e críticos.(...) [Fonte]

04.
Amorim citou que não estão "pendurados" em lugar nenhum.
Digamos que esta afirmação não corresponde exatamente à realidade...

Veremos, neste e nos próximos "posts", que recursos não faltam e são vários os "ganchos" onde os "progressistas" estão dependurados.

05.
O Instituto de Mídia Alternativa Barão de Itararé, citado acima por Amorim, pode ser considerado o "braço militante virtual do PC do B" pois seu presidente, jornalista Altamiro Borges, é membro de Comitê Central do Partido onde é o Secretário Nacional para Questão da Mídia.

O PC do B, como se sabe, controla o Ministério do Esporte desde o primeiro dia do governo Lula, há mais de 11 anos. Controla também a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). 
O "PC do B", que tem um histórico ligado à violência, não deixa de ser um partido pequeno em relação ao universo de eleitores e há um aparente paradoxo na sua influência nos governos petistas.

Vale conferir este artigo transcrito mais abaixo:
Coluna do Ricardo Setti
[07/12/11]   Me expliquem, que eu quero entender: por que um partido sem votos como o PC do B tem tanta força no governo Dilma

O PCB - Partido Comunista do Brasil, estava na ilegalidade muito antes da "Revolução de 1964", mais exatamente desde 07 de maio de 1947, quando o Brasil rompeu relações a URSS.

Em outubro de 1961 os stalinistas foram expulsos do PCB. No ano seguinte, de 11 a 18 de fevereiro de 1962, em São Paulo, realizam uma Conferência Nacional Extraordinária , e fundam o Partido Comunista do Brasil, com a sigla PC do B

O PC do B voltou à legalidade após a Lei da Anistia.

A "Revolução de 1964" foi basicamente um movimento anticomunista feito pela sociedade brasileira, pois o PCB  e seus derivados eram "ilegais de direito" mas "legais de fato", e seus membros estavam ostensivamente infiltrados em todo o governo João Goulart. O objetivo do PCB sempre foi tomar o poder pela violência, para instalar no Brasil a "ditadura do proletariado".

A história real do PCB, desde suas origens, está contada no livro "Orvil", disponível para download (pdf) aqui e que estou reformatando aqui.

Os integrantes do PC do B podem estar em "atividade relativamente discreta" "vida vegetativa" ou "animação suspensa" mas são todos muito perigosos para a democracia.
Recentemente o PC do B teve suas entranhas expostas no "escândalo do Ministério do Esporte" e na demissão do Sr. Orlando Silva.

O Ministério do Esporte, como é "capitania hereditária" no "presidencialismo de coalizão" praticado por Dilma Rousseff, continua nas mãos - e bolsos - do PC do B, e está gerenciando as próximas Copa e Olimpíadas. O novo ministro é Aldo Rebelo, membro do Comitê Central do Partido.

06.
Socorro-me de uma matéria já divulgada neste espaço, que define o que é um blogueiro progressista:

(...) Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.

Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitulam "Blogueiros Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão da mídia tradicional". É justo que o façam? É.

Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como "Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o é na prática.

Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...) [Fonte: Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do Amigos]
(grifos meus). (Transcrição mais abaixo)

07
Continua no próximo "post" iluminação destes "sugismundos" blogueiros progre$$sitas, com a explicação desta nova grafia.
HR

Matérias transcritas nesta página:

Coluna do Ricardo Setti
[07/12/11]   Me expliquem, que eu quero entender: por que um partido sem votos como o PC do B tem tanta força no governo Dilma

Leia na Fonte: Amigos de Pelotas
[04/06/11]  Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho, Editor do Amigos
Fonte: Noblat / O Globo - Origem: Veja
[27/06/11]  Nem todos os jornalistas estão à venda


Ler transcrições das matérias
 


2011


 

17/12/11
• A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (4) - Blogueiros governo-peti$tas entrevistam "São" João Pedro Stedile, padroeiro do MST

01.
Blogueiros progressistas entrevistam Stedile [foto] na próxima segunda-feira.
Por que será que a vanguarda do atraso da blogosfera decidiu iluminar a vanguarda do atraso ideológico, representada pela Sr. Stedile?

A explicação [fonte] é que um grupo de 51 militantes e apoiadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), a maioria veteranos na luta pela reforma agrária, divulgou recentemente carta na qual anuncia o desligamento da organização por discordar de seu projeto político atual. Na avaliação do grupo, o MST, além de burocratizado e institucionalizado, está integralmente subordinado às políticas do governo federal.

A direção nacional do MST não quis comentar publicamente o documento. Preferiu tratar o episódio como parte dos debates e das divergências políticas que sempre fizeram parte da história da organização.
Nos bastidores, porém, alguns dirigentes acusaram o golpe. Lamentou-se sobretudo a deserção de militantes históricos do Rio Grande do Sul. Do total de assinaturas, 28 são daquele Estado, onde o movimento foi idealizado, na década de 1980, e no qual surgiu seu líder mais conhecido, João Pedro Stédile.

A decisão do MST de não comentar a carta também pode estar vinculada ao fato de atravessar um dos piores momentos de sua história do ponto de vista de mobilizações. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos chegou ao nível mais baixo dos últimos anos.


02.
Consta que participam os jornalistas Rodrigo Vianna (Escrevinhador), Luiz Carlos Azenha e Conceição Lemes (ambos do Vi o Mundo), Renato Rovai (Blog do Rovai), Paulo Salvador (Revista do Brasil) e a blogueira Conceição Oliveira (do Blog da Maria Frô).

Pessoalmente tenho a lamentar que jornalistas do porte de Rodrigo Vianna e Luiz Carlos Azenha, cuja atuação me chamou a atenção durante longo tempo pela seriedade e profissionalismo, tenham trocado seu diploma pela carteirinha do PT. Respeito suas opções mas, como disse, lamento.

Recorte de uma matéria transcrita mais abaixo:
(...) O sr. Stedile pode ser, no plano pessoal, um homem honesto — honesto com sua esposa, com seus credores, com seus amigos. Nada sei que, como ente biológico e civil, o desabone. Política e intelectualmente, porém, seu discurso é a coisa mais tortuosa, mais mentirosa e mais dissimulada que tem aparecido no cenário nacional. E que sua figura política seja imposta ao público como a imagem por excelência do bom menino, como a encarnação mesma dos "sentimentos nobres" massacrados pelo cínico mundo capitalista, eis aí a prova de que este país vai perdendo, junto com o senso da verdade, todo discernimento moral. (...)

Por oportuno, transcrevo estas matérias:

Fonte: Veja
[28/01/09]  O Manual da Guerrilha do MST - por Otávio Cabral

Fonte: Website de Olavo de Carvalho
[17/05/98]  O segredo de João Pedro Stedile - por Olavo de Carvalho

Fonte: Estadão
[26/11/11]  Grupo critica submissão de líderes e racha MST - por Roldão Arruda
HR.

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Fonte: Veja
[28/01/09]  O Manual da Guerrilha do MST - por Otávio Cabral

Como roubar, fraudar cadastros do governo e até fabricar bombas e trincheiras – está tudo na cartilha secreta do MST apreendida pela polícia

A fazenda Estância do Céu era uma típica propriedade dos pampas gaúchos. Localizada em São Gabriel, a 320 quilômetros de Porto Alegre, seus 5 000 hectares eram ocupados por 10 000 bois e 6 000 carneiros que pastavam entre plantações de arroz e soja. O cenário, de tão bucólico, parecia um cartão-postal. Tudo mudou na fria e ensolarada manhã do dia 14 de abril passado. Por volta das 7 horas, 800 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MST, invadiram a propriedade aos gritos. "Nós ganhamos. Ganhamos dos porcos. A fazenda é nossa." Armados com foices, facões, estilingues, bombas, rojões, lanças, machados, paus e escudos, os sem-terra transformaram a Estância do Céu em um inferno. Alimentos e produtos agrícolas foram saqueados. As telhas da sede da fazenda foram roubadas. Os sem-terra picharam paredes, arrancaram portas e janelas e espalharam fezes pelo chão. Bombas caseiras foram escondidas em trincheiras. Animais de estimação, abatidos a golpes de lança, foram jogados em poços de água potável. Quatro dias depois, quando a polícia finalmente conseguiu retirar os sem-terra da fazenda, só sobravam ruínas.

A barbárie, embora não seja exatamente uma novidade na trajetória do MST, é um retrato muito atual do movimento, que festejou seu aniversário de 25 anos na semana passada. Suas ações recentes, repletas de explosão e fúria, já deixaram evidente que a organização não é mais o agrupamento romântico que invadia fazendas apenas para pressionar governos a repartir a terra. Agora, documentos internos do MST, apreendidos por autoridades gaúchas nos últimos seis anos e obtidos por VEJA, afastam definitivamente a hipótese de a selvageria ser obra apenas daquele tipo de catarse que, às vezes, animaliza as turbas. O modo de agir do MST, muito parecido com o de grupos terroristas, é uma estratégia. A papelada – cadernos, agendas e textos esparsos que somam mais de 400 páginas – é uma mistura de diário e manual da guerrilha. Parece até uma versão rural, porém rudimentar, do texto O Manual do Guerrilheiro Urbano, escrito por Carlos Marighella e bússola para os grupos que combateram o regime militar (1964-1985). Os documentos explicam por que as ações criminosas do movimento seguem sempre um mesmo padrão.

O registro mais revelador sobre a face guerrilheira do MST é formado por quatro cadernos apreendidos pela polícia com os invasores da Estância do Céu em maio passado. As 69 páginas, todas manuscritas, revelam uma rotina militarizada – e bandida. "Muita arma no acampamento", escreveu Adriana Cavalheiro, gaúcha de cerca de 40 anos, uma das líderes da invasão, ligada aos dirigentes do MST Mozart Dietrich e Edson Borba. Em outro trecho, em forma de manual, o texto orienta os militantes sobre como agir diante da chegada da polícia. "Mais pedra, ferros nas trincheiras (...) Zinco como escudo (...) Bombas tem um pessoal que é preparado. Manter a linha, o controle de horas e 800 ml", anotou a militante, descrevendo a fórmula das bombas artesanais, produzidas com garrafas de plástico e líquido inflamável. O manual orienta os militantes a consumir o que é roubado para evitar a prisão em flagrante. Também dá instruções (veja trechos) sobre como fraudar o cadastro do governo para receber dinheiro público. Há até dicas sobre políticos que devem ser acionados em caso de emergência. Basta chamar o deputado federal Adão Pretto e o ex-deputado estadual Frei Sérgio. Ganha um barraco de lona preta quem souber o partido da dupla.

Em seus capítulos não contemplados pelo Código Penal, o manual expõe uma organização claramente assentada sobre um tripé leninista, com doutrinação política, centralismo duro e vida clandestina. Além de teorias esquerdistas, repletas de homenagens a Che Guevara e Zumbi dos Palmares, há relatos de espionagem e tribunais de disciplina. Uma militante, que precisou de "licença" de um mês para fazer uma cirurgia, só foi autorizada a realizar o tratamento com a condição de que ele fosse feito num único dia. Brigas, investigações internas e punições também explicitam o rígido e desumano controle exercido sobre suas fileiras. "Assim como nas favelas controladas pelo narcotráfico, o MST atua como polícia e juiz ao impor e fiscalizar seu código de conduta", afirma o filósofo Denis Rosenfield. Exagero? Talvez não. Dos 800 invasores que depredaram a fazenda Estância do Céu, por exemplo, 673 já foram identificados. Nada menos que 168 tinham passagem pela polícia. Havia antecedentes de furto, roubo e até estupro. "O MST é formado por alguns desvalidos, vários aproveitadores e muitos bandidos", diz o promotor Gilberto Thums, do Ministério Público gaúcho. "Eles usam táticas de guerrilha rural para tomar territórios escolhidos pelos líderes."

Embora raramente sejam expostos à luz, manuais de guerrilha são lidos como best-sellers nos acampamentos. Também no Rio Grande do Sul, berço e laboratório do MST, a polícia apreendeu três documentos que registram o lastro teórico de sua configuração de guerra. O mais recente, apreendido em julho passado, orienta os militantes a "se engajar na derrubada de inimigos estratégicos". Os inimigos, claro, não se resumem aos gatinhos das fazendas ocupadas pelo MST. O objetivo é a "derrota da burguesia", o "controle do estado" e a "implantação do socialismo". O documento lista exemplos de como "interromper as comunicações do inimigo" e "incendiar as proximidades para tornar o ambiente irrespirável". Pode não ser obra do acaso. Há dois anos, um membro das Farc foi descoberto pela polícia em meio aos sem-terra gaúchos. A combinação entre teoria e prática deixa poucas dúvidas sobre os propósitos do MST. O movimento, que seduziu a intelectualidade nos anos 80 e caiu nas graças do povão na década seguinte, está marchando para a guerrilha rural. Diz o filósofo Roberto Romano: "O MST está se filiando à tradição leninista de tomada violenta do poder por meio de uma organização centralizada e autoritária".

A estratégia da guerrilha é um sucesso recente nos pampas graças a sua eficácia. As invasões e os acampamentos têm funcionado em muitos casos. Em novembro passado, após cinco anos de guerra com o MST, o fazendeiro Alfredo Southall resolveu vender a Estância do Céu ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). "Cansei da batalha. Joguei a toalha", desabafa. Suas terras serão transformadas em um assentamento para 600 famílias. O fazendeiro gaúcho Paulo Guerra teve sua fazenda invadida seis vezes desde 2004. Os invasores destruíram uma usina hidrelétrica e 300 quilômetros de cercas. Também queimaram dois caminhões, dois tratores e onze casas, além de abaterem 300 bois. "Minha família se dedica à fazenda há 100 anos. Podemos perder tudo, mas não vamos entregar nosso patrimônio ao MST", diz. Nos últimos dois anos, mais de 600 processos já foram abertos contra militantes do movimento. Uma ação judicial pede que o MST seja colocado na ilegalidade. Enquanto ela não é julgada, porém, os promotores têm conseguido impedir seus integrantes de circular em algumas regiões. "Não se trata de remover acampamentos. A intenção é desmontar bases usadas para cometer reiterados atos criminosos", justifica o promotor Luis Felipe Tesheiner.

O MST passa atualmente por uma curiosa transmutação política. Desde a chegada ao poder de Lula e do PT, aliados históricos do movimento, a sigla abrandou os ataques ao governo federal. A trégua, que beneficia a ambos, permitiu que os sem-terra apadrinhassem vinte dos trinta superintendentes regionais do Incra. É um comportamento muito diferente de quando o MST liderou as manifestações "Fora, FHC" e invadiu a fazenda do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, em 2002. O terrorismo agora é praticado preferencialmente no quintal de governadores de oposição a Lula, como a gaúcha Yeda Crusius e o paulista José Serra. A reputação do MST acompanha sua guinada violenta. Dez anos atrás, a maioria dos brasileiros simpatizava com a sigla. Agora, a selvageria, aliada à extraordinária mobilidade que levou 14 milhões de pessoas a ascender socialmente nos últimos anos, mudou a imagem do movimento. Pesquisa do Ibope realizada no ano passado mostra que metade dos entrevistados é contra os sem-terra. O MST, hoje, é visto como sinônimo de violência. "As pessoas descobriram que é possível melhorar de vida sem que para isso seja necessário fazer uma revolução", diz o presidente do Ibope, Carlos Augusto Montenegro. Às vezes é preciso tempo para enxergar o óbvio.

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Fonte: Website de Olavo de Carvalho
[17/05/98] O segredo de João Pedro Stedile - por Olavo de Carvalho

Quando um sujeito não quer ver a realidade, não adianta nada ela posar diante dele escandalosamente nua. O juiz que rejeitou a denúncia de apologia do crime apresentada contra o sr. João Pedro Stedile alegou que um simples discurso desse personagem não podia ter causado atos de vandalismo. Em algum lugar do passado S. Excia. deve ter tido diante dos olhos, mesmo que fugazmente, um exemplar do Código Penal. Se nele houvesse detido sua atenção por mais alguns segundos, teria talvez notado que a apologia do crime é crime em si, ainda quando impotente para suscitar resultados práticos.

Mas, além de juridicamente descabida, a impotência política que a sentença atribuiu às palavras do Sr. Stedile contradiz também tudo o que se sabe, em história e em psicologia social, da eficácia da palavra-de-ordem desfechada por um líder sobre a massa organizada. Pois o Sr. Stedile não falou, no ar e à toa, para meia-dúzia de mendigos reunidos casualmente numa praça, e sim para uma tropa bem preparada, bem trabalhada, pronta para a ação como um canhão carregado que aguarda, para disparar, apenas uma discreta fagulha.

A comparação, aliás, peca por míngua: secundado pelo apoio quase unânime da mídia e pela solidariedade providencial de políticos e juristas de miolo mole que insistem em estender aos ricos incitadores de pobres a excusa do "estado de necessidade", um discurso do Sr. Stedile não é uma fagulha: é uma explosão em cadeia, que começa com o chiado de um pavio e termina ribombando e derrubando prédios por todo o território nacional.

Mas que a sentença seja absurda e fundada num pretexto risível não implica que devamos lamentá-la. Por mim acho ótimo que o Sr. Stedile continue a circular livre pelas ruas, despido da aura de mártir que três minutos de cadeia bastariam para conferir a um homem jamais seriamente maltratado por qualquer adversário, e que até o momento não tinha pretexto aceitável para se fazer de coitadinho.

É notória a habilidade da esquerda para elevar às dimensões publicitárias de um holocausto qualquer pequena incomodidade que se lhe inflija. O sr. Leonardo Boff, por exemplo, tornou-se um novo Cristo no Gólgota por conta das duas ou três amáveis reprimendas que lhe deram em Roma, enquanto seus inimigos conservadores – de Lefebvre a Castro Mayer – eram sumariamente excomungados sem que a grande imprensa lhes concedesse sequer um espacinho para modestas lacrimejações.

Não. Nada de cadeia. Quero ver o Sr. Stedile livre e forte para agüentar certas verdades que, mais dia menos dia, hão de aparecer. Para homens como ele, cadeia não dói. O que dói, a única coisa que dói na alma de um revolucionário profissional, é ver exposto aos olhos do público o segredo em cuja meticulosa ocultação reside a fórmula da vitória.

Quando falo em segredo, não imaginem que me refiro ao submundo mental do inconsciente. Nada sei da psicologia pessoal do Sr. Stedile e me dou por satisfeito de continuar a ignorá-la. O segredo do Sr. Stedile não está nas suas emoções profundas, mas numa doutrina política que, para ser eficaz, tem de se resguardar cuidadosamente de declarar seu nome.

Essa doutrina compõe-se, com efeito, de duas partes: as premissas, que o Sr. Stedile alardeia abundantemente, e a conclusão fatal, que ele omite discretamente. As premissas são as seguintes: 1) entre as classes sociais há contradições de interesses; 2) algumas dessas contradições são antagônicas, isto é, não têm solução pacífica.

A conclusão, que o Sr. Stedile jamais declara, mas que qualquer garoto de escola pode tirar sem dificuldade, é que ou a sociedade terá de viver num estado de guerra permanente, ou uma das classes terá de ser eliminada — sendo difícil conceber como se poderia dar fim a uma classe sem suprimir fisicamente bom número de seus membros.

Essa doutrina é nossa conhecida de velhos e sangrentos carnavais. Levada à prática, custou a vida de mais de 100 milhões de pessoas — o episódio mais mortífero da História humana desde o dilúvio.

Mas estou pondo o carro adiante dos bois. Deixem-me contar a história desde o começo. Meu interesse pelas crenças do Sr. Stedile nasceu há tempo em Porto Alegre, onde, com meu amigo, o brilhante estudioso Cândido Prunes, tive durante algumas horas, na Bienal do Livro de 1997, o extravagante prazer de debatê-las com o próprio Sr. Stedile e seu fiel escudeiro frei Sérgio Görgen.

Tendo-as ouvido, não saí, no entanto, estupefato, pela simples razão de que já as viera ouvindo pela vida a fora, pelo menos desde os quatorze anos de idade, quando pela primeira vez topei com um comissário do povo incumbido de ensinar aos jovens o caminho da felicidade universal, que, como o resumiu um adágio da Revolução Francesa, consiste em enforcar seres humanos uns nas tripas dos outros.

Quem ficou estupefato foi o próprio Sr. Stedile, porque, habituado pela mídia a um tratamento de menino mimado, pela primeira vez em sua vida teve a pedagógica e repugnante oportunidade de ouvir uma resposta substantiva. Sim, reconheço que maltratei sadicamente o cérebro do Sr. Stedile, mostrando-lhe as últimas coisas que ele desejaria saber.

Não é de espantar que ele tenha saído espumando de cólera, batendo o pezinho e maldizendo, alto e bom som, a hora em que aceitara o convite para o debate.

Mas vamos por partes. Após ter exposto as premissas de sua doutrina, o Sr. Stedile deu alguns exemplos de contradições antagônicas. O primeiro foi que o regime instalado no país em abril de 1964 esmagara as Ligas Camponesas mediante a eliminação física de seus líderes. Respondi que o episódio se dera em 1963, um ano antes da posse do Marechal Castelo Branco, que só poderia ter cometido o crime pelos métodos do Exterminador do Futuro.

Alegou então o Sr. Stedile, como prova da violência reacionária contra os camponeses progressistas, o massacre de Canudos. Canudos, respondi, fora um movimento monarquista e conservador, afogado em sangue pelos progressistas que tinham acabado de derrubar o regime imperial.

Em resposta, o cortejo de militantes que acompanhava o Sr. Stedile em trajes típicos — boné, sacola a tiracolo — começou a gritar, vaiar e uivar, para impedir que os fatos históricos continuassem a tirar de seu guru todo o prazer de viver. Não tive remédio senão disparar sobre os valentes meninos um enérgico "Cala a boca!", que, para minha surpresa, os fez mudar de atitude instantaneamente, passando dos rosnados viris aos muxoxos de donzela magoada. Alguns levantaram-se para protestar, com pose de aluninhos bem comportados, contra a grosseria do debatedor escolhido para confrontar-se com a alma delicada do Sr. Stedile. O próprio Sr. Stedile, aproveitando a deixa, declarou que se soubesse que iria receber da parte de seu opositor um tratamento tão brutal, jamais teria ido àquele lugar maldito. Estas sábias palavras foram aplaudidas com entusiasmo. Eu mesmo as aplaudi, fascinado pela desenvoltura artística com que aquele talentoso orador passava do furor heróico aos gemidos de autocomiseração.

Percebi então que o Sr. Stedile só estava acostumado a enfrentar-se com dois tipos de pessoas: no campo, fazendeiros armados que desejariam matá-lo; na cidade, políticos, intelectuais e ricaços que o adulam. Um simples cidadão sincero, capaz de lhe dizer na lata coisas patentes, era demais para a sua cabeça.

Pior ainda ficou ele, esfregando nervosamente as mãos na impossibilidade de me estrangular em público, quando eu disse que o MST, embora pose de inimigo número um do imperialismo, não faz nenhum dano aos poderes internacionais; que estes, ao contrário, lhe dão vasto apoio financeiro e midiático em troca de sua ajuda para enfraquecer o Estado nacional brasileiro, o que é parte essencial da estratégia globalizante, empenhada em fomentar movimentos de reivindicação que obriguem as nações a viver de ajuda internacional; que, no conjunto, o MST só ataca empresários rurais, uma classe que, poderosa regionalmente, nada significa em escala mundial; e que, enfim, tudo se resume no velho circuito descrito por Bertrand de Jouvenel: um poder maior e central, para se afirmar, destrói poderes intermediários com a ajuda de uma massa de insatisfeitos que nem de longe imaginam a quem servem.

A estas observações ninguém me respondeu nada. Os cérebros ficaram paralisados pelo impacto de uma novidade indigerível.

Concluí então que uma causa fundada na falsidade e no auto-engano só poderia propagar-se à força de mentiras. A mais notável delas era o famoso "estado de violência" que, segundo o MST afirma e a imprensa mundial ecoa, é geral e endêmico no campo brasileiro. Exibi então as estatísticas trazidas no livro de autoria do próprio Stedile, A Questão Agrária no Brasil, segundo o qual a taxa de homicídios em toda a área rural brasileira — todo um continente, habitado pela quarta parte da população brasileira —, tinha sido de 40 a 50 casos por ano entre 1991 e 1995 — um número aproximadamente igual à quota, não anual, mas mensal, dos morros cariocas, cuja população não chega a dois milhões de pessoas. Os dados do Sr. Stedile mostravam que, comparado às áreas urbanas, o campo é a área mais estável e pacífica do Brasil. Como conseguia o MST fazer tanto alarde em torno de tão minguados horrores sem o apoio interesseiro dos poderes internacionais, que a doutrina oficial da esquerda afirmava serem aliados dos latifundiários? Era aos fazendeiros ou ao MST que a Comunidade Econômica Européia dava dinheiro, a ONU legitimação política, a grande imprensa novaiorquina respaldo publicitário? Quem, afinal, servia às forças globalizantes?

Convidado a dirigir perguntas ou objeções a seu opositor, o Sr. Stedile declarou que nada tinha a responder a um sujeito tão horroroso, sendo seu aristocrático mutismo secundado pelo de frei Sérgio Görgen, seu acólito. Respondi a essa não-pergunta observando que era próprio do monólogo totalitário nada perguntar, mas viver imerso na auto-satisfação de afirmar, afirmar e afirmar.

Ainda sem responder, o sr. Stedile entrou logo nas suas "considerações finais", de pé para fazer da mesa de debates um palanque, gesticulando muito, ocupando por meia hora, sem apartes, o prazo de dois minutos que lhe fora concedido, e preenchendo-o com um vocabulário seleto, no qual se discerniam, entre outros termos científicos, o nome da mais velha profissão da humanidade e o do membro masculino, ambos começando com ''p" e terminando com "a", sendo no fim entusiasticamente aplaudido pelos que haviam protestado contra a incontinência verbal de seu adversário.

Em seguida, alegando não sei quais compromissos, retirou-se do debate, cumprimentando todos os membros da mesa exceto um (no que seria depois imitado por frei Sérgio, religiosamente).

Após a saída do líder, os militantes dividiram-se: uns foram embora, desistindo de uma conversa que não poderia trazer ao MST nenhum dividendo político. Outros redobraram de ferocidade. Um deles gritou que nós outros, defensores de um determinado "modelo de sociedade" éramos uns "mercadores da morte". Outro, ou o mesmo, não lembro direito, afirmou que o capitalismo matara todos os índios. Ao primeiro, convidei a mostrar, nos meus livros, uma linha, ao menos, que propusesse algum modelo de sociedade. Ao segundo, ou ao mesmo, observei que a destruição das nações indígenas no Brasil fora anterior ao advento do capitalismo, tratando-se portanto, de um segundo Exterminador do Futuro. Seguiram-se novos gritos e protestos, sendo então encerrada, entre apupos e furores, a singular troca de idéias. Troca na qual levei prejuízo, não tendo recebido nenhuma em retribuição das minhas.

Ao voltar ao Rio, tive a surpresa ingratamente lisonjeira de descobrir que muitas pessoas consideravam uma covardia abominável designar-me para enfrentar o Sr. Stedile, tendo em vista o que presumiam ser uma desproporcional dotação de nossos respectivos QIs (no entanto jamais cotejados cientificamente). Essa reação revelou-me um curioso traço da nossa psicologia coletiva: ela encara a inteligência e o conhecimento como forças físicas, que nos debates deveriam ser graduadas igualitariamente, a bem da justiça. Quando um simples cidadão sem cargo ou dinheiro, armado tão somente de sua cabeça e de seus estudos, enfrenta um líder político que vem escorado em vastas organizações, verbas milionárias e uma massa de militantes enfurecidos, o covarde é o primeiro, não o segundo. Entre Cícero com sua eloqüência e César com seus exércitos, covarde é Cícero. Entre Leon Trotski com seus panfletos e Stálin com seus guardas, covarde é Trotski.

Mas, deixando de lado essas manifestações de igualitarismo paroxístico, muito influentes aliás nas "políticas culturais" de hoje, tive ainda, em casa, a ocasião de completar minhas impressões lendo numa revista de São Paulo (Caros Amigos, Ano 1, no 8, nov. 1997) uma longa entrevista do sr. Stedile, onde finalmente acreditei ter compreendido algo da sua personalidade política.

A chave para a decifração dessa criatura enigmática está no estilo do seu discurso. Desde o falecimento do ministro José Maria Alkmin, nenhum brasileiro superou o Sr. Stedile na arte da linguagem escorregadia. Mas entre eles há diferenças substanciais. O primeiro era nebuloso em tudo; o segundo o é apenas no que se refere à sua identidade política, sabendo ser bastante claro e incisivo ao definir a dos adversários. Alkmin era vago em atos e palavras, o Sr. Stedile o é somente em palavras: seus atos têm um sentido muito definido, que o discurso nebuloso busca disfarçar.

A técnica do Sr. Stedile consiste em evitar dar às suas ações mais óbvias os nomes que elas obviamente têm. Ele se esquiva às definições pela mesma razão com que um índio se esquiva de fotografias: para evitar que sua alma seja capturada. A palavra é poder: aquilo que podemos nomear, podemos de algum modo dominar. O sucesso das ações do Sr. Stedile depende em última instância de que ninguém saiba exatamente o que ele está fazendo. Por isto, num mundo em que tantos se queixam da incompreensão alheia, ele foge da alheia compreensão como um vampiro foge da luz do dia.

A nebulosidade começa pela própria figura social do personagem. Esse intelectual diplomado em Economia por uma universidade paga (PUC do Rio Grande) procura falar errado como um homem do povo, mas às vezes se equivoca e inadvertidamente começa a conjugar os verbos e flexionar os adjetivos com aprimorada correção. No debate em Porto Alegre, acuado pelos cálculos de Cândido Prunes, ele primeiro se fez de ignorante, dizendo que não era justo cobrar de um simples lutador pelas nobres causas a leitura de "tudu êssis livru" (sic); tão logo sentiu firmeza, começou a despejar sobre o adversário estatísticas e cálculos — impertinentes, mas expostos em linguagem de professor da USP.

Mais nebuloso ainda é o estado em que ele procura manter a identidade do MST — "um movimento sui generis, ao mesmo tempo de caráter popular, sindical e político", que os esquerdistas mesmos não entendem, pois "nunca existiu um movimento que reunisse essas três características". Será mesmo? Em escala nacional, sim. Mas, na história do mundo, um movimento que invade terras e instala no campo uma administração paralela para ir tomando aos poucos o lugar dos órgãos oficiais não é novidade nenhuma. Surgiu na Rússia pré-revolucionária com o nome de soviete. Até a principal diferença que separa o MST dos movimentos sindicais assinala a sua identidade com os sovietes: ele não se compõe só de camponeses, como um sindicato de classe, mas inclui engenheiros, economistas, assessores de imprensa e, last not least, técnicos em guerrilha. Sim, ele não é um órgão de representação profissional. É um braço da estratégia revolucionária e a semente da futura administração rural comunista. Ao lançar o manto da nebulosidade sobre um fenômeno de identidade tão manifesta, o Sr. Stedile açambarca em proveito da estratégia comunista, espertamente, o próprio fato de o comunismo estar fora de moda: desconhecendo tudo da estratégia leninista que lhe parece coisa do passado, o público não poderia reconhecê-la nem mesmo sob o mais tênue e relaxado disfarce, e encontra-se pronto a servi-la quando ela se apresenta sem nome.

É por isso que o Sr. Stedile, após defender as velhas e ortodoxas doutrinas da luta de classes, da destruição do aparelho de Estado burguês, etc. etc., pode, sem corar, negar que é marxista, negar que é leninista e, para cúmulo, negar até mesmo, como o faz com vigor em sua entrevista, que seja um homem de esquerda no sentido mais geral do termo!

"Detestamos rótulos", afirma ele. "Fazemos uma campanha permanente contra o rótulo". Mas essa firme determinação inverte-se quando a cola vai para o outro lado. Os inimigos do MST são facilmente catalogados em "neoliberais", "imperialistas", "reacionários" etc., sem que isto desperte a rotulofobia do Sr. Stedile. Eu mesmo tive a oportunidade de receber, da parte de militantes do movimento, o carimbo de "neoliberal", embora minha única participação em entidades que professam essa doutrina tenha sido, precisamente, uma conferência no Instituto Liberal do Rio sob o título "Por que não sou neoliberal".

Não é preciso dizer que, no são entendimento humano, nem todos os nomes são meros rótulos, catalogações exteriores inadequadas à natureza da coisa. Quando chamamos uma galinha de galinha, um jumento de jumento ou o Sr. Stedile de Sr. Stedile, não estamos rotulando: estamos nomeando. Mas quando o Sr. Stedile, tendo negado peremptoriamente que é esquerdista, logo em seguida se qualifica de "socialista cristão" e mesmo após o galo cantar três vezes não explica que raio de coisa poderia vir a ser um socialismo não-esquerdista, então compreendemos que ele está precisamente se rotulando para esconder por trás do rótulo o verdadeiro nome da coisa; que, em suma, ele prefere antes o mais falseado dos rótulos, quando lhe é útil politicamente, do que o mais apropriado dos nomes, quando lhe é politicamente incômodo.

O sr. Stedile pode ser, no plano pessoal, um homem honesto — honesto com sua esposa, com seus credores, com seus amigos. Nada sei que, como ente biológico e civil, o desabone. Política e intelectualmente, porém, seu discurso é a coisa mais tortuosa, mais mentirosa e mais dissimulada que tem aparecido no cenário nacional. E que sua figura política seja imposta ao público como a imagem por excelência do bom menino, como a encarnação mesma dos "sentimentos nobres" massacrados pelo cínico mundo capitalista, eis aí a prova de que este país vai perdendo, junto com o senso da verdade, todo discernimento moral.

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Fonte: Estadão
[26/11/11]  Grupo critica submissão de líderes e racha MST - por Roldão Arruda

Carta subscrita por 51 antigos militantes diz que movimento deixou de lutar pelo socialismo e perdeu combatividade com chegada do PT ao poder

Um grupo de 51 militantes e apoiadores do Movimento dos Sem-Terra (MST), a maioria veteranos na luta pela reforma agrária, divulgou carta na qual anuncia o desligamento da organização por discordar de seu projeto político atual. Na avaliação do grupo, o MST, além de burocratizado e institucionalizado, está integralmente subordinado às políticas do governo federal.

"Vem se conformando uma ampla aliança política, consolidando um consenso que envolve as principais centrais sindicais e partidos políticos, MST, Movimento dos Trabalhadores Desempregados, Via Campesina, Consulta Popular, em torno de um projeto de desenvolvimento para o Brasil, subordinado às linhas políticas do governo", diz a carta. Na avaliação dos signatários, trata-se de uma "esquerda pró-capital" e destinada a "movimentar a massa dentro dos limites da ordem e para ampliar projetos assistencialistas".

Trata-se de uma crítica radicalmente de esquerda. O texto afirma que, além de perder a combatividade a partir de 2003, com a chegada do PT ao poder, o MST deixou de lutar pelo socialismo.

A direção nacional do MST não quis comentar publicamente o documento. Preferiu tratar o episódio como parte dos debates e das divergências políticas que sempre fizeram parte da história da organização.

Nos bastidores, porém, alguns dirigentes acusaram o golpe. Lamentou-se sobretudo a deserção de militantes históricos do Rio Grande do Sul. Do total de assinaturas, 28 são daquele Estado, onde o movimento foi idealizado, na década de 1980, e no qual surgiu seu líder mais conhecido, João Pedro Stédile.

A decisão do MST de não comentar a carta também pode estar vinculada ao fato de atravessar um dos piores momentos de sua história do ponto de vista de mobilizações. O número de pessoas reunidas em seus acampamentos chegou ao nível mais baixo dos últimos anos.


16/12/11
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (3) - "Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri" - por Adrualdo Catão

Nota de Helio Rosa:
Depois de um intervalo, volto a acompanhar o tema "bogueiros progressistas".

01.
Mantenho, há 11 anos, mesmo antes do advento dos blogs na forma atual, dezenas de páginas temáticas sobre assuntos de telecom e cidadania.
O custo é baixíssimo e não fiquei mais pobre por causa disso. E nem mais rico, pois não recebo nenhum financiamento e não há propagandas em minhas páginas.
Estou muito à vontade para acompanhar a atividade dos "blogueiros progressistas".

Os dois "posts" iniciais estão aqui:
28/06/11
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - Nem todos os jornalistas estão à venda
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - "Carta" do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

02.
Retomo com um recorte de uma matéria já iluminada anteriormente que define este tipo de blogueiro:

(...) Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.
Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão da mídia tradicional". É justo que o façam? É.
Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como "Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o é na prática.
Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...)
[Fonte: Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do Amigos]

Na sequência, para não deixar dúvidas das pretensões de financiamento dos "blogueiros progre$$istas" (esta grafia será justificada após a leitura) recorto também este trecho:

(...) 4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.  (...)
[Fonte:
Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães - [17/08/10]   Carta dos Blogueiros Progressistas]

03.
Está na "boca da mídia", por conta de enorme auê da blogosfera "progressista", o livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., “A privataria tucana".
Não li o livro, mas consta que não apresenta nenhuma novidade sobre o assunto que já não tenha sido veiculada pela mídia.
Especula-se que seu lançamento foi acelerado para se contrapor à enorme corrupção reinante nos governos Lula e Dilma que, na falta de oposição partidária formal, a mídia vem "cavando" e divulgando.

Transcrevo abaixo estas matérias:

Fonte: Blog de Adrualdo Catão
[15/12/11]   Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri - por Adrualdo Catão
Fonte: Blog do Noblat
[12/12/11]   Que pobreza de idéias - por Ricardo Noblat
Fonte: Noblat
[16/12/11]   Notas sobre um livro - por Sandro Vaia
HR

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Fonte: Blog de Adrualdo Catão
[15/12/11]   Progressistas da rede querem que eu leia o livro do Amauri - por Adrualdo Catão

Anotado no Blog:
Adrualdo Catão é Doutor em Teoria e Filosofia do Direito pela Universidade Federal de Pernambuco. Professor de Filosofia do Direito da Graduação e do Mestrado da Faculdade de Direito de Alagoas, FDA/UFAL. Advogado e Blogueiro. Esse é um blogue de opinião sobre política, direito, filosofia e qualquer assunto considerado relevante. Um ambiente de total liberdade de expressão e defesa da democracia.

Os progressistas estão me cobrando uma análise do livro “A privataria tucana” de Amauri Jr. Ainda não li o livro. Esse texto antecipa minhas expectativas sobre o livro e a movimentação causada por ele.

Vocês já ouviram falar dos blogueiros progressistas? São aqueles que, demitidos da “grande mídia”, como eles gostam de chamar, encontram abrigo debaixo da saia do governo petista. Com grandes somas em patrocínios estatais, dedicam a vida a falar bem do governo e mal da oposição. Eles também se dizem de esquerda, mas isso nem é o pior dos males...

Eu, por exemplo, não sou um blogueiro progressista. Sou independente, mas tenho lado. Meu lado é o do estado de direito e dos valores liberais. Acredito na ética centrada na proteção do indivíduo. Por isso, meus textos enaltecem esses valores, e não outros. Ao contrário dos blogueiros progressistas, sou independente, mas não sou neutro.

O PT representa, hoje, a hegemonia de um partido com crenças velhas e ações voltadas para piorar nossas instituições democráticas. Petistas flertam com a democracia liberal, mas apenas para manter a estabilidade. Seus valores ainda são os mesmos e aparecem em seus discursos antiliberais. São contra um Estado eficiente. Gostam de gastos com companheiros na máquina. Claro que existem petistas sérios. Estou fazendo uma generalização.

Tudo bem que o partido nem sempre age assim. Mas não é porque não quer, é porque não pode. Para ganhar a eleição, Lula teve que renunciar a muitas de suas crenças antiliberais. Isso o tornou palatável e permitiu, com sua vitória, a continuidade de um projeto para o Brasil, que começou com Collor e ganhou com FHC seus contornos institucionais mais sofisticados.

O PT, então, curva-se ao ideário liberal na economia por necessidade e não por convicção. Por isso, ao mesmo tempo em que promove privatização de aeroportos, demoniza os tucanos justamente pela privatização. Justamente aquilo que de melhor fizeram os tucanos no poder! Tirar do Estado o peso enorme das estatais, que agora geral mais tributos do que antes geravam em lucros. Como justificar tanta incoerência? É tudo uma questão de conveniência estratégica. Para melhorar aeroportos, o ente privado é necessário. Assim, as crenças antiliberais perdem espaço para a governabilidade. Na campanha, o PT falará mal das privatizações de novo.

O PT, junto com seu ideário antiliberal, é, em certos âmbitos, hegemônico. Na academia, por exemplo, não ser petista é coisa rara e mal vista. Identificar-se não apenas com a social-democracia, mas com a demonização do liberalismo e, mais amplamente, do capitalismo, é o típico pensamento da elite que domina o serviço público brasileiro.

Isso não deixa de ser um retrato da incompreensão sobre o papel das empresas e do lucro num Estado capitalista. Talvez se os servidores descobrissem que o dinheiro que é usado para pagar seus salários vem, justamente, do lucro das empresas e da renda das pessoas que produzem riqueza, deixariam de lado as velhas bobagens antiliberais.

Mas essa hegemonia é tão grande que, mesmo no poder há tanto tempo, o PT ainda consegue posar de vítima. E o pior, há um bando de seguidores que leva a sério esse comportamento. Pensam realmente que há uma “direita reacionária” que o PT enfrenta e que, por isso, mesmo estando no governo, precisa de proteção.

Se existe uma direita reacionária, ela está justamente ao lado do PT no governo! Onde estão Sarney e Collor? Onde está Renan Calheiros? No colo da presidente Dilma! Onde estão as grandes empresas brasileiras? Penduradas nas benesses e incentivos fiscais dados aos companheiros. Onde estão os bancos? Todos com o PT.

Veja o que acontece hoje na rede e, especialmente, com esse blogue. Como sou declaradamente de direita liberal, a turma vem sempre aqui me aperrear. Agora o tema da vez é o recente livro do Amauri Jr. (seria aquele apresentador de TV?), chamado “A privataria tucana”. O livro é uma espécie de dossiê sobre os subterrâneos do processo de privatização do governo FHC.

A turma está tomando o livro como uma sentença de condenação transitada em julgado. Cobram das grandes redes de TV que apresentem o livro em seus telejornais. Cobram da Revista Veja que dê uma capa para o livro. Cobram até desse mero blogueiro que fale sobre o livro...

Essa turma é uma piada!

Só um idiota para pensar que há processos completamente honestos em política. Conheço políticos honestos, mas nem esses conseguem se cercar apenas de anjos ou santos. Posso imaginar a quantidade de informação privilegiada ou tráfico de influência que deve ter rolado nesse processo de privatização. Tanto dinheiro envolvido!

Eu já disse aqui o que penso sobre corrupção. Ela está errada em qualquer governo, em qualquer partido. Não defendo corrupto. Não sou petista. Em todos os governos há corrupção.

O que distingue o PT dos demais partidos é o discurso sobre a corrupção. Para o PT, a corrupção é um método. O maior exemplo foi o mensalão. A corrupção a serviço do poder e serve como justificativa deste. Se os conservadores sempre roubaram, o PT também tem que fazê-lo, ainda mais por representar os anseios do povo. Esse é o discurso cretino dos petistas.

Não sejamos injustos com os fatos. Lembram do caro Arruda? Foi expulso do DEM. Quantos mensaleiros foram expulsos do PT? Não só não foram expulsos como fazem parte de comissões e ainda dão pitaco no governo Dilma. Vejo até hoje petistas defendendo José Dirceu.

Nos outros partidos, o político tem vergonha de roubar. No PT, ele tem orgulho.

Imaginemos então que o livro traga, mais de 10 anos depois, provas que nunca foram usadas na inúmeras ações que o MPF impetrou na época. Documentos que não estão nos inúmeros processos em que os “movimentos sociais” barravam os leilões por meio de liminares. Imaginemos que o livro seja, realmente, uma bomba no colo de José Serra. Ele que se dane! Que responda na Justiça. Que pague pelos supostos crimes.

O que os petistas querem, porém, não é isso. Acusações como as que estão no livro já foram feitas inclusive pela própria revista Veja. A coisa é prato requentado. O que eles querem é tirar o foco do roubo do governo atual, para focar num político que nem sequer exerce cargo público. O que eles querem é afundar José Serra.

Querem equivalência entre um ministro consultor (Fernando Pimentel), amigo de Dilma, e que está atualmente em ação, e uma denúncia de 10 anos atrás! Querem equivalência entre a notícia da queda de seis ministros por corrupção e uma denúncia requentada num livro! Sem contar a má fama desse Amauri, envolvido com dossiês e cheio de processos nas costas. A mídia pode até ser golpista, mas não é burra...

Petistas têm que entender que o livro é apenas... um livro! Se, e quando eu quiser, lerei o bicho. (Há outros na fila) Se, e quando eu quiser, escreverei aqui o que achei dele. Se algum petista quiser me presentear, ficarei ainda mais feliz, pois não estarei dando dinheiro para esse picareta.

Por ora, digo apenas que não tentem me fazer de besta. Sei diferençar militância política de preocupação com o erário. Eu condeno a corrupção de qualquer governo. Petistas podem fazer o mesmo?

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Fonte: Blog do Noblat
[12/12/11]  Que pobreza de idéias - por Ricardo Noblat

Os que defendem o governo e o PT, de preferência quando eles estão escandalosamente errados, arranjaram um novo argumento para tentar se dar bem nas discussões travadas com seus adversários nas chamadas redes sociais: a pretexto de qualquer coisa, agora invocam a leitura do livro do jornalista Amaury Ribeiro Jr., “A privataria tucana".

Se você critica Dilma por blindar Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, autor de consultorias suspeitas, logo alguém escreve: "E o livro de Amaury, cujos primeiros 15 mil exemplares se esgotaram num único dia? Não vai falar dele?". Outros provocam: "Criticando Dilma outra vez? E a roubalheira tucana promovida por ocasião da privatização das estatais?"

De sua parte, os que vivem para bater no governo e no PT mesmo quando eles acertaram, se valem de truque igual só que na direção oposta. "E a reportagem da VEJA sobre o estelionatário que falsificou documentos por encomenda de deputados do PT para comprometer políticos da oposição e embaralhar as cartas na época da CPI do Mensalão?" - pergunta um deles. "Não vai comentar?"

É uma pobreza de idéias de dar pena.

O livro de Amaury desperta desde já dois tipos de reação: "Não li e não gostei". E: "Não li e gostei".

Comecei a ler ontem. É uma leitura penosa para quem tem pouca intimidade com o mundo financeiro.

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Fonte: Noblat
[16/12/11]   Notas sobre um livro - por Sandro Vaia

Sandro Vaia é jornalista. Foi repórter, redator e editor do Jornal da Tarde, diretor de Redação da revista Afinal, diretor de Informação da Agência Estado e diretor de Redação de “O Estado de S.Paulo”. É autor do livro “A Ilha Roubada”, (editora Barcarolla) sobre a blogueira cubana Yoani Sanchez. E.mail: svaia@uol.com.br

1) Não há nenhum motivo para que a imprensa não noticie e não comente o lançamento do livro “Privataria Tucana” , de Amaury Ribeiro Júnior, como não havia para que não noticiasse ou comentasse o livro “O Chefe”, de Ivo Patarra.

Não há motivo, portanto, para que só a publicação de notícia sobre um deles seja exigida, enquanto o outro continua ignorado.

2) Uma das informações de maior impacto do livro é a acusação de que Ricardo Sérgio de Oliveira, homem forte das privatizações, ex-tesoureiro da campanha de FHC , e ligado a José Serra, teria recebido propina de 15 milhões de dólares de Benjamin Steinbruch para facilitar a vitória de seu consórcio no leilão da Vale . A acusação foi publicada em maio de 2002 pela revista Veja, paradoxalmente a mesma que é acusada hoje de falta de credibilidade pelas acusações contra ex-ministros demitidos pelo atual governo.

A informação sobre suposta propina que teria sido paga por Carlos Jereissatti na formação do consórcio das teles que arrematou a Telemar também foi publicada pela Veja e por vários jornais e revistas. O que comprova que a imprensa sempre cumpriu o seu papel, e só passou a ser contestada e chamada de “golpista” quando o protagonista da noticia era alguém do partido errado.

3) As considerações do autor do livro sobre todo o processo de privatização representam as razões de um dos lados do debate ideológico que contrapõe em todo o mundo o dirigismo estatal ao modelo liberal de Estado mínimo. O próprio uso da palavra “privataria” reflete uma opção ideológica.

Não há no livro referência à sentença do juiz da 17ª Vara Federal sobre a licitude do processo de privatização da Telebrás no caso da denúncia do Ministério Público Federal contra Luiz Carlos Mendonça de Barros e outros no famoso episódio do “limite da irresponsabilidade”. O juiz absolveu os acusados, dizendo que eles defenderam o interesse do Estado (estimulando a criação de um consórcio que aumentaria o preço mínimo do leilão) e não se locupletaram ou beneficiaram pessoalmente de suas ações.

4) O emaranhado de documentos copiados dos arquivos públicos da Junta Comercial, mostrando inextrincáveis criações, extinções e multiplicações de empresas, mudanças de razão social, saídas e entradas de sócios, mudanças de cargos, movimentações enigmáticas em paraísos fiscais, dão ao livro a solene impressão de uma farta “documentação”, mas faltou um editor ou um especialista em finanças para explicar o que significa cada uma dessas coisas e qual é a relação entre elas.

Ficamos sabendo que José Serra tem uma filha que era sócia de Veronica Dantas, irmã do famigerado Daniel (o que em si não chega a constituir crime) e que tem um “primo político” (casado com uma prima) e um genro aparentemente muito ativos em tenebrosas transações. Todos eles, supostamente, abriam, fechavam e multiplicavam empresas para lavar dinheiro e internalizá-lo legalmente no País.

Mas de onde vinha esse dinheiro ? Há uma vasta coleção de divagações, suposições, insinuações, ilações, que levam a uma conclusão que quer parecer óbvia porém não é comprovada: seria dinheiro desviado das privatizações. Não há prova nem indício do chamado “crime antecedente”, que a lei exige para a tipificação do delito da lavagem de dinheiro.

O livro virou uma peça da guerrilha política que ocorre em algumas rotas do ‘bas fond” das redes sociais e, até prova em contrário, está destinado a provocar mais calor do que luz.


28/06/11
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (2) - Nem todos os jornalistas estão à venda

Fonte: Noblat - Origem: Blog de Augusto Nunes
[27/06/11]  Os comandantes da ofensiva contra a liberdade de imprensa ignoram que nem todos os jornalistas estão à venda

Entre uma rodada de palestras financiadas por empresários amigos e uma missa negra pela salvação da pele dos pecadores de estimação, Lula retomou na terceira semana de junho a ofensiva contra a liberdade de imprensa. Coerentemente, a discurseira que tenta estigmatizar o jornalismo independente e faz a louvação da censura, rebatizada pelo PT de “controle social da mídia”, foi ressuscitada no Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que juntou em Brasília o bando que age na internet a serviço do governo e, sobretudo, do ex-presidente que ainda não desencarnou do Planalto.

“Nunca me preocupei com crítica, mas que elas sejam verdadeiras”, mentiu Lula para a plateia de blogueiros estatizados pelo companheiro Franklin Martins com verbas, empregos e favores providenciados pelo Ministério da Propaganda. “O que me preocupam são as inverdades, como aquela pedra, meteorito, que bateu na cabeça de um candidato na eleição”, voltou a trocar os fatos a socos e pontapés, insistindo em debochar da agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra num evento eleitoral no Rio de Janeiro.

Anabolizado por salvas de palmas, o palanque ambulante caprichou nos afagos aos coadjuvantes das sucessivas farsas encenadas para transformar afrontas à democracia em piadas ─ ou para negar que aconteceram. “Vocês evitaram que a sociedade brasileira fosse manipulada como durante muito tempo ela foi manipulada”, inverteu as coisas o falsário patológico. “Vocês evitaram que os falsos formadores de opinião pública ditassem regras do que deveria acontecer no país”.

Nessa versão pilantra, o Brasil escapou de afundar nas fantasias urdidas pela imprensa não domesticada graças aos progressistas eletrônicos ─ uma tribo que agrupa fanáticos estacionados no começo do século 20, exotismos que ainda empunham garruchas da Guerra Fria e ex-jornalistas que arrendaram a alma ao governo para garantir uma velhice poupada ao menos de achaques financeiros. Todos incondicionalmente subordinados ao morubixaba, não acham nada sem prévia autorização, nem ousam pensar por conta própria. Esses requintes são para quem têm autonomia intelectual. Limitam-se a fazer o que o dono ordena.

No Brasil dos blogs governistas, não existem safadezas, roubalheiras, corrupção, ladroagem, quadrilhas federais, nada disso. E o escândalo do mensalão, claro, foi uma invencionice da elite golpista. Nesse país sem pecados, Erenice Guerra é uma dama de reputação ilibada, Antonio Palocci prosperou honestamente, Aloízio Mercadante e seus aloprados jamais fabricaram dossiês, Dilma Rousseff é uma pensadora onisciente, Lula é o gênio da raça e o partido segue honrando a frase recitada por José Dirceu no século passado: “O PT não róba nem deixa robá”.

O inevitável Dirceu apareceu no segundo dia da quermesse em Brasília disposto a explicitar o que o chefe sugerira e, de novo, esvaziar o estoque de bravatas. “É uma vergonha que a regulação da mídia não seja realidade”, irritou-se. “Se o Poder Legislativo é soberano e autônomo, ele fará a reforma”. Se não fizer, avisou o palavrório, terá de haver-se com as tropas do combatente diplomado em Cuba. “Estou disposto a travar essa luta junto com vocês”, avisou o guerrilheiro de festim.

Declarações beligerantes formuladas por Dirceu só conseguem matar de rir. Vencido pelo padeiro de Ibiúna em 1968, pelo medo paralisante nos anos 70, pela própria arrogância no restante do século, ele foi definitivamente derrotado pelo prontuário em 2005. Mas o revolucionário de araque está sempre pronto para perder mais uma. Ele se recusa a morrer antes de monitorar, de preferência instalado no gabinete do ministro da Propaganda, a implantação do controle social da mídia.

Enquanto durasse a experiência liberticida, o que merece ou não virar notícia seria decidido por comitês formados por gente de confiança do governo, como os participantes do encontro em Brasília. “Os blogueiros progressistas não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência”, garantiu Dirceu. Os que conheci nunca souberam o que é isso. Dependendo do preço, suariam a camisa com o mesmo entusiasmo num campo de concentração nazista ou num gulag soviético.

A recidiva autoritária de Lula e Dirceu foi concebida para inibir os que não se deixam intimidar e açular os blogueiros federais. Além dos incontáveis casos de polícia já eviscerados pela imprensa, vêm aí a Copa da Roubalheira, a Olimpíada da Ladroagem e, antes dos dois espantos, o julgamento da organização criminosa envolvida no mensalão. Para que o governo do padrinho e da afilhada não fique ainda pior no retrato, é essencial reduzir o espaço de quem insiste em contar o caso como o caso foi e ver as coisas como as coisas são.

Os comandantes da ofensiva, intensificada neste fim de semana, vão constatar de novo que manobras liberticidas naufragam já nos primeiros artigos da Constituição. E descobrirão que não são poucos os profissionais que ilustram a lição de Cláudio Abramo: “O jornalismo é, antes de tudo e sobretudo, o exercício cotidiano do caráter”. Jornalistas independentes são prisioneiros voluntários da paixão pela verdade. Enxergam e denunciam delinquências seja qual for a filiação partidária do bandido. Sabem que a liberdade não tem preço. E não estão à venda.


28/06/11
A tropa do BloP - Blogueiros Progressistas (1) - "Carta" do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas

Nota de Helio Rosa
Quem lê jornal ou dá uma passada pelos portais de notícias, já ouviu "falar" dos Blogueiros Progressistas.
Para saber o que pensam esses blogueiros e acompanhar suas atividades, colecionei algumas matérias mas permito-me destacar estas duas, com recortes do seu conteúdo:

Fonte: Amigos de Pelotas
[04/06/11]   Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do Amigos
Recorte:
(...) Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.

Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão da mídia tradicional". É justo que o façam? É.

Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como "Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o é na prática.

Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.(...)

Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães
[17/08/10]   Carta dos Blogueiros Progressistas
Recorte:
(...) 4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.(...)

Aqui estão manchetes das demais matérias que estão transcritas mais abaixo:
Fonte: Blog do Miro
[25/05/11]   Aos detratores dos blogs progressistas - por Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania

Fonte: Blog no QAP
[24/11/10]  Lula recebe Blogueiros Progressistas para entrevista histórica

Fonte: Blog do Noblat - O Globo
[25/11/10]  Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto

Fonte: Substantivo Plural
[05/04/11]   Carta dos blogueiros progressistas - por Daniel Dantas
HR  Ler mais

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Fonte: Blog Cidadania de Eduardo Guimarães
[17/08/10]   Carta dos Blogueiros Progressistas

Está pronta a redação inicial do documento final do 1º Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas. Será reproduzida também em outros blogs e sites ligados à organização do Evento.
Para fazer sugestões – acrescentar, suprimir ou modificar o documento – o internauta deve enviar e-mail para contato@baraodeitarare.org.br
Há, também, duas outras boas notícias que transmito a pedido de Altamiro Borges, membro da Comissão Organizadora que está coordenando a logística do Evento.
1 – Conseguiremos transmitir o Encontro AO VIVO por WebTV (maiores informações serão fornecidas pela jornalista Conceição Lemes no blog Viomundo, mais adiante)
2 – Ao fim do Encontro, será fornecido um certificado de participação a cada convidado, firmado pelos apoiadores institucionais do Evento – Altercom, Barão de Itararé e Movimento dos Sem Mídia
Leiam, abaixo, a Carta dos Blogueiros Progressistas.

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Carta dos Blogueiros Progressistas

“A liberdade da internet é ainda maior que a liberdade de imprensa, na medida em que a imprensa compreensiva do rádio e da televisão se define como serviço público sob regime de concessão ou permissão, ao passo que a internet se define como instância de comunicação inteiramente privada”
MinistroAyresBritto

Em 21 e 22 de agosto de 2010, homens e mulheres de várias partes do país se reuniram em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros, com a finalidade de materializarem uma entidade, inicialmente abstrata, dita Blogosfera, a qual vem ganhando importância no transcurso desta década devido à influência progressiva que passou a exercer na comunicação e nos grandes debates públicos.

A Blogosfera é produto dos esforços de pessoas independentes das corporações de mídia, os blogueiros progressistas, designação que alude àqueles que, além de seus ideais humanistas, ousaram produzir o que já se tornou o primeiro meio de comunicação de massas autônomo. Contudo, produzir um blog independente, no Brasil, ainda é um ato de heroísmo porque não existem meios sólidos de financiamento para exercer a atividade profissionalmente, ou seja, obtendo remuneração.

Em busca de soluções para as dificuldades que persistem para que a Blogosfera Progressista siga crescendo e ganhando influencia em uma comunicação de massas dominada por um oligopólio poderoso, influente e, muitas vezes, antidemocrático, os blogueiros progressistas se unem para formularem aspirações e propostas de políticas públicas e pelo estabelecimento de um marco legal regulatório que contemple as transformações pelas quais a comunicação está passando no Brasil e no mundo.

Com base nesse espírito que permeou o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, os participantes deliberaram em favor dos seguintes pontos:

I – Apoiamos o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), de iniciativa do governo federal, como forma de inclusão digital de expressiva parcela do povo brasileiro extemporaneamente alijada de um meio de comunicação de massas como a internet no limiar da segunda década do século XXI, o que é inaceitável e incompatível com os direitos fundamentais do homem à comunicação em um momento histórico em que os avanços tecnológicos nessa área já são acessíveis a qualquer cidadão de qualquer classe social nos países em estágio civilizatório mais avançado.

Apesar do apoio ao PNBL, os Blogueiros Progressistas declaram que, mesmo entendendo a iniciativa governamental como positiva, julgam que precisa de aprimoramento, pois da forma como está ainda oferece pouco para que a internet possa ser explorada em todas as suas potencialidades. A velocidade de processamento a ser oferecida à sociedade sem cobrança dos custos exorbitantes da iniciativa privada, por exemplo, precisa ser ampliada ou não realizará aquilo a que se propõe.

2 – Defendemos a regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223da Constituição Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e, entre outras coisas, proíbem a concentração abusiva dos meios de comunicação de massa e que dispõem sobre os sistemas público, estatal e privado.

Por omissão dos Poderes Executivo e Legislativo na regulamentação da matéria e sob sugestão do eminente professor Fabio Konder Comparato, os Blogueiros Progressistas decidem mover na Justiça brasileira uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) com vistas à regulamentação das leis que determinam profundas alterações na realidade da comunicação no Brasil supra descrita e que vêm sendo solenemente ignoradas.

3 – Combatemos iniciativas que tramitam no Poder Legislativo tais como o Projeto de Lei de autoria do senador mineiro Eduardo Azeredo, iniciativa que se notabilizou pela alcunha de “AI-5 digital” e que pretende impor restrições policialescas à liberdade de expressão na rede mundial de computadores, bem como as especulações sobre o que se convencionou chamar de “pedágio na rede”, ou seja, a possibilidade de os grandes grupos de mídia poderem veicular seus conteúdos na internet com vantagens tecnológicas como capacidade e velocidade de processamento em detrimento do que for produzido pelos cidadãos comuns e pelas pequenas empresas de comunicação.

4 – Reivindicamos a elaboração de políticas públicas que incentivem a veiculação de publicidade privada e oficial remuneradas nos blogs, bem como outras formas de financiamento que efetivamente viabilizem essa forma de comunicação representada pela Blogosfera Progressista, de maneira que possa ser produzida por qualquer cidadão que disponha de competência para explorar seu potencial econômico e comercial, exatamente como fazem os meios de comunicação de massas tradicionais com amplo apoio do Estado por meio de fartas verbas públicas que, com freqüência, são repassadas sob critérios meramente políticos e que ignoram a orientação constitucional que determina pluralidade na comunicação do país.

5 – Cobramos dos Poderes Executivo e Legislativo que examinem com seriedade deliberações da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) como a da criação do imprescindível Conselho Nacional de Comunicação.

6 – Deliberamos pela instituição de um Encontro Anual dos Blogueiros progressistas, que deve ocorrer, sempre que possível, em diferentes capitais para que um número maior de unidades da Federação tenha contato com esse evento e, em algum momento, com o universo da blogosfera.

7 – Lutaremos para instituir núcleos de Apoio Jurídico aos Blogueiros Progressistas, no âmbito das tentativas de censura que vêm sofrendo sobretudo por parte da classe política e de grandes meios de comunicação de massas.

São Paulo, 22 de agosto de 2010

Altamiro Borges
Conceição Lemes
Conceição Oliveira
Diego Casaes
Eduardo Guimarães
Luis Nassif
Luiz Carlos Azenha
Paulo Henrique Amorim
Renato Rovai
Rodrigo Vianna

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Fonte: Amigos de Pelotas
[04/06/11]   Blogueiros progressistas ou petistas? - por Rubens Filho - Editor do Amigos

Depois da internet, as possibilidades de liberdade, trabalho e negócios aumentaram muito nas comunicações, em favor dos jornalistas. Muitos profissionais que desejavam maior autonomia deixaram os veículos onde trabalhavam e criaram por exemplo blogs próprios. Alguns vendem seu trabalho a veículos, cobrando pela cessão do link para sua página pessoal - produzida, em tese, com maior liberdade. Outros procuram não vincular-se aos veículos tradicionais, mas a outros investidores.

Nesse cenário, surgiu uma turma de jornalistas que se intitula de "Blogueiros Progressistas". Eles se nominam assim, mas no fundo a maioria é ligada ao PT e ao governo. Defendem a sigla e o governo atual em contraposição à "versão da mídia tradicional". É justo que o façam? É.

Mas, sendo assim, mais honesto seria que se chamassem de "Blogueiros Petistas ou Governistas", porque, afinal, progressista não precisa estar no PT. Além disso, se não existe imprensa imparcial, e não existe mesmo, faria bem à democracia se essa turma não se disfarçasse sob nomes palatáveis como "Progressista", pois assim estão repetindo a velha fórmula da imprensa tradicional que tanto repudiam e que se diz isenta para a platéia, mas não o é na prática.

Por que os veículos de esquerda, partidários ou governistas têm dificuldade de se assumirem assim no Brasil. Na Europa e nos EUA, os veículos tem posições ideológicas mais claras e assumidas publicamente.

O Caso Palocci é um exemplo da guerra entre a imprensa tradicional e a progressista. Uns estariam atacando, outros defendendo o ministro. Onde está a verdade? É uma questão difícil. O que sei, por anos de experiência, é que contra certos fatos não há argumento.

A novidade publicada pela revista Veja (que não é santa) neste fim de semana, se for verdade, tem por si só o poder de derrubar o ministro. Palocci viveria numa casa alugada de um laranja - um homem sem condições sequer de pagar sua conta de telefone. Veja o vídeo abaixo e um post mais abaixo.

Laranja sem saber: fim de Palocci?

Em Pelotas, vivemos um exemplo daquele conflito de mídia recentemente. A diferença é que por aqui a "guerra" não é política, mas econômica.

Para sobreviver, a maior parte da nossa mídia evita assuntos delicados sobre seus anunciantes, num mercado restrito. O caso da cobrança de corretagens ilegais por parte de construtoras e imobiliárias é típico. A imprensa tradicional, acostumada às cotas publicitárias do setor, não publicou uma linha do tema. Sequer se permitiu debatê-lo. Pensou no seu caixa, não na sociedade.

Já o Amigos investigou e publicou o assunto. No nosso caso, demos um exemplo de real progressismo, já que em Pelotas a imprensa não tem o hábito de investigar temas "difíceis", sobretudo se desagradam anunciantes. Sendo assim, demos um passo adiante.

Com a internet, a verdade não pode mais ser escondida e, aos poucos, creio que mesmo os veículos que hoje resistem a veiculá-la vão ter que ceder, inclusive por razões comerciais. Lembram-se da Rede Globo no caso do comício das Diretas no Rio? Não queriam dar a notícia, não a deram por vários dias de preparação do evento, mas quando o povo lotou as ruas, a emissora teve de ceder e noticiar.

O Amigos pode fazer jornalismo de verdade entre outras coisas porque a internet é barata. Não dependemos de muitos anunciantes para existir.

O Diário Popular, como se sabe, não cobriu o caso das cobranças de corretagens ilegais. Não desagradou às empresas do setor imobiliário nem a Caixa Econômica Federal, que mantém alguns envolvidos entre seus correspondentes, autorizados a fazer negócios em seu nome. Em compensação, o jornal segue publicando anúncios do setor imobiliário, inclusive da CAIXA, que anuncia hoje um Feirão da Casa Própria, certamente por uma polpuda quantia publicitária.

Qual o preço da verdade numa cidade como a nossa? É uma pergunta a ser respondida pelo leitor. Uma coisa posso garantir. Há jornalismo fora do petismo e fora do "tradicionalismo".

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Fonte: Blog do Miro
[25/05/11]   Aos detratores dos blogs progressistas - por Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania

Desde que, em meados do ano passado, um grupo de blogueiros passou a se reunir e a planejar o I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que tal grupo não parou mais de ser atacado. E, a partir do momento em que esse mesmo grupo entrevistou o presidente Lula, tudo só fez se agravar.

No dia seguinte à entrevista com Lula, os três maiores jornais do país e algumas redes de televisão apressaram-se em acusar o grupo de ser “chapa-branca”. Para outros, a Comissão Organizadora do Encontro de Blogueiros Progressistas, formada por nove amigos e eu mesmo, atuaria como formuladora de “pensamento único” que pretenderia impingir a outros congêneres da blogosfera.

O fato é que não poderia deixar passar a oportunidade de apontar como tantos se enganaram. E o que propicia essa oportunidade é o caso Palocci. Não poderia haver maior prova de que foi injusto acusar essas pessoas de chapas-brancas ou de promotoras de “pensamento único” do que a posição que cada uma tomou nesse caso.

Eu, por exemplo, como todos sabem discordo da exigência de que a presidenta Dilma exonere um ministro que acaba de nomear e que é responsável por áreas tão importantes do governo. Ao menos sem uma razão que ninguém aponta. Só vejo ironias em lugar de provas e fatos. Assim, mantenho-me firme em meu ponto de vista.

Não é o caso dos meus amigos Paulo Henrique Amorim ou Rodrigo Vianna, por exemplo. Não aceitam que Palocci tenha enriquecido rapidamente. Eu e eles somos só exemplos de muitos outros que pensam de uma ou outra forma. Respeito todas, aliás, porque tenho certeza de que o Paulo Henrique pensa o que pensa honestamente. É diferente dos que só atacam Palocci e nunca atacaram Persio Arida ou Armínio Fraga.

Ué, mas não éramos todos chapas-brancas? Não pensávamos todos em uníssono? Não pretendíamos impor nossos pensamentos a outros colegas blogueiros? Onde se viu coisa igual?

E os blogueiros progressistas não são 10 membros da Comissão Organizadora, mas centenas, por enquanto, e poderão ser milhares. E não se pode mudar o fato de que têm e terão suas opiniões apenas porque acreditam nelas e não porque um patrão manda. Aliás, se o patrão fosse Dilma, agora metade de nós estaria demitida.

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Fonte: Blog no QAP
[24/11/10]  Lula recebe Blogueiros Progressistas para entrevista histórica

A manhã desta quarta-feira (24) entrou para a história da luta pela democratização da comunicação no Brasil. Pela primeira vez um presidente da república concedeu uma entrevista a comunicadores que não sejam, especificamente, funcionários da clássica imprensa do país monopolizada por algumas poucas famílias burguesas.

A 37 dias do fim de seu mandato e levantando, novamente, a bandeira da construção de um sistema de comunicação democrático e capaz de dar espaço a todos os brasileiros expressarem sua opinião, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, numa atitude inédita recebeu, no Palácio do Planalto, em Brasília, dez representantes da blogosfera progressista.

Participaram da entrevista os blogueiros: Altamiro Borges (Blog do Miro), Altino Machado (Blog do Altino), Cloaca (Cloaca News), Conceição Lemes (Viomundo), Eduardo Guimarães (Blog da Cidadania), Leandro Fortes (Brasilia Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

A entrevista com Lula foi transmitida, ao vivo, pelo blog do planalto e contou com a interatividade e a participação, em tempo real, dos internautas que faziam suas perguntas e obtinham instantaneamente a resposta do presidente.

A entrevista

Com a promessa de conversar com o ministro Franklin Martins, do Ministério da Comunicação Social para tornar-se um bloqueiro e twiteiro, assim que terminar seu mandato, Lula defendeu a liberdade de imprensa e ressaltou ter ficado chateado com a cobertura que a Globo fez do caso da bolinha de papel que atingiu a cabeça do então candidato José Serra. “Fiquei decepcionado porque tentaram inventar outra história, mostrando um objeto invisível e que até agora não mostraram” lembra o presidente que ressalta: “Naquele dia do papel eu não ia dar entrevista, mas quando eu vi uma reportagem e a cena patética que estavam mostrando lembrei-me da copa de 90 e o caso Rojas, resolvi falar. Eu perdi três eleições e poderia perder a quarta e a quinta, mas jamais teria coragem de fazer uma mentira daquela”, diz Lula

O presidente afirmou que parou de ler jornais e revistas para não ficar nervoso. “Mas podem ficar certos que trabalho com muita informação, mas não preciso ler o que eles escrevem”.

Lula observou a importância que a 1ª Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom), teve e tem para a construção de um projeto, efetivo, de regulamentação comunicação no país, elogiou o trabalho realizado por Franklin Martins que, iniciou os debates relacionados a democratização da mídia no país e ressaltou que as propostas voltadas serão entregues a presidente eleita Dilma Rousseff. “Os avanços dos meios de comunicação e da imprensa depende da correlação de forças que você tem estabelecida na sociedade e dentro do Congresso Nacional”, explica.

Num bate papo descontraído o presidente fez um balanço dos oito anos em que ficou no poder, falou sobre a importância das ações da polícia civil que, em sua gestão, trabalhou como nunca para combater a corrupção dentro e fora do seu governo, dentre outros temas.

Lula que ficou muito a vontade contou como os avanços na área social adquirida durante seu governo são importantes para a construção de um país mais justo e democrático, pois se consolidam como a pedra fundamental na construção des políticas públicas voltadas, exclusivamente, para a população. Pautas que haviam sido esquecidas ou deixadas para segundo plano nas políticas desenvolvidas por governos neoliberais e voltados para a concentração de renda e o fortalecimento da burguesia.

Neste encontro Lula mostrou para as pessoas que já governaram o Brasil, como se dialoga com a sociedade e como se luta pela democratização da mídia, mesmo que, a imprensa golpista esteja em sua constante campanha de desqualificar da causa popular.

Por essa iniciativa inédita de receber profissionais da comunicação que, durante as eleições, chegaram a ser chamados de “sujos”, por denunciarem as mentiras e mazelas do então candidato José Serra, que o presidente Lula encerra seu mandato com 82% da população avaliando seu governo como bom ou ótimo.

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Fonte: Blog do Noblat - O Globo
[25/11/10]  Lula recebe Cloaca e outros amigos no Planalto

Avesso a entrevistas, presidente abre agenda para falar a blogueiros chapas-brancas no palácio

Na primeira entrevista que o presidente Lula concedeu só para blogueiros, o Palácio do Planalto deu preferência a um grupo que alega representar "blogs progressistas".

Boa parte deles aderiu a uma nova classificação e recentemente se proclamou como a turma dos "blogs sujos". Dizem ser uma homenagem ao tucano José Serra, que assim os teria classificado durante a eleição.

Na entrevista de ontem, Lula, assim como fazem esses blogueiros, elegeu a grande imprensa como alvo principal. E não poupou críticas aos jornais brasileiros que, segundo ele, torceram contra seu governo.

Entre os convidados para o bate-papo, transmitido ao vivo pelo Blog do Planalto, havia os que usam a internet para uma espécie de guerra santa contra a cobertura das grandes empresas de comunicação.

O Cloaca News, por exemplo, avisa, logo na capa, que publica "as últimas do jornalismo de esgoto e dos coliformes da imprensa golpista". E diz que tem a seguinte missão: "Desmascarar a máfia midiática que infesta nosso país".

No encontro com o presidente, a assessoria apresentou o representante do blog, William Barros, como o "Senhor Cloaca". E foi assim que Lula se dirigiu a ele: "Senhor Cloaca".

No blog, há textos com ataques a todos que fazem críticas ao governo. Os artigos sobre Lula têm principalmente referências elogiosas a entrevistas dadas no exterior.

Há também um texto da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) com críticas ao governo. O blog fala que a CNBB liberou bispos para "esculhambarem" o governo, mas depois não assumiu.

O Cloaca resume o caso no título: "Vão arder no mármore do inferno".

Durante a campanha, logo após o episódio em que Serra foi atingido por um objeto, o blog postou vários textos ironizando o poder de fogo de uma bolinha de papel. E até incluiu uma ficha do Dops da Bolinha, numa referência à suposta ficha da presidente eleita, Dilma Rousseff, publicada na imprensa.

Entre os convidados havia ainda o Blog do Miro, de Altamiro Borges, que diz ter montado na internet "uma trincheira contra a ditadura midiática". Ele reproduziu no blog e-mail que circulou na internet com o título: "45 razões para não votar em Serra".

Também participaram da entrevista Altino Machado (Blog do Altino), Maria Flor (Blog da Maria Flor), Eduardo Guimarães (Cidadania), Leandro Fortes (Brasília, Eu Vi), Pierre Lucena (Acerto de Contas), Renato Rovai (Blog do Rovai), Rodrigo Vianna (Escrevinhador) e Túlio Vianna (Blog do Túlio Vianna).

Lula pediu a um assessor para identificar os blogueiros antes de cada pergunta. Rovai explicou que a entrevista foi pedida em agosto, durante o I Encontro de Blogueiros Progressistas, em São Paulo. Foram escolhidos dez para participar do encontro.

— É a primeira vez que um presidente recebe a blogosfera no Palácio do Planalto. Isso sinaliza um outro momento no contexto midiático nacional — elogiou o jornalista.

A partir dali, o encontro se transformou numa trincheira de um dos mais duros ataques do presidente à imprensa.

Estimulado pelos blogueiros, Lula criticou a cobertura da mídia. Disse que o setor precisa de regras de atuação e defendeu restrições ao capital externo no controle de empresas de comunicação. Segundo ele, regulação não é crime; censura é que é crime:

— Tenho problemas, são públicos, na minha relação com o que vocês chamam agora de mídia antiga. De vez em quando eu digo que vou ter orgulho de ter terminado meu mandato sem ter almoçado em nenhum jornal, em nenhuma revista, em nenhum canal de televisão. Não precisei almoçar, não precisei jantar para poder sobreviver. Sei que durante muito tempo eles torceram para me derrotar. Mas eu sei que sou o resultado da liberdade de imprensa nesse país.

Lula apontou o dia do acidente com o avião da TAM, em SP, como o mais triste dos 8 anos de governo. Críticos responsabilizaram a fiscalização das condições da pista — e portanto, o governo — pelo acidente.

— O dia em que sofri mais foi no acidente do avião da TAM em Congonhas. Nunca vi tanta leviandade... Foi o dia mais nervoso da minha vida. Não quero que isso se repita — disse Lula.

Segundo ele, o governo deve preparar um projeto até o fim do ano para que Dilma encaminhe ao Congresso.

Lula sustenta que é necessário criar mecanismos que permitam a punição de autores de denúncias falsas.

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Fonte: Vermelho
[03/06/11]   Blogueiros do Rio de Janeiro publicam carta do primeiro encontro

A coordenação do I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro, ocorrido de 6 a 8 de maio, publicou a carta final do evento. Com forte teor ideológico, mobilizador e programático, a carta apresenta um pouco desse movimento no Rio de Janeiro.
Carta dos Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro

Somos jovens, somos não tão jovens. Somos homens e mulheres, meninas e meninos. Temos todas as cores, todas as religiões, diferentes crenças ideológicas, mas apenas um compromisso: liberdade com justiça social. Somos centenas e não baixamos a cabeça para ninguém. Somos os blogueiros progressistas do estado do Rio de Janeiro.

No atual estágio da luta de classes, a blogosfera é uma trincheira fundamental na defesa dos trabalhadores contra a selvageria e crueldade do capitalismo. Nossos blogs tornaram-se ferramentas de grande utilidade nas batalhas cotidianas contra as mentiras contadas e recontadas diariamente pela velha mídia golpista. Milhares de blogs nascem a cada dia, como flores anunciando a primavera. A cada embuste desferido pelos tradicionais meios de comunicação, ganha força o ativismo nas redes sociais, temperado no fogo da luta!

Como na bela canção de Chico Science, percebemos que “nos organizando podemos desorganizar”. Seguiremos nessa toada enquanto a ditadura da mídia prosseguir obstruindo um debate político mais livre. Depois disso, outras frentes de batalha virão, porque a luta pela justiça social é eterna.

Nos dias 6 a 8 de maio deste ano, realizamos o I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro. Com a presença de mais de 200 blogueiros de todo o estado (e vários de outras regiões do país) trocamos experiências, acumulamos debate, confraternizamo-nos alegremente, manifestamo-nos corajosamente em frente à sede da Rádio CBN - a rádio que troca a notícia –, e aprovamos a criação da Associação de Blogueiros do Estado do Rio de Janeiro (ABERJ).

Se você é blogueiro ou simpatizante da blogosfera e se indigna com a opressão midiática, então você é nosso companheiro.

Blogueiros Progressistas de todo o mundo, uni-vos!

Entre as propostas aprovadas na assembleia final do I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro estão:

- Apoio a PEC da Banda Larga;

- Defesa da neutralidade da rede;

- Luta pela aprovação do Conselho Estadual de Comunicação;

- Criação do Marco regulatório da comunicação;

- Pela simplificação da regularização das rádios comunitárias;

- Criação da "Associação dos Blogueiros do estado do Rio de Janeiro - ABERJ";

- Criação de uma linha de publicidade pública para blogs;

- Defender a simplificação dos processos de legalização de rádios comunitárias;

- Moção de solidariedade ao blogueiro Esmael Morais, do Paraná, perseguido pelo governo daquele estado;

- Moção de solidariedade ao blogueiro carioca Ricardo Gama, que sofreu um hediondo atentado, no Rio de Janeiro, provavelmente em virtude de suas denúncias políticas.

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Fonte: Substantivo Plural
[05/04/11]   Carta dos blogueiros progressistas de Natal - por Daniel Dantas

Car@s,

Após os três dias de Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas, na plenária final, foram aprovadas algumas alterações da Carta de Blogueiros Progressistas de Natal. Submetemos a carta agora à coletividade e aguardamos as devidas observações que julguem necessário. Na sexta-feira, meio-dia, ela será considerada aprovada.

Caso você tenha alguma moção a propor em nome do movimento, essa é a hora de fazer a proposição. Consolidaremos todas as informações até a sexta-feira.

O Encontro alcançou em seu conteúdo aquilo que era a nossa expectativa. Os debates foram ricos e podem ser acompanhados neste espaço: http://www.ustream.tv/channel/blogueirosprogressistasrn.
Além disso, a prestação de contas foi publicada neste post: http://blogprogressistasrn.com/2011/04/03/relatorio-financeiro/.

Apresentamos as seguintes propostas para a coletividade, que serão implementadas em caso de concordância de parte considerável do grupo inteiro:

1) Realização, em abril, de debate sobre liberdade de expressão e blogosfera potiguar, enfatizando as perseguições sofridas por parte de representantes do poder público. A ideia é convidar Ailton Medeiros, Carlos Santos, entre outros, para partilhar experiências e promover o debate.

2) Apoiar a realização e a ida de blogueiros potiguares para o segundo encontro nacional em Brasília.

3) Participar em debates on-line, por meio da ferramenta Tinychat, de temas do interesse da cidade.

4) Realizar no segundo semestre uma série de debates presenciais sobre os temas da cidade do Natal.

Para realizar tudo isso, entendemos que é fundamental organizar uma representação do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé. Assim, estaremos convidando, ainda esta semana, os interessados em organizar o Barão de Itararé local e organizar os eventos subsequentes, para um bate-papo aberto.

A seguir, a carta:

Carta de Natal

“A blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que concordem absolutamente sobre um único tema. Quem imagina que os 200 blogueiros já inscritos ao Encontro vão se submeter a algum tipo de controle decididamente não conhece a blogosfera” (1º Encontro Nacional de Blogueiros).

No espírito alcançado pelos “pioneiros” que se reuniram em São Paulo em agosto de 2010, nós, blogueiras, blogueiros, tuiteiros, tuiteiras do Rio Grande do Norte, identificados com as lutas pela democratização da mídia e contra o controle e censura pelo poder econômico do acesso à informação, nos encontramos em Natal entre os dias 1 e 3 de abril de 2011.

O principal objetivo de nosso encontro foi criar e fortalecer uma teia de participantes e militantes nas redes sociais que possa subsidiar discussões e ações práticas na direção de uma sociedade mais democrática e de uma cidade, estado e nação melhores, com maior participação dos cidadãos e uma resolução mais aprofundada de nossas demandas históricas.

Por isso, debatemos e propusemos, ao fim do nosso primeiro Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio Grande do Norte, os seguintes compromissos:

1. Assumimos o compromisso de participar ativamente do debate acerca do desenvolvimento social, econômico, ambiental das cidades e do estado do Rio Grande do Norte, contribuindo na elaboração de políticas e ações públicas por parte da sociedade.

2. Assumimos o compromisso de apoiar todas as iniciativas que tenham como objetivo buscar envolver novos adeptos das novas tecnologias, democratizando o acesso à Internet através da valorização de espaços coletivos de acesso gratuitos (cafés, shoppings, praças, universidades, etc.), defendendo que as instituições públicas permitam o acesso pleno às redes sociais como forma de democratizar o conhecimento e a informação. Apoiamos as lutas pela inclusão digital, inclusive de movimentos como a Associação Brasileira de Centros de Inclusão Digital, conhecida pela sua defesa das lan houses.

3. Assumimos o compromisso de apoiar e difundir as resoluções da 1º Conferência Nacional de Comunicação (1ª Confecom) e cobrar do Governo Federal a realização da 2º Conferência como formar de pautar a sociedade potiguar e brasileira sobre o debate da comunicação social.

4. Assumimos o compromisso de continuar a provocar novas pautas e tomar iniciativas que coloquem temas do interesse da sociedade brasileira e potiguar no cenário público, seja no mundo virtual, seja nas praças e ruas do estado.

5. Assumimos o compromisso de defender que os recursos públicos destinados à propaganda institucional devam ser democratizados, não levando em consideração a linha editorial do veículo que busque o financiamento, bem como defender e valorizar as novas mídias junto ao bolo total de verba destinada à publicidade institucional.

6. Assumimos o compromisso de defender o fortalecimento das ações de controle social dos poderes públicos a partir da valorização dos Conselhos Setoriais e de Direitos, incluindo nesse ponto a luta pelo estabelecimento de Conselhos de Comunicação Social no estado e nos municípios.

7. Assumimos o compromisso de defender a valorização dos meios de comunicação social públicos, como as TV´s Assembleia, Câmara de Natal, TV Universitária e FM Universitária como espaços de difusão da informação pública, denunciando o aparelhamento destes veículos para projetos pessoais, políticos e partidários.

8. Assumimos o compromisso de defender a essência da finalidade das rádios comunitárias e denunciar o seu aparelhamento com objetivos partidários e pessoais.

9. Assumimos o compromisso de lutar pelo estabelecimento de políticas públicas claras e efetivas acerca das tevês comunitárias, ressaltando seu papel no fomento à produção livre e popular de conteúdo e à democratização da informação no país.

10. Assumimos o compromisso de defender a revogação, no âmbito do Ministério da Cultura, de todas as políticas que significaram retrocesso frente à gestão anterior, especialmente no que se refere à revisão da legislação acerca de direitos autorais no país, marcada simbolicamente pela retirada das licenças Creative Commons dos sites do ministério. Além disso, defendemos o fortalecimento da gestão participativa da cultura no país, incluindo aí a ampliação da política de editais e dos Pontos de Cultura.

11. Assumimos o compromisso e convocamos as lideranças e personalidades públicas do nosso estado (pesquisadores, empresários, sindicalistas, estudantes, políticos, etc) a se engajarem numa campanha pela democratização da banda larga com a implementação do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) e a lutarem pela regulamentação dos Artigos 220, 221 e 223 da Constituição Federal, que legislam sobre a comunicação no Brasil e proíbem a concentração dos meios de comunicação.

12. Assumimos o compromisso de buscar relações e desenvolver atividades em parceria com os movimentos defensores do software livre.

13. Assumimos o compromisso de apoiar e difundir políticas públicas que estimulem o fortalecimento das redes sociais digitais como fóruns importantes de debate, de formação de opinião pública e diversidade informativa.

14. Assumimos o compromisso de nos inserirmos no debate pelo projeto do marco regulatório da Comunicação Social, apoiando e difundindo a Ação Direta de Omissão (ADO) do Parlamento na regulamentação da comunicação social apresentada pelo jurista Fábio Konder Comparato.

15. Assumimos o compromisso de participar ativamente da construção da Coordenação de Movimentos Sociais (CMS) no Rio Grande do Norte, formada pela UNE, UBES, CTB, CUT, Conam, MST, entre outras instituições e movimentos.

16. Assumimos o compromisso de defender que os recursos do Pré-Sal sejam aplicados na educação como mais um canal de financiamento de políticas públicas que visem democratizar o acesso à informação, cultura e educação.

17. Assumimos o compromisso de apoiar a construção da Frente Parlamentar pela Democratização da Comunicação que visa promover, acompanhar e defender iniciativas que ampliem o exercício do direito humano à liberdade de expressão e do direito à comunicação no Brasil, cobrando da bancada federal do Rio Grande do Norte a sua adesão.

18. Assumimos o compromisso de desenvolver uma rede articulada que denuncie toda e qualquer ameaça à liberdade de expressão, contra qualquer tipo de censura e perseguição. Denunciar o macartismo contemporâneo desenvolvido no Rio Grande do Norte, exercido através da perseguição sistemática, por parte de autoridades políticas, a jornalistas, tuiteiros e blogueiros que ousam criticar seus feitos e ações públicas no exercício do poder. Assim como também combater iniciativas que cerceiam a liberdade de expressão na Internet, como no caso do projeto de lei conhecido como “AI-5 digital”.

19. Assumimos o compromisso de construir uma rede de comunicadores dos movimentos sociais onde poderemos construir eventos voltados para a formação e valorização da blogosfera, buscando sempre que possível, parcerias com Universidades, Faculdades e Escolas de Comunicação na organização de atividades que promovam a formação cidadã dos futuros profissionais da comunicação social.

Ao fim deste encontro, comprometemo-nos, também, em contribuir para o estabelecimento de núcleos municipais e regionais de blogueiros e tuiteiros progressistas, além de apoiar à realização do segundo encontro nacional, em junho, na cidade de Brasília.

Pleiteamos, por fim, a formação de um núcleo local do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé no RN.

Natal, 03 de abril de 2011.

Moções

Solidarizamo-nos com todas as vítimas do episódio do Blog do Paulo Doido, em Mossoró, que sofreram retaliações por se prestarem ao papel de críticos constantes dos erros e abusos da gestão municipal de Mossoró. Pedimos ao Ministério Público e ao Judiciário que o caso seja investigado e os culpados sejam exemplarmente punidos.

Repudiamos a maneira desonesta em que, nas redes sociais e imprensa em geral, a gestão municipal em Natal tentou aferir capital político junto ao movimento estudantil, contribuindo para a distorção do sentido da Jornada Nacional de Lutas e transformando a interpretação da grande passeata do último dia 31 de março em uma “passeata do bem” e em agradecimento à prefeita Micarla de Sousa, o que não era verdade.

No último dia 2 de abril o jornalista e radialista J. Gomes estaria completando aniversário caso não tivesse sido brutalmente assassinado. Defendemos uma investigação isenta e ampla do caso, com o julgamento e condenação exemplar dos culpados.