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Outubro 2007               Índice Geral do BLOCO

O conteúdo do BLOCO tem forte vinculação com os debates nos Grupos de Discussão  Celld-group e WirelessBR. Participe!



03/10/07
 
•  "TV Pública" ou "TV Brasil" ou "TV Lula" ou "TV do PT" (4) - Deputados querem debater projeto e não MP

Olá, ComUnidade WirelessBRASIL!
 
01.
Este é o nosso "Serviço ComUnitário" sobre "TV Pública".
As mensagens anteriores estão no
BLOCO - Blog dos Coordenadores da ComUnidade
 
Lembro: não tratamos de assuntos de política partidária em nossos fóruns mas estamos "fazendo a nossa parte" quando fixamos um olhar crítico nos programas dos governos de plantão relacionados à nossa área de atuação (TI e Telecom), na expectativa de ajudar a fazê-los funcionar em benefício da sociedade.
No entanto, mesmo sem envolvimento em "campanhas", não há com deixar de falar em partidos "neste país" em que o governo se confunde com um partido político.
 
Por exemplo, aqui está um recorte de um dos artigos citados nesta mensagem:
(...) No dia 3, em declarações prestadas aos jornais, José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil e ex-deputado cassado, enfatizou que era fundamental a tarefa de se regular a mídia no País. "Essa discussão mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que fazer" – disse o líder oficioso do PT, acusado pelo procurador-geral da República, José Fernando de Souza, de ser o principal mentor da "sofisticada organização criminosa" responsável, em Brasília, pela execução do esquema do "mensalão". (...)
 
Nesta "Série" pretendemos chamar a atenção para possíveis "intenções ocultas" do governo na criação da "TV Pública", preocupação esta que encontramos em muitos textos da mídia. 
Mas vamos divulgar também as matérias que tratam do enorme potencial desta experiência, se bem conduzida.
 
O "Canal do Poder Executivo" previsto do decreto que criou a TV Digital,  "evoluiu" para “TV Pública”.
 
O governo pretende criar a "TV Pública" por uma Medida Provisória que julgo ser um desnecessário uso de força. Apesar dos  conhecidos pesares o Congresso é a "Casa do Povo" e tudo tem que ser discutido e aprofundado lá, com muito calma, sem correrias.
 
Como nós bem sabemos, o uso intensivo de MPs é uma afronta à separação dos poderes pois, em última análise, é o Executivo legislando.

Uma MP justifica-se somente em casos urgentes e relevantes.
Mais um "recorte:
(...) A motivação para criar a TV pública por meio de uma MP é a necessidade de se fazer a transição da maneira mais rápida possível, uma vez que envolve a fusão de duas empresas já existentes - Radiobrás e Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). A avaliação da Secretaria é que, caso o processo seja feito por projeto de lei, o debate pode se estender por vários meses, afetando a gestão dessas entidades. "A Radiobrás, por exemplo, correria o risco de ficar acéfala por quatro, cinco meses, enquanto o projeto é debatido no Congresso", conta uma fonte no Palácio do Planalto. (...)
 
O "ato de força" passa como que desapercebido pela mídia acostumada a transcrever "as pautas" do governo: a MP ainda nem foi apresentada e as nomeações já começaram, como vimos nas mensagens anteriores. Mais um escândalo!
 
02.
Estas manchetes já contam parte desta história mas vale ler no original ou rolar a página e ler as transcrições:
 
Fonte: Comunique-se
 
[01/10/07]   MP de TV Pública deve sair na quarta (03/10)  por Tiago Cordeiro
 
Fonte: Diego Casagradrande
[01/10/07]   A Mídia do PT  por Ipojuca Pontes
 
Fonte: Café na Política
[29/09/07]   Lula apresenta MP de TV Pública a líderes do Governo
 
Fonte: Página 9
[27/09/07]   TV pública - MP da TV Brasil chega a Lula, mas momento político atrapalha por Mariana Mazza  do Tela Viva News
 
Fonte: Terra Magazine
[09/09/07]   TV pública não deve querer pouco, diz Belluzzo  por Raphael Prado
 

03.
No final desta mensagem está a lista das matérias transcritas anteriormente.
 
Boa leitura!
Um abraço cordial
Helio Rosa
 
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Fonte: Comunique-se
 
[01/10/07]   MP de TV Pública deve sair na quarta (03/10)  por Tiago Cordeiro
 
O jornalista e futuro diretor-executivo da TV Pública, Orlando Senna, confirmou que a medida provisória que criará a Empresa Brasil de Comunicação deve sair ainda nesta quarta-feira (03/10). Logo depois do envio ao Congresso, o governo deve confirmar o nomes de Senna, Helena Chagas como diretora de jornalismo e Tereza Cruvinel como presidente da rede pública, conforme informações já divulgadas. O jornalista e cineasta conversou com o Comunique-se durante a cerimônia que o consagrou como cidadão honorário do município do Rio de Janeiro na Câmara dos Vereadores da cidade, em ato solicitado por Adilson Pires (PT-RJ), hoje, às 16h.
 
“Estamos plantando as sementes de uma TV Pública que pretende ser não só uma porta-voz da pluralidade, da diversidade cultural da sociedade, mas também da diversidade de opiniões da sociedade”, declarou Senna, que considera o momento “crucial na história da comunicação pública no Brasil”. De acordo com o diretor-executivo, a nova rede irá confirmar o desenvolvimento da “diversidade midiática”.
 
Brasília
A respeito do Rio de Janeiro ser a cabeça de rede da programação, mas Brasília ser a sede do jornalismo, Senna ressaltou que o objetivo é que a Empresa Brasil de Comunicação consiga ter uma “organização horizontal e não vertical. Não é uma rede com uma ou duas cabeças”.
 
“Todas as grandes emissoras, os grandes jornais têm sua sede principal de jornalismo em Brasília ou uma importante sucursal porque Brasília gera uma quantidade enorme de notícias. Mas a TV Pública terá instalações tanto de jornalismo quanto de produções no Rio, em São Paulo, em Brasília e o grande objetivo que se quer chegar é uma rede juntando emissoras de todas as 27 unidades da federação”, declarou.
 
Na matéria sobre a contratação de Helena Chagas, o usuário do Comunique-se Luiz André Oliveira chegou a ressaltar que tanto Tereza quanto Helena são jornalistas ligadas à editoria política. Senna descartou uma preferência específica – ele próprio atuou mais em política internacional e na cobertura cultural, também trabalhando como cineasta – e justificou as contratações como profissionalmente corretas.
 
“Foram alguns nomes pensados em uma posição-chave na organização da nova empresa. A presidência se ocupa de uma maneira mais presente, mais forte no aspecto estratégico da montagem e no desenvolvimento da empresa e também, evidentemente, da sua responsabilidade frente ao todo”, pontuou. Ele afirmou que durante as conversas sobre o nome ideal ficou claro que deveria ser alguém de jornalismo ou que trabalhasse com outros tipos de conteúdo. “Tanto ela [Tereza] quanto Helena podem nos ajudar em ações da TV Pública que possam apresentar o tamanho da diversidade brasileira”.  
 
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Fonte: Diego Casagradrande
[01/10/07]   A Mídia do PT  por Ipojuca Pontes
 
O autor é cineasta, jornalista, escritor e ex-Secretário Nacional da Cultura.

No próximo dia 5 de outubro se finda o prazo de renovação das concessões de licenças para o funcionamento de algumas emissores de televisão, entre elas as TVs Record, Gazeta, Bandeirantes, Cultura e, em destaque, a Rede Globo e cinco das suas afiliadas.
 
Em nota divulgada no dia 6 de setembro, reportando-se ao fato, a Executiva do Partido dos Trabalhadores informou aos interessados que "acompanhará" as manifestações de protestos a serem acionados pela UNE, MST e CUT em 27 capitais do País. Tais entidades, afinadas com o pensamento "hegemônico" petista, são contra a renovação das concessões sem a imposição de novas regras, tais como, por exemplo, cota mínima de programação cultural e educativa com a respectiva ampliação da produção regional e, ademais, o acesso mais fácil ao direito de respostas.
 
Diz a Executiva do PT: "Os movimentos sociais e entidades do campo da comunicação vêm preparando mobilizações nas quais pretendem questionar o sistema de concessões, a concentração de propriedade e cobrar critérios que garantam a participação da sociedade organizada nas outorgas e renovações e no acompanhamento do conteúdo transmitido. A Executiva acompanhará o desenrolar destas mobilizações e solicitará a nossa bancada no Parlamento que faça as gestões necessárias para que seja revisto o atual sistema de concessões".
 
Por sua vez, o deputado Jilmar Tatto, um dos dirigentes da agremiação, solidário com as manifestações das referidas entidades, tripudia, num tom de indisfarçável advertência: "O PT, pela sua história, não teria dificuldade nenhuma em apoiar os protestos sobre comunicação. Mas por enquanto é só um acompanhamento político que estamos fazendo".
 
No dia 3, em declarações prestadas aos jornais, José Dirceu, ex-Chefe da Casa Civil e ex-deputado cassado, enfatizou que era fundamental a tarefa de se regular a mídia no País. "Essa discussão mais cedo ou mais tarde o Brasil vai ter que fazer" – disse o líder oficioso do PT, acusado pelo procurador-geral da República, José Fernando de Souza, de ser o principal mentor da "sofisticada organização criminosa" responsável, em Brasília, pela execução do esquema do "mensalão".
 
No mês de agosto, semanas antes do Supremo Tribunal Federal aceitar a denúncia contra os 40 acusados de participarem do "mensalão" , considerado o maior esquema de corrupção da nossa história política, o hoje consultor de negócios José Dirceu, batia na tecla de se regulamentar os meios de comunicação no Brasil. Para o ex-deputado, que se julga vítima da mídia, diante de um comportamento "anacrônico e antidemocrático", se faz urgente à aprovação de uma "nova Lei de Comunicação Eletrônica de Massa que avance na democratização do acesso à informação e no controle social dos meios de comunicação".
 
E aqui reside o ponto crítico do problema, que consiste no seguinte: o que José Dirceu (amigo dileto de Fidel Castro) entende por "democratização" e "controle social dos meios de comunicação" nem sempre ou quase nunca coincide com os reais anseios da democracia representativa e da própria sociedade. De fato, o conceito político de democracia propugnado pelo PT, partido "hegemônico" de Dirceu, está irreversivelmente ligado à visão de uma "democracia popular", extinta na Rússia e no Leste Europeu e de cunho abertamente classista. Com efeito, conforme as atas do Foro de São Paulo realizado em Porto Alegre no ano de 1997, do qual o Partido dos Trabalhadores foi um dos principais signatários, o regime democrático que ora se convive na América Latina não passa de uma transição para se chegar ao socialismo – quem sabe idêntico ao imposto por Fidel Castro ao miserável povo cubano.
 
Para quem desconhece, vale salientar que no citado Foro, durante o Encontro Paralelo de Comunicação, depois de inúmeras discussões entre os seus integrantes, foram definidos os meios pelos quais o PT e as demais organizações de esquerda chegariam ao controle da informação no Brasil, uma vez que "a questão da comunicação e da telecomunicação tem um sentido estratégico no enfrentamento ao neoliberalismo".
 
Então, de forma objetiva, para se destruir o neoliberalismo e se chegar ao socialismo, caminho do comunismo, são explicitados no documento alguns pontos programáticos de ação política efetiva, destacando-se, entre eles, os seguintes:
 
1º) Urgente constituição do controle público (por via de conselhos e sindicatos) sobre os meios de comunicação e telecomunicação; 2º) Mobilização da sociedade civil organizada, tarefa que "caberá aos partidos de esquerda"; 3º) Reorganização dos sistemas de comunicação no sentido contrário da concentração monopolista (tipo TV Globo, por exemplo);
4º) Prioridade do envolvimento dos partidos e organizações de esquerda na luta pelo controle público destas áreas.
 
Hoje, no que tange à tarefa de "reorganizar os sistemas de comunicação no sentido contrário da concentração monopolista" pode-se presumir a que servirá a rede de TV Pública, que o "Estado paga, mas não manda", agendada pelo governo Lula para estrear no próximo mês de dezembro. Segundo se anuncia, a TV Pública será orientada por um Conselho Curador, cujos membros serão indicados pelo governo petista e organizações civis, tal como recomendado pelo Foro de São Paulo, cujo objetivo é transformar a democracia representativa em democracia "popular" ou "participativa".
 
Quanto às intenções do ex-deputado José Dirceu e da Executiva do Partido dos Trabalhadores, em torno da regulação da mídia e da liberdade de imprensa, resta considerar o seguinte: estabelecido o controle sobre os meios de comunicação e a imprensa livre, quem vai controlar os arroubos "hegemônicos" de José Dirceu e da Executiva do PT? Por acaso seria a rede TV Pública criada por Lula? 
 
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Fonte: Café na Política
[29/09/07]   Lula apresenta MP de TV Pública a líderes do Governo
 
Deu na Folha:
Na próxima terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reunirá, no Palácio do Planalto, os líderes dos partidos aliados para apresentar a medida provisória de criação da rede pública de TV. Os objetivos são comprometer politicamente os líderes com o projeto e assegurar uma tramitação rápida, que viabilize o plano do governo de levar ao ar a rede pública até o dia 2 de dezembro -data em que terá início a transmissão digital em TV aberta no país.
Oficialmente, a rede se chamará Empresa Brasil de Comunicação, mas terá nome fantasia de TV Brasil. Integrarão a rede o Sistema Brasil de Rádio e a Agência Brasil de Notícias.
A possibilidade de voto de desconfiança constará da MP. O conselho curador, que terá 20 integrantes, poderá dar um voto de desconfiança para toda a diretoria ou para um diretor. O primeiro voto é de advertência. Se houver um segundo voto de desconfiança, o governo será obrigado a trocar a diretoria.
O voto de desconfiança do conselho curador é um expediente que consta de rede públicas da Europa. O conselho curador, que terá 4 representantes do governo, 1 dos funcionários e 15 da sociedade, possuirá o poder de fiscalizar e de determinar as diretrizes da TV.
 
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Fonte: Página 9
[27/09/07]   TV pública - MP da TV Brasil chega a Lula, mas momento político atrapalha por Mariana Mazza  do Tela Viva News
 
A equipe da Secretaria de Comunicação Social apresentou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, nesta quinta-feira, 27, a minuta da provável medida provisória (MP) que criará a TV pública nacional.
 
Pela agenda do presidente, o encontro com o ministro-chefe Franklin Martins ocorreu às 10h15. O plano é preparar a proposta validada por Lula para envio à Imprensa Nacional na sexta-feira, 28, e conseqüente publicação na segunda-feira. Mas algumas pequenas mudanças no texto da proposta podem atrasar por mais alguns dias a divulgação. Mesmo assim, a secretaria acredita que a MP será encaminhada à publicação e à mesa do Congresso Nacional ao longo da próxima semana.
 
A reunião foi bastante positiva e os pontos-chave do projeto foram aprovados por Lula e demais ministros que participaram do encontro. Enquanto a Casa Civil providencia as correções no texto da proposta, também será feita uma avaliação do timing político para o envio de mais uma MP ao Congresso, especialmente após a derrota do governo com a medida que criava a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo. Em votação realizada nessa quarta, o Senado Federal rejeitou a proposta, extinguindo a secretaria encabeçada por Mangabeira Unger. Como se trata de um projeto sem perfil político, o Palácio do Planalto não acredita que a criação da TV pública passará pelo mesmo problema, mas as intempéries com o Congresso justificam a cautela.
 
A motivação para criar a TV pública por meio de uma MP é a necessidade de se fazer a transição da maneira mais rápida possível, uma vez que envolve a fusão de duas empresas já existentes - Radiobrás e Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp). A avaliação da Secretaria é que, caso o processo seja feito por projeto de lei, o debate pode se estender por vários meses, afetando a gestão dessas entidades. "A Radiobrás, por exemplo, correria o risco de ficar acéfala por quatro, cinco meses, enquanto o projeto é debatido no Congresso", conta uma fonte no Palácio do Planalto.
 
Fusão paulatina
O texto tem a previsão de fusão da Radiobrás e da Acerp, responsável pela TVE. Além disto, a medida também trará todo o mecanismo de constituição dos conselhos que comandarão a nova empresa e de aconselhamento sobre a política editorial.
 
Com relação à incorporação das empresas já existentes, apenas a estrutura da Radiobrás será absorvida imediatamente pela TV Brasil, nome provisório da TV pública.
 
A inclusão da Acerp será paulatina, por motivos legais. Hoje, a TVE, que é uma organização social (OS), tem um contrato assinado com a União para a produção de conteúdos educativos, documento este que vence em dezembro. No momento do vencimento, a secretaria fará uma repactuação dos termos do contrato, transportando parte das funções da Acerp para a TV pública. Mas a transferência não será completada de uma só vez.
 
Por se tratar de uma entidade de direito privado, com uma relação contratual com a União, a incorporação de todas as funções da associação poderia ser entendida como uma quebra de contrato. Assim, o cronograma da secretaria prevê que, ao longo dos próximos anos, as funções pouco a pouco serão transferidas para a TV Brasil, até que o papel da TVE como produtor de conteúdos para o governo seja extinto.
 
O assessor especial da Presidência, Delcimar Pires, contou a este noticiário que o enxugamento da Acerp não afetará os empregos. A MP permitirá que, em um primeiro momento, a seleção para a TV Brasil seja feita por análise de currículos, abrindo espaço para que os profissionais da Acerp se habilitem para os cargos. A proposta é que esse sistema vigore por 36 meses, tempo suficiente para que a maior parte das funções da TVE já tenham sido repassadas para a TV pública. Após esse prazo, as contratações serão feitas por meio dos tradicionais concursos.
 
Cruvinel na presidência
A decisão de nomear a colunista política Tereza Cruvinel para a presidência da TV Brasil ainda não foi anunciada, mas a definição já tem sido confirmada nos bastidores do Palácio do Planalto e pela própria jornalista. "Digamos que ela já pode ser cumprimentada como presidente", brincou uma outra fonte do Planalto. Como a MP ainda não foi encaminhada, a crença é que o ministro-chefe Franklin Martins confirme a nomeação apenas após a criação da TV pública ser um fato consumado.
Quanto às demais nomeações para os conselhos diretor e curador da nova empresa, a secretaria ainda faz mistério. Diversos nomes estão em estudo e há a intenção de convidar os demais ministérios envolvidos no desenvolvimento da TV Brasil, como Fazenda e Planejamento, para opinar sobre as nomeações.
 
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Fonte: Terra Magazine
[09/09/07]   TV pública não deve querer pouco, diz Belluzzo  por Raphael Prado
 
O economista Luiz Gonzaga Belluzzo, presidente do Conselho Curador da TV Pública que será criada pelo governo federal  
 
O economista Luiz Gonzaga Belluzo, colunista de Terra Magazine, assumirá, a convite do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidência do conselho curador da TV pública que será criada no país.
Ele reconhece que as discussões ainda são muito embrionárias. Não se sabe ainda se o Planalto enviará um projeto de lei ao Congresso ou se a emissora será criada por medida provisória. Não se sabe, sequer, o nome do órgão. Especula-se que seja TV Brasil, mas ainda não há confirmação.
 
Belluzzo sabe, no entanto, que o projeto deve ser ousado. Como o presidente Lula, recorre a metáforas futebolísticas para falar do canal a ser criado.
 
- Se a gente for com um projeto muito tímido, você vai acabar realizando menos ainda. (...) Mas isso é um pouco parecido com um clube de futebol. Depois de uma administração desastrosa o pessoal acha que você vai ganhar o campeonato na semana seguinte. E a gente não pode prometer isso - diz.
 
O economista Belluzzo é também dirigente do Palmeiras, um dos principais rivais do Corinthians, do presidente Lula. Outra pequena metáfora da pluralidade que se espera na TV pública.
 
- ...o conselho será formado por gente de formação diversa. Nós não vamos fazer uma coisa corporativa. Vai haver mais representação social, das camadas sociais relevantes, de todas.
 
O prazo para a TV pública entrar no ar, espera-se, é até o final de 2007. Leia os principais trechos da entrevista exclusiva do presidente do conselho curador a Terra Magazine:
 
Terra Magazine - O que é que se tem de certo já da TV pública? Ainda parece algo muito embrionário para cumprir esse cronograma de entrar em funcionamento até o final do ano...
Luiz Gonzaga Belluzo - É embrionário mesmo. Na verdade, ainda é preciso mandar a lei para o Congresso. Não sei se vai ser lei ou MP (Medida Provisória). Mas vai ter que ser aprovada a forma e também o nome das pessoas que vão cuidar da administração da TV pública. Porque se tem uma concepção, que é a de que ela seja uma TV pública e não estatal. Que ela seja, portanto, administrada e fiscalizada, com uma forma de atuação definida por um conselho bem representativo. Você não tem interferência estatal. Esse é o princípio das TVs públicas do mundo inteiro. E o exemplo mais bem-sucedido é o da BBC (Inglaterra). Tem outras experiências, como da PBS americana, a RAI (Itália). Na verdade, as TVs privadas são um fenômeno recente na Europa. Elas eram, em geral, públicas. E elas tinham, na verdade, uma participação muito equilibrada do ponto de vista político. E foi muito importante para consolidar a democracia européia no pós-guerra.
 
E isso explica grande parte do sucesso delas, não? O setor de televisão nesses países começou como algo público; aqui, começamos com canais privados e agora o desafio é converter essa comunicação para uma TV pública. É possível conseguir isso?
Na verdade, você tem que ir transformando esse padrão. E, nesse ponto de vista, a TV brasileira é boa. Eu acho. Não acho ruim. Do ponto de vista da forma como as questões são tratadas tecnicamente. Você desenvolveu quadros nessa área muito bons. É possível você fazer o caminho inverso, porque você já tem uma base da TV privada que te deu, no ponto de vista técnico, como é a emissão, como é o ritmo da televisão. Isso tudo eles foram aprendendo. Eu me lembro que assisti a uma das primeiras transmissões de televisão, na TV Tupi. Eu era muito menino, e aquilo era uma coisa muito estática. Aí depois a linguagem da televisão foi se transformando. E a gente não vai partir do zero, portanto. Mas nós vamos dar um tratamento diferente do conteúdo, até porque não tem propósito fazer uma duplicação desnecessária, competindo com o setor privado. Nós vamos oferecer um outro tipo de programação, com uma outra perspectiva. Eu acho que é importante que a TV pública funcione como um instrumento para melhorar a capacidade de compreensão do cidadão. Dos brasileiros a respeito de si mesmo e da compreensão dos cidadãos.
 
E o que vai haver de diferente, então?
Nós vamos tratar de cuidar bem, primeiro os documentários regionalizados sobre o Brasil, sobre temas brasileiros. O olhar dos brasileiros. E é o olhar dos brasileiros e não o olhar brasileiro. Porque os brasileiros são muito diferentes. Eu acho que é importante a gente respeitar a diversidade regional, não deixar que isso se apague. Então eu acho que nós vamos ter que trabalhar com as televisões educativas dos estados para fazê-las ganhar maior capacidade técnica, substituir os equipamentos sucateados...
 
Há a pretensão, ou a intenção, de transformar essa TV pública numa BBC? A BBC é um modelo?
Eu acho que a gente não deve querer pouco. Se a gente for com um projeto muito tímido, você vai acabar realizando menos ainda. Então você tem que ter como paradigma o que tem de melhor em TV pública do mundo, que sem dúvida é a BBC. Mas isso é um pouco parecido com um clube de futebol. Depois de uma administração desastrosa o pessoal acha que você vai ganhar o campeonato na semana seguinte. E a gente não pode prometer isso. Nós temos que construir uma coisa e, ademais, o conselho será formado por gente de formação diversa. Nós não vamos fazer uma coisa corporativa. Vai haver mais representação social, das camadas sociais relevantes, de todas. O conselho vai ter um papel muito importante na condução disso, como o conselho vai se portar. Claro que é um paradigma. O Brasil não é a Inglaterra, né? Como todos nós sabemos. Aliás, nós somos um país de origem muito diferente. Nós somos frutos da expansão deles. Nós temos que tentar nos compreender dessa maneira.
 
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Fonte: Câmara dos Deputados
[29/06/07]   Deputados querem debater projeto de lei sobre TV pública, e não MP
 
Os deputados da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática cobraram nesta quarta-feira (27/06) do ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, que a proposta do governo de criação de uma rede de televisão pública seja enviada ao Congresso por meio de projeto de lei, e não por medida provisória.
 
Durante audiência pública que debateu o tema na Comissão, o ministro informou que o governo ainda não definiu como a proposta será encaminhada, mas destacou que um compromisso dos parlamentares sobre a celeridade na sua tramitação poderá facilitar o processo.
 
A expectativa de Martins é a de que a proposta do governo seja fechada para envio ao Congresso até agosto, de forma que a TV pública seja viabilizada ainda neste ano para transmissão em sinal analógico e digital.

Uso político
Vários deputados destacaram em suas manifestações durante a audiência pública que a edição de medidas provisórias diminui o espaço para o debate democrático. Os deputados também questionaram sobre a possibilidade de uso político da rede pública de televisão, e a necessidade de criação de mecanismos para evitar esse tipo de manipulação.
 
Franklin Martins reconheceu como legítimas as preocupações dos deputados, mas afirmou que a proposta do governo prevê a criação de um conselho com até 20 integrantes, que deverá fiscalizar o trabalho da diretoria executiva da TV pública.
 
Questionado por um dos autores do requerimento para a realização da audiência, deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), sobre as motivações para a criação de uma rede de TV pública no país e as garantias de que não haverá uso político dessa rede, o ministro fez questão de destacar que a proposta é a de uma TV com espaço para programação local e também para produção independente, o que não está contemplado integralmente hoje nas emissoras comerciais, e que a atuação do conselho será essencial para garantir que o interesse público seja preservado.
 
Como a indicação desses conselheiros deverá ser feita pelo próprio presidente da República, os deputados temem que ele não seja eficiente para evitar a transformação dessa TV em estatal.
 
Martins afirmou ainda que outro ponto que garantiria independência da TV pública seria a criação de mecanismos, em estudo no governo, para que o seu orçamento fique livre de eventuais contingenciamentos.
 
Segundo ele, o que o governo federal pretende é ajudar a construir uma TV pública e não uma TV estatal. "TV pública e TV estatal são coisas independentes", disse, ao destacar como pontos principais do debate o modelo de gestão pública, o modelo de financiamento e a estrutura de rede (infra-estrutura).
 
Provocado pelo presidente da Comissão, deputado Júlio Semeghini (PSDB-SP), que apontou a possibilidade de uso da multiprogramação para ampliar os espaços destinados ao conteúdo regional e a promoção de debates mais amplos nos meios de comunicação, o ministro admitiu que as TVs comerciais terão dificuldade em implantar a multiprogramação, uma vez que o "bolo publicitário" seria dividido entre os diversos canais. Ele destacou, no entanto, que a TV pública fará o aproveitamento dessa tecnologia, disponível com a TV digital.
 
Também autor do requerimento para a audiência, o deputado Jorge Bittar (PT-RJ), afirmou que é preciso construir um modelo de gestão ágil e flexível, e cobrou ainda a criação de um plano nacional de utilização das freqüências do espectro radioelétrico.
 
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Matérias transcritas nas mensagens anteriores:
 
Fonte: Mídia e Política
Assim é que lhe parece...  por Eduardo Balduino (jornalista) 
 
Fonte: Observatório da Imprensa
[03/04/07]   E por falar em televisão pública... por Nelson Hoineff      [Quem é Nelson Hoineff]
 
Fonte: Agência Brasil
[28/08/07]   Indicação de conselheiros por presidente coloca autonomia da TV em risco, para organizações  por Daniel Merli e Tatiana Matos
 
Fonte: Observatório do Direito à Comunicação
[24/08/07]   Organizações criticam proposta para modelo de gestão
 
Fonte: Agência Brasil
[16/08/07]   Conselho da TV pública terá membros indicados pelo presidente da República  por Kelly Oliveira e Aloisio Milani    
 
Fonte: Folha de S. Paulo
[27/09/07]   Jornalista vai presidir nova TV pública  por Jair Barbosa Jr.
 
DECRETO Nº 5.820, DE 29 DE JUNHO DE 2006 -  Dispõe sobre a implantação do SBTVD-T, estabelece diretrizes para a transição do sistema de transmissão analógica para o sistema de transmissão digital do serviço de radiodifusão de sons e imagens e do serviço de retransmissão de televisão, e dá outras providências.
 
Fonte: USP
O que é uma TV Pública?  por Adriano Adoryan que apresenta:
Televisão pública e televisão estatal por Orlando Senna, Secretário Nacional do Audiovisual/MinC
 
Fonte: USP
A nova rede se enreda por Gabriel Priolli, jornalista e diretor de televisão e presidente da ABTU - Associação Brasileira de Televisão Universitária.
 
Fonte: Convergência Digital
Artigo: Ritu será modelo para integração da TV pública digital
 por Cristina De Luca
 
Fonte: Portal RNP

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