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Abril 2007               Índice Geral do BLOCO

O conteúdo do BLOCO tem forte vinculação com os debates nos Grupos de Discussão  Celld-group e WirelessBR. Participe!



01/04/07

• "Especial WiMAX 2" - Encerramento (03): Texto integral: "Contamos o milagre. Escondemos o santo"


Olá, ComUnidade WirelessBRASIL!

Estamos tentando encerrar o "Especial WiMAX 2" mas tá difícil...  :-))
 
Transcrevemos, mais abaixo, na íntegra o artigo de encerramento do "Especial WiMAX 2", de autoria de Jana de Paula: Contamos o milagre. Escondemos o santo

E, "raspando o tacho",  :-))  anotamos esta notícia no Portal Thesis:

WiMAX em alto mar
Especial WiMAX 2 - O que se fala...
por Equipe Thesis   
31-Mar-2007
Alcatel-Lucent foi escolhida pela OLF, associação da indústria petrolífera da Noruega, para testar o padrão IEEE 802.16e-2005 no Mar do Norte, o primeiro projeto deste gênero no setor de petroleo e gás. O desenvolvimento começou no final do primeiro trimestre do ano e deve durar nove meses. O objetivo é melhorar as comunicações entre as plataformas e os navios, a despeito das condições meteorológicas.  Ler mais

Na Comunidade , o "Especial WiMAX 2" foi publicado no BLOCO - Blog dos Coordenadores e na Seção WiMAX do site comunitário WirelessBR.
No Portal Thesis o registro do material publicado está aqui:

Estamos fechando o "Especial" mas o Debate continua aberto.
Aguardamos a participação de todos: este é o momento de compartilhar o conhecimento, de expor a "visão", de emitir a opinião; e de perguntar e responder, que são as atividade básicas de nossos fóruns.

Boa leitura!
Um abraço cordial
Helio Rosa / Thienne Johnson 



Contamos o milagre. Escondemos o santo       
Especial WiMAX 2 - Artigos 
por Jana de Paula    
31-Mar-2007 
 
Concluímos o mês dedicado ao Especial WiMAX com uma certeza: o conteúdo que publicamos ao longo destes dias arranha a superfície do mercado mundial, latino-americano e local do padrão. E não poderia ser diferente. As grandes linhas de ação dos principais players do setor para a nova tecnologia sem fio e móvel se mantêm em algumas gavetas seguramente fechadas e nas cabeças de uns poucos stakeholders. O que 'vaza' não é mais do quê eles desejam que se divulgue.
 
Muitos destes stakeholders realizam um jogo de brinkmanship - ou a capacidade de se equilibrar no precipício contra todas as probabilidades, muito comum na época da Guerra Fria entre capitalistas e comunistas. Isto significa que alguns destes líderes da indústria mundial sabem que defendendo esta ou aquela tecnologia, esta ou aquela estratégia eles não fazem mais do que manter posição em terreno conhecido, esticando ao máximo o lucro que podem obter - e vêm obtendo.
 
A 29 de março passado, a Comissão Européia divulgou estudo que registra que as assinaturas de telefonia de móvel da União Européia (EU) ultrapassaram o número de cidadãos pela primeira vez, desde a criação do mercado de telefonia móvel. Com 478.4 milhões de celulares em serviço, a penetração na Europa hoje é de 103% da população, contra 95% em 2005.
 
É claro que os europeus também têm seus contrastes. Na França, por exemplo, esta taxa é de 82%. E oito países acusaram níveis de penetração - desta vez no segmento de banda larga - inferiores a 10%. Ou seja, a telefonia celular é um caso de sucesso inconteste. Mas a provisão de serviços de dados em banda larga ainda é desafio.
 
Não é difícil concluir que os players europeus (a maioria deles proprietários de operadoras multinacionais) corram para os países em desenvolvimento para atingir novas taxas de penetração de telefonia celular, em locais onde a população não dispõe de recursos de primeiro mundo e aceitarão bem tecnologias de segunda geração. E menos difícil ainda será concluir que, com taxas baixas de penetração em banda larga não será fácil aos players do Velho Continente permitir que outras soluções de provisão de banda larga móvel, mais baratas, se expandam em níveis incontroláveis.
 
O que não significa que o WiMAX - ou qualquer outra tecnologia móvel - seja panacéia para solução de todos os problemas de acesso de dados em banda larga. O fato é que o padrão é uma solução de rádio percebida como alternativa de baixo custo ao cabo e ao DSL e particularmente útil para conexão à internet nas regiões pouco populosas, esquecidas das operadoras. Graças a este novo padrão, o desenvolvimento de acesso à internet tende a se generalizar e permitir a instalação de redes metropolitanas (Metropolitan Access Network - MAN) ou ainda atualizar rapidamente zonas não cobertas pela banda larga "clássica" (ADSL, cabo, rádio local, além das soluções via satélite de custo ainda muito elevado).
 
Isto é um fato. Mas, como disse acima, não há como ter acesso aos planos de longo prazo de quem investe no WiMAX. Ao lado das questões industriais - produção e lançamento dos novos equipamentos e produtos, licenciamento de bandas de radiofreqüência, harmonização das diversas redes etc. - algo  mais está em jogo nos países emergentes, como o Brasil. Para tornar a modernidade acessível a todos, as tecnologias em ondas de rádio - Wi-Fi, WiMAX e outras - se impõem. Elas podem transportar informações à grande distância, sem que nenhuma estrutura pesada seja necessária. Uma base leve, uma antena e fonte de energia são suficientes para trazer internet, e-mail e Voz sobre IP às zonas rurais ou a cidades cujos orçamentos anuais não permitem investimento pesado em infra-estrutura de telecom.
 
Mas é necessário que alguém pague pela sua instalação e exploração. É preciso que o governo, operadores e usuários institucionais cubram os custos nos primeiros anos, até o tempo de demonstrar sua utilidade, já que a rentabilidade é, evidentemente, o objetivo principal. Empresas como a Intel, que não é filantrópica, já implanta serviços com este fim - o PC Classmate é um exemplo. Em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Amazônia etc. os primeiros operadores encontram-se em fase operacional com suas soluções WiMAX. Enfim, o capitalismo trabalha.
 
Assim, a preocupação de membros da comunidade ligada ao WiMAX, fora do ambiente industrial, é de que não aconteça com o padrão apenas um jogo de equilíbrio no precipício com finalidades exclusivamente de lucro. Ao lado de outras tecnologias, o fenômeno WiMAX representa uma aposta comercial da qual um número de administrações, empresas e operadores esperar tirar proveito, bem longe das idéias comunitárias defendidas pelos pioneiros desta tecnologia.
 
É preciso lembrar, porém, que havia mais do que objetivos comercias quando, em 1997, os engenheiros do IEEE, instituto internacional de padronização, definiram a norma 802.11. Este padrão, que precisava as freqüências de rádio e os canais utilizados para estabelecer uma rede local sem fio a curta distância (num raio de uma centena de metros), mais tarde batizado com o nome comercial de Wi-Fi, foi o ponto de partida para a elaboração dos padrões 802.16. Em seu início, a pesquisa de um padrão móvel para banda larga em ampla escala e de baixo custo visava mais do que um novo nicho comercial. Detectou-se, há dez anos, a necessidade de se criar uma maneira rápida e barata de levar tecnologia de ponta a usuários tão diferentes quanto o camponês, o fazendeiro, o criador de gado etc.
 
Após um mês tentando decifrar as estratégias comerciais e de governo sob as inúmeras siglas técnicas, um verdadeiro banquete de letras, concluímos que o crucial que levantamos foi esta preocupação de que o WiMAX não ‘descambe' para um modelo puramente comercial; que o licenciamento de freqüências não vise exclusivamente os interesses comerciais e políticos e que seu desenvolvimento seja encarado, por aqui, como ferramenta real de democratização do acesso a dados banda larga. Foi o que alguns executivos (as) que entrevistamos nos confidenciaram. Teríamos o maior prazer em abrir esta gaveta, mas, num momento de definições de quem é quem no mercado brasileiro de WiMAX, muita gente prefere contar o milagre e esconder o santo.

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