WirelessBRASIL |
|
Michael Stanton |
|
Eleições para a Internet |
||
|
Autor: Michael Stanton |
||
Michael Stanton ( michael@ic.uff.br ) nasceu e viveu na Inglaterra até os 23 anos. Depois de dois anos nos Estados Unidos veio se radicar no Brasil, e mora atualmente no bairro da Barra da Tijuca no Rio de Janeiro. Doutor em matemática pela Universidade de Cambridge, desde 1972 se dedica, já no Brasil, ao estudo, ensino e prática da informática e suas aplicações. Seu atual namoro com as redes de comunicação começou em 1986, e ele participou ativamente na montagem no País das redes Bitnet e Internet, tendo participado da coordenação da Rede-Rio e da Rede Nacional de Pesquisa nas suas fases formativas. Depois de longa atuação como professor do Departamento de Informática da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, hoje é professor titular de comunicação de dados do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) em Niterói, RJ, onde coordena o projeto de modernização da infra-estrutura de comunicação desta universidade; é Diretor de Inovação da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP); mantém uma coluna quinzenal no Estadão desde junho de 2000 sobre a interação entre as tecnologias de informação e comunicação e a sociedade.
Eleições para a Internet
No dia 31 de julho fecham-se as inscrições para poder votar nas
primeiras eleições gerais da Internet.
Se você tem mais de 16 anos e possui um
endereço eletrônico, você pode tirar seu título de eleitor já, e votar ainda
este ano para um dos diretores da ICANN - a Internet Corporation for Assigned
Names and Numbers (www.icann.org),
a organização responsável pela "governança" da Internet, depois que o governo
norte-americano tomou a decisão de privatizá-la em 1997.
O processo é simples e é realizado através do site da ICANN, onde tem
explicações de como se pode tornar sócio individual, com direito de voto,
através de um formulário em português (http://members.icann.org/languages/portuguese/index.html).
Ser sócio individual da ICANN é gratuito, e só requer um pouco de paciência,
pois o servidor da ICANN tem estado muito movimentado nos últimos dias, pela
iminência do término do prazo para se associar.
É preciso explicar um pouco sobre a ICANN e suas funções e antecedentes, e
porque ela é importante.
A Internet é uma federação mundial de redes,
autônomas e administradas separadamente.
O que une estas redes para fazê-las
funcionarem em conjunto é a adoção de padrões técnicas, em especial os
protocolos chamados coletivamente de TCP/IP.
Esta tecnologia hoje é
administrada pela IAB - Internet Architecture Board (http://www.iab.org/iab/)
, um órgão eminentemente técnico.
O TCP/IP define uma tecnologia. Para poder
usá-la, é necessário adotar certas convenções, das quais as mais importantes
tratam da alocação de endereços IP (como 200.211.26.82) e de nomes de domínios
(como www.estadao.com.br).
Estes endereços e nomes precisam ser únicos em toda
a Internet, e foi constituída a IANA - Internet Assigned Numbers Authority (http://www.iana.org)
para administrá-los corretamente.
Durante quase 20 anos a IANA se confundia com a pessoa de Jon Postel, um
dos fundadores da Internet, que passou quase toda sua vida profissional a seu
serviço.
Uma vez tive a oportunidade de conhecê-lo, em 1994, quando foi
negociada a delegação da IANA para a administração de endereços IP usadas no
Brasil para o que veio a ser a registro nacional (http://www.registro.br),
localizado na FAPESP em São Paulo.
Apesar da importância do seu trabalho, ele
era uma pessoa simples, com cara de hippie dos anos 60 - tem algumas fotos no site http://www.postel.org.
A partir de 1997, Jon se envolveu muito com a transferência das funções da
IANA para a ICANN, e ajudou a formular os seus estatutos.
Infelizmente, ele
veio a morrer logo em seguida, em outubro de 1998.
Seu amigo e colega Vint
Cerf fez sua eulogia em "I remember IANA" (http://www.ietf.org/rfc/rfc2468.txt).
A ICANN, que hoje é considerado o centro de decisões sobre a Internet, é
dirigida por um presidente e 18 diretores.
Destes 18, três são selecionados
por cada um de três Organizações de Suporte, que arregimentam organizações
envolvidas nas três áreas de endereços IP, nomes de domínio e protocolos.
Destes nove diretores nenhum é brasileiro.
Os outros nove diretores serão
eleitos pelos sócios individuais da ICANN, e em outubro próximo serão
realizadas as primeiras eleições para eleger um diretor de cada um de cinco
regiões do mundo.
Uma das vagas é para a região chamada "América Latina e
Caribe" (AL&C), que se estende do México à Terra do Fogo, incluindo,
evidentemente, o Brasil.
Segundo o censo de computadores ligados à Internet realizada em janeiro de
2000 pela Network Wizards (http://www.isc.org/ds/WWW-200001/dist-bynum.html),
a região AL&C representa 1,6% da Internet mundial, com um total de 1.157.327
computadores registrados de uma população mundial de 72 milhões (estes números
não contabilizam computadores domésticos ou aqueles dentro das redes
privativas de empresas).
Dentro da região, o Brasil está na primeira posição
com 38,6% do total, seguido por México (35%), Argentina (12,3%), Colômbia e
Chile (ambos com 3,5%).
Seria então compreensível que o Brasil seja
representado nesse novo foro importante que é a diretoria da ICANN.
Se isto realmente virá a ocorrer depende de duas coisas.
Primeiro, o
tamanho da Internet brasileira precisa ser refletido no número de sócios
individuais da ICANN.
A ICANN publica o número de inscrições recebidas (http://members.icann.org/pubstats.html).
No dia 19 de julho, contabilizavam-se 52.652 sócios no mundo todo, liderados
por Japão (20.261), EUA (12.115) e Alemanha (8.674).
Da região AL&C havia
parcas 689 inscrições, lideradas por México (208) e Argentina (134).
Do Brasil
havia 98, que correspondem a apenas 14% do total, muito aquém dos 38% da
população de computadores nacionais na Rede.
Desta forma, não será expresso
adequadamente o peso do País na Internet.
Você, leitor, pode fazer a
diferença.
Inscreva-se hoje como sócio individual da ICANN, e incentive seus
colegas a fazer a mesma coisa.
O prazo é curto, mas o benefício para a
representação internacional do País é grande.
O segundo requisito para o Brasil ter uma voz na diretoria da ICANN depende
de haver um candidato.
Felizmente, o temos na pessoa de Ivan Moura Campos,
antigo professor de computação da UFMG, que tem contribuído muito para o
desenvolvimento da Internet no País durante o tempo em que exercia o cargo de
Secretário de Política de Informática e Automação do MCT, quando a Internet
foi aberta para uso universal (1994 e 1995).
Nesta época foi criado o Comitê
Gestor Internet Brasil (http://www.cg.org.br),
responsável por guiar o desenvolvimento da Internet no País, e por resolver
alguns dos problemas do que trata a ICANN a nível mundial. Desde ano passado o
Ivan voltou a presidir o Comitê Gestor, e seria bom vê-lo também na ICANN.
|
Portal da ComUnidade WirelessBRASIL Índice dos Artigos |