FLÁVIA LEFÈVRE GUIMARÃES
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Abril 2010              Índice Geral


20/04/10

• A eficiência da Empresa Privada Jabuticaba

E olha que pegaram mais de R$ 5 bilhões do BNDS e Banco do Brasil para a incorporação da Brasil Telecom entre 2008 e 2009!
Quando será que a OI vai dominar a América Latina?
Já pensaram a OI como gestora do PNBL???

Fonte: Valor Online
[20/04/10]  Oi venderá torres de celular para reduzir dívida - por Graziella Valenti, Ana Luiza Mahlmeister e Heloisa Magalhães

Meta é diminuir ativo imobilizado e elevar caixa.

A Oi planeja uma operação inédita no Brasil até o fim deste ano para melhorar seus indicadores financeiros e levantar algumas centenas de milhões. Inspirada em movimento realizado pelas operadoras indianas ainda em 2007, a companhia deve reunir suas torres de telefonia celular numa subsidiária e vender o negócio para um investidor interessado, com o compromisso de alugar a capacidade em contratos de longo prazo.

Porém, a companhia informou que " não está comentando o assunto " . Mas o Valor apurou que o modelo para esse movimento ainda está em estudo dentro da empresa, devendo ocorrer até o fim deste ano. De qualquer forma, a Oi deve manter-se sócia do empreendimento, ainda que minoritária. Fornecedores do setor são cotados como os prováveis sócios. A empreitada já teria sido oferecida à sueca Ericsson e à chinesa ZTE.

Na Índia, esse movimento ocorreu de maneira setorial, com as três principais operadoras adotando a mesma estratégia no momento em que o país expandiu a cobertura celular para áreas rurais. No Brasil, a Oi pretende obter o apoio das demais empresas na adoção desse modelo, mas o objetivo é levar o projeto à frente ainda que as concorrentes não o adotem.


Desde a compra da Brasil Telecom, consolidada no ano passado, a dívida da Oi teve aumento substancial e vem pesando na rentabilidade. O negócio custou quase R$ 15 bilhões à Oi, considerando as provisões ampliadas na Brasil Telecom. A dívida bruta da Oi passou de R$ 20,2 bilhões, em 2008, para R$ 29,9 bilhões, em dezembro passado. Mas as responsabilidades líquidas cresceram mais, por conta da redução do caixa: de R$ 12,3 bilhões para R$ 21,9 bilhões , o equivalente a 2,4 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) recorrente.

No balanço de 2009, as despesas financeiras líquidas, que subiram para R$ 2,4 bilhões - ante R$ 1,6 bilhão em 2008 -, também contribuíram para o prejuízo de R$ 436 milhões, comparado ao lucro de R$ 1,1 bilhão do ano anterior.

A venda das torres de telefonia celular (estações rádio base ou ERBs) pela Oi lembra o movimento realizado pelos bancos, há anos, quando venderam suas agências para investidores imobiliários e fizeram contratos de aluguel de longo prazo. O princípio por trás da estratégia da Oi é semelhante.

Com a venda das ERBs, além do recurso que consegue levantar, a empresa reduz o ativo e melhora o retorno sobre patrimônio. Além disso, a responsabilidade sobre investimento em capacidade passa a ser do detentor das torres, conforme a demanda da operadora. Assim, a empresa também reduz a necessidade de investimento.

Para quem adquirir as torres, o objetivo é não limitar a venda de capacidade à Oi, podendo oferecer a infraestrutura a outras operadoras celulares e, com isso, rentabilizar mais a rede. Por isso, os contratos devem ser mais flexíveis do que o dos bancos com relação ao aluguel de suas agências.

No balanço da Oi, os gastos fixos devem subir, pois a companhia passará a ter uma despesa de aluguel que antes não possuía. Por outro lado, a depreciação cairá, uma vez que os ativos diminuirão.

É possível que a margem lajida caia com o aumento das despesas operacionais. Contudo, a meta é que a margem líquida fique maior, ampliando a rentabilidade final.

Não há uma estimativa na indústria sobre quanto a Oi pode levantar. Embora a companhia não forneça os dados, especialistas do setor acreditam que a operadora tenha um total de 15 mil ERBs. No país inteiro, existem pouco mais de 46 mil unidades, de todas as operadoras juntas.

O balanço da operação móvel de Oi e BrT somava R$ 6,6 bilhões de ativo imobilizado ao fim de 2009, com patrimônio líquido de R$ 12,4 bilhões. Vale lembrar que o valor imobilizado no balanço é o preço de custo ou de construção da rede, não o de mercado.

A receita líquida da operação móvel da Oi e da BrT foi de R$ 9,1 bilhões no ano passado, 30,4% do total do grupo, enquanto o lajida alcançou R$ 2 bilhões, ou 20% da quantia recorrente da empresa.

Mas esse não é o único movimento inédito que a Oi deve fazer para investir sem complicar os indicadores financeiros. A meta é chegar ao fim de 2012 com dívida líquida igual a 1,8 vez o lajida.

Para 2010 e 2011, a companhia planeja um substancial aumento de capacidade de banda larga em 28 cidades. Contudo, deve fazer o movimento em parceria com dois grandes fornecedores, permitindo que eles participem do lucro da iniciativa. A ideia, com isso, é reduzir a necessidade de investimento da empresa. Ou ainda usar modelos semelhantes a um leasing.

A ideia de compartilhar infraestrutura em si não é nova. A diferença é que a Oi está tentando transformar a rede em negócio. Mas o compartilhamento de rede, móvel e até mesmo de fibras, não é novo. A Vivo vem promovendo esse movimento desde 2007 e hoje tem parceria com concorrentes em iniciativas desse tipo, para dividir a necessidade de investimento.

Embora os analistas admitam que o nível de endividamento da Oi é elevado, não mostram dúvida quanto à capacidade da empresa de honrar as responsabilidades.

A preocupação maior dos analistas é que o esforço concentrado na questão financeira possa levar a empresa a reter investimentos em expansão, para ampliar o caixa, reduzindo assim o crescimento orgânico e prejudicando a qualidade dos serviços.

Em relatório de ontem, o analista Andre Baggio, do JP Morgan, destacou o desempenho de cada uma das empresas na conquista de novos clientes celulares em março. A Oi teve participação 29% menor que em fevereiro e ficou com apenas 9,2% dos clientes obtidos no mês passado. Em outubro de 2009, esse percentual foi de 21,8% e desde então vem mostrando queda.

Ontem, o Merrill Lynch chamou atenção para as provisões possíveis existentes no balanço da Oi - que não são lançadas em resultado e ficam apenas nas notas explicativas. A companhia tem R$ 7,5 bilhões congelados em depósitos judiciais, mas apenas R$ 3,5 bilhões estão lançados no resultado. O total congelado representa 44% do valor de mercado da empresa.


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