1ª CONFECOM
MÁRCIO PATUSCO
ComUnidade WirelessBrasil

Abril 2009        -         Home


26/05/09

1ª Confecom (4) - A importância da Conferência

----- Original Message -----
From: Marcio Patusco
To: Helio Rosa; Grupos
Sent: Sunday, April 26, 2009 12:31 AM
Subject: 1ª Confecom (4) - A importância da Conferência

Conforme colocado pelo Helio Rosa em mensagem anterior, sob seu convite, estou tentando motivar a discussão e ressaltar a importância para as Comunicações brasileiras da realização da 1ª Confecom. Trata-se da discussão das questões que se apresentam nos domínios das telecomunicações, radiodifusão, tv por assinatura e produção e distribuição de conteúdo. E não são poucas. Para ser mais exato, são muitas!

O arcaísmo regulatório nesses campos é tão grande, os regulamentos tão retalhados em Leis, e ainda, os avanços tecnológicos tão significativos, que mais vale "passar a régua" em tudo e criar um novo marco regulatório que possa dar à sociedade meios de desfrutar dos novos serviços em maior intensidade e com custos mais de acordo com nossa realidade social.

Para se ter uma idéia dessa inadequação regulatória, basta dizer que toda a legislação que rege as transmissões de radio e televisão de hoje segue o Código Brasileiro de Comunicações de 1962! O Sputinik tinha acabado de ser lançado, e satélites comerciais nem existiam!

Além disso, mais recentemente, os serviços de comunicações passaram a ter características que "abusam" da convergência, a ponto de as atuais legislações brasileiras não mais poderem estabelecer as regras a serem seguidas. Como enquadrar o serviço de TV Digital com interatividade? Ele tem uma perna em radiodifusão e a outra em transmissão de dados, como bom serviço convergente que é.

Por isso , na Conferência Preparatória de Comunicações em 2007, a visão predominante era a de se elaborar uma nova Lei.
Mas se é cristalina e urgente sua discussão, porque não se dá prioridade máxima a sua execução? O ano de 2008 passou e nada foi feito. Porque? Por que as mexidas a serem implementadas na nova Lei apontam no caminho de abalar estruturas estabelecidas por décadas!
Na Constituinte de 1988, já se falava em unir telecomunicações com radiodifusão (não é
telecomunicações também?) e no entanto o lobby das emissoras de TV não permitiu que isso se efetivasse, e o anacronismo continuou. Portanto , por trás das discussões dos assuntos, onde deveria estar presente o interesse público, na verdade sempre está presente o interesse associativo ou empresarial se sobrepondo.

Não vai ser diferente na Confecom. No entanto, agora, as evidências tecnológicas saltam aos olhos e a participação efetiva da sociedade e de entidades de defesa de usuários podem alterar o embate. Outros conflitos irão se apresentar e pretendemos aos poucos apresentá-los e discuti-los aqui.

A busca por uma lei que unifique as diversas áreas de Comunicações no país não é uma invenção da roda. A maioria dos países europeus e asiáticos já a fizeram, se rendendo às necessidades de se adequar aos requisitos da Convergência e permitir que os serviços possam ser normalizados e fiscalizados sem demandas judiciais a todos os dias, pela ineficácia da legislação.

Assim, a 1ª Confecom é uma oportunidade de recolocarmos um trem quase desgovernado nos trilhos e em segurança novamente. Nas suas fases regionais, e em dezembro na sua fase nacional, pretende-se que sejam levantados todos os grandes temas em nossa legislação de modo a subsidiar o Congresso Nacional na elaboração de uma nova Lei de Comunicações. Nas próprias palavras do ministro Franklin Martins, não existe assunto tabu. É de se esperar portanto, uma quantidade bastante grande de contribuições dado o descompasso das leis atuais.

Nesta página do Observatório da Imprensa pode ser encontrada a portaria que cria a Comissão Organizadora da Confecom, bem como comentários dos ministros Helio Costa, Franklin Martins e Luis Dulci sobre a portaria que também está transcrita mais abaixo.

De nossa parte, temos também alguns comentários a respeito das entidades integrantes da Comissão Organizadora.
À primeira vista a Comissão têm omissões importantes. Onde está a Anatel que participou efetivamente da Conferência Preparatória de 2007? E a Academia? Os assuntos mais técnicos parecem não ter um peso adequado nessa estruturação, já que a Convergência, um dos motivadores mundiais da mudança das legislações, tem uma componente fortemente tecnológica.

Bem, por hora é isso.
Impressões? Comentários? Discordâncias?
Façam o jogo...

Marcio Patusco


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