José
Roberto de Souza Pinto
WirelessBrasil
Agosto 2026 Índice dos assuntos deste website
10/08/26
• Postes e instalações uma sugestão de caminho.
(Texto escrito em 06/07/26)
O Evento Workshop de Compartilhamento de Postes realizado em São Paulo e
organizado pelo Sindicato dos Engenheiros (SEESP), me motivou a sugerir novas
medidas no sentido de buscar uma alternativa para essa grave situação de fios e
cabos pendurados em postes, nas áreas urbanas e sem algum mínimo padrão de
qualidade e segurança das instalações.
Os comentários e argumentos, sobre essa situação fazem parte de um conjunto de
artigos publicados, aqui no linkedin e no website wirelessbrasil.org de Jose
Roberto de Souza Pinto e não cabe reescrever.
Li atentamente as conclusões do debate técnico, publicado no
TELESINTESE, em artigo de 26 de junho deste ano.
Uma interessante conclusão é que a fiscalização contínua é um ponto chave para a
reorganização ou reordenação dos postes.
Existem ideias para essa gestão, como o citado administrador dos postes, que
seria um “posteiro”, uma Empresa que fiscalizaria permanentemente as
instalações. Certamente a partir de um padrão de instalação definido. Entendo
ser que esta, uma das alternativas.
Entretanto, penso que devemos em primeiro lugar identificar, quem são as
organizações que tem ou que deveriam ter o maior interesse em uma solução.
Nesse particular, destaco que as Prefeituras Municipais deveriam ser as mais
interessadas, afinal trata-se de instalações em ambiente sobre a sua gestão, com
riscos para população, assim como, com impacto visual de péssima qualidade para
a sua administração. Cabe um destaque adicional, que são e serão mais frequentes
as catástrofes naturais, que tendem a destruir as instalações, com enormes
consequências.
Os dois demais interessados e particularmente responsáveis, são as Agências
Reguladoras, a ANEEL, responsável pelas Concessões de Distribuição de Energia
Elétrica e a ANATEL, responsável pelas Outorgas ou Autorizações das Empresas
Prestadoras de Serviços de Telecomunicações. Não vejo estrutura nessas Agências,
para exercer essa função de fiscalização, apesar de receberem recursos
específicos para fiscalização, como por exemplo o FISTEL.
Não posso deixar de registrar, que minha posição para essas instalações, de
energia elétrica, assim como as de telecomunicações, é que elas sejam
prioritariamente subterrâneas, assim como a água e o gás, mas sei da situação de
inviabilidade aqui no Brasil, apesar de inúmeros bairros e cidades aqui no
Brasil e particularmente em outros países, onde observamos soluções de extrema
segurança e qualidade técnica e visual.
Penso que essa opção subterrânea, seja objeto de um Plano Municipal, a ser
gradativamente implementado, no conjunto de obras de melhoria das condições
ambientais e de segurança.
Voltando a inevitável situação da existência de postes e a sua utilização para
instalação de cabos de telecomunicações, vamos recordar algumas iniciativas, que
podem ajudar a criar um processo de reordenamento das instalações em postes.
Faço inicialmente um destaque, no sentido de que não existe uma solução única e
vamos depender do interesse das Prefeituras Municipais. Seria uma questão de
adesão a uma prática, porque os responsáveis são as Agências Reguladoras.
Lembro que a ANATEL, no sentido de facilitar as Operadoras de Telecomunicações,
para atingir as suas metas de instalação de Estações Rádio Base, as ERBs das
Celulares, enviou um vasto material explicativo sobre as instalações para as
Prefeituras Municipais de todo o pais, visando facilitar a aprovação dos
projetos e acelerar o atendimento à população com esses serviços.
De forma semelhante a ANATEL, construiria um processo incorporando as
Prefeituras Municipais, que incluiria os padrões técnicos de instalação e
fiscalização. Caberia à Prefeitura realizar esse trabalho com recursos próprios
ou contratando terceiros para essa atividade.
O custo dessa atividade e a fonte de recursos, deverá ser objeto de uma análise
mais criteriosa que não cabe detalhar neste momento, mas que seria parte desse
processo construído pela ANATEL.
Alguns passos e etapas são fundamentais nesse processo, que se trata do
compromisso das partes.
A título de exemplo, a partir da adesão da Prefeitura Municipal, seriam fixados
prazos e a Prefeitura Municipal, daria início ao programa de ordenação dos
postes, notificando os Prestadores de Serviço diretamente e/ou notificação
pública, dando um prazo de 90 à120 dias para seguir o padrão de instalação
ANATEL e identificando o seu cabo e equipamentos (com código determinado pela
ANATEL). Passado esse período os cabos e fios fora do padrão serão retirados dos
postes e dado o destino apropriado.
Cabe destacar que a ANATEL, tem todas as informações das Empresas regularizadas,
sobre os endereços, bairros, cidades atendidas, que serão fornecidos para as
Prefeituras. Nas outorgas dos serviços a ANATEL, tem todos esses dados.
As Empresas não Regularizadas até esse prazo fixado, teriam suas instalações nos
postes interrompidas. Certamente nos locais, conhecidamente inseguros, as
Prefeituras, não atuariam, aguardando as organizações responsáveis pela
segurança da sociedade atuarem primeiro e não fariam parte deste programa
inicial.
Certamente os especialistas, já observaram que não tratei do pagamento do uso
dos postes das Distribuidoras de Energia Elétrica pelas Prestadoras dos Serviços
de Telecomunicações.
Nessa proposta de modelo, ainda não estão contempladas as Distribuidoras de
Energia Elétrica, pois só recebem pelo uso do poste ou não recebem e não exercem
a fiscalização, que é a situação atual.
Entendo que uma Concessão, qualquer que seja deve estar perfeitamente limitada
ao escopo da sua atividade, não devendo ter custos ou receitas adicionais e nem
subsídios.
Entretanto no caso de um custo adicional, pela utilização do poste, poderia ser
considerado, na forma de recuperação. Alternativamente, poderia se considerar um
custo de fiscalização, que seria de alguma forma repassado para Prefeitura
Municipal, que vai realizar a atividade.
Atenção especial, na questão de custos adicionais a serem pagos pelas
Prestadoras de Serviços de Telecomunicações, para não afetar a competitividade
das Empresas e o consumidor final dos serviços.
Apesar de considerar importante, essa questão do pagamento pelo uso do poste e
para isso não faltam soluções, penso que a questão central é encontrar uma
solução para o caos se formou e que infelizmente levara algum tempo para esse
reordenamento, mas precisa começar.
Compreendo que até aqui, que não temos um desenho completo do processo, mas não
seria uma atividade de enorme complexidade, desenhar todas as etapas e recursos
necessários, seguindo as premissas consideradas.
Aí está só um caminho, baseado no interesse público e responsabilidades
regulatórias e sem dúvida a população merece um ambiente mais seguro de serviços
e agradável para convivência.
Jose Roberto de Souza Pinto, engenheiro e mestre em economia empresarial.
Textos anteriores sobre o tema "Postes e instalações de cabos aéreos":
2025
15/12/25
•
Postes e instalações de cabos aéreos e as catástrofes naturais
2024
15/11/24
• Postes só de iluminação e
sem fio e cabos aparentes – mais uma tentativa
18/10/24
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22/08/24
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