BLOCO CIDADANIA

RESISTÊNCIA

Maio 2011               Índice Geral do BLOCO CIDADANIA


25/05/11

• Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (7) - Empresários acusam ex-chefe da Casa Civil José Dirceu de tráfico de influência

Veja mais abaixo a relação dos "posts" anteriores desta "Série"

Matérias transcritas nesta página:

Fonte: O Globo
[08/05/11]  Empresários acusam ex-chefe da Casa Civil José Dirceu de tráfico de influência


Fonte: Gazeta Digital
[09/05/11]  Acusação contra Dirceu já mobiliza a oposição

Fonte: Ministério da Fazenda - Origem: Veja
[09/05/11]  O segredo do sucesso

Fonte: Ministério da Fazenda - Origem: Veja
[09/05/11]  Entrevista - Romênio Marcelino Machado: “É tráfico de influência”

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Nota de Helio Rosa:
Conforme notícia do dia 8 de maio, "o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu está sendo acusado por dois empresários de tráfico de influência em favor da Delta Construções, a empreiteira que mais recebeu recursos de obras do governo federal em 2010. José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado disseram à revista "Veja", na edição desta semana, que Dirceu foi contratado para aproximar o presidente do Conselho de Administração da empresa, Fernando Cavendish, de pessoas influentes do PT. Os líderes da oposição no Senado querem ouvir Cavendish, Freire e Machado, para que ele falem sobre o suposto tráfico de influência de José Dirceu."

Uma semana depois, em 15 de maio, a “Folha de S. Paulo”, divulga que a Projeto, empresa de consultoria de Palocci, registrou a compra do imóvel de 500 metros quadrados em novembro de 2010. Pagou em duas parcelas, de R$ 3,6 milhões e R$ 3 milhões. PSDB e DEM pediram que o ministro explique a origem dos recursos. O PPS anunciou que pedirá abertura de investigação na Corregedoria da Câmara, pois, na época da compra do imóvel, Palocci era deputado. Palocci passa a ser acusado de tráfico de influência.

Dirceu e Palocci são dois conhecidos desafetos - para não dizer inimigos figadais. Claro, tudo uma enorme coincidência no âmbito do tráfico de influência. Só pra rimar. HR

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Transcrições:

Fonte: O Globo
[08/05/11]  Empresários acusam ex-chefe da Casa Civil José Dirceu de tráfico de influência

BRASÍLIA e SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu está sendo acusado por dois empresários de tráfico de influência em favor da Delta Construções, a empreiteira que mais recebeu recursos de obras do governo federal em 2010. José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado disseram à revista "Veja", na edição desta semana, que Dirceu foi contratado para aproximar o presidente do Conselho de Administração da empresa, Fernando Cavendish, de pessoas influentes do PT. Os líderes da oposição no Senado querem ouvir Cavendish, Freire e Machado, para que ele falem sobre o suposto tráfico de influência de José Dirceu.

O líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), vai procurar o PSDB e o PPS para, numa ação conjunta da oposição, apresentarem requerimento de convite aos empresários.

Freire e Machado eram donos da Sigma Engenharia, comprada pela Delta em 2008. Durante as negociações de fusão, houve um desentendimento entre eles e Cavendish. Os dois empresários afirmam que o presidente do Conselho de Administração da Delta não pagou o valor combinado pelo negócio. O caso está hoje em disputa na Justiça.

Ainda nas palavras de Freire e Machado à "Veja", Cavendish contratou a JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu, por meio da Sigma para encobrir a relação. Machado afirmou que, quando recebeu as notas fiscais da consultoria prestada pela empresa do ex-ministro, decidiu não pagá-las porque não sabia do que se tratava. Mas depois o pagamento, no valor de R$ 20 mil, acabou sendo feito por ordem de Cavendish. Oficialmente, a JD foi contratada para ampliar a participação da Delta em negócios no Mercosul. Mas Machado afirmou que o verdadeiro trabalho da consultoria do ex-ministro era "tráfico de influência, aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT".

A reportagem afirma ainda que Cavendish teria dito que, "com alguns milhões, seria possível comprar um senador" para conseguir um bom contrato com o governo.

Para a "Veja", a Delta informou que, quando a Sigma foi comprada, o contrato com a empresa de Dirceu já havia sido feito, e o grupo só manteve o compromisso, que depois foi rescindido, porque a promessa de ampliar os negócios no Mercosul não tinha sido cumprida. Freire nega e disse que nunca viu o ex-ministro.

De acordo com reportagem publicada ontem pelo GLOBO, a Delta recebeu R$ 758,2 milhões por obras federais no ano passado, o maior valor entre todas as construtoras do país. O crescimento da empresa tem chamado a atenção do mercado.

Procurada ontem pelo GLOBO, a assessoria de imprensa da Delta não retornou a ligação. Dirceu também foi procurado por meio de sua assessoria, que também não respondeu. Em seu blog, o ex-ministro negou que o crescimento da Delta tenha relação com o trabalho de consultoria que prestou para a empresa. "Meu contrato com a Delta, de R$ 20 mil, durou quatro meses e foi como os demais do mercado, firmados por qualquer consultoria com seus clientes. Prestei um serviço profissional. Portanto, é pura má-fé atribuir a alta no faturamento da Delta ao meu trabalho de quatro meses, quando o setor em que ela atua se expandiu muito nos últimos anos", escreveu o ex-ministro.

Dirceu promete ir à Justiça.

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Fonte: Gazeta Digital
[09/05/11]  Acusação contra Dirceu já mobiliza a oposição

O PSDB, o DEM e o PPS tentarão convidar o empresário Fernando Cavendish para depor no Senado. Segundo matéria da revista Veja, o empresário teria dito que "com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo". Sob título "O segredo do sucesso", Veja publica na edição desta semana matéria na qual empresários acusam o ex-ministro José Dirceu de fazer tráfico de influência junto ao governo.

Uma das propostas da oposição é tentar interpelar judicialmente Fernando Cavendish. A medida depende, no entanto, do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). "Acho que caberia até uma interpelação judicial do próprio Senado. Ele (Fernando) colocou todo o Senado sob suspeição, quando não diz o nome de ninguém", observou Álvaro Dias (PSDB-PR). "Ele (Fernando) é um irresponsável e ofensivo. Ele desvaloriza as pessoas honestas", completou o Dias.

"O problema é que ele (Fernando) é meio vago, apesar de ser afirmativo. Ele não faz acusação contra uma pessoa", ponderou o líder do DEM, senador Demóstenes Torres (GO). Tanto tucanos quanto democratas observaram que estão "de mãos amarradas" diante da ampla maioria do governo no Senado. A oposição não tem votos para convidar o empresário Fernando Cavendish para depor, por exemplo, na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. "O governo matou as CPI"s e as comissões estão com ampla maioria governista", disse Demóstenes.

Em seu blog, Dirceu contestou a matéria da revista Veja. O ex-ministro disse que vai acionar na Justiça os dois entrevistados - os engenheiros José Augusto Quintella e Romênio Marcelino Machado - que o acusaram de tráfico de influência. Quintela e Romêmio eram donos da Sigma Engenharia, empresa adquirida pela Delta Construções, em 2008, do empresário Fernando Cavendish, que contratou os serviços de JD Assessoria e Consultoria, de Dirceu.

"Recortar fatos, descontextualizá-los e amarrá-los numa clara linha de ilações não é jornalismo. Pela leviandade das acusações infundadas, vou acionar na Justiça os dois entrevistados que figuram como fontes únicas da Veja", escreveu Dirceu.

Com o título "Mentiras e leviandades", o ex-ministro rebate as acusações publicadas pela revista. "A matéria se apoia nas declarações de sócios em litígio das empresas Delta e Sigma. Usam meu nome para atacar uma das partes, no caso o empresário Cavendish. Se seu sócio ou ex-sócio Romênio Marcelino diz que desconhecia que minha empresa de consultoria estava contratada, como pode me acusar, então, de tráfico de influência?", perguntou Dirceu.

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Fonte: Ministério da Fazenda - Origem: Veja
[09/05/11]  O segredo do sucesso

Empresários afirmam que o ex-ministro José Dirceu faz tráfico de influência. E um de seus clientes, um empreiteiro que multiplicou seus ganhos no governo do PT, diz que os políticos são corruptos

Em 2005, José Dirceu foi obrigado a deixar a poderosa Casa Civil da Presidência da República, abatido pelo escândalo do mensalão. No mesmo ano, teve o mandato de deputado federal cassado no plenário da Câmara. Desde então, o petista trocou os holofotes pela atuação nos bastidores. A saber, a vida de dirigente partidário e de prócer governista por uma bem-sucedida carreira de consultor de empresas privadas. Dirceu já representou interesses milionários em países latino-americanos, nos Estados Unidos, na Europa e no Oriente Médio. Montou um portfólio invejável de clientes, do bilionário mexicano Carlos Slim, dono da Claro e da Embratel, ao controverso magnata Boris Berezovski, proibido de retornar à Rússia pela Justiça daquele país. Dirceu construiu uma carreira sem dúvida exitosa na área comercial, mas deixou margem a uma dúvida incômoda: que tipo de serviço ele realmente presta aos seus clientes? Pela primeira vez desde a saída do petista do Planalto, há evidências claras e um testemunho convincente de que as suas “consultorias” não passam de um eufemismo para acobertar a prática de tráfico de influência.

Ao lançar mão de relações construídas no governo Lula, o ex-ministro abre portas de gabinetes e mostra os caminhos mais curtos que levam aos abarrotados cofres públicos. Da empreiteira Delta, um dos gigantes do setor, surge o caso mais contundente até agora sobre

as misteriosas atividades do “consultor” Dirceu. Durante o governo do ex-presidente Lula, a Delta passou de empresa de porte médio a sexta maior empreiteira do país. É, hoje, a que mais recebe dinheiro da União. Sua ascensão vertiginosa chamou a atenção dos concorrentes. Em 2008, a Delta já ocupava a quarta colocação no ranking das maiores fornecedoras oficiais. Em 2009, houve um salto ainda mais impressionante: a empresa dobrou seu faturamento junto ao governo federal. Em 2011, apesar das expectativas de redução da atividade econômica, o faturamento da Delta deve bater os 3 bilhões de reais - empuxado por obras estaduais e do PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento. Resumindo, em apenas nove anos, a Delta multiplicou seu faturamento em exatos 1091%. O fato do presidente da empresa, Fernando Cavendish, para aproveitar as boas oportunidades explica uma parte do sucesso. A outra pode ser creditada às suas boas amizades e ao, digamos, talento em contratar a pessoa certa na hora certa.

Em 2009, o ano em que a Delta deu seu grande salto, a empresa passou a contar com os serviços da JD Assessoria e Consultoria, a firma do ex-ministro José Dirceu. Foi um contrato feito à sorrelfa, por meio de outra empresa da Delta, a Sigma Engenharia. Oficialmente, a JD recebeu 20000 reais mensais para “ampliar a participação da Delta no Mercosul”. Seus negócios, porém, prosperaram mesmo foi no Brasil. E José Dirceu está na raiz desse crescimento exponencial. Em 2009, a Delta amealhou 733 milhões de reais em contratos com o governo, o dobro de 2008. A empresa ampliou sua atuação nos ministérios da Defesa, Saúde e Transportes. Também passou a integrar o restrito grupo de prestadoras de serviços à Petrobras. E está encarregada da reforma do Estádio do Maracanã, para a Copa de 2014. Obras bilionárias. Ao mesmo tempo, no Tribunal de Contas da União, a Delta é citada em mais de 150 investigações por envolvimento em diversos tipos de irregularidade. Como ela conseguiu se transformar nesse portento? Graças ao trabalho do “consultor” José Dirceu. Quem garante? O próprio dono da Sigma, a empresa que contratou o ex-ministro: “O trabalho dele (José Dirceu) era fazer tráfico de influência. Aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes no governo para fazer negócios”, diz o engenheiro Romênio Marcelino Machado (veja a entrevista na pág. 69).

A Delta comprou a Sigma Engenharia em 2008, num processo que se tornou motivo de litígio. Valeu-se dela, suspeita-se, somente para fazer transferências bancárias à JD Assessoria e, assim, tentar lançar um véu sobre seu espetacular desempenho na obtenção de contratos governamentais. Segundo a assessoria da Delta, o contrato com o ex-ministro foi negociado diretamente pela Sigma. Ao assumir o comando da empresa, Fernando Cavendish teria apenas dado prosseguimento ao acordo. Depois, ao perceber que José Dirceu não entregara o que fora prometido, “a ampliação dos negócios no Mercosul” -, ele decidiu rescindir o contrato. Nada disso, contudo, é verdade, de acordo com os donos originais da Sigma. “Nós nunca vimos o Zé Dirceu. Só ficamos sabendo que estávamos fazendo pagamentos a ele quando nos apresentaram as notas fiscais”, diz José Augusto Quintella Freire, um dos proprietários da empresa. Quintella também afirma que a história do Mercosul é balela: “O trabalho de Dirceu permitiu à Delta entrar no mercado de óleo e gás”. Procurado, Dirceu disse que não fala sobre seus negócios. A Petrobras também não quis comentar o caso.

Com a crescente participação do estado na economia, os empresários buscam ligações especiais com o mundo oficial, para compelir com vantagem nas licitações e obter parcerias com o governo. Como o estado brasileiro é um dos mais onipresentes no universo da produção, com uma fatia de 40% do produto interno bruto, cria-se um campo ainda mais fértil para aproveitadores.

É nesse cenário que figuras com o perfil de José Dirceu ganham maior relevância: “Pessoas que saem do governo e montam consultorias existem em qualquer país do mundo. Agora, quando há uma situação em que a burocracia estatal é grande, complexa e tudo é regulado e difícil, aí não tem jeito. Inevitavelmente, criam-se dificuldades para vender facilidades”, diz Sérgio Lazzarini, economista e autor de Capitalismo de Laços, um livro essencial para entender essa via de mão dupla e os intermediários entre os cofres públicos e as empresas.

A compra da Sigma pela Delta, como foi dito, é motivo de uma intensa disputa judicial. Graças a essa contenda é que veio à tona a confirmação de que o consultor José Dirceu age como um intermediário de oportunidades dentro do governo. Ela mostra também o perfil de cliente que busca esse tipo de serviço. Em reunião com os sócios, no fim de 2009, quando discutia exatamente as razões do litígio, o empresário Fernando Cavendish revelou o que pensa da política e dos políticos brasileiros de maneira geral: “Se eu botar 30 milhões de reais na mão de políticos, sou convidado para coisas para ‘c...’. Pode ter certeza disso!”. E disse mais. Com alguns milhões, seria possível até comprar um senador para conseguir um bom contrato com o governo: “Estou sendo muito sincero com vocês: 6 milhões aqui, eu ia ser convidado (para fazer obras). Senador fulano de tal, se (me) convidar, eu boto o dinheiro na sua mão!”. Subornar pessoas com poder de decisão no governo é crime de corrupção ativa. Todo mundo sabe que isso ocorre a toda hora. Mas ouvir a confirmação da boca de um grande empresário do país, mesmo se for só bravata, é assustador.

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Fonte: Ministério da Fazenda - Origem: Veja
[09/05/11]  Entrevista - Romênio Marcelino Machado: “É tráfico de influência”

Os engenheiros José Augusto Quintella Freire e Romênio Marcelino Machado eram donos da Sigma Engenharia, empresa adquirida pela Delta Construções, em 2008. Durante o processo de fusão, no entanto, os sócios se desentenderam e o negócio encontra-se até hoje em litígio judicial. Foi nesse período que o empresário Fernando Cavendish contratou os serviços da JD Assessoria e Consultoria, do ex-ministro José Dirceu. E é do centro dessa disputa que surge a revelação sobre as verdadeiras atividades do ex-ministro.

Que tipo de consultoria o ex-ministro José Dirceu realizou para o grupo Delta?

Romênio – Trafico de influência. Com certeza, é tráfico de influência. O trabalho era aproximar o Fernando Cavendish de pessoas influentes do governo do PT. Isso, é óbvio, com o objetivo de viabilizar a realização de negócios entre a empresa e o governo federal.

E os resultados foram satisfatórios?

Romênio - Hoje, praticamente todo o faturamento do grupo Delta se concentra em obras e serviços prestados ao governo.

A contratação de José Dirceu foi justificada internamente de que maneira?

Romênio - A contratação foi feita por debaixo do pano, através da nossa empresa, sem o nosso conhecimento. Um dia apareceram notas fiscais de prestação de serviços da JD Consultoria. Como na ocasião não sabia do que se tratava, eu me recusei a autorizar o pagamento, o que acabou sendo feita por ordem do Cavendish.

O que aconteceu depois da contratação da empresa de consultoria do ex-ministro?

Quintella - A Delta começou a receber convites de estatais para realizar obras sem ter a capacidade técnica para isso. A Petrobras é um exemplo. No Rio de Janeiro, a Delta integra um consórcio que está construindo o complexo petroquímico de Itaboraí, uma obra gigantesca. A empresa não tem histórico na área de óleo e gás, o que é uma exigência. Ainda assim, conseguiu integrar o consórcio. Como? Influência política.

A Delta, por ser uma das maiores empreiteiras do país, precisa usar esse tipo de expediente?

Romênio - Usa. E usa em tudo. O caso da reforma do Maracanã é outro exemplo. A Delta está no consórcio que venceu a licitação por 705 milhões. A obra mal começou e já teve o preço elevado para mais de 1 bilhão de reais. Isso é uma vergonha. O TCU questionou a lisura do processo de licitação. E quem veio a público fazer a defesa da obra? O governador Sérgio Cabral. O Cavendish é amigo intimo do Sérgio Cabral. A promiscuidade é total.

Por que vocês se desentenderam?

Quintella - O Cavendish comprou nossa empresa e não pagou. Queria usar a reputação da Sigma para se habilitar a disputar licitações em estatais, como a Petrobras, o que é legítimo. Depois, ele mudou de ideia e decidiu não pagar o valor combinado. Essa mudança de comportamento se deu no momento em que ele passou a trabalhar com a consultoria do ex-ministro. Pode ser pura coincidência, mas não acredito. Ele disse abertamente para nós - e temos como provar - que não iria nos pagar porque era mais fácil e barato botar dinheiro na mão de políticos. Disse que com 6 milhões comprava até senador. Ele compra todo mundo.

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"Posts" anteriores desta "Série":

17/12/10
Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (6) - Dirceu diz que "nunca saiu do Planalto" + Integra da "palestra aos petroleiros" em que Dirceu declara que a eleição de Dilma é a chegada do projeto partidário petista ao poder

Nota de Helio Rosa:
José Dirceu, 64, é advogado, ex-ministro da Casa Civil, membro do Diretório Nacional do PT, deputado federal cassado, com direitos políticos suspensos até 2015 e réu no processo sobre o "mensalão".
Também é "réu confesso" de continuar atuando nos bastidores e influenciando as ações governamentais devido à sua proximidade com os altos escalões do governo: "Nunca saí daqui" (do Planalto), confessou, sem tortura.  :-)
A jornalista Dora Kramer, na matéria abaixo, cita o episódio da palestra de Dirceu no encontro com petroleiros petistas na Bahia, ocorrida em setembro.
Neste "post", resgato a notícia do evento publicada pelo O Globo e transcrevo a íntegra da palestra do Dirceu.
Vale conferir mas prepare o sal de frutas para a azia...
Xô, Dirceu! HR

Trecho do artigo da Dora:
(...) Há alguns meses o ex-deputado e dirigente petista José Dirceu foi repreendido pelo comando da campanha da então candidata Dilma Rousseff, por ter dito numa reunião de petroleiros em Salvador que o PT pós-Lula na Presidência da República iria finalmente chegar de fato ao poder.
A declaração foi considerada contraproducente do ponto de vista eleitoral: poderia desestimular o eleitorado ainda arisco por causa das peripécias de mensaleiros e aloprados, além de irritar os partidos aliados, notadamente o PMDB, que alimentavam a esperança de herdar capitanias mais substanciais na Esplanada dos Ministérios.
Pela conformação inicial da equipe de Dilma vê-se que Dirceu na época relatara a verdade aos companheiros. O PT ficou com a parte do leão e mais um pouco. Ao ponto de deixar o PMDB com o sapo engasgado para ser expelido em ocasião propícia. (...) Leia mais

16/12/10
Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (5) - Mentiras de Zé Dirceu sobre privatização - por Ethevaldo Siqueira
(...) Com a autoridade moral que conquistou ao longo de sua passagem pela vida pública, José Dirceu publicou artigo na Folha de S. Paulo (20-10-2010) contra as privatizações – o tema preferido da campanha de Dilma – e que ele considera “um processo nocivo contra o desenvolvimento”. Seria melhor que ele escrevesse: “retrato de um mensaleiro nocivo contra o desenvolvimento do Brasil.”

Zé Dirceu mistura ignorância com má-fé. Escrevi recentemente um artigo sobre o papel do Estado que parte de conceitos muito parecidos com os do preâmbulo do ex-ministro da Casa Civil. Eis o meu ponto de partida: “O Brasil conhece, ao longo de sua história, alguns casos exemplares de empresas estatais, instituições públicas e iniciativas governamentais, cujo papel e desempenho foram decisivos e estratégicos para o desenvolvimento nacional, entre os quais o Banco do Brasil, Universidade de São Paulo, Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Correio Aéreo Nacional, Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA), Embraer, Embrapa, Telebrás, Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES)”.(...) Ler mais

14/12/10
Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (4) - José Dirceu entra em cena para conter luta no PT por cargos na gestão Dilma
(...) Atuando ainda de forma discreta em Brasília, Dirceu tem grande influência no PT. Para o futuro governo Dilma, ele pode não ter feito indicações para o primeiro escalão, mas estará muito bem representado na Esplanada dos Ministérios, com Miriam Belchior no Ministério do Planejamento, e no Palácio do Planalto, com Gilberto Carvalho na Secretaria-geral da Presidência da República.(...)
(...) São dois grandes amigos de Dirceu, com quem ele não deixou de ter contatos permanente, mesmo depois de sair chamuscado do governo. Segundo uma fonte do governo que está no Planalto desde o início do governo Lula, Dirceu nunca deixou de frequentar, discretamente, os gabinetes dos amigos deixados lá.(...)

Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (3) - "Dom Cláudio: Dirceu aparelhou governo" - Comentário de Ricardo Noblat: Enfim, apareceu alguém de peso, não político, e ainda por cima amigo de Lula, que admitiu que Lula sabia.
(...) Amigo de Lula desde os anos 70, dom Cláudio tentou poupá-lo das críticas que pesavam sobre ele no escândalo do mensalão e quanto ao crescimento econômico insuficiente à época. "Ele (o cardeal) sabia que Lula estava, de fato, desapontado por não ter criado mais empregos. E, então, veio o escândalo de corrupção", escreve o cônsul, que continua, citando a conversa com o cardeal:
- Não que ele (Lula) não soubesse de nada que estava acontecendo, como afirmou. Mas Lula foi mal servido pelas pessoas a seu redor, com suas próprias agendas, especialmente o ex-ministro chefe da Casa Civil, José Dirceu.
O cônsul descreve a conversa que teve com dom Cláudio: "Era uma agenda para manter o PT no poder, um objetivo que requeria uma grande negociação de dinheiro. Para Dirceu, os fins justificam os meios. Dirceu, que é muito racional, um operador político astuto, queria ser o sucessor de Lula, e usou os poderes do governo, incluindo mais de 20 mil cargos de nomeação do presidente para esse fim (‘o que é injustificável na democracia’, Hummes disse)".(...)

06/12/10
Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (2) - José Dirceu diz que "é preciso avançar na regulação", contra a opinião e promessas de Dilma
Nota de Helio Rosa:
Respeito o direito de opinar do cidadão José Dirceu assim como espero respeito por minhas opiniões.
No entanto, não posso concordar que um ex-deputado cassado por falta de decoro parlamentar, com direitos políticos suspensos e réu do processo do mensalão, utilize seus vínculos de amizade com o Presidente da República para tentar pautar seu governo e o próximo, com suas ideias.

Dirceu é defensor do "controle social a mídia" e escreveu um artigo recente sobre o tema, publicado n'O Globo, dizendo que
É preciso avançar na regulação.

No dia seguinte
Lula volta a pregar regulação da mídia.

A presidenta eleita Dilma que já deixou bem clara sua posição sobre o assunto, teve que fazer uma nova "intervenção", nítido recado para a dupla Dirceu Lula, registrada nesta matéria:
Estratégia de Dilma é evitar desgaste com a imprensa.

O pensamento de Dilma parece estar em sintonia com o artigo de Miguel Reale Júnior (
A autorregulação da mídia) quando Paulo Bernardo, futuro ministro das Comunicações declara: "Talvez a melhor alternativa seja a mídia se regulamentar, dizer como vão ser as coisas e regular os excessos".

Será que Lula, Dirceu e Franklin Martins entenderam o recado? Será que Dilma vai manter sua opinião e promessas? A conferir nos próximos meses.
As matérias citadas estão transcritas neste "post".
HR

04/12/10
Xô, Dirceu! O povo não esqueceu! (1) - Lula promete a Dirceu desmontar ‘farsa do mensalão’  [Início de uma nova série de "posts" sobre José Dirceu, 64, advogado, ex-ministro da Casa Civil, membro do Diretório Nacional do PT, deputado federal cassado, com direitos políticos suspensos até 2015 e réu no processo sobre o "mensalão"]
Trecho da Nota de Helio Rosa:
(...) Como cidadão tenho necessidade de "resistir" e reagir preventivamente contra estas ações para "mudar a história".
Passo a registrar a desenvoltura do serelepe cidadão José Dirceu neste momento político e, após a lembrança do Rodrigo Constantino, vou transcrever, em "posts" diários, os capítulos do livro "O Chefe", de Ivo Patarra,  sobre o escândalo do mensalão, que está
disponível na web para leitura e download. (...)


Comentários com nome completo do remetente devem ser enviados para Helio Rosa, coordenador deste BLOCO. Não há compromisso de publicação.


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