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Michael Stanton

MP3, Napster e Gnutella

Autor:  Michael Stanton

Michael Stanton ( michael@ic.uff.br ) nasceu e viveu na Inglaterra até os 23 anos. Depois de dois anos nos Estados Unidos veio se radicar no Brasil, e mora atualmente no bairro da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Doutor em matemática pela Universidade de Cambridge, desde 1972 se dedica, já no Brasil, ao estudo, ensino e prática da informática e suas aplicações. Seu atual namoro com as redes de comunicação começou em 1986, e ele participou ativamente na montagem no País das redes Bitnet e Internet, tendo participado da coordenação da Rede-Rio e da Rede Nacional de Pesquisa nas suas fases formativas. Depois de longa atuação como professor do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, hoje é professor titular de comunicação de dados do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, RJ, onde coordena o projeto de modernização da infra-estrutura de comunicação desta universidade; é  Diretor de Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); mantém uma coluna quinzenal no Estadão desde junho de 2000 sobre a interação entre as tecnologias de informação e comunicação e a sociedade.


MP3, Napster e Gnutella


O MP3 é uma formato para representar música digital com qualidade CD, usando técnicas de compressão, para reduzir o tamanho dos arquivos, ou da banda de rede necessária para sua transmissão em tempo real. Popularizou-se o MP3 principalmente devido ao seu uso para trocar músicas entre entusiastas.
Embora o MP3 pudesse ser usado para músicas promocionais ou não publicadas convencionalmente, a tentação de converter para MP3 músicas publicadas em CD era muito forte e começou-se um intercâmbio grande e gratuito em músicas gravadas comercialmente.
O site mp3.com foi criado, e logo tornou disponíveis versões MP3 de músicas de 80.000 CDs.
A princípio, o usuário deve mostrar que possui o direito de ouvir estas músicas, apresentando o CD original para o cliente do serviço.
Este procedimento faz parte do serviço MyMP3.com, criado em janeiro deste ano.

Antes disto, em 1999, Shawn Fanning, estudante de 19 anos, havia criado o software Napster, que possibilita o compartilhamento de arquivos MP3 com outras pessoas através da Internet.
O Napster é uma aplicação cliente-servidor que mantém um serviço de diretório, e outro de busca, que realiza pesquisas neste diretório.
Através do serviço de busca, seria possível descobrir a localização de arquivos MP3.
Há diversos clientes disponíveis, alguns através da própria empresa Napster, que também opera vários servidores. Deve-se notar que os arquivos de música não são guardados nos servidores Napster, e nem por eles processados.

A popularidade deste serviço foi imensa.
Estimou-se que tráfego Napster tenha chegado a 15% do total gerado pelo campus da Universidade de Califórnia em Berkeley, principalmente por estudantes nas moradias da universidade.
Esta situação até levou a diversas tentativas da própria universidade para tentar limitar o consumo de banda por esta aplicação, até aqui sem muito sucesso.

Os problemas internos de Berkeley logo passaram para segundo plano, em função de processos instituídos contra a empresas Napster e MP3.com pela Recording Institute of America Association (RIAA), que representa a indústria das gravadoras de música dos EUA.
Em dezembro de 1999, a RIAA abriu processo contra a Napster por auxiliar a quebra de direito autoral pelos usuários do seu serviço.
Em abril passado, o RIAA teve decisão favorável contra o serviço MyMP3.com, e a MP3.com passou a negociar uma saída com a RIAA.
O caso mais recente envolve a banda Metallica e a Napster.
Os advogados da banda forneceram à Napster os nomes de mais de 355.000 pessoas que supostamente teriam trocado ilegalmente músicas de Metallica, e exigiram que a Napster as excluíssem do seu serviço.
Esta exclusão, para usuários de Windows, foi realizada pelos servidores Napster efetuando modificações não solicitadas no Registry de Windows nas máquinas dos usuários identificados, provocando muita celeuma e a rápida criação e publicação de antídotos a essa medida, http://news.mp3.com/news/liststory?topic_id=478&category_id=1001&month=200005".

Como pode-se entender este processo e prever sua evolução?
Para alguns observadores, o que existe é um confronto entre a indústria de gravadoras de música e a revolução de música digital em rede.
Nos primeiros embates, parece que estão ganhando as gravadoras.
Porém, a guerra não terminou ainda.
Talvez a novidade mais significativa seja o Gnutella, um software implementando um serviço parecida com o da Napster, que estava sendo desenvolvido por uma subsidiária da America Online.
A AOL resolveu abortar o projeto em março passado, mas o código fonte foi tornado público por engenheiros envolvidos no projeto, e o Gnutella escapou para o domínio público.
Gnutella poderá oferecer as mesmas facilidades de compartilhamento de arquivos de música que Napster, com uma diferença significativa - sua implementação é totalmente distribuída, dispensando a necessidade de um site central que poderá ser processado pela RIAA.
Impedir o uso de Gnutella seria tão difícil como censurar a Internet.
O gênio parece ter escapado da garrafa. (Veja, por exemplo, http://www.oreillynet.com/pub/a/network/2000/05/12/magazine/riaa.html.)

O que será o futuro da comercialização de música?
É claro que a revolução MP3 foi auxiliada em grande parte pelos altos preços de venda dos CDs.
Alguns comentaristas consideram que somente uma redução substancial do preço de CDs iria tornar menos interessante a procura de música pela Rede.
Espera-se que a redução de preços até aumente o volume de vendas, talvez mais do que compensando a redução do lucro unitário.
A indústria poderia também abraçar a nova tecnologia, e começar a promover seus produtos pela Rede, talvez através de serviços de áudio a demanda, onde seria fornecido o serviço de tocar uma música, mas não copiá-la, por um preço quase simbólico.
Uma coisa está certa: a indústria vai mudar substancialmente nos próximos dez anos, em função do impacto da Internet.


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