Blog da traça de Carmen Meneses
Net Neutrality
Um debate muito (muito mesmo!) importante anda tomando
conta da Net, ou ao menos daquela parte mais consciente dos assuntos
técnicos, econômicos, políticos e culturais que a envolvem. Trata-se da
tentativa, por parte das grandes empresas de telecomunicações, de criar uma
“Internet de dois andares”. A idéia maligna é dividir o tráfego em uma
categoria preferencial (o “andar de cima”) e uma grande vala comum (o “andar
de baixo”). A categoria preferencial seria definida pelas empresas de
telecomunicações, carregando o tráfego delas próprias e de quem mais se
dispusesse a pagar tarifas mais elevadas. Estas teriam seus “pacotes de
informação” entregues rapidamente, ganhando prioridade e “ultrapassando” os
pobres coitados dos pacotes do “andar de baixo”, que ficariam esperando o
tráfego preferencial passar antes de chegarem a seus destinos. Dependendo de
como estas categorias fossem hierarquizadas, o conceito de “tempo real” para
os usuários comuns teria de ser revisto – talvez para “tempo realmente
lento”. As tarifas para o “andar de cima” seriam arbitradas, naturalmente,
pelas próprias telecoms e provavelmente permitiriam que apenas as grandes
empresas o habitassem. As pequenas empresas, blogs, sites pessoais, grupos,
sites de compartilhamento de conteúdo e tudo o mais que faz a Internet o
instrumento democrático e revolucionário que é hoje ficariam de fora. Seria
o fim de mais um sonho...
O assunto, conhecido como Net Neutrality (Neutralidade da Rede), é tão
importante que mesmo algumas grandes empresas estão se posicionando contra
tal pretensão. Google, desta vez honrando seu slogan (don't be evil!), criou
até uma página conclamando à luta contra os bárbaros monopolizadores. Vejam
o link abaixo:
http://www.google.com/help/netneutrality.html
Além de um texto assinado por seu presidente, traz manifestações de duas das
mais importantes personagens da história da Internet – Vint Cerf e Tim
Berners-Lee. Aí vão partes dos textos, em tradução livre:
“Permitir que as empresas fornecedoras de banda-larga controlem o que as
pessoas vêem e fazem online solaparia fundamentalmente os princípios que têm
feito da Internet um tal sucesso...Muitas justificativas têm sido criadas
para defender o controle destas empresas sobre as escolhas feitas online
pelos consumidores; nenhuma delas resiste a escrutínio.”
Vint Cerf
Co-criador do IP (protocolo de Internet)
“O meio de comunicações neutro é essencial para nossa sociedade. É a base
justa de uma economia de mercado competitiva. É a base da democracia,
através da qual a comunidade decide o que fazer. É a base da ciência,
através da qual a humanidade decide o que é verdadeiro. Vamos proteger a
neutralidade da rede.”
Tim Berners-Lee
Criador da World Wide Web
“Hoje a Internet é uma supervia de informação onde todos – não interessa se
grande ou pequeno, se tradicional ou não-convencional – têm acesso igual.
Mas os monopólios da telefonia e da TV a cabo, que controlam quase todo
acesso à Internet, querem o poder de escolher quem tem acesso à pista de
alta velocidade e qual conteúdo deve ser visto antes e mais rapidamente.
Eles querem construir um sistema de dois andares e bloquear o acesso rápido
àqueles que não podem pagar.
Criatividade, inovação e um mercado aberto e livre estão em jogo...”
Eric Schidt
Presidente-Executivo do Google
Por enquanto, a batalha se dá nos Estados Unidos, em torno de um projeto de
lei que deve regular o assunto. Não há muito que possamos fazer agora. Mas
alguém quer apostar comigo que esta discussão logo vai aparecer por aqui,
especialmente se aprovada a infeliz regulamentação proposta no grande irmão
do norte?
Fonte: Yahoo Tecnolgia
Fundador do Google em campanha por neutralidade da Internet
Por Joel Rothstein
WASHINGTON (Reuters) - O co-fundador e presidente do
Google, Sergey Brin, reuniu-se com congressistas dos Estados Unidos na
terça-feira para pressionar por uma legislação que impeça os provedores de
acesso à Internet de cobrarem mais dos sites por uma distribuição mais
rápida de seu conteúdo.
"A única maneira possível de criar uma via rápida que
seja útil -ou seja, pela qual as pessoas estejam dispostas a pagar- é que
existam vias lentas", disse Brin a jornalistas depois de uma reunião com o
senador John McCain, membro do comitê do Senado que supervisiona as questões
de telecomunicações.
O Google, a Microsoft e outros grandes operadores de
sites de Internet se uniram a proprietários de pequenos sites a fim de
combater os esforços de provedores de acesso em banda larga como a AT&T e a
Verizon Communications que querem oferecer redes de desempenho mais rápido a
empresas que paguem mais.
A questão foi designada como "neutralidade da Internet"
por aqueles que se opõem a um sistema duplo de acesso e preços.
Brin reconheceu que grandes empresas como o Google
provavelmente seriam capazes de fechar acordos com os proprietários de redes
para garantir a distribuição de seu conteúdo. Mas acrescentou que o serviço
de buscas do Google só tem valor se os consumidores obtiverem acesso rápido
aos sites que os resultados mencionam.
"A tese é que alguns fornecedores de conteúdo pagariam
por serviços mais rápidos. Por que eles pagariam? Simplesmente porque se
sentem generosos com relação às empresas de telecomunicações e provedores de
acesso?", questionou Brin. "Presumo que estariam pagando porque de outra
maneira teriam desempenho pior, ou talvez seus sites não funcionassem."
A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos poderá votar
ainda esta semana um projeto de lei de telecomunicações que não inclui a
proteção à neutralidade da Internet solicitada pelo Google.
Mas o projeto de lei determinaria que a Comissão Federal
de Comunicações dos Estados Unidos fizesse cumprir a declaração de política
que a agência divulgou em 2005 quanto à banda larga, na qual os consumidores
têm direito de acesso ao conteúdo e aos aplicativos que preferirem.
Críticos como Brin dizem que essas provisões não bastam,
e querem que a versão do Senado para a nova lei de telecomunicações empregue
linguagem mais vigorosa. Brin disse que não sabia "como McCain se
posicionará sobre o tema".
Fonte: Consultor Jurídico
http://conjur.estadao.com.br/static/text/35272,1
Internet em estado de sítio
Web não deve ser limitada ao poder de um dono
por Lawrence Lessig
A internet pertence a quem? Até recentemente, a ninguém.
Isto porque, muito embora a internet fosse “made in the U.S.A.”, a sua
estrutura única transformou-a em uma fonte de inovação que qualquer pessoa
no mundo poderia utilizar. Atualmente, entretanto, tribunais e corporações
vêm tentando cercar porções do ciberespaço. Assim procedendo, eles estarão
destruindo o potencial da internet para fomentar a democracia e o
crescimento econômico global.
A revolução da internet terminou tão surpreendentemente
quanto começara. Ninguém esperava a explosão de criatividade que a rede
produziu; e poucos esperavam que esta explosão fosse entrar em colapso tão
rápida e profundamente como se sucedeu. O fenômeno assemelha-se a uma
estrela cadente, riscando sem anunciação o céu da noite, para depois
desaparecer inesperadamente. Sob o pretexto de proteger a propriedade
privada, uma série de novas leis e regulamentos está desmantelando a mesma
arquitetura responsável por tornar a internet um modelo para a inovação
global.
Nem o surgimento, nem o fim dessa revolução são difíceis
de compreender. A dificuldade está em aceitar as lições trazidas pela
evolução da internet. A internet foi criada nos Estados Unidos, mas o seu
sucesso transcendeu os modernos ideais americanos de propriedade e de
mercado. Os americanos, conforme explica a Professora Carol Rose, da Yale
Law School, são fascinados pela idéia de que o mundo é mais bem administrado
“quando dividido entre proprietários privados” e quando o mercado regula
perfeitamente os recursos divididos. A internet, porém, tomou impulso
exatamente porque os recursos centrais não foram “divididos entre
proprietários privados”. Pelo contrário, permitiu-se que os recursos
centrais da internet fossem destinados ao "bem comum". Foi esse
compartilhamento que gerou a extraordinária inovação verificada na internet.
A restrição a esse bem comum é que acabará acarretando o fim da internet.
Esse compartilhamento foi instituído na própria estrutura
arquitetônica da rede original. Foi o seu propósito que garantiu o direito à
inovação descentralizada. Foi essa “inovação compartilhada” que produziu
toda a diversidade criativa manifestada pela rede nos Estados Unidos e, de
forma ainda mais acentuada, no exterior. Muitas das inovações da internet
que nós hoje consideramos banais (das quais a World Wide Web não é a menos
importante) foram criadas por “pessoas de fora” — inventores estrangeiros
que contribuíram espontaneamente para o bem comum da internet. O governo, em
suas instâncias decisórias e legislativas, precisa compreender a importância
desta arquitetura para a inovação e a criatividade previstas na rede
original. O potencial da internet está apenas começando a ser percebido,
especialmente nos países em desenvolvimento, onde muitas das alternativas do
“mundo real” para o comércio e a inovação não são livres ou não estão
disponíveis.
Entretanto, antigos pontos de vista estão se reafirmando
nos Estados Unidos e querem modificar essa arquitetura. Mudanças no núcleo
original da internet ameaçam o potencial da rede no mundo todo — limitando
as oportunidades de inovação e criatividade. Assim, no momento em que esta
transformação poderia ter efeitos significativos, uma contra-revolução está
conseguindo minar o potencial dessa rede de comunicações.
A motivação para esta contra-revolução é tão antiga
quanto as próprias revoluções. Conforme Niccolò Machiavelli descreveu muito
antes da internet, “a inovação faz inimigos de todos aqueles que prosperaram
no antigo regime, e apenas um apoio tímido virá daqueles que poderiam
prosperar no novo”. E assim se dá conosco no presente. Aqueles que
prosperaram sob o antigo regime sentem-se ameaçados pela internet. Aqueles
que poderiam prosperar nas novas circunstâncias não estão se levantando para
defendê-la contra os velhos paradigmas; se eles ainda o farão permanece sem
resposta. Até agora, tudo indica que não.
A Zona Neutra
Um bem comum (1) é um recurso acessível a todos aqueles
que pertencem a uma comunidade. Trata-se de um recurso que não é, num
aspecto importante, “controlado”. A propriedade privada ou pública é um
recurso controlado; ela pode ser utilizada apenas da maneira especificada
pelo seu proprietário. Uma área comum, por sua vez, não se submete a esse
tipo de controle. Restrições neutras ou igualitárias podem ser aplicáveis a
ela (como um ingresso para um parque, por exemplo), mas não às restrições de
um proprietário. Uma área comum, nesse sentido, deixa os seus recursos
“livres”.
Bens comuns são atributos de todas as culturas. Eles
foram especialmente importantes para culturas de fora dos Estados Unidos —
desde posses comunais na Suíça e no Japão até comunidades de irrigação nas
Filipinas. No entanto, dentro da cultura intelectual americana, os bens
comuns são considerados recursos imperfeitos. Eles são resultantes de uma
“tragédia”, como descreveu o ecologista Garrett Hardin. Sempre que há uma
área comum, o objetivo passa a ser o de confiná-la. Na psiquê americana,
bens comuns são vestígios desnecessários do passado que, na melhor das
hipóteses, devem se possível ser removidos.
O preconceito contra o bem comum faz sentido para a
maioria dos recursos, na maior parte do tempo. Quando os recursos são
destinados à coletividade, os indivíduos tendem a consumi-los rapidamente e,
por conseqüência, a esgotá-los. Para outras espécies de recursos, no
entanto, o preconceito contra o bem comum pode ser ofuscante. Alguns
recursos não estão sujeitos à “tragédia do bem comum”(2), porque não são
esgotáveis. (Não importa quantas vezes utilizarmos as teorias da
relatividade de Einstein ou copiarmos o poema “New Hampshire” de Robert
Frost, estas fontes não irão se esgotar.) Para esses recursos, o desafio é
induzir o fornecimento, e não evitar o esgotamento. Os problemas de
fornecimento são muito diferentes dos problemas de exaurimento — confundir
os dois nos levará apenas a políticas inadequadas.
Esta confusão é particularmente acentuada ao se levar em
consideração a internet. No núcleo da internet há um design (escolhido sem
que houvesse uma noção clara das conseqüências) que era novidade nas redes
de comunicação e informática de larga escala. Denominado “argumento
end-to-end”(3) pelos teóricos da rede Jerome Saltzer, David Clark e David
Reed em 1984, este design exerce influência sobre os locais onde a
“inteligência” é inserida na rede. Sistemas computadorizados de comunicação
tradicionais situaram a inteligência e, por conseguinte, o controle dentro
da própria rede. As redes eram “sábias”, elas foram projetadas por pessoas
que acreditavam que sabiam exatamente para quais fins a rede seria
utilizada.
Mas a internet surgiu no momento em que uma filosofia
diferente estava tomando forma dentro da ciência da computação. Essa
filosofia priorizava a humildade acima da onisciência e afirmava que os
programadores da rede não tinham uma idéia clara sobre todos as
possibilidades de utilização da rede. Ela aconselhava, portanto, um design
que acrescesse pouco à rede em si, deixando-a livre para se desenvolver
conforme as extremidades (os aplicativos) necessitassem.
A motivação para este novo design era a flexibilidade. A
conseqüência era a inovação. Como os inovadores não precisavam de permissão
anterior do dono da rede para que diferentes aplicativos ou conteúdos fossem
disponibilizados, eles estavam livres para desenvolver novos modos de
conexão. Tecnicamente, a rede alcançou este design simplesmente por enfocar
a entrega de pacotes de dados, esquecendo-se tanto dos conteúdos dos pacotes
quanto de seus donos. A rede também não se preocupou se todos os pacotes
iriam encontrar o caminho para o outro lado. A rede é pelo “melhor esforço”,
qualquer algo mais é propiciado pelos aplicativos em ambas as extremidades.
Como um correio eficiente (imagine!), o sistema simplesmente transfere
adiante os dados.
Como a rede não foi otimizada para um aplicativo ou
serviço específico, a internet permaneceu aberta a inovações. A World Wide
Web é talvez o melhor exemplo. A Web foi criada pelo cientista da computação
Tim Berners-Lee no laboratório da Organização Européia para a Pesquisa
Nuclear (4), em Genebra, no final de 1990. Berners-Lee queria possibilitar
aos usuários de uma rede o acesso rápido a documentos localizados em
qualquer outro lugar da rede. Ele desenvolveu, assim, um conjunto de
protocolos que propiciava links de hipertexto entre um documento e outro na
rede. Por serem “end-to-end”, esses protocolos podiam ser acomodados por
sobre os protocolos iniciais da internet. Isto significava que a internet
poderia crescer para abarcar a Web. Se a rede tivesse aberto mão de seu
compromisso com o “end-to-end” — se o seu design tivesse sido aperfeiçoado,
por exemplo, em favor da telefonia, como muitos desejavam na década de 80 —
aí a Web não teria sido possível.
O design “end-to-end” é o “núcleo” da internet. Se
considerarmos que a rede é construída em camadas, então podemos dizer que o
design “end-to-end” foi criado por um conjunto de protocolos implementados
na camada intermediária — aquela que chamaremos de camada lógica, ou de
código (5), da internet. Abaixo da camada de código encontra-se uma camada
física (os computadores e a fiação utilizados na conexão). Acima da camada
de código está uma camada de conteúdo (o material que é disponibilizado na
rede). Nem todas essas camadas foram organizadas como se fossem bens comuns.
Na camada física, os computadores são propriedades privadas, não são
“livres” no sentido de públicos. Uma boa parte do conteúdo disponibilizado
na rede é protegida por direitos autorais. O conteúdo, também, não é
“livre”(6).
Na camada de código, entretanto, a internet é um bem
comum. Em razão do seu design, ninguém controla os recursos à inovação que
são disponibilizados nessa camada. Indivíduos controlam a camada física,
decidindo se a máquina ou rede irá se conectar a internet. Mas, uma vez
conectada, os recursos de inovação para a rede permanecem livres, pelo menos
sob o design original da internet.
Nenhuma outra rede de grande escala havia deixado a
camada do código livre desta maneira. Na maior parte das histórias sobre os
monopólios das telecomunicações no mundo, a permissão para inovar na
plataforma telefônica era controlada energicamente. Nos Estados Unidos, em
1956, a AT&T conseguiu persuadir a Comissão Federal de Comunicações dos
Estados Unidos (7) a impedir a utilização de um recipiente plástico nos
receptores dos telefones, que era destinado ao bloqueio dos ruídos do
microfone do telefone, sob o argumento de que a apenas a AT&T possuía o
direito exclusivo sobre as inovações na rede telefônica.
A internet poderia ter permanecido uma ferramenta obscura
dos pesquisadores apoiados pelo governo, se a companhia telefônica tivesse
mantido esse controle. A internet jamais teria se propagado, se os
indivíduos comuns não tivessem a possibilidade de se conectar a rede por
intermédio dos Provedores de Serviço internet — PSI (8), e por meio das
linhas telefônicas já existentes.
No entanto, este direito de se conectar não foi
predeterminado. Um acidente na história da regulamentação teve aqui um papel
importante. Exatamente no momento em que a internet estava surgindo, o
monopólio das telecomunicações movia-se para um paradigma diferente de
regulamentação. Antes, o monopólio das telecomunicações tinha, praticamente,
total liberdade para controlar seus cabos ao seu bel-prazer. No início da
década de 60 e depois mais acentuadamente no decurso dos anos 80, o governo
começou a exigir que a indústria de telecomunicações se comportasse de forma
neutra — primeiramente insistindo que as companhias telefônicas
possibilitassem aos seus clientes a conexão dos equipamentos (como os modems)
à rede; depois, exigindo que as companhias telefônicas permitissem o acesso
de terceiros ao seu cabeamento.
Este tipo de regulamentação era raro entre os monopólios
das telecomunicações em todo o mundo. Na Europa e por todo o globo, era
permitido que os monopólios de telecomunicações controlassem o uso de suas
redes. Não havia requisitos de acesso que permitissem a concorrência. Assim,
nenhum sistema de competição se desenvolveu em torno desses monopólios.
Mas, quando os Estados Unidos desmantelaram a AT&T em
1984, as companhias resultantes não tinham mais a liberdade de impedir
outros métodos de utilização de suas redes. E quando os provedores de
serviço à internet buscaram acessar as linhas nativas da Bell (9) para
capacitar seus clientes a se conectarem à internet, exigiu-se nessas linhas
a concessão de igual acesso. Isto possibilitou uma forte concorrência no
acesso à internet, e desta concorrência resultou que a rede não poderia mais
se posicionar estrategicamente contra a nova tecnologia. De fato, por meio
de um mercado competitivo, o design “end-to-end” pôde ser criado na camada
física da rede telefônica, o que significou que um design “end-to-end”
poderia ser construído sobre toda ela.
Este direito comum de inovação foi então construído sobre
a camada de infra-estrutura física que, por meio da regulamentação, adquiriu
importantes características típicas dos bens comuns. A regulamentação do
método de transporte público do sistema de telefonia assegurou que o sistema
não tivesse êxito em criar obstáculos a uma competidora emergente, a
internet. E a própria internet foi criada, por meio de seu design “end-to-end”,
para garantir que nenhum aplicativo particular ou utilização pudesse
obstaculizar quaisquer outras inovações. Existia neutralidade na camada
física e na camada de código da internet.
Uma importante neutralidade também existia na camada de
conteúdo da internet. Essa camada inclui todo o conteúdo em trânsito na rede
— páginas da Web, MP3s, e-mail, vídeo streaming — bem como os programas de
aplicativos que são executados na rede ou que a alimentam. Estes programas
são diferentes dos protocolos da camada de código, coletivamente referidos
como TCP/IP (incluindo os protocolos da World Wide Web). O TCP/IP foi
destinado ao domínio público.
Mas o código acima desses protocolos não é de domínio
público. Ele é, ao invés disso, de dois tipos: proprietário e
não-proprietário. O proprietário inclui os conhecidos sistemas operacionais
da Microsoft, servidores Web e programas de outras companhias de software. O
não-proprietário inclui o software livre e o open source (10), especialmente
o sistema operacional Linux (ou GNU/Linux), o servidor Apache, bem como um
host (11) de outro código de interconexão (12) que permita o funcionamento
da rede.
O código não-proprietário cria uma área de utilização
pública na camada de conteúdo. O bem comum aqui não é apenas o recurso que
um programa em particular poderia oferecer — por exemplo, a funcionalidade
de um sistema operacional ou de um servidor (i)Web. O bem comum também
inclui o código-fonte do software que pode ser extraído e modificado por
outras pessoas.
A fonte aberta e o software livre (“código aberto”, para
abreviar) devem ser distribuídos com o código-fonte. O código-fonte deve ser
liberado a todos com a finalidade de ser adotado e modificado. Este bem
comum na camada de conteúdo significa que outros podem ter acesso, bem como
implementar a fonte aberta e o software livre. Significa também que o código
aberto não pode ser aprisionado e direcionado contra nenhum concorrente em
particular. O código aberto sempre poderá ser modificado por usuários
subseqüentes. Ele está, assim, licenciado para que permaneça neutro nas
utilizações ulteriores. Não há um “proprietário” do projeto de código
aberto.
Desta forma, e mais uma vez, comparável ao princípio "end-to-end"
na camada de código, o código aberto descentraliza a inovação. Ele mantém a
plataforma neutra. Esta neutralidade, por sua vez, inspira os inovadores a
construir em favor da plataforma, pois eles não precisam temer que a
plataforma possa se voltar contra eles. O código aberto constrói um bem
comum que propicia a inovação na camada de conteúdo. Assim como se dá com a
área comum na camada de código, o código aberto preserva a oportunidade para
a inovação e protege a inovação contra a conduta estratégica de
concorrentes. Recursos livres induzem às inovações.
Um mecanismo de inovações
A internet original, assim entendida quando foi
disponibilizada à sociedade em geral, havia misturado recursos livres e
controlados em cada uma das camadas da rede. Na camada central de código, a
rede era livre. O design “end-to-end” assegurava que nenhum dono de rede
pudesse exercer controle sobre a rede. Na camada física, os recursos eram
essencialmente controlados, mas, mesmo aqui, aspectos importantes
permaneciam livres.
A pessoa tinha o direito de conectar uma máquina à rede
ou não, mas as companhias telefônicas não tinham o direito de impedir esta
utilização em particular. E, finalmente, na camada de conteúdo, muitos dos
recursos disponibilizados por meio da internet eram controlados. Mas uma
crucial variedade de softwares habilitando serviços essenciais na internet
permaneceu livre. Quer seja por meio do código aberto ou pela licença do
software livre, estes recursos não poderiam ser controlados.
Este equilíbrio entre controle e liberdade acabou por
gerar uma explosão de inovação sem precedentes. O poder, e conseqüentemente
o direito à inovação foram descentralizados. A internet pode ter sido uma
invenção americana, mas criadores de todo o mundo puderam acrescer suas
contribuições a esta plataforma da rede. De modo significativo, algumas das
mais importantes inovações para a internet vieram de “pessoas de fora”.
Conforme já apontado, a tecnologia mais importante para o
acesso e a navegação na internet (a World Wide Web) não foi inventada por
companhias especializadas em prover acesso à rede. Não foi a America Online
(AOL) ou a Compuserve. A Web foi desenvolvida por um pesquisador, em um
laboratório suíço, que foi o primeiro a visualizar o seu potencial e então
lutar para trazê-la à fruição. Da mesma forma, não foram os provedores de
e-mail existentes que trouxeram a idéia do e-mail baseado na Web. Este foi
co-criação de um imigrante indiano nos Estados Unidos, Sabeer Bhatia, e
acabou originando uma das comunidades com maior índice de crescimento na
história — o Hotmail.
E também não foram os provedores de rede tradicionais ou
as companhias telefônicas que inventaram os aplicativos que possibilitam a
propagação das conversas online. O serviço original de conversação em
comunidades (ICQ) foi invenção de um israelense, longe das trincheiras do
design da rede. O seu serviço pôde se expandir (e ser então adquirido pela
AOL por 400 milhões de dólares) apenas e tão somente porque a rede foi
deixada aberta para este tipo de inovação.
De modo parecido, a revolução na venda de livros iniciada
pela Amazon.com (por meio da utilização de tecnologias que “comparavam
preferências” dos clientes) foi dissimulada ao largo das tradicionais
associações de editores. Pelo acúmulo de uma grande quantidade de
informações sobre compras feitas por clientes, a Amazon — utilizando-se de
uma tecnologia desenvolvida primeiramente no MIT e na Universidade de
Minnesota, destinada a filtrar notícias na Usenet — consegue prever o que um
cliente provavelmente irá querer. Essas recomendações orientam as vendas,
mas sem os altos custos de publicidade e promoção. Conseqüentemente,
livrarias como a Amazon puderam superar comerciantes tradicionais de livros,
o que pode ser uma das razões para a rápida expansão da Amazon na Ásia e na
Europa.
Essas inovações ocorrem no nível de serviços da internet.
Ainda mais profundas têm sido as inovações no nível do conteúdo. A internet
não apenas inspirou a invenção, mas também a publicação de uma maneira que
nunca seria possível no mundo dos editores tradicionais. A criação de
arquivos online de letras de música, seqüências de acordes e bancos de dados
colaborativos coletando informações sobre CDs e filmes demonstra o tipo de
criatividade que só foi possível porque o direito de criar não havia sido
controlado.
Mais uma vez, as inovações não se limitaram aos Estados
Unidos. A OpenDemocracy.org, por exemplo, é um fórum estabelecido em Londres
e centralizado na Web, que se destina aos debates e intercâmbios sobre
democracia e governabilidade por todo o mundo. Tais fóruns apenas são
viáveis porque não é necessária nenhuma coordenação entre os ativistas
internacionais. E ele prospera porque pode gerar debates a baixos custos.
Esta história deveria servir de lição. Toda inovação
relevante na internet surgiu fora dos provedores tradicionais. O novo cresce
para longe do antigo. Esta tendência ensina a importância de se deixar à
plataforma aberta às inovações. Infelizmente, essa plataforma encontra-se em
estado de sítio. Toda ruptura tecnológica cria vencedores e perdedores.
Os perdedores têm interesse em evitar a ruptura, se
puderem. Essa foi à lição ensinada por Machiavelli, e é a experiência com
toda alteração tecnológica importante que ocorre. E é, também, o que nós
estamos hoje vislumbrando com a internet. O bem comum da inovação da
internet ameaça interesses importantes e poderosos, que já existiam antes da
internet. Durante os últimos cinco anos, esses interesses se mobilizaram
para lançar uma contra-revolução que está agora tendo um impacto global.
Este movimento é engrandecido por meio da pressão, tanto
na camada física quanto na de conteúdo da rede. Essas alterações, por sua
vez, acabam por pressionar a liberdade da camada de código. Essas mudanças
irão gerar um efeito na oportunidade de crescimento e inovação que a
internet apresenta. Os responsáveis pelas decisões que estiverem dispostos a
proteger esse crescimento devem ser céticos a respeito das mudanças capazes
de ameaçá-lo. A inovação em larga escala pode colocar em risco os lucros de
alguns interessados, mas as vantagens sociais desse crescimento imprevisível
irão superar em muito as perdas particulares, especialmente nas nações que
estão apenas começando a se incluir digitalmente.
Protegendo o Espaço Comum
A internet tomou impulso por meio das linhas telefônicas.
Serviços discados que se utilizam de modems acústicos possibilitaram a
milhões de computadores a conexão através de milhares de PSIs. Os provedores
de serviços de telefonia locais tiveram que propiciar aos PSIs o acesso ao
cabeamento local, não tendo permissão para criar impedimentos ao serviço de
internet. Assim, a plataforma física sobre a qual a internet surgiu foi
regulamentada para permanecer neutra. A regulamentação teve um importante
efeito. Uma indústria embrionária pôde emergir nos cabos telefônicos,
independentemente da vontade das companhias telefônicas.
Mas, à medida que a internet caminha da banda estreita
para a banda larga, o ambiente de regulamentação se modifica. A tecnologia
de banda larga dominante nos Estados Unidos atualmente é o cabo. Os cabos
são submetidos a um regime de regulamentação diferenciado. Os provedores a
cabo em geral não têm a obrigação de garantir acesso às suas instalações. E
o cabo garantiu a possibilidade de controle sobre a utilização do serviço
prestado na internet.
Conseqüentemente, os provedores a cabo começaram a
pressionar em direção a um diferente conjunto de princípios na camada de
código da rede. As empresas a cabo desenvolveram tecnologias que permitem
utilizá-las como forma de controle do serviço que é disponibilizado. A
Cisco, por exemplo, desenvolveu dispositivos com base em políticas
pré-estabelecidas que permitem às empresas a cabo escolher qual conteúdo
flui rapidamente e qual flui gradativamente. Com essas e outras tecnologias,
as companhias a cabo ficaram em posição de exercer poder sobre o conteúdo e
os aplicativos que são operacionalizados em suas redes.
Esse controle já começou nos Estados Unidos. Os PSIs que
prestam serviços via cabo utilizam esse poder para banir certos tipos de
aplicativos (especificamente, aqueles que possibilitam serviços peer-to-peer).
Eles bloqueiam determinados conteúdos em particular (publicidade de
concorrentes, por exemplo) quando não são compatíveis com o seu modelo de
negócio. O modelo para estes provedores é geralmente o modelo da TV a cabo —
o controle do acesso e conteúdo é realizado na extremidade do provedor.
Revista Consultor Jurídico, 6 de junho de 2005
----- Original Message -----
From: cwguimaraes
To: wirelessbr
Sent: Friday, June 02, 2006 11:42 AM
Subject: [wireless.br] A batalha do século - Net Neutrality
Caros,
Vale a pena acompanhar de perto o desenrrolar dessa arrenga, que acontece
neste momento, em especial, nos tribunais e congresso americano.
O resumo é que as empresas de telefonia querem mudar o jogo, cobrando coisas
diferentes para os servicos "especiais" (dados, video, etc), que hoje rolam
soltos no mundo ip.
É uma mudança enorme no atual modelo de internet, e é, de certa forma, algo
esperado (Que as operadoras de telecomunicacoes queiram dominar servicos de
conteúdo).
Vamos acompanhar e imaginar as consequências na terra brasillis.
A batalha do século - Net Neutrality
http://news.com.com/2009-1028_3-6055133.html?part=rss&tag=6055133&subj=news
Network operators want to charge Internet content providers for enhanced IP
services, while Net neutrality proponents say regulations are needed to
prevent abuse by the Net's gatekeepers.
eBay tries e-mail in Net neutrality fight
By Declan McCullagh
http://news.com.com/eBay+tries+e-mail+in+Net+neutrality+fight/2100-1028_3-6079291.html
Story last modified Fri Jun 02 05:06:09 PDT 2006
SAN JOSE, Calif.--eBay this week unleashed a political
machine that should make politicians envious: a national e-mail blast over
Net neutrality.
Meg Whitman, chief executive of the Internet auctioneer, called on more than
a million eBay members to get involved in the debate over telecommunications
laws and "send a message to your representatives in Congress before it is
too late."
"The telephone and cable companies in control of Internet
access are trying to use their enormous political muscle to dramatically
change the Internet," Whitman wrote. "It might be hard to believe, but
lawmakers in Washington are seriously debating whether consumers should be
free to use the Internet as they want in the future."
This is the first time that eBay has used e-mail to urge
its members to weigh in on a national issue and the first time Whitman has
sent an e-mail to members under her own name, the company said Thursday.
eBay--which has been active in a pro-Net neutrality
coalition for years--confirmed that more than a million e-mails have been
sent out so far, but declined to offer a more specific number. The campaign
is ongoing.
Net neutrality's crowded field
Bill number Lead sponsor(s) What It Proposes Status
S.2360 Wyden (D) No two-tier Internet Still in Senate committee
S.2917 Snowe (R) and Dorgan (D) No two-tier Internet Just introduced
HR5417 Sensenbrenner (R) and Conyers (D) Antitrust extended to Net
neutrality Awaiting House floor vote
HR5273 Markey (D) No two-tier Internet Still in House committee *
HR5252 Barton (R) and Rush (D) FCC can police complaints Awaiting House
floor vote
S.2686 Stevens (R) and Inouye (D) FCC will do a study Senate committee vote
expected in June
* Republicans have defeated similar language twice as an
amendment to a telecommunications bill.
Source: CNET News.com research
The concept of Net neutrality, which generally means that
all Internet sites must be treated equally, has drawn a list of high-profile
backers, from pop music star Moby and actress Alyssa Milano to Vint Cerf,
one of the technical pioneers of the Internet. It's also led to a political
rift between big Internet companies such as Google and Yahoo that back it--and
telecom companies that argue federal legislation will curb their ability to
manage their own networks.
"Meg has been following the issue, and with legislation
moving through the House and the Senate, felt that this was an appropriate
time to reach out to the community to make sure Congress heard what the
community thought about the telecommunications reform bill," said Tod Cohen,
eBay's associate general counsel for global policy.
Other tech companies have tried e-mail outreach efforts
before, though this week's campaign ranks among the largest. Microsoft, for
instance, distributed a "Freedom to Innovate" newsletter during its
antitrust trial that ended with the exhortation: "Now is the time to let
your elected officials know how you feel about the case."
eBay's e-mail campaign comes as the political debate over
Net neutrality is growing more pointed in Washington, D.C. On May 25, one
House of Representatives panel voted in favor of formal Net neutrality
regulations bitterly opposed by AT&T, Verizon Communications and other
broadband providers--while another House panel rejected such regulations on
April 5.
For their part, network operators from the telephone and
cable industries, now allied with some of the nation's largest hardware
makers, have said repeatedly that they have no intention of blocking,
degrading or impairing content. They say they're protecting their right to
manage their networks as they see fit, which could mean charging extra to
heavy bandwidth users, such as video providers, that expect to have their
content shuttled at priority speeds.
Also on Thursday, the American Electronics Association,
or AEA, cautiously embraced Net neutrality.
In a statement, the trade association said its board of
directors' executive committee endorsed a set of principles asking Congress
to protect consumers and Internet companies "from anticompetitive and
unreasonably discriminatory conduct by broadband network providers."
That's a careful statement that falls short of endorsing
some of the more aggressive Net neutrality proposals--such as the one
approved by the House Judiciary Committee on May 25--that would go further
and block what's being called a "high speed" lane for certain services such
as video.
AEA's board includes representatives of dozens of
companies including Microsoft, Sun Microsystems, Nanoventions, Intel, Adobe
Systems, Qualcomm and eDiets.com.
A Cisco Systems representative responded to AEA's
announcement with this statement: "Some of the groups who are most public in
this debate focus on one part of the network stack or another. We actually
care about the entire network--from core to end-user. No new regulations are
needed in order to support the FCC's connectivity principles."
Watch out we don't neuter the Net
By Randolph J. May
http://news.com.com/Watch+out+we+dont+neuter+the+Net/2010-1028_3-6079016.html
Story last modified Fri Jun 02 04:50:06 PDT 2006
The war raging over so-called Net neutrality has jumped
from inside the Beltway to the nation's mass media, if not its consciousness.
Not surprisingly, the Internet--especially the
blogosphere--is full of discussions on the fracas. Google the term "Net
neutrality" and you'll get something on the order of 21 million entries.
Include "blog" in the search request and nearly 6 million entries come back.
With all this back and forth, it's too bad so much of the
discourse is uninformed and misleading. As I have explained here before,
imposing broad regulatory mandates on broadband Internet service providers
as urged by the Net neutrality advocates is a bad idea that will ultimately
harm consumers. Rendering broadband providers perfectly neutral by dictating
that they be nothing more than dumb pipes, unable to treat any applications
or content that use their network facilities in any way differently, would,
in fact, neuter the Net.
Take away the freedom to differentiate and the basis for
effective competition is undermined. The nub of the issue is not that
complicated. Let me explain.
Broadband Internet access is not currently subject to the
type of public utility regulation which, for most of the 20th century,
characterized the old Ma Bell and its offspring. Because telephone companies
were classified as traditional common carriers, their rates and terms of
service were regulated by the Federal Communications Commission. This was
appropriate in a narrowband era when the telephone service providers faced
minimal or no competition.
But the Internet access marketplace in the broadband era
is much different. It's been four years since the FCC determined that the
broadband market is sufficiently competitive that it should not be subject
to public utility-style regulatory mandates. That's why it is misleading for
Net neutrality proponents to sloganeer that neutrality mandates need to be
imposed to "save the Internet as we know it." Presently, absent such
regulatory intervention, the number and variety of services and applications
available on the Net grow exponentially each week.
Indeed, although overlooked by most observers, a full
decade ago in the Telecommunications Act of 1996, Congress explicitly stated:
"It is the policy of the United States to preserve the vibrant and
competitive free market that presently exists for the Internet and other
interactive computer services, unfettered by federal or state regulation."
Without doubt, the broadband Internet access market is
even more competitive today than when the FCC and Congress issued these
pronouncements. Granted, the market may not replicate the classical model of
perfect competition--say, the wheat market taught in Economics 101 texts.
Few markets do, and certainly no "network" industry requiring huge
infrastructure investments running in the billions of dollars ever will.
Today, the cable and telephone companies still have dominant market
positions. But wireless and satellite companies continue to become stronger
competitors. And large electric power companies lurk on the sidelines
exerting competitive pressure, already testing delivery of broadband over
powerlines.
In this increasingly competitive and technological
dynamic marketplace, pleas from Net giants like Google, Yahoo and Microsoft
for imposition of strict nondiscrimination obligations and rate regulation
of facilities owners are particularly misplaced. Most of the proposals
purport to prohibit any network operator from taking any action to "block,
impair or degrade" consumers from reaching any lawful Web site. Yet there
are no instances today in which consumers are complaining about being
blocked from accessing a Web site, and it is difficult to imagine any
service provider blocking access to a lawful site. The marketplace reaction
likely would be swift and adverse.
As for the "impairing" and "degrading" strictures, there
are two very important problems with prohibitions cast this way. First,
there will be years of costly litigation over the meaning of these
inherently plastic terms as myriad claims of alleged violations are
adjudicated and readjudicated as services are rejiggered to try to pass
regulatory muster. Second, and more fundamentally, the notion that network
facilities owners must treat all applications and content providers alike--that
is, neutrally--is at odds with the way we want a competitive marketplace to
function. It is through the trial-and-error process of differentiation in
the marketplace that new products and services valued by consumers are
developed. Take away the freedom to differentiate and the basis for
effective competition is undermined.
Strict Net neutrality mandates also mean ordinary
Internet users must pay equally for the increased investment required to
support some very resource-intensive activities, such as downloading movies
or gaming. In effect, this is akin to imposing a retrogressive tax on those
less resource-intensive consumers to subsidize sites, such as Google and
Yahoo, which are responsible for generating the increased investment
necessary to support high-traffic, high-capacity applications.
At bottom, in a world of mandated neutrality, the
uncertainty and expense of ongoing litigation, coupled with the inability of
network operators to enter into business arrangements that enhance demand by
differentiating their offerings, will stifle innovation and investment. The
Net will be neutered at the same time it is rendered neutral.
In that vein, henceforth, I suggest use of the term "Net
Neut*" in the ongoing debate. That way, at least, the superficial appeal of
the "neutrality" label will not be hijacked in the service of imposing a new
regulatory regime likely to stall continued development of the Internet for
years to come.
Berners-Lee calls for Net neutrality
By Jonathan Bennett
http://news.com.com/Berners-Lee+calls+for+Net+neutrality/2100-1036_3-6075472.html
Story last modified Tue May 23 06:16:41 PDT 2006
Tim Berners-Lee, inventor of the Web, has called for
clear separation between Internet access and Internet content.
Speaking at the World Wide Web conference in Edinburgh on Tuesday morning,
Berners-Lee gave his views on the growing battle over Net neutrality.
"It's better and more efficient for us all if we have a
separate market where we get our connectivity, and a separate market where
we get our content. Information is what I use to make all my decisions. Not
just what to buy, but how to vote," Berners-Lee told journalists.
"There is an effort by some companies in the U.S. to
change this. There's an attempt to get to a situation where if I want to
watch a TV station across the Internet, that TV station must have paid to
transmit to me."
Net neutrality is the concept that all Internet content
should be treated equally by broadband providers without any kind of
discrimination. It has become a hot political topic this year, especially in
the U.S., amid fears that telephone companies may start blocking some Web
sites or charge users extra to access them.
Companies such as Google, Microsoft and Yahoo have been
lobbying U.S. politicians to introduce laws that would make Net neutrality
mandatory. These moves have been opposed by broadband providers and some
hardware manufacturers.
Berners-Lee characterized the issue as a U.S.-only
problem at present. "In Europe, Net neutrality is the rule," he said.
Although Berners-Lee offered his support for Net
neutrality, he does not support a completely unregulated telecoms and
Internet market.
"The fact is that the openness of the Internet, which is
such a wonderful thing, does depend on a certain amount of regulation. We've
had in Britain the fact that if you put a stamp on a letter it gets there,"
Berners-Lee said.
The World Wide Web conference will run until Thursday. It
was opened by Scotland First Minister Jack McConnell, who hailed the great
progress made in the 15 years since Berners-Lee created the Web's underlying
protocols.
"The Web has brought so many possibilities that it's hard
to believe it's such a short time since Sir Tim and those pioneers created
it," said McConnell.
Jonathan Bennett of Builder UK reported from London.
Courtnay Guimarães Jr
Professor & Consultant - Technology Innovation
Busines School São Paulo - The brazilian school for
international management
courtnay@uol.com.br
"Practice takes to the hole-in-one"
http://groups.yahoo.com/group/golfraria/ or
golfraria@yahoogroups.com
"High potential talents accomplish targets no one can
do; geniouses accomplish targets no one can even see"
Artur Schopenhauer
----- Original Message -----
From: cwguimaraes
To: wirelessbr
Sent: Friday, June 16, 2006 1:54 PM
Subject: [wireless.br] EXCELENTE - Mais alguns posts sobre Net Neutrality.
Telecommunications Company Pressures Employees To Lobby
Against Net Neutrality
Monday, June 12, 2006
If you'll forgive me I'm going to spend some time
providing context and some thoughts of my own before I get into the email
that provoked the headline (one of the nice and potentially dangerous things
about a blog is that there are no editors to tell me this is a terrible idea;
all you online editors can just scroll down if you think so).
The House passed a telecommunications bill late last week
without net neutrality protection. That's a victory for the
telecommunications companies. The battle now moves to the Senate where
things will become more interesting (if you are a policy wonk who enjoys
legislative minutia; otherwise it will get real boring). I've heard that
there will be a hearing this week, but I've also heard that there is a
chance that the Senate won't even consider the bill before the fall. As best
I can tell there is more bi-partisan support for a net neutrality amendment
in the Senate, but I'm not going to make a prediction one way or the other.
I've now written a feature story and about ten blog posts
on net neutrality. I've tried my best to present the facts as I see them, to
cut to the chase about what is really going on, and generally give peope the
information they need to make up their own minds. The vast majority of
readers have decided that I am a proponent of net neutrality, although some
people have come to the opposite conclusion.
In reality my opinion in a little more nuanced. One on
hand I think what the telecommunications companies are trying to do is both
inevitable and logical. In general, I think a much bigger battle for control
over the Internet is just getting started and it would be irresponsible of
the telecommunications companies to not try to exploit their biggest
advantage - the fact that they are the middlemen for everything that happens
online. I also don't think that just because the Internet has always worked
on a best effort basis that it needs to indefinitely. I'm open to the idea
that there could be a better way to do things. That said, there are a few
things I don't like about the current effort. First, I'm afraid that the
telecommunications companies lack the imagination necessary for the kind of
innovation that would result in a better Internet. I guess this is my own
version of the "they just want to preserve their current business model for
as long as they can instead of figuring out how to reinvent themselves"
argument. Secondly, I don't like the way that the whole net neutrality issue
is being played out. I would like changes in the way the Internet operates
to be a part of a broader Internet strategy, which right now the U.S.
doesn't really have. On a related note, the Assistant Secretary of Commerce
for Communications and Information position, supposedly the President's top
advisor on telecommunications issues, has been open since Mike Gallagher
left last winter (you can apply for the position and any other open spot at
Commerce requiring a Presidential appointment by following this link).
Thirdly, as fascinating as I find politics, at the end of the day I often
don't like it.
I got my most recent reminder of this last night, when I
received an email from a frustrated and confused employee at one of the
major telecommunications companies. (FYI, if you were scrolling you shoudl
stop here.) Her story makes one side look bad, which is why I wanted to give
it some context. I talked to the sender this morning and verified her
employment status and that she did in fact send me the email. It's too long
to reprint in its entirety, but the short version is that she has worked for
her company for over twenty years, and recently the company circulated a
mass email asking all employees to contact their Congressman and urge him or
her to pass the telecommunications bill without the net neutrality amendment.
The email included a link to a website that had a form letter ready to go -
all you had to do was enter your zip code to make sure the letter went to
the right representative. (The Internet makes this sort of letter writing
campaign easy and it is becoming a standard practice for both sides of just
about every issue.) Here's where the email gets interesting:
"I sent the form letter on. After reading all this info
about net neutrality, I realize that because I was not completely informed
about both sides of the coin, only [my company]'s interests, I was led to
believe that I was agreeing with the net neutrality issue, not just what [my
company] wanted. Basically we were given info on only one side. I believe
this is also the case with many of the responses sent out. Some employees
even looked at it as a requirement that they had to do, feeling that the
company would know if you answered or not."
Pressuring employees to take a certain political position
is as old as jobs and democracy. But it isn't pretty. It goes without saying
that the emailer subsequently learned that she doesn't agree with her
company's position. Anyway, I'm sharing this with you all just to illustrate
that an important Internet policy issue is becoming increasingly political.
Telecom an me?
Where is the high speed access promised? Do you have broadband?
Wasn't there just something about fiber optic cabling and every home with
fat internet pipes to our computers and televisions?
Wasn't there just something about the missing last mile of cable between
those fat Internet pipes and our homes, and companies losing billions of
dollars because of mismanagement, and who eventually paid for those lost
billions? I bet you can guess if you look at your rates.
You have to ask yourself: how is lack of net neutrality going to benefit me
today. And, what is it going to cost me or benefit me in five, ten, and
beyond years. Telling me how I am going to have all those, on demand,
multimedia benefits if I subscribe to this supposed 'other' internet, and
isn't this the same story I was told when companies were burying fiber optic
cables in the ground.
Telecom companies want me to have all the media on demand
I can stand, or all the media I can afford, right, like 500 channels and
nothing to watch.
If you want the truth of the matter you had better look elsewhere.
Beginnings of the great debate
Your recent Blog on the issues surrounding the net neutrality debate brought
to the forefront some new perspectives and highlighted some critical issues
important to the debate. What was missing is a perspective on where we have
all been at the beginning of the internet services business and why this is
such an issue today.
The internet is a pipeline of services built on the basic
capability to transport bits from one place to another. Some of the services
to be transported were well defined in the beginning, such as email
capability, and some were left for later innovation, such as instant
messaging and the "web". Some services were born through a commercial
innovation process, such as Voice over IP. Digitized voice has been around
for a very long time but the application of some of those principles to a
commercial need, namely the efficient and more cost effective transport of
those voice calls for the consumer, has lead to competition for the carriers.
It is important to note that the carriers have the capability to know and
understand what data is traversing the internet backbones and access links
they provide. They know where the traffic originates, where it terminates
and how much of it there is at any point in time. It was not until
competition for their basic services, those that are threatening their
greatest cash generators, arose that they began to lobby for the right to
change the business model for commercial services across the internet. The
carriers have fought business forces to see to it that they are fully
engaged in the wireless services business, the first and largest threat to
their basic services (read cash generators). They had every right to create
a wireless service business for themselves, some more frequently than others
(read AT&T). At the same time they had every right to create the same
businesses that Google, Yahoo, and Amazon created. What they lacked was the
innovation to do so.
Now we are presented with the thought that the very basic
promise of the internet, the creation of services free of anticompetitive
forces from the providers that carry the traffic, has now been legislated
away. In fact, the carriers have lobbied for and received the endorsement
from Congress to be granted the anticompetitive tool to charge any business
for the right to be treated fairly in the transport of its product across
the internet. They chose not to create the same products and services that
Google and Yahoo and Amazon provide even though their position of backbone
provider afforded them the opportunity to know more about those services
than anyone else on the planet. Their lack of forward thinking is now being
rewarded by backward thinking. Send your lobbying crew to Washington with
truckloads of dollars (from your diminishing cash cow) and ask for and
receive the right to tax successful businesses or else you will choke their
business models. Sounds anticompetitive to me, just the behavior the
anti-trust folks look for.
The carriers were granted the public trust when they
accepted the responsibility for the care of the internet backbone. Now they
have found that they are playing catch up for their lack of innovation. They
have asked for the tools to stop such innovation by others. What is mind
boggling is that they have receive it.
If you are looking for indications of anticompetitive
behavior on the part of the carriers, look no further than the present. It
has already started. Want a solution? Go back to the carriers and tell them
to stop crying because they did not think of more innovative ways of making
money using the internet. The carriers have some of the best technical minds
on earth at their disposal. What is missing is good business horse sense.
Respectfully,
Bill Trussell
Managing Director-Networking
TheInfoPro
By Bill Trussell () at June 15, 2006 - 7:57am
MESH
The Internet revolution isnt over yet. Right now the technology is available
for all Internet users to provide their own TELCO base station right in
their own homes. This hardware is available at places like BestBuy and
Walmart... wireless routers. MESH software is now available from many online
including Microsoft (http://research.microsoft.com/mesh/).
I see no reason the telcos should be allowed to stop their demise at the
hands of innovation. Did we let the switch board operators put tollboths up
on the phone system to preserve their jobs? Nope we let the new computer
systems replaces them. MESH networking can give us all faster than LAN
speeds (100x DSL or cable) and it is FREE because each Internet user hosts
their own telco base station that MESHES with their neighbors .. and their
neighbors.. and their towns mesh ... and the next towns mesh ... telcos
should become a thing of the past. A 100 MB network is plenty good enough
for what we need the Internet for and no storms can knock down the lines
because there isnt any! ... and its FREE once you have the wireless router
and mesh software. One more push like during the 1990s but this time on
wireless mesh and this issue about telcos taking over the Internet can be
gone ... along with the switchboard operators... which really is all the
Telcos are are anymore anyways.
By Gerald Gibson () at June 14, 2006 - 8:28am
Wiretapping v. Net Neutrality: Contradictions at the FCC
Wednesday, May 10, 2006