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Fonte: JC Online
[09/05/07]  Os padrões de Rádio Digital - por Marcelo Alencar

MARCELO ALENCAR é Professor titular da UFCG e Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Telecomunicações (SBrT)

Parte 1

Há diversos sistemas de rádio digital no mercado mundial. Os Estados Unidos têm o HD Radio, um sistema proprietário aprovado pelo governo americano para radiodifusão local, que opera tanto na faixa de AM, entre 525 kHz e 1705 kHz, quanto de FM, entre 87,8 MHz e 108 MHz, segundo as normas brasileiras, publicadas pela Anatel.

Ele está sendo promovido pela empresa iBiquity Digital Corp., que insiste em não associar HD com High Definition apesar da sigla ser evidente. Ela teve apoio inicial da Lucent Technologies, além da CBS e Gannet Co. Há mais de 600 emissoras transmitindo em HD nos Estados Unidos.

O sistema HD usa a técnica In-Band On-Channel (IBOC), que realiza a transmissão em bandas laterais e pode ser multiplexado com os canais analógicos existentes, o que permite às emissoras manter as freqüências atuais e realizar a transmissão simultânea de programas analógicos e digitais (simulcast).

Evidentemente, isso ocorre com prejuízo para a transmissão AM convencional, porque o sinal IBOC aparece como ruído de fundo no receptor analógico. Como o espectro destinado à transmissão em amplitude modulada tão congestionado nas grandes cidades, com elevada interferência entre estações, e se escuta AM principalmente no carro, o ouvinte típico de rádio não deve notar alterações sensíveis na qualidade da recepção.

O HD utiliza Orthogonal Frequency-Division Multiplexing (OFDM), que é a técnica de multiplexação dos padrões de televisão digital da Europa, Japão e Brasil. Há muitos críticos do padrão adotado pela Federal Communications Commission (FCC), principalmente entre os Engenheiros de Rádio, e o custo do receptor está entre US$ 100 e US$ 200.

As emissoras de rádio que optarem pelo sistema IBOC, como ficou
conhecido no Brasil terão que pagar US$ 5 mil por ano para ter o direito de usar o padrão. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) solicitou ao Ministério das Comunicações autorização para que emissoras possam utilizar o sistema americano para testes e duas dezenas delas já testam o IBOC com autorização da Anatel.

O concorrente direto do HD é o Digital Radio Mondiale (DRM), que é um
sistema aberto (não proprietário) para a transmissão na faixa do AM e também em ondas curtas, o que requer um receptor compatível.

O padrão é apoiado por um grande consórcio de emissoras internacionais, que inclui BBC World Service, Deutsche Welle e Radio France, além de fabricantes como Blaupunkt, Bosch, Panasonic, Sony e Texas Instruments.
As estimativas indicam que o custo do receptor ficará entre US$ 150 e US$ 300, quando estiver disponível.

A terceira opção para transmissão terrestre é Digital Audio Broadcasting
(DAB). Esse padrão está sendo promovido pelo DAB Forum e opera na faixa atual de FM, mas também opera nas faixas de 174 MHz a 240 MHz (VHF) e 1450 MHz a 1490 MHz (UHF).

O DAB utiliza o padrão Eureka 147, adotado pela Comunidade Européia, Canadá e Ásia. Mais de 1,3 milhões de rádios DAB foram vendidos na Inglaterra a um preço médio de US$ 100.

A transmissão via satélite é a opção para aqueles que não se importam em
pagar US$ 12 por mês pela assinatura para ter transmissão sem comerciais. Nos Estados Unidos, onde opera na faixa de 2,3 GHz, o sistema conta com mais de quatro milhões de assinantes, com as empresas XM Satellite Radio e Sirius Satellite Radio.

A empresa WorldSpace Satellite serve a Ásia, África e Europa.

Ao se comparar os sistemas de radiodifusão digital, percebe-se que a
manutenção do padrão analógico durante a transição para o digital tem repercussão na qualidade da recepção dos canais atuais. A substituição dos canais analógicos por canais digitais, contudo, tem um custo para o usuário do serviço, que vai precisar adquirir um novo receptor.

Em todo caso, sempre há um exagero natural da mídia em relação às
características dos novos serviços de radiodifusão, como ocorreu com a televisão digital.

Apenas uma coisa é certa, não se deve esperar qualidade de CD de nenhum
dos sistemas propostos. Mas os ouvintes acabam se acostumando e se adaptando aos modismos e à qualidade que for veiculada.

Ler mais na Parte 2