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O Meganegócio Embratel    (Parte 3)

Autora:   Jana de Paula  (*)

Publicação inicial em abril de 2004           Republicado em 29/04/06

O Meganegócio Embratel (Parte 3)

Jana de Paula

O meganegócio
Embratel marca uma nova fase do mercado brasileiro de telecom, cujo modelo de privatização completará seis anos em outubro próximo. A tendência é de que se mantenha um máximo de quatro grupos fortes, que passarão a atuar como “multicarriers”, com braços nos mercados de telefonia fixa e móvel e capacidade de fornecer soluções cada vez mais integradas, sobretudo nos pacotes corporativos. É este leque completo de serviços em telefonia e dados para as empresas que pode reduzir custos, vencer a concorrência e minimizar as perdas no mercado residencial, onde é maior o rombo, sobretudo devido à transformação do serviço de voz local em commoditie e da possibilidade de eliminação da assinatura residencial, entre outros fatores.

De acordo com Manuel Fernandes, sócio-diretor da consultoria KPMG e especialista no mercado de telecom, a competição tem ocorrido mais entre as teles fixas e as celulares, do que entre as fixas. “Quem está roubando o mercado das fixas são as operadoras celulares. Nada mais natural que as telcos absorvam o mercado wirelless, ampliando seu core de atuação e adquirindo maior custo-benefício para melhor negociar seus contratos com a clientela”, analisa ele.

Esta capacidade de fidelização do cliente corporativo é ampliada quando a operadora tem um diferencial tecnológico. E é aí que entra a segunda forte tendência no setor: não será surpresa se o mercado assistir um novo tipo de consolidação que, desta vez, não passa pela transferência de controle acionário ou venda de patrimônio. A nova associação pode ser chamada de parceria e implica o compartilhamento dos recursos da empresa, através do ingresso de um sócio forte em termos financeiro e tecnológico. “Acho difícil que as grandes operadoras que restarem depois do negócio que envolveu a Embratel sejam vendidas. É mais factível vislumbrar a entrada de um parceiro de peso, sócio ou investidor temporário, uma prática comum no mercado mundial de telecom”, pondera Fernandes.

Um bom exemplo é a Telemar que, dentre as grandes teles, é a única com capital totalmente nacional e que não possui um operador entre os acionistas. A Embratel nasceu como filial da americana MCI, a Telefônica/Vivo pertence a holding espanhola e a Brasil Telecom se formou da italiana TIM, ou seja, operadoras fortes em seus mercados de origem. A Telemar, não. Seus acionistas são investidores do mercado financeiro, grupos como Andrade Gutierrez, La Fonte, Garantia e fundos de pensão. Por isso, o que o mercado questiona é se (ou quando) algum operador forte vai se interessar pela Telemar.
“A verdade é que o mercado se ressente da ausência, no país, de alguns grandes operadores, como DoCoMo ou Vodaphone, por exemplo”, lembra o sócio-diretor da KPMG. Para ele, com as teles do país, devidamente consolidadas em suas posições, devem começar os primeiros contatos com grupos fortes. “E a Telemar, por suas características, apresenta-se como um parceiro bastante atraente para um sócio com cacife para injetar capital e tecnologia”, considera o executivo.

O consultor lembra que o mercado mundial dá sinais claros de recuperação, mesmo diante das dificuldades em superar o estouro da bolha da internet e os custos ainda não diluídos das compras de licenças de 3G pelas telcos européias e asiáticas. “Nada impede, por exemplo, que a DoCoMo, que obteve US$ 4 bilhões de lucro líquido e é forte tecnologicamente, se interesse em compartilhar por um prazo determinado os recursos da Telemar. E, para a Telemar, não seria desagradável contar com um parceiro que teve de receita o que ela teve de faturamento bruto no ano passado”, equaciona Fernandes.
Há bastante espaço de crescimento no mercado local de telecom e uma forte demanda reprimida para seduzir os donos do capital mundial. E, mesmo com o poder de compra dos brasileiros a níveis inferiores ao padrão internacional, há o segmento corporativo ávido por soluções que viabilizem a expansão de seu business. Isto é suficiente para que as grandes telcos voltem seu olhos para o Brasil. Alguém duvida?


Jana de Paula é jornalista (ECO/UFRJ) e escreve sobre tecnologia desde 1983. Inaugurou a página de informática do Jornal do Commercio/RJ,  trabalhou na extinta revista Info do Jornal do Brasil, fez comentários para o primeiro programa de rádio sobre informática da cidade, na extinta Rádio Alvorada, foi editora da RNT no Rio de Janeiro e colaborou com as principais publicações da área, como WordldTelecom, B2B Magazine, Consumidor Moderno e AliceRamos.com.
Atualmente é a diretora de conteúdo do Thesis (www.instituto-thesis.com.br).
Email: jana.depaula@instituto-thesis.com.br.

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